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Autobiografia terapêutica

30 de dezembro de 2013 0

divulgaçãoThe Who é o que é – uma das maiores bandas da história, que elevou o rock a níveis artísticos notáveis nos anos 60 e 70 – por causa de Pete Townshend. Ou melhor, por causa de seu insano talento para captar os sentimentos de sua geração e moldar música extraordinária a partir de suas próprias confusões emocionais. A profundidade sonora e literária atingida por ele em estúdios e palcos segue em A Autobiografia (Globo Livros), quase 500 páginas de confissões escritas com pena de fina cepa. O artesanato musical e as aventuras cabeludas do Who estão todas relatadas, saciando plenamente o fã interessado nas motivações por trás de Tommy e Quadrophenia (por exemplo) e nas encrencas em que o quarteto vivia se metendo. Porém, é com um quase senso de expiação que Pete abre o peito para além da profissão: revela as rusgas com os colegas – causadas, em geral, pelas ideias conflitantes de Roger Daltrey e os excessos de John Entwistle e Keith Moon -, o alcoolismo e o conflito interno entre ser um rock star clichê e um pai de família zeloso. Townshend o faz de modo de tão articulado e emocional que é difícil não identificar nele um escritor de mão cheia, além de músico fora de série.

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