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Grita que eu te escuto

02 de junho de 2013 0

Sendo Santa Catarina um dos centros nervosos da produção trash/gore no Brasil, por conta da incansável Canibal Filmes, faz sentido apontar Gisele Ferran como candidata a “scream queen” número 1 dessa cena. Há sex appeal suficiente para isso, mas ela também tem uma atitude “sangue nos olhos” capaz de deixar qualquer um esperto quanto a gracinhas. Gritando, correndo ou manuseando um facão, a atriz riosulense – que estreou em 2010, com Frebby Breck Ballet, de Gurcius Gewdner, e desde então participou de quase dez produções – não para de despertar paixões, mas continua fiel ao diretor Petter Baiestorf, cujo Zombio 2 (foto acima) também estrela. Gisele ainda está no aguardado Mar Negro, do capixaba Rodrigo Aragão, e arrisca expandir ações no curta O Laboratório do Dr. Sepúlveda, que codirige com Coffin Souza. Sem terror, mas desafiando a timidez (!?), ela deu a seguinte entrevista ao blog.

Soube que, no início, você nem pensava em ser atriz…
Gisele Ferran
– Verdade. Sempre fui reservada/envergonhada e sofria muito com a dificuldade em me expressar, mesmo em um grupo pequeno de pessoas. Então, comecei a fazer aulas de teatro com o objetivo de perder a timidez e conseguir falar em público. Nessa época, eu não tinha a mínima pretensão artística e a ideia de apresentar alguma peça nem passava pela minha cabeça. Mas logo nas primeiras aulas, surgiu em mim uma paixão muito forte pelo teatro e a arte de representar e, então, tive a certeza que era isso que eu queria fazer para o resto da vida. Minha primeira peça foi um musical infantil e, nessa época, nem imaginava fazer filmes de terror/gore.

Sempre foi fã de filmes de terror?
Gisele -
Na adolescência, eu gostava de assistir filmes dramáticos, especialmente os europeus, por serem mais lentos e profundos e também por terem muitas cenas de sexo e perversão (risos). Era fã de Bernardo Bertolucci e de filmes como Beleza Roubada, La Luna, O Último Tango em Paris. Também assistia filmes de Pedro Almodóvar, entre eles Kika, Carne Trêmula, Tudo sobre Minha Mãe, Fale com Ela. Esses eram os meus filmes preferidos. Um filme que marcou minha infância foi A Fortaleza, de Arch Nicholson. Foi o primeiro filme de suspense/terror que eu assisti, revi várias vezes à tarde, na TV aberta, nos anos 80/90. Outro filme de terror que eu gostava bastante e assisti inúmeras vezes, no início da minha adolescência, foi Entrevista com o Vampiro. Mesmo apresentando um horror sutil, fiquei impressionada e até hoje é um dos filmes de vampiros que eu mais gosto. Mas a paixão por filmes de terror surgiu em minha vida recentemente.

Como se sente fazendo parte da turma do Petter Baiestorff?
Gisele
- Sinto-me orgulhosa e feliz por fazer parte da equipe Canibal Filmes, tenho certeza que essa parceria vai durar bastante. Temos muitos projetos para colocar em prática. É uma honra trabalhar ao lado de pessoas extremamentes criativas e talentosas como Petter Baiestorf, Cesar “Coffin” Souza, Leyla Buk, Gurcius Gewdner e tantos outros que, além de companheiros de trabalho, se tornaram meus grandes amigos. São pessoas maravilhosas que admiro e amo muito.

Você vive exclusivamente do seu trabalho artístico?
Gisele
– Não. Sou uma pessoa normal que levanta cedo pra trabalhar como a grande parte dos brasileiros, e também gosto muito disso. Muitas pessoas esquecem algo muito mais importante que qualquer retorno financeiro: a satisfação pessoal. Em todos os trabalhos que realizo, coloco isso acima de qualquer coisa, seja no comércio, nos trabalhos voluntários em ONGs ou nos afazeres domésticos.

Seja sincera: há dias em que você acorda se sentindo uma estrela?
Gisele
– Claro! Existem dias em que eu acordo me sentindo uma diva, linda, talentosa e supervitaminada, e outros em que olho no espelho e me sinto horrível, tipo a irmã gêmea do Gollum. (risos). E qual mulher não é assim?

Há quem lhe considere também uma musa do underground brasileiro…
Gisele -
Bem, alguns sites e jornais tem se referido a mim como “a musa do cinema underground” devido ao destaque e a quantidade de filmes em que atuei de 2010 pra cá. Eu sempre fui fã da atriz catarinense Ljana Carrion, que teve papéis de destaque na Canibal Filmes. Fora de SC, admiro bastante a Kika Oliveira (Mangue Negro, A Noite do Chupacabras), Mayra Alarcón (A Noite do Chupacabras), Mariana Zani (Gato, Estranha, Morte e Morte de Jhonny Zombie, Minha Esposa é um Zumbi), Milena Bessa (A Noite do Chupacabras). Tive o prazer de trabalhar com Kika, Mayra, Mariana e Milena recentemente no filme Mar Negro, que estreou no começo do mês no Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre.  Ah, sem esquecer a Dona Oldina,a Fernanda Montenegro do tash ncional. Dona Oldina é uma atriz de 83 anos que está fazendo muito sucesso no cinema underground atuando nos filmes do seu neto, o diretor Felipe Guerra. Enfim, o cinema independente nacional é riquíssimo em musas supertalentosas e carismáticas.

Como vocêndo tímida, encara fazer cenas mais pesadas, inclusive de nudez?
Gisele
- Foi bastante formidável e tranquilo fazer as cenas de topless em Frebby Dreck Ballet. Toda equipe me tratou com muito respeito, e acredito que essa atitude foi essencial para meu bom desempenho no curta. Adoro Frebby Dreck Ballet pela sensação de liberdade que transmite. A nudez no filme, a meu ver, é colocada não de forma sexual, e sim como algo natural, espontâneo e até mesmo ingênuo e puro. Trabalhar com o Gurcius Gewdner foi uma experiência fantástica.  E eu ainda estava deslumbrada com esses novos acontecimentos na minha vida, quando surgiu o convite para trabalhar com Petter Baiestorf em O Doce Avanço da Faca.  Lendo o roteiro, percebi que eu teria mais algumas cenas de nudez, mas tirei isso de letra. Na verdade tenho muito mais facilidade em fazer cenas de nudez do que cenas de violência. A maioria das pessoas se escandaliza ao ver uma cena de nudez e acha confortável e banal cenas de violência. Não consigo compreender o porquê disso. Para elas, o ato de encenar o amor ou estar ao natural é algo condenável e repulsivo. Para mim, a nudez é algo absolutamente normal, natural e bonito.



Você mora numa cidade pequena. As pessoas te olham torto?
Gisele
– Acredito que pessoas invejosas e amargas existam em qualquer lugar, isso não é apenas um problema de cidade pequena. O que acontece é que nelas todos se conhecem, então fica muito mais fácil para esse tipo de gente espalhar a sua maldade em forma de comentários cheios de malícia. E claro que, quando souberam sobre os filmes que participei, inventaram as mais absurdas mentiras. Fui muitíssimo discriminada. Mas por um lado isso foi bom para eu descobrir quem realmente vale a pena, quem gosta de mim e quem se importa comigo. E hoje em dia dou muito valor para esses poucos amigos que ficaram ao meu lado o tempo inteiro, me dando forças para seguir em frente e continuar fazendo o que eu gosto. Quanto à essas pessoas maldosas que muito me prejudicaram com mentiras e difamações, já os perdoei porque sou uma pessoa maravilhosa com um bom coração (risos).

Seus planos como atriz incluem se aventurar em outros gêneros?
Gisele
- Trabalhando na Canibal Filmes, tenho a oportunidade de explorar o meu potencial artístico em todos os gêneros: comédia, terror, gore, drama, erótico, trash. A Canibal é tudo isso, são vários estilos de filmes (e, muitas vezes, todos se misturam em um único).

O que mais aterroriza a pessoa Gisele Ferran?
Gisele
– O mundo real é mais assustador do que qualquer filme de terror. Nele, a violência é verdadeira, seja ela física ou na forma de controle social, censura ou manipulação. O número de religiosos fanáticos está crescendo de forma assustadora no Brasil e eles estão tomando conta do poder. Isso é muito triste e preocupante. Sinto medo do futuro do nosso País.

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