Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

A reinvenção de Nasi

01 de abril de 2013 0

Nasi será lembrado para sempre como o frontman do Ira!, mas há algum tempo não depende mais do posto para chegar aos olhos e ouvidos do grande público. Pelo contrário, o cantor vive um momento esplêndido na carreira e na vida. Na curva dos 50 anos, ele percorreu a “vida pregressa” numa ótima biografia (A Ira de Nasi, de 2012) e imediatamente iniciou um novo ciclo, lançando um dos melhores discos da carreira solo (Perigoso) e se reinventando como apresentador de TV – uma extensão do que faz há uma década no rádio. Programa de Quinta estreou no dia 28, na Band Sports, em que cruza esporte e cultura ao lado do jornalista Mauro Beting. Por essas e por outras que Orelhada levou a seguinte conversa com Nasi:

Que tal fazer rádio? Esperava uma recepção tão boa?
Nasi – Na verdade, estou no rádio com um programa que mistura futebol e rock’n’roll há praticamente dez anos. Começou com Casagrande na Brasil 2000, em 2004, depois fui para a Kiss FM com Ronaldo Giovanelli, originalmente em 2008, e onde estou até hoje. Então, acho que adquiri uma credibilidade e uma forma de fazer programa que agrada a um público. Vejo a boa recepção como uma consequência e não como uma surpresa.

Você já tem certa experiência com TV, mas agora vai comandar uma atração…
Nasi –
Com Mauro Beting, na Band Sport, vou usar um formato parecido com o que uso no rádio. Já no Canal Brasil, é uma experiência nova, estou trabalhando como um repórter itinerante, visitando programas exóticos na noite de São Paulo. E estou me divertindo, o que deve gerar um bom resultado.

O que futebol e música têm em comum que as pessoas não percebem?
Nasi – O futebol e a música retratam bem a vida cotidiana. Nossos heróis anônimos que ficam famosos, as caixinhas de surpresas, tudo de bom e de ruim, de falso e de verdadeiro que acontecem no nosso cotidiano pessoal.

Comunicar-se no palco, pela música, já não é mais suficiente para você?
Nasi – Não, eu quero sempre mais.

Essa diversidade de atividades tem a ver, de algum modo, com a chegada aos 50 anos?
Nasi – Talvez. Hoje procuro ocupar melhor meu tempo. Estou preferindo fazer entrevistas a dar entrevista.

Escrever a autobiografia fez você rever certas coisas na sua vida, querer mudar ou retomar algum caminho?
Nasi – Não, não sou uma pessoa que vive olhando para trás.

No livro, você fala com carinho do Gaspa. Ouviu o disco solo dele? O que achou?
Nasi – Ainda não. Lançou quando? Vou pedir que ele me mande um.

Perigoso deve ser um dos últimos álbuns acomodados no Trama Virtual. Uma pena o fim da plataforma, não?
Nasi – O Perigoso está no site Álbum Virtual da Trama. O que vai sair do ar é o Trama Virtual, que é dedicado a bandas novas. E é uma pena que saia do ar.

Falando no disco, a sua ligação com a black music parece mais explícita do que nunca. É o que você mais ouve hoje em dia?
Nasi – É o que mais ouço há décadas. Só que isso fica mais claro nos discos solo.

O rap é algo presente na sua história. Surpreende a popularidade dele entre a molecada? E você se vê gravando um disco no estilo?
Nasi – Não. Trabalhei com rap como produtor. Não sou cantor de rap, apesar de já ter gravado músicas com certa influência (Corpo Fechado, O Rebanho, por exemplo). O sucesso do rap atual me surpreendeu positivamente. Achava que o gênero estava indo para um beco sem saída e ficando datado no seu discurso e na parte musical. Aí veio a nova geração que o recriou. Parabéns!

Envie seu Comentário