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Campo de guerra argentino

30 de abril de 2013 0

O cinema argentino com viés social surge em plena forma em Elefante Branco, que as locadoras acabam de receber. Outra obra do diretor Pablo Trapero, mas sem a cargo poética de títulos seus como Família Rodante e 7 Dias em Havana, o que torna o foco mais rígido e cinzento. Por outro lado, ele conta com a sempre expressiva presença de Ricardo Dárin, que interpreta um padre empenhado em melhorar a vida dos moradores de uma favela barra-pesada na periferia de Buenos Aires, construída em volta de um mega-condomínio público abandonado (daí o título do filme). Mas é uma tarefa árdua, diante da violência rotineira causada pelo tráfico e pela falta de perspectivas, algo que a religião aplaca, mas não cura. Aliás, o microuniverso que Trapero reproduz, bem como seus personagens (um padre gringo e uma assistente social se envolvem na missão), exalam um pedido mudo de socorro às autoridades políticas e eclesiásticas, que, em algum ponto do filme, voltam as costas para o problema. Elefante Branco é, assim, um drama nu e cru sobre o abandono dos pobres à própria sorte.

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