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Alguns passos para a terrinha

19 de maio de 2014 0

chico maurente, divulgação
O saber acumulado em mais de 30 anos nos palcos, coxias, salas de ensaio e de aula farão Robson Benta atravessar o Atlântico nos próximos dias. O ator joinvilense – um dos mais ativos do teatro local, com diversas peças marcantes e curtas metragens no currículo – fará o caminho inverso ao das caravelas de Cabral para ministrar uma oficina de interpretação cênica a bailarinos da Escola Superior de Dança de Lisboa, entre 26 e 28 de maio. Será uma imersão, em terras distantes, de Benta numa arte da qual sempre esteve próximo, experimentada mais como diversão, mas também em momentos únicos no teatro. E quem sabe dessa experiência Robson não sugira um espetáculo com foco na dança aos colegas do Impar Coletivo de Teatro, do qual é uma das cabeças pensantes? Como mostra nesta entrevista para a coluna, ele não descarta a possibilidade.

Como vai ser esse curso em Portugal?
Robson Benta - A proposta do curso é trabalhar aspectos da representação teatral com os bailarinos da Escola Superior de Dança de Lisboa. Vou propor uma série de exercícios de improvisação utilizados na formação de atores e jogos dramáticos. Vamos pensar a dança, a coreografia e a atuação dos bailarinos a partir de sua expressão facial, aspecto que parece pouco trabalhado nas montagens coreográficas da maioria das escolas.

Tem suas peculiaridades falar de arte cênica para bailarinos?
Benta - Na verdade, sendo a dança uma das artes cênicas, estamos num ambiente muito próximo do teatro. A formação do bailarino prioriza uma atenção ao domínio do corpo, deixando de lado esse cuidado com o que pode ser dito com o olhar. Acredito que o caminho seja o mesmo utilizado com atores. A disciplina adquirida na formação do bailarino facilita um pouco o trabalho, pelo menos foi o que percebi na experiência com a AMA Cia. de Dança.

É imprescindível conhecer o teatro a fundo para ser um bom bailarino?
Benta – Acredito que o bailarino completo deve, sim, ter uma boa formação em teatro. As duas artes se completam, assim como o ator que pratica dança pode ter um melhor desempenho em sua atuação.

Por falar nisso: Robson Benta dança?
Benta - Seguidor da teoria de minha amiga professora, bailarina e coreógrafa Maria Fortuna, que diz que todos temos a nossa dança, eu afirmo que danço! (risos) Adoro dança de salão, mas sem me preocupar com técnicas ou coreografias. Apenas danço e me divirto. Tive uma experiência no Festival de Dança, nos anos 80, numa coreografia do Lucas David.

Qual, afinal, a sua relação com a dança?
Benta - Desde que cheguei em Joinville estou próximo da dança, pois comecei a fazer teatro com o Borges de Garuva lá na Casa da Cultura e muitas vezes tínhamos aulas com professores da Escola Municipal de Ballet. Sinto a dança presente em minhas realizações no teatro.

E o Impar, do qual você faz parte, tem uma relação próxima com a dança…
Benta - O Impar nasceu de uma companhia de dança. E foi a partir de uma oficina que ministrei com os bailarinos da AMA que organizei o programa que vou levar para Lisboa.

Agora, com o Coletivo, é possível ver você participando de algum trabalho nessa área?
Benta - Com certeza. O Coletivo pretende fazer investigações que passam, sim, pela dança. Espetáculos que envolvam a dança e bailarinos em cena junto com os atores estão em nossos planos. Temos atores e bailarinos no Impar, por que não aproveitar e unir os elencos num espetáculo?

Por que não vemos mais trabalhos misturando teatro e dança em Joinville?
Benta - Penso que as possibilidades que resultam da união dessas duas formas de arte têm sido visitadas recentemente em Joinville e estão despertando a curiosidade dos grupos para experimentá-las. Como a Cia. Didois, do Amarildo Cassiano e da Sabrina Lermen, que também tem nos brindado com trabalhos cênicos montados por alunos do Bolshoi que unem teatro e dança. Produzimos no Impar um experimento em vídeo, Uma Escada para João, que uniu teatro e dança, além da música, criada para e junto com o experimento.

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