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Artistas cruzam os braços e vão à luta

09 de dezembro de 2014 22

Claudia Baartsch
Imagine por um momento, dileto leitor, que a arte evaporasse da Terra. Do dia para a noite, não houvesse mais música no seu rádio, a TV não passasse mais séries ou novelas, os cinemas fechassem por falta de filmes, os quadros sumissem das galerias, as agendas dos teatros só tivessem seminários e coisas do tipo. Sua vida se resumiria a trabalhar e acompanhar o noticiário político/econômico/policial/esportivo. Sem graça? Pior, quase mortal para o ser humano, que não é feito só de carne e osso, mas também de sonhos, fantasias, histórias, poesia e valores contidos no fazer artístico. Medir o valor dele para cada pessoa e na sociedade como um todo é o pedido que a Associação Joinvilense de Teatro (Ajote) está fazendo a partir de uma “greve de artistas”, imaginária, claro, mas que provoca com a ideia de uma rotina em preto e branco.
A proposta começa efetivamente nesta terça-feira (9), quando deveria estrear a mostra teatral Cena 11, cancelada por falta de dinheiro. Na real, esse foi o primeiro sintoma dos “braços cruzados”: sem apoio do poder público e da iniciativa privada, os teatreiros de Joinville se negaram a fazer mais uma edição somente na raça. Em vez disso, optaram por redigir um manifesto, assinado pelos 20 grupos ligados à Ajote (leia abaixo), que, antes de tudo, denuncia o descaso para com a cultura na cidade, perceptível pela escassez de recursos para a área, pelo não cumprimento de metas do Plano Municipal de Cultura, pela perda de convênios e pelo cancelamento de eventos locais. Um debate está marcado para esta terça, às 20h30, no galpão da Ajote, na Cidadela.

MANIFESTO CENA 11

A AJOTE – Associação Joinvilense de Teatro, desde sua criação em 2001, vem promovendo a Mostra CENA, com o objetivo de contribuir com a produção, difusão, reflexão e formação em teatro na cidade de Joinville. Trata-se de uma celebração da classe artística, que oferece para toda a cidade um momento de encontro com o fazer teatral.
As primeiras edições em 2001 e 2002, realizadas praticamente sem nenhum tipo de incentivo financeiro, contaram com a determinação dos teatreiros da cidade, que, além de oferecerem seus espetáculos, também traziam grupos nacionais e internacionais para integrar a grade de programação. Após dois anos sem acontecer por falta de fôlego da recém-criada associação, a CENA 3 é retomada em 2005. Com o tempo, a Mostra foi ganhando força, através da articulação da AJOTE e de incentivos financeiros e apoios institucionais, principalmente advindos do SIMDEC. Desde então, todo ano era ano de Mostra, até a CENA 10 em 2013. Nessa trajetória, o evento já teve um documentário e um livro produzidos, já teve espetáculos acontecendo nos mais diversos espaços culturais e alternativos da cidade, já contou com oficinas de crítica teatral, exposições, debates, teatro para crianças, de rua, de animação, grupos convidados nacionais e internacionais, mostras paralelas e espetáculos inéditos.
Agora, em 2014, a cidade de Joinville volta-se para a AJOTE e pergunta: Por que a Mostra CENA 11 não aconteceu?
Depois de 10 anos de produção, a AJOTE devolve a pergunta:
Por que a Mostra CENA 11 não aconteceu, se ela é o momento de celebrar o teatro, celebrar este fazer artístico que move nossas vidas como teatreiros? Por que ela não aconteceu se é nela que o público joinvilense tem a oportunidade de ver um panorama do que é produzido na cidade, além de ter contato com espetáculos do cenário teatral brasileiro? Por que não aconteceu se ela é um importante momento de formação de plateia? Se ela oferece uma alternativa de atividade cultural? Se oferece arte como forma de questionar e redimensionar a vida? Se ela propulsiona a produção local? Se ela ajuda a girar a economia da cidade?
A CENA 11 não aconteceu porque a AJOTE, neste ano, decidiu se posicionar contra a ideia de que é a única responsável pelo acontecimento de um evento tão importante para a cidade. Com esta triste parada, a AJOTE quer também mobilizar outros setores da sociedade. Afinal, apoiados nos documentos abaixo, a cidade de Joinville tem o direito ao acesso à Mostra CENA:
1) A Constituição Brasileira, no seu Art. 215 declara: “O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”.
2) O Plano Nacional de Cultura (LEI Nº 12.343, DE 2 DE DEZEMBRO DE 2010) tem como alguns de seus princípios: liberdade de expressão, criação e fruição; direito de todos à arte e à cultura; valorização da cultura como vetor do desenvolvimento sustentável; colaboração entre agentes públicos e privados para o desenvolvimento da economia da cultura; e como alguns de seus objetivos: valorizar e difundir as criações artísticas e os bens culturais; universalizar o acesso à arte e à cultura; estimular o pensamento crítico e reflexivo em torno dos valores simbólicos; desenvolver a economia da cultura, o mercado interno, o consumo cultural e a exportação de bens, serviços e conteúdos culturais;
3) O Plano Municipal de Cultura, na Subseção II – Ações prioritárias para o setor de teatro e circo, no seu item 5 diz “Fortalecer e incorporar eventos consolidados de difusão da produção artística local, como a CENA (Mostra de Teatro de Joinville) (curto prazo)”.
A Mostra CENA já está consolidada em Joinville. Cabe a todos fazer com que ela se realize: poder público, instituições privadas, teatreiros, artistas e também o público. A arte e a cultura estão no caminho de uma sociedade mais igualitária e justa. Quantas leis precisamos ainda citar para provar que o ser humano precisa fruir a arte, pois é feito também de matéria etérea e sonhadora?
Consideramos a não realização da Mostra CENA 11 apenas como mais um sintoma de um panorama cultural desfavorável que vem se configurando nos últimos meses na nossa cidade. Lamentamos também pelo não cumprimento do Plano Municipal de Cultura que já está com várias ações de curto prazo vencidas, o atraso na divulgação e repasse de verbas do SIMDEC, a falta de incentivo para o uso do Teatro Juarez Machado pelos grupos de artistas da cidade, a dificuldade da gestão municipal de viabilizar os projetos aprovados e recursos do Governo Federal – como os Pontos de Cultura, o CEU Aventureiro e muitos outros -, e o visível enfraquecimento da gestão da Fundação Cultural de Joinville.
Pelo fortalecimento das políticas públicas de cultura e pela real inserção dessa área nas pautas de nossos representantes, a AJOTE vem se manifestar e lançar o seguinte questionamento: O que acontece com uma cidade sem arte? E se os artistas entrassem em GREVE?

Comentários (22)

  • Diogo diz: 9 de dezembro de 2014

    Por que a Ajote se considera representante dos artistas? Será que só a AJOTE pode ser considerada artista nesta cidade, o resto tudo é ruim?

    Acredito que se a Ajote entrar em greve, não vai mudar muita coisa, pois outros grupos receberam incentivos e vão fazer a sua parte.

    Ninguém é insubstituivel, e vocês com este texto acham que são. Só lamento.

  • Cleiton Profeta diz: 9 de dezembro de 2014

    “Cruzar os braços e ir à luta” é meio antagônico, não?

    Se não conseguem ser autossuficientes com o que produzem – e não querem de jeito nenhum correr os riscos que um empreendimento implica, por qual motivo não arrumam um emprego?

    É sério, trabalhar não mata ninguém. ;)

  • Roger diz: 9 de dezembro de 2014

    Ora! ‘Artistas’ de braços cruzados?

    Se estes artistas aí cruzarem os braços, não apenas não estaremos perdendo nada, como estaremos DEIXANDO DE PERDER verba através do Simdec, que é dinheiro público usado para sustentar um bando de vadios sanguessugas.

    Continuem cruzando os braços. É um favor…

  • Lucas Jorge Muniz diz: 9 de dezembro de 2014

    Sério mesmo? Comparar o Cena11 com séries de tv? Quadros? Novela?
    Infelizmente sou obrigado a concordar com o escroto do Profeta.
    Cruzar os braços não é ir a luta, e fazer algo por contra própria não é “raça” é empreender e se o teatro não tá dando certo é porque estão empreendendo da forma errada ou é algo que não interessa mais ao público.
    Gosto muito do pessoal da AJOTE, mas essa atitude foi um tiro no pé.

  • Giovana diz: 9 de dezembro de 2014

    É lamentável a forma que vocês Diogo e Cleiton Profeta, valorizam a cultura local. Se não valorizamos a Arte, seja através do teatro, música, dança ficaremos sempre nesse impasse de vivermos em uma cidade grande com a realidade de um povo tacanho. Para que incentivar a arte nas Escolas então? Saibam vocês que nas Escolas, a arte é que vai desenvolver a criança para que ela seja autônoma e propiciar um desenvolvimento por inteiro. Gente como vocês acostumadas a andar de “cabresto”, compram e pagam caro pelo que a mídia, muitas vezes tendenciosa vende e aí sim se acham inteligentes. Vão para Nova Iorque e passem um dia visitando os museus, os teatros e observando a cultura underground e aí sim vem falar com propriedade de causa. Estamos ainda falando de cultura local? Sim…a diferença é que lá em Nova Iorque eles valorizam o que fazem…essa é a diferença. Lá o artista não é vagabundo (como a mentalidade tacanha de vocês pensa), lá é profissão, como a de vocês, como a dos nossos artistas aqui e de qualquer lugar, como a minha que estou na Educação e tenho amor e prazer em educar. Amo minha profissão como os artistas que escolheram a arte para a vida deles!

  • Diogo diz: 9 de dezembro de 2014

    Giovana, antes de tudo vou te avisar que não estou citando o grupo da nota neste comentário, mas você está errada! Em NY, em Madrid, em Barcelona, e até no Afeganistão existem muitos artistas. Alguns muito talentosos e outros nem tanto. Precisamos deixar de acreditar que só pelo fato da pessoa ser “artista” ela precisa ser agraciada por todos, bajulada por todos e colocada num pedestal como se fosse o embaixador da Cultura.

    Acredite, tem artista bom e tem artista muito ruim. As oportunidades são iguais para todos. Os que tem talento se sobresaem, os sem talento podem persitir com fé, fazer promessa, etc. e por fim tentar outra coisa…

    Veja este exemplo que saiu hoje no Anotícia: http://anoticia.clicrbs.com.br/sc/cultura-e-variedades/noticia/2014/12/conheca-edson-joinville-cantor-da-cidade-que-tem-mais-de-800-mil-visualizacoes-em-seu-canal-do-youtube-4659655.html

    Quantas vezes você curtiu, comentou, compartilhou o trabalho de outro artista da cidade? O Douglas Hahn, você já foi no espatáculo dele?
    A camerata Dona Francisca? A Orquestra Cidade de Joinville?

    Estes exemplos não são cools, não são alternativos, não estão lutando contra a maré… mas são movimentos culturais e passam pelas mesmas dificuldades.

    A cultura está acontecendo na cidade, mas não vai conseguir agradar a todos, assim como um espetáculo de teatro não agrada…

  • Diogo diz: 9 de dezembro de 2014

    Agora o que precisa ser feito é exigir critérios mais claros da seleção dos projetos.

    E tentar outras formas, como lei Ruanet. O caso da Menina Distraída é um destes.. está conseguindo via Lei Ruanet, tem que correr atrás

  • Diego diz: 9 de dezembro de 2014

    Vão trabalhar gente.

    Se tivesse gente interessada nesse artistas/eventos, com certeza conseguiram realizar sem precisar mendigar dinheiro público.

  • Rafael Dias diz: 9 de dezembro de 2014

    Se ninguém quer pagar pela produção deles, certamente não fariam falta. Podem continuar de braços cruzados. Essa gente só quer mamar na teta do Estado. A lógica implícita aqui é que nós devemos pagar por algo que não queremos, que não solicitamos. que o valor dessa tal produção cultural é o quanto eles acham que devemos pagar e não o quando estamos dispostos a pagar (ceci est rien =D).

  • Rafael Dias diz: 9 de dezembro de 2014

    Cultura é Graciliano, Machado, Villa-lobos, Drummond, ou Shakespeare, Tchékhov, Balzac, Goethe, Bach e Mahler. Usar dinheiro de impostos arrancados de trabalhadores pra financiar a diversão alheia é imoral. Assusta ver que tanta gente ache normal EXIGIR dinheiro dos outros.

  • Eduardo diz: 9 de dezembro de 2014

    Só queria avisar os desavisados que ficar o dia inteiro no Facebook, e vender um instrumentinho de vez em quando não é lá um trabalho muito desgastante, né?

    Não sei qual a dificuldade em entender que a atual gestão está cagando para a saúde, educação, transporte, iluminação, etc e etc públicos, e que o setor artístico-cultural é só mais um que vem sofrendo com a cagancia gestora. Não sei se todo mundo aqui sabe, mas alguns milhões de verbas federais para o setor artístico-cultural foram perdidos por não cumprimento de prazo. Sim, somente por NÃO CUMPRIMENTO DE PRAZO, pois o trabalho (desde o inventário até a escolha de material, etc e tal) já estava todo pronto… ou seja, é descaso proposital com aquilo que não produz riquezas materiais.

    A categoria faz bem, muito bem em questionar a atual gestão “meritocrática”, que utiliza a ideia de mérito a seu bel prazer. Se o modo do questionamento não agrada, é outra questão.

    E na boa, eu não li nada que soasse “nós os artistas somos seres iluminados” no manifesto, embora eu até pensasse em escrevê-lo diferente aqui e ali. Mas isso é o de menos frente ao questionamento importantíssimo posto a comunidade em geral.

    E eu acho que quando Luans Santanas fazem sucesso, enquanto muitos artistas cheios de conteúdo vivem na pindaíba, não é apenas uma questão de “não agrada o público precisa ser revisto”, mas sim de o próprio publico se reenxergar como receptor de arte.

    E meu Deus, quer pensamento mais joinvilensemente tanso do que este: “artista não trabalha”? Assim como professor não trabalha, só da aula, né? Daqueles que eu conheço e estão na foto, gostando ou não gostando do seu trabalho, eu sei que trabalham muito… sem distinção entre fim de semana e dia de semana inclusive… enfim, vida de mula não é fácil…

    O que é difícil de entender por alguns, é que ano que vem provavelmente vai haver o Cena 12 bancado pelos próprios artistas sem garantia de retorno… e que artista não trabalho por lucro financeiro, mas né?

  • Diogo diz: 9 de dezembro de 2014

    O problema Eduardo é este mesmo, você disse que o artista vai bancar do proprio bolso e correr o risco de não ter garantia do retorno. Será que este é o problema? Será que isto não os fará serem mais arrojados na criação da publicidade, conteúdo e etc?
    Será que o retorno que só precisa ser uma preocupação quando o dinheiro é da pessoa?
    Esta mesma preocupação deve existir quando tem dinheiro público no meio. Na verdade deveria ser até maior e se não der retorno ter vergonha de ter pego dinheiro e não usado adequadamente.

    Mas não é a classe artística toda que está em greve. Tem muita gente boa que vai receber o Simdec pela primeira vez e está pulando de alegria com a oportunidade.

    Rubens, pq não fazer uma matéria sobre cada projeto aprovado? Assim a gente fica sabendo em mais detalhes o objetivo de cada um…

  • Cleiton Profeta diz: 9 de dezembro de 2014

    Os quatro musicais que eu escrevi dirigi e musiquei, além da contribuição artística de dezenas de produtores, bailarinos, músicos, atores, atoas, malucos e afins nas mais de doze montagens que dirigi somadas com dezenas de direções de luz, cena e palco que realizei em trabalhos alheios, junto com poucas unidades de participação como elenco, além das mais de cem músicas que compus e mais de cem que queria ter feito e toquei nas mais de dezenas de shows que são ouvidas nos milhares de acessos na internet ou nos poucos CD’s mal gravados que tenho, ou nos poucos CD’s de amigos (geralmente mal gravados também), não são importantes para a sociedade! São importantes para a minha realização pessoal!

    O que é importante para a sociedade é o exemplo que deixei, tendo realizado tudo isso e um pouco mais, sem NUNCA ter sugado verba pública! Um centavo sequer… Ainda mais num país com tanta falta de ética…

    Ah! E conseguir empreender – CORRENDO RISCOS DE MERCADO INERENTES PARA QUEM QUER EMPREENDER – sem ter que pedir esmola pra político – pelo contrário pagar mais de 100 mil por ano de imposto (fora os tributos), gerar emprego e renda que consequentemente serão usurpados por uma cambada de vagabundos incapazes de ficarem em pé sozinhos não só é desgastante, mas faria 99% dos que choram por SIMDEC ou acordarem para a vida, ou se matarem.

    ;)

  • Eduardo diz: 9 de dezembro de 2014

    Sério que vocês querem aplicar a lógica de mercado para a arte? Isso explica muito o padecimento da profundidade artística. E sério que tem gente entendendo essa greve imaginária (não gente, ninguém vai parar de trabalhar = sim, todos ali trabalham) como mendicância? Eu acho que é crônico para algumas pessoas ler “greve” e automaticamente associar a palavra “vagabundo”. A “greve” aqui é um questionamento… leiam a matéria inteira + o manifesto antes de comentarem, por favor.

    Só queria saber se houve nomeação para Marques da Arte, pois tem gente que sabe exatamente o que é cultura e o que não é… por isso que eu sempre fui a favor da disciplina de antropologia nas escolas, e inclusive mais aulas de artes.

  • Jaison diz: 9 de dezembro de 2014

    >>Só queria avisar os desavisados que ficar o dia inteiro no Facebook, e vender um instrumentinho de vez em quando não é lá um trabalho muito desgastante, né?

    Eduardo, você deu uma ótima idéia.
    Partindo do pressuposto que uma loja de instrumentos é lucro certo com pouco trabalho (do contrario as lojas ja teriam falido), que tal você sugerir que estes artistas montem uma loja de instrumentos para:
    - Gerar empregos
    - Obter lucros
    - Financiar seus projetos artisticos sem utilizar dinheiro tomado à força da população (sobretudo dos mais pobres)

    >>E eu acho que quando Luans Santanas fazem sucesso, enquanto muitos artistas cheios de conteúdo vivem na pindaíba, não é apenas uma questão de “não agrada o público precisa ser revisto”, mas sim de o próprio publico se reenxergar como receptor de arte.

    E ai a sua proposta é retirar dinheiro dos pobres para que eles se reenxergem-se como repectores de arte ?
    Parece uma proposta um tanto quanto imoral não acha ?

    Eu particularmente nunca coloquei o pé em um teatro por exemplo, e não tenho nenhuma curiosidade em colocar, não tenho nada contra quem aprecia este tipo de arte.
    Só tenho contra forçar a população a pagar por algo que ela não demanda.

    >O que é difícil de entender por alguns, é que ano que vem provavelmente vai haver o Cena 12 bancado pelos próprios artistas sem garantia de retorno… e que artista não trabalho por lucro financeiro, mas né?

    Se for assim ótimo, espero que obtenham lucro para poder conseguir financiar seus proximos projetos, mas sem dinheiro público, combinado ? :)

  • Pedro diz: 9 de dezembro de 2014

    Com certeza, se fossem competentes teriam dinheiro de iniciativa privada, como ñ são, dficam ai querendo dinheiro pago de nosso imposto. Vão melhorar os projetos e tentar a iniciativa privada ou deisitem de vez e vão procurar empreender, já não sei se essa palavra existe no vocabulário dessa galera ai…

  • ricardo diz: 9 de dezembro de 2014

    Na verdade a arte tem de se bancar. É um empreendimento. É um produto que se vende. O artista não gosta muito de lidar com esse lado mais lógico, sei disso, mas ele existe e precisa ser encarado. Já tive banda de rock e gostaria muito de ter vivido do que produzia. Nao deu. Parti pra outra. Acho que o contribuinte brasileiro não tinha a obrigação de financiar o meu sonho. Artista todo mundo quer ser, certo? Só que é preciso fazer esse sonho funcionar e andar com as próprias pernas. Sempre banquei tudo do próprio bolso junto com meus camaradas de banda. Não ia era submeter meu trabalho à uma especie de qualificação feita por parte dos burocratas do serviço publico só para mendigar uns caraminguás da tal Lei Rouanet. Jamais. Nao tem mercado para a arte? Pois é, a turma aí esta pagando o preço da tal educação progressista empurrada goela abaixo do sistema de educação brasileiro por anos. Só vale o que é popular – porque o resto é coisa de elite, né? Tudo resultou numa população praticamente desinteressada por qualquer outro tipo de arte mais conceitual ou apurada e, pior, sem alcance intelectual suficiente para entender, apreciar e consumir algo que fuja do esteriótipo cultural popular de fácil digestão. As artes cênicas do país tem de incorporar mais o espirito punk e rock”n’roll, aquele de fazer acontecer por conta própria. Se o Cena 11 vai auto financiar a própria montagem no próximo ano, como foi dito ai, ótimo, o caminho é esse mesmo e desejo todo sucesso possível e que sei ser merecido. A turma é muito boa.

  • Giovana diz: 9 de dezembro de 2014

    Parabéns Eduardo! Quanto a ti Diogo, reitero que independente do artista, temos que respeitar. Tive a oportunidade de conhecer todos os artistas que tu citou inclusive o Edson, bem antes da reportagem no AN, pois sua esposa também é da Educação.Não é porque não curtimos o trabalho de alguns que vamos menosprezá-los, dizendo que não são insubstituíveis. São insubstituíveis sim, pois cada artista que se vê obrigado a deixar sua arte por não conseguir incentivo financeiro, é uma estrela que morre. O que ocorre aqui em Joinville, não é questão de talento. É questão de verba mesmo….verba para montar os cenários, verba para divulgação, verba para figurino, verba para locomoção, verba para marketing, verba para os grupos sobreviverem sem expectativa de sequer saber se os responsáveis pelo setor cultural da cidade irá avaliar os projetos que eles passam meses montando. E aí concordo com o Eduardo, a verba do Governo Federal vem sim , mas infelizmente, os responsáveis por tais pastas nem sempre abrem as portas para receber os projetos locais. É um absurdo os grupos terem que ficar mendigando pelo menos à análise de VÁRIOS projetos. E nesse imbróglio, perde-se o prazo e o dinheiro volta pro Governo Federal por falta (acredite se quiser) de PROJETOS!!!! Agora te pergunto: Por que não cedem o Teatro Juarez Machado pra AJOTE se apresentar sempre lá? Não…jogaram a AJOTE em um galpão, na época xexelento ( se está lindo do jeito que está é porque o grupo bancou com recursos próprios a maior parte da reforma interna), com um Teatro na cidade no porte do Juarez Machado, que fica cobrando os “olhos da cara” de quem poderia estar contribuindo em alavancar a vida cultural em nossa cidade? Enquanto o Governo local permitir somente Festival de Dança e que as Feiras diversas loquem o local, visando somente o lucro, o Teatro perde sua identidade, sua função. Deveriam colocar uma placa na fachada principal do Teatro ( me perdoe o Sr. Juarez Machado, a quem tenho muita admiração), com a frase “CENTRO COMERCIAL JUAREZ MACHADO”. Quanto os países que tu visitou, só posso falar com propriedade de Nova Iorque ( NY, como tu prefere se referir, porém os dois modos são corretos e como sou brasileira, prefiro a primeira opção), que conheço e adoro as diversas manifestações artísticas. Em Madrid, creio que não deva ser diferente, mas aí só tu podes falar com conhecimento de causa, o roteiro ainda não me despertou interesse, quem sabe um dia… Ah…se teus filhos chegarem em casa dizendo que iram participar de um teatro na Escola, não deixe que participem, pois eles correm o sério risco de se apaixonarem pelo Teatro e serem os sucessores dos artistas na AJOTE. Mas caso eles muito insistirem, pense pelo lado bom… se eles teimarem é poque com certeza serão insubstituíveis.

  • João Street diz: 10 de dezembro de 2014

    Grande parte destes artistas em greve tem toda a produção bancada por projetos públicos e portanto verdadeiros “Chapa-Brancas” irrelevantes. Quando se fala em trabalhar acredito que ninguém está mandando eles virarem operários ou pedreiros, mas sim está se sugerindo que façam a arte com a responsabilidade de assumir as consequências.
    Se sua arte for incompreendida e por isso não tiver público, certamente não são nossos impostos que deverão financia-la… Portanto o artista deverá arcar com a consequência de ser um incompreendido e não ganhar financeiramente por ela. Se a arte for compreendida certamente será consumida e o artista terá o retorno financeiro conforme sua relevância na cena cultural.
    O papel do Estado (como governo federal, estadual e municipal) certamente é fomentar a cultura e a arte, mas por meio disponibilização de espaços públicos – portanto é mais relevante para a cidade receber a Cidadela Cultural como espaço exclusivo de cultura e não área administrativa. Também pode fomentar a arte por financiamento a ações culturais – os editais – mas sem direcionamento a um grupo específico – estimulando o surgimento de novas formas de expressão e não bancando um anualinho (mensalinho pago por ano??? fiz arte!!!) para quem pensa ser dono da arte.
    Estive fora de Joinville e no retorno fiquei feliz por que vi uma cena mais estruturada em locais públicos – Sábado na Estação, MAJ Souds, Ocupa Cidadela… E impressionantes iniciativas como a casa do Juarez Machado.
    Acho que estamos com mais acertos que erros, o que não significa que devermos nos acomodar. Agora, fazer birra por que não mamou nas tetas do município, é ridículo

  • Rafael Dias diz: 10 de dezembro de 2014

    “Sério que vocês querem aplicar a lógica de mercado para a arte?”
    R.: Sim, sério. Qual seria a outra lógica, tirar de quem não quer pagar e dar pra quem acha que merece receber?

    “Isso explica muito o padecimento da profundidade artística”
    R: O que explica isso é o desinteresse completo do povo pela alta cultura. Se não se interessam por Rembrandt, Brahms ou Baudelaire não vão se interessar pela suposta arte local. É justamente essa sede de sugar recursos públicos antes de precisar provar que fez algo de qualidade que enterrou a possibilidade de termos arte de verdade neste país.

    “A “greve” aqui é um questionamento… leiam a matéria inteira”
    R: Eu li, eles querem dinheiro público.

    “por isso que eu sempre fui a favor da disciplina de antropologia nas escolas, e inclusive mais aulas de artes.”
    R: Saem da escola sem saber fazer contas ou ler e escrever, ou seja, sem poder participar inteiramente da vida em sociedade, mas aí vamos gastar mais tempo e recursos ensinando artes e antropologia? Baita ideia.

  • ricardo diz: 10 de dezembro de 2014

    Como disse uma vez um certo ex-presidente, “tênis é esporte da burguesia”. O bom é futibó. A cultura brasileira esta colhendo o rastaquerismo que ajudou a semear por anos no país. Artistas conceituais não tem mais para quem vender o seu peixe. Ajudaram a secar a fonte corroborando a demagogia barata dos políticos populistas. Olho para a sociedade brasileira de hoje e só consigo ver uma desoladora aglomeração de indivíduos limitados e desprovidos de quaisquer vestígios culturais e intelectuais minimamente interessantes. Deem uma olhada rápida no (des) conteúdo que faz girar a roda das tais redes sociais e entrem em desespero. O futuro é macabro.

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