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Na saúde e na doença

29 de maio de 2013 0

Há pelo menos 15 anos, Clint Eastwood roda filmes em que a temática do envelhecimento é o amparo, explícito ou não, das histórias deles. Em todos, Eastwood reluta em aceitar o avanço da idade e faz o que sabe melhor: ser durão. No premiadíssimo Amor, recém-lançado em DVD, o diretor austríaco Michael Haneke pega outro caminho para chegar ao mesmo e inevitável fim. Testemunha da decadência física e mental da esposa (Emmanuelle Riva), Georges (Jean-Louis Trintignant) não se rebela contra nada, nem tem o quê provar – ele aceita a situação e faz o possível para que os últimos dias da companheira sejam menos duros. Se nega, inclusive, a discutir o assunto com a filha, por acreditar na inutilidade das palavras. É como se preferisse direcionar todas as forças ao amparo da mulher. Haneke, ele mesmo um senhor de 71 anos, fala por meio de seus personagens, e o que eles dizem em pequenos gestos diários, comuns mas imensamente significativos em situações dolorosas como essa, é muito. A ausência de trilha sonora, os longos planos e a economia de diálogos sugerem o balão de agonia que infla sob o silêncio do apartamento do casal. Que ao explodir, consegue chocar mais do que um acesso de fúria de Clint Eastwood.

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