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Posts de maio 2013

Jaraguá recebe Blind Pigs

31 de maio de 2013 0

Sortudos, esses jaraguaenses. Ganharam de presente a turnê de 20 anos da Blind Pigs, uma das mais importantes bandas punk do País, que de quebra está com disco novo na praça, Capitânia. Com o odor da crítica ácida impregnada em moicanos e jaquetas de couro, o grupo paulista ainda vem com fome de estrada, já que ficou cinco anos sem apresentar hits do underground nacional como O Idiota, Conformismo e Resistência e Sete de Setembro. Portanto, faz-se a convocação: neste sábado (dia 1º), às 22 horas, no Pirata Rock Bar, com abertura de Estado Deplorável, Die Heissen Kartoffel e Rejects S/A. Ingressos antecipados a R$ 20 nas lojas Mega Rock Store, Postos Mime, Ponto Certo Moda Jovem (Jaraguá), Brunetti Discos (Blumenau) e Refuge Rock Wear (Joinville).

Hit Me - Suede

31 de maio de 2013 0

Não sei, talvez um dos “esportes sangrentos” a que o Suede e se refere no título de seu novo disco (Bloodsports) seja a detonação de obras e paredes de museus de arte. Mais aconselhável do que praticar tal atividade – até porque, na Europa, esses locais têm um esquema de segurança bem reforçado – é ouvir o álbum dos heróis do britpop e conferir o clipe de Hit Me, uma das faixas mais agitadas dele.

O caminho até o duelo

31 de maio de 2013 0

Você, caro leitor deste blog, sabe como termina Faroeste Caboclo, que estreou nesta quinta-feira (30) nos cinemas. Renato Russo entregou o spoiler 26 anos atrás, quando a faixa saiu no terceiro disco da Legião Urbana. Como tornar surpreendente a trajetória de João de Santo Cristo até o conhecido duelo com Jeremias na Ceilândia é que foi o grande desafio do roteiro filmado por René Sampaio. E, admitamos, as soluções encontradas costuram bem a linha dramática traçada pela canção, inovam sem descaracterizá-la e ainda abarcam um número considerável de temas, do preconceito à corrupção policial, e o fato da história se passar na Brasília dos anos 80 se presta muito bem a eles. O mais notável, porém, é ver a dimensão tomada por Santo Cristo, um personagem de vida dupla que busca a redenção pelo amor de Maria Lúcia, mas que sempre é puxado de volta para o banditismo, seja pela necessidade, seja pela violência. João trafica, mente e mata a sangue-frio, e, ao contrário de outros anti-heróis da cultura pop, deixa no ar se tem um bom coração. Ainda assim (e mesmo sabendo de seu trágico fim), torcemos por ele. Até porque o outro, o “maconheiro sem-vergonha” Jeremias, é bem pior.

Em carne viva

31 de maio de 2013 13

Por quê Joinville não tem um teatro municipal? Por quê não possui uma biblioteca pública a sua altura? Por quê os moradores, incluindo os jovens, parecem desinteressados por arte? São os questionamentos que literalmente afligem o coração de Taiane Carvalheiro, a ponto de expô-lo como intervenção urbana em locais-chaves da cidade (com o tapume que cerca a biblioteca Rolf Colin, aí embaixo), com quem mantém forte ligação, mesmo estudando artes visuais no Rio de Janeiro. Assim, a missão de desenvolver um projeto acadêmico tornou-se veículo para ela expressar sua angústia diante da percepção da falta de mudanças e da aridez de ideias. A carne cravada de pregos – que, pela foto aí de cima, pôde ser vista da janela pelo prefeito – exprime essa dor quase física, enquanto a rosa plantada na margem do moribundo Cachoeira sinaliza a esperança de um futuro transformado.

AC/DC, no auge e desencapado

30 de maio de 2013 1

Tenho um fraco por Let There be Rock, o primeiro disco de rock pesado que ouvi na adolescência. Porém, é o disco seguinte do AC/DC, Powerage, lançado em 25 de maio de 1978, que considero o auge da banda (colado com Highway to Hell, que saiu dois anos depois). Trinta e cinco anos depois, ainda impressiona a potência que o quinteto exibe numa sequência de nove faixas irrepreensíveis, atingindo um grau possivelmente insuperável de energia, volume, balanço e riffs demolidores. O termo “eletricidade”, que já era inerente ao batismo da banda, aqui percorre, desencapado, da capa até o último ganido de Bon Scott e não causa sobrecarga.

1. Rock ‘n’ Roll Damnation
2. Down Payment Blues
3. Gimme a Bullet
4. Riff Raff
5. Sin City
6. What’s Next to the Moon
7. Gone Shootin
8. Up to My Neck in You
9. Kicked in the Teeth

Por uma rajada de baladas

30 de maio de 2013 0

Você pode vibrar com a coleção de lâminas voadoras do protagonista; o bigodon de Antonio Banderas; a presença de Mel Gibson como figurante de luxo; a estreia de Lady Gaga nas telas; ou o irônico papel de presidente dos EUA dado a Charlie “Carlos” Sheen. Mas, para mim, nada é mais delirante do que o sutiã-metralhadora da deliciosa Sofia Vergara, que ganhou um cartaz só para ele/ela. Por tudo isso e mais as sandices descerebradas já vistas no original de 2010, suponho que Machete Kills (que estreia em 20 de setembro no Brasil) seja a bobagem mais imperdível nos cinemas em 2013.

A segunda vinda

30 de maio de 2013 0

Certeza de audiência e polêmica, religião e reality show se trombam para elevar uma grossa nuvem de discussão em torno de fé, mídia e ciência na série Punk Rock Jesus, que a Editora Panini publica no Brasil dentro da revista “Vertigo”. A HQ – uma das mais elogiadas nos EUA em 2012 – é obra de Sean Murphy, um ex-católico que imaginou uma história em que DNA é retirado do Santo Sudário e usado para criar um clone de Jesus, cuja vida será mostrada integralmente, dia após dia, na TV. A inescrupulosa rede responsável pelo projeto contrata uma geneticista e uma ingênua virgem de de 18 anos para dar à luz ao “salvador”, e tudo corre bem até que ele atinge a adolescência. É quando Chris descobre o punk rock, adota o corte moicano e rebela-se contra o mundo artificial em que vive desde o nascimento. Os desenhos em preto e branco invocam a estética underground e casam bem com a veia satírica da trama.

Na saúde e na doença

29 de maio de 2013 0

Há pelo menos 15 anos, Clint Eastwood roda filmes em que a temática do envelhecimento é o amparo, explícito ou não, das histórias deles. Em todos, Eastwood reluta em aceitar o avanço da idade e faz o que sabe melhor: ser durão. No premiadíssimo Amor, recém-lançado em DVD, o diretor austríaco Michael Haneke pega outro caminho para chegar ao mesmo e inevitável fim. Testemunha da decadência física e mental da esposa (Emmanuelle Riva), Georges (Jean-Louis Trintignant) não se rebela contra nada, nem tem o quê provar – ele aceita a situação e faz o possível para que os últimos dias da companheira sejam menos duros. Se nega, inclusive, a discutir o assunto com a filha, por acreditar na inutilidade das palavras. É como se preferisse direcionar todas as forças ao amparo da mulher. Haneke, ele mesmo um senhor de 71 anos, fala por meio de seus personagens, e o que eles dizem em pequenos gestos diários, comuns mas imensamente significativos em situações dolorosas como essa, é muito. A ausência de trilha sonora, os longos planos e a economia de diálogos sugerem o balão de agonia que infla sob o silêncio do apartamento do casal. Que ao explodir, consegue chocar mais do que um acesso de fúria de Clint Eastwood.

O "momento Dylan" de Renato Russo

29 de maio de 2013 0

Faroeste Caboclo é a nossa Like a Rolling Stone. Estivesse vivo, talvez Renato Russo não concordasse, mas certamente sentiria orgulho da comparação, já que o autor da segunda, Bob Dylan, era um de seus heróis máximos. A relação com o bardo americano se dá ainda por outro de seus clássicos, Hurricane, que do mesmo modo que Faroeste - cuja transposição para o cinema estreia nesta quinta-feira (30) -, narra uma história com começo, meio e fim, marcada por violência e injustiça e disparos contra a sociedade e o sistema. “Acho que Faroeste Caboclo é uma mistura de Domingo no Parque de Gilberto Gil, e coisas do Raul Seixas com a tradição oral do povo brasileiro. Brasileiro adora contar história. E eu também queria imitar o Bob Dylan. Eu queria fazer a minha Hurricane“, explicou Renato Russo em 1990.
Mas voltemos a Like a Rolling Stone.
Em 1965, a faixa foi lançada como single, contrariando as regras da época, que requisitavam faixas curtas e fáceis para fisgar os ouvintes e atraí-los para as lojas de discos. Like a Rolling Stone não tinha nada disso: além de ter seis minutos de duração e um instrumental elétrico pesado – em contraponto ao folk praticando por Dylan até ali -, continha uma letra quilométrica com doses fartas de sarcasmo e observações vingativas sobre a decadência de uma mulher (aparentemente) da alta classe. A relutância da gravadora transformou-se em sorrisos quando a faixa escalou as paradas e tornou-se um sucesso absoluto, vindo a se tornar uma peça revolucionária na história da música pop.
É de se pensar se a EMI não teve as mesmas dúvidas em relação ao Faroeste Caboclo, com preocupações ainda maiores. Afinal, a canção não só bate nos nove minutos e não tinha refrão como tem trechos de puro punk rock e palavrões a rodo (substituídos por um sinal sonoro na hora da divulgação). Porém, este é um caso de geração espontânea. A faixa infiltrou-se nas programações de rádio por vontade de locutores e insistência dos fãs e caiu no gosto do público, a ponto de a Legião Urbana tocá-la no Globo de Ouro, o grande palco dos hits-chiclete da TV brasileira.
Em resumo, é um fenômeno único no pop nacional, cuja grandiosidade – em mais de um sentido – ainda hoje tem o poder de reduzir o espaço para veiculação de bobagens que nem sonham em ser tão longevos quanto João de Santo Cristo, Renato Russo e a própria Legião.

Não esperem por nós

29 de maio de 2013 0

“Estamos numa fissura incrível pra fazer um som”. Esse é o aviso que o guitarrista/vocalista Tiago Lanznaster manda aos que andam se perguntam sobre o ligeiro sumiço do Reino Fungi desde o ano passado. Porém, ele também adverte que essa vontade toda não se converterá imediatamente numa enxurrada de shows e no lançamento de um novo disco – aliás, existe material suficiente para preencher um álbum duplo, garante o músico. Atividades variadas mantiveram os cinco integrantes ocupados, mas o presente de calma permitirá a eles se reunir no final de junho para decidir os próximos passos, que deverão passar por shows pontuais já agendados. “O que queremos mesmo é fazer poucos eventos, porém, algo muito criativo, inovador e que tenha valor agregado”, diz Tiago, acenando para a reciclagem de sons, influências, interesses e até de relacionamento pela qual os fungis têm passado. O chá gelou e ficará assim por mais um tempo, mas esperamos que volte a ser dançante.