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Pelo glamour das palavras

07 de julho de 2013 1

Ao saber que o Estado receberá um grande evento literário no segundo semestre de 2014 (leia mais AQUI), Orelhada foi saber dos próprios organizadores como isso se dará. Ouviu, então, de Emmanuel Mirdad, diretor da Mirdad Gestão em Cultura, que a Festa Literária Internacional de Santa Catarina (Flisca) acontecerá nos moldes da Flica (foto acima), que desde 2011 movimenta a cidade histórica de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, sempre no mês de outubro.
– A primeira edição surgiu pra suprir uma demanda enorme no mercado baiano por um evento do tipo “festa literária”, que é diferente de feiras e bienais, por focar no encontro entre autor e leitor, e não na vendas de livros. Além disso, há shows abertos ao público todos os dias. Aliás, toda programação da Flica, desde o início, é gratuita – explica Mirdad, que em Santa Catarina planeja um festa anual, em setembro ou novembro, a começar por Florianópolis.

Por quê Santa Catarina para receber um evento literário desse porte?
Emmanuel Mirdad
- Quando a Mirdad Cultura decidiu ampliar suas ações culturais pelo País, fizemos uma pesquisa e verificamos que Santa Catarina tinha um cenário muito interessante para o nosso ramo. Por ser um destino turístico em expansão e ter uma rede de serviços e hotelaria interessantes; por não ter um evento do tipo “festa literária” e não ter (ainda) um evento de cultura que possa atrair atenção midiática nacional e o turismo (outros eventos, de entretenimento e esportivos, realizam isso, mas cultural não); por, assim como na Bahia, ter uma demanda reprimida que precisa ser atendida, para o bem do mercado literário, escritores e público, que possa se tornar um produto calendarizado, com responsabilidade social por meio de ações contínuas de formação, fortalecendo o turismo e a divulgação da cultura local.

É possível bater de frente com a Flip?
Mirdad
- Bater de frente não, ser a opção à Flip, sim. Todo evento tem um desgaste natural, uma curva descendente, e com 11 edições, há uma quantidade enorme de pessoas que já foram muitas vezes à Paraty, gostam desse modelo de proximidade com autores e ainda não têm uma opção próxima. A maioria do público da Flip é de São Paulo e Rio. O sucesso do evento atrai turistas do Brasil todo, e é isso que fará sua renovação. Mas esse público próximo à Paraty quer conhecer outros locais, e é aí que a Flisca entra, com a belíssima opção de ser um evento itinerante, que vai circular por Santa Catarina. A cada edição, uma nova surpresa, uma nova descoberta, nunca ficará maçante. A fidelização desse público é obrigação nossa, da curadoria, sempre antenada com as tendências.

O glamour de um evento assim não tira um pouco o foco da literatura em si?
Mirdad (foto ao lado) –
Pelo contrário, quanto mais glamour, melhor para a literatura, por ocasionar mais vendas e valorização do escritor, do ofício de escrever, da sua importância na sociedade. Essa visão do escritor entrincheirado, misantropo, a idolatria da reclusão, não é compactuada por nós. Somos partidários da importância da divulgação na carreira de um escritor. E é importante destacar que quem escreve bem continuará (ou não) fazendo isso, independentemente do surgimento de eventos de promoção de sua obra, das ações que sua editora faça pra vendê-la.

Vocês s já têm recursos para colocar o evento de pé? E a ideia é realizá-lo anualmente?
Mirdad
- A Flisca está em fase de captação. A Mirdad Cultura é dona da marca e a realizadora. A produção fica por conta da empresa local Walper Ruas, de Ligia Walper e Tabajara Ruas. Iniciamos o diálogo com o governo e outros parceiros, e o processo é demorado, porque trata-se de uma primeira edição, sempre a mais difícil de realizar. Mas como Santa Catarina tem muitas indústrias e patrocinadores em potencial, estamos muito confiantes. E o evento será anual sim, sempre em setembro ou novembro – estamos estudando a melhor opção.

Os escritores catarinenses terão vez?
Mirdad -
Sim, claro, sempre! São 23 ou 24 autores por edição, distribuídos em 12 mesas literárias. Temos um modelo que distribui harmonicamente a quantidade escritores locais, nacionais e internacionais. Contemplamos as grandes e as pequenas editoras, aliamos alta literatura ao entretenimento, procurando oferecer diversidade de temas e estilos. E com a presença do escritor Carlos Henrique Schroeder na curadoria (completada por mim e pelo escritor gaúcho Aurélio Schommer), os escritores de Santa Catarina serão muito bem selecionados.

Comentários (1)

  • Emmanuel Mirdad diz: 8 de julho de 2013

    Bacana, Rubens, grato pelo espaço e pelas perguntas. Estamos bem no início, mas as perspectivas são muito boas. Santa Catarina tem um perfil excelente pro tipo de evento que a Flisca é. Vou mantê-lo informado. Grande abraço!

    PS – a foto da Flica é de Vinícius Xavier e a minha é de Léo Monteiro.

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