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Uma marca no rock joinvilense

15 de maio de 2013 1

Abaixo, a reportagem publicada nesta quarta-feira (15) no caderno Anexo, sobre os 30 anos do compacto em vinil da banda Vaga-lumes e a rica trajetória de seu líder, Henrique Werlich, no rock joinvilense. Meus agradacimentos a Marcos Maia e a Edson Luís de Souza, que, por meio do blog Joinroll, revelaram ao mundo esta raridade.

Encontrar a casa não é difícil, apesar do labirinto de casas geminadas no bairro Costa e Silva. Não é o caso da residência de número 50, mas nem por isso ela se destaca das demais. Os vizinhos, porém, sabem o que se passa: ali, se faz, se produz, se grava e se respira música 24 horas por dia. O que eles e muitos dos que frequentam o estúdio instalado no lugar talvez não desconfiem é que seu comandante, o músico e produtor Henrique Werlich, vive assim, entre acordes e instrumentos, desde fins dos anos 70. Como tal, ele pode se orgulhar de ter participado do florescimento do pop rock joinvilense na década seguinte e conceber o que talvez seja o primeiro registro em vinil dessa linhagem, feito que agora completa 30 anos.
Werlich começou a engatinhar musicalmente nas missas e corredores católicos, mas ficou de pé quando conheceu Gilberto Barone, ex-integrante da banda The Players e responsável por abrir a cabeça de uma geração de músicos joinvilenses. Secretamente, Henrique já festejava o rock, a contragosto da mãe. A ironia é que foi na igreja que encontrou o guitarrista Wilson Flávio, com quem viria a formar a Vaga-lumes (escrito assim mesmo), sua primeira banda não cristã. O também guitarrista Vitor Vila e o baterista Gerson completavam o quarteto, que ensaiava no Centro Comunitário Dom Bosco, no bairro Santo Antônio.
Entre 1982 e 1983, os caminhos da Vaga-lumes cruzaram com os de Eduardo Gebara, um paulista que procurava bandas de pop rock para espandir os trabalhos de seu estúdio, o Opus 2, que também atuava como selo musical. Os recursos da época fizeram os rapazes passar seis meses gravando as quatro faixas que dariam no EP em vinil. As referências de Pink Floyd, Deep Purple e Creedence também sofreram com o processo, escondendo-se entre arranjos que iam do psicodélico ao rock rural. “Era um laboratório, não sabíamos exatamente o que fazer”, relembra Werlich, que tocava baixo, cantava, compunha e era o faz-tudo da banda.
Henrique desembolsou o dinheiro das sessões e da prensagem das três mil cópias do compacto, que trouxe em um ônibus vindo de São Paulo. Todas foram vendidas para amigos, parentes e fãs – algumas foram parar até na Argentina. As rádios locais também acolheram bem a bolachinha. Apesar disso, a Vaga-lumes fez apenas mais um show após o lançamento e desmantelou-se, abatida por questões financeiras, pessoais e profissionais. “Em um ano, aconteceu tudo: gravamos, vendemos os discos e acabamos a banda”, resume o Werlich.
Pouco divulgado na época, o sete polegadas virou artigo raro, mas nem a sua obscuridade escapou da digitalização – o link para download gratuito das faixas, da capa e do encarte, pode ser acessado por AQUI.
O fim da Vaga-lumes fez Henrique abraçar novas oportunidades. Em seguida, assumiu a guitarra num projeto que, meses depois, e já sem ele, viria a dar no H2O, uma das principais bandas do boom do rock oitentista da cidade. Dessa cena, a coletânea em K7 Garagem Joinville (1989) foi um marco e contou com a colaboração de Werlich em vários estágios de sua produção no lendário Mug Estúdio. Ele ainda integrou dois grupos de maior duração: o Rivais do Silêncio, que fundia guitarras ao tecnopop, e o pesado Sky Arautos, que continha músicos que hoje tocam no Symmetrya e Kevo.
As bandas passaram, as aulas de música também, e, no ano 2000, Henrique resolveu dedicar-se integralmente ao estúdio montado em casa. Mas, tal qual um vírus que permanece entubado, as canções continuaram a surgir, esperando o momento certo para vir à tona. Que deve ser o segundo semestre, quando, na forma do projeto Triumphus, Werlich pretende lançar um CD com dez faixas compostas, executadas e produzidas por ele. “Quero reunir os parceiros que dão certo comigo para tocar essas músicas ao vivo”, revela o hoje cinquentão, incapaz de largar seu lado “banda”.

Comentários (1)

  • Edson Luís de Souza diz: 15 de maio de 2013

    Peço encarecidamente a quem tiver material de bandas de Joinville e região em fita cassete e não tiver como converter eu busco na sua casa faço a conversão e depois devolvo em mãos. Vamos resgatar esses materiais! Eles são a história do nosso Rock!
    Abraços,
    Edson (Joinroll)

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