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Outra vez, os dias de luta do Ira!

22 de agosto de 2014 1

rui mendes, divulgação
- Eu descobri um ditado africano incrível que diz que 20 crianças não brincam juntas durante 20 anos. Não dá para a gente levar para a vida inteira as mesmas pessoas, senão seria uma mentira. Assim como o Ira! teve vários momentos, ele teve que se desprender de algumas formações.
Nasi reage assim, compreensivo, mas firme, aos que tomam bandas como retratos de família, daqueles imutáveis e perenes. O vocalista do Ira! entende a passionalidade do fã – especialmente daquele que cresceu ouvindo a banda nos anos 80 -, mas o chama para a racionalidade: não havia como o grupo voltar sem ser reformulado. Dessa maneira, sete anos depois de uma implosão que foi parar até nos tribunais, ele reencontra os palcos com seus dois fundadores à frente, Nasi e Edgard Scandurra, o núcleo-base que dá nome à turnê e ao primeiro hit do Ira!. Com eles agora estão o baixista Daniel (filho de Edgard), o baterista Evaristo e o tecladista Johnny Boy, que já acompanha a banda há duas décadas. É assim, rejuvenescido, que o Ira! caiu na estrada em maio, um caminho que passará por Joinville (sexta, dia 22), Indaial (sábado, 23) e Florianópolis (domingo, 24) atulhado de sucessos e as inevitáveis memórias. E chegará a um novo disco, uma das garantias que Nasi dá nesta entrevista exclusiva.

Como está sendo essa turnê até aqui?
Nasi – Está sendo excelente, cara. Pegamos casas todas lotadas, encontramos um público emocionado, vibrante, e o resultado musical também está sendo excelente. Nossa agenda está refletindo o público sedento pela nossa volta e estamos correspondendo.

Pelo que você tem percebido, é um público mais jovem ou uma mistura de gerações?
Nasi - Misturado. Óbvio que tem muita gente que curtiu a gente na década de 80, alguns vêm inclusive com os filhos. A outra metade é uma garotada que talvez tenha conhecido a gente por meio do Youtube. Tem um material muito grande do Ira! lá, é incrível.

Foi difícil chegar a um consenso sobre as músicas que entrariam no show?
Nasi – Pensei que iria ser mais difícil, mas não foi não. Fizemos um repertório com músicas de toda a nossa discografia, mas dando destaque para os três primeiros álbuns do Ira!.

Vocês têm dito que as músicas estão soando mais rock’n’roll do que nunca. É isso que os fãs daqui podem esperar?
Nasi – É isso, sim. É impressionante a seção rítmica. O Daniel (baixista, filho do Edgard) e o Evaristo, baterista, trazem um carga de rock mais intensa. Então os shows do Ira! estão mais rock do que já eram.

O Gaspa (ex-baixista) chegou a ser convidado para esta volta?
Nasi - Não tivemos mais contato com o Gaspa. O que aconteceu é que em 30 de outubro participei de um show beneficente organizado pelo Edgard em São Paulo, show esse que foi um detonador da volta do Ira!. Um grande portal pegou a opinião de todos nós, se havia chance (de a banda voltar), etc e tal, e o Gaspa se manifestou enfaticamente, dizendo que não tinha interesse em voltar, que tinha a vida estabilizada, com os projetos dele, desejando sorte para mim e para o Edgard, achando que a gente tinha mesmo que fazer um formação nova… Então isso fez com que a gente nem ligasse para ele.

O que você diz para as pessoas que torcem o nariz para retornos de bandas clássicas, ainda mais quando não voltam com a formação mais conhecida?
Nasi - O que posso dizer é que não encontrei essas pessoas até agora (risos). A gente se preparou até para ter uma resistência, mas essa era a condições para o Ira! voltar: ou ele voltava renovado ou não voltava. Mas essa resistência não aconteceu. Nos shows, quando apresentamos os outros três músicos, eles são extremamente ovacionados, nunca vi nenhum cartazinho “cadê fulano? Cadê cicrano?”. Agora, é óbvio que todos têm seu fã-clube, não dá para agradar todo mundo. Tem que agradar primeiramente a nós.

Depois desta turnê, pode-se esperar um novo disco da banda?
Nasi - Pode sim. Esse é o nosso objetivo e é o que vai acontecer. Só não queremos trabalhar com pressa. Queremos curtir essa turnê, inclusive aproveitar essa convivência intensa para ouvir música junto, para surgir temas nas passagens de som, nos ensaios. O público pode ter certeza que esta turnê não está sendo uma celebração para a nossa volta e tchau. É uma turnê que anuncia o Ira! de volta a suas atividades. A gente só não quer colocar data. Mas a gravação deve acontecer daqui a dez ou 12 meses.

E como ficam as carreiras individuais sua e do Edgard?
Nasi – O que está acordado, e é muito importante para que o Ira! sobreviva de uma maneira sadia, é que vamos alternar momentos de prioridade. Neste momento, a prioridade é o Ira!. Nossas coisas paralelas serão feitas se sobrar algum tempo. Futuramente, eu e o Edgard vamos inverter isto – depois de lançar um disco novo, vamos fazer o Ira! tocar menos para podermos nos  aprofundar em alguns trabalhos solo. Isso é o que vai dar chance para não acontecerem aquelas frustrações que aconteciam no passado.

Depois de mais de 30 anos, como você, vocalista e fundador, vê o Ira! dentro do rock brasileiro?
Nasi – O que posso dizer é que com essa parada deu para sentir melhor a nossa relevância. Porque muitas bandas param e quando voltam não encontram essa idolatria que a gente encontrou. Acho que o Ira! entra como uma banda de personalidade marcante no rock brasileiro, com uma linguagem própria, difícil inclusive de ser imitada. Acho que, para o público, o Ira! é uma banda verdadeiramente de rock, não é uma banda que nasceu para o rock numa época que se pedia isso. Sinto que o público vê o Ira! como uma banda de rock de verdade.

Comentários (1)

  • Rudolph diz: 23 de agosto de 2014

    Resta saber o que aconteceu de verdade com o Nasi… de uma hora pra outra, o cara apareceu pesando uns 200 kg.

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