De malas semiprontas pra tocar em Joinville no dia 7 de julho, o Acústicos e Válvulados faz uma defesa fervorosa do que chama de "rock mendigo" no clipe lançado na terça-feira (15). Notem aí que o habitual esculacho do grupo gaúcho vem acompanhado de estética e referências ao cinema trash/cult em Sai do Sério, outra faixa retirada do disco Grande Presença (2011).
Olhem bem a foto acima. Parece, mas não é "aquela" a que você se acostumou a ver na capa do disco Abbey Road e replicada a torto e a direito pelos anos afora. Esta aqui, percebam, mostra os Beatles caminhando no sentido contrário da foto original (mas ainda sobre a mítica faixa de pedestres da rua londrina), além de ter um Paul McCartney de sandálias (e não descalço) e sem o cigarro na mão. A imagem, uma das seis da travessia clicada pelo fotógrafo Iain MacMillan no dia 8 de agosto de 1969, irá a leilão na próxima terça-feira (22), em Londres. Valor inicial: 9 mil libras (cerca de R$ 28 mil).
Um urubu repousa no ombro de Jack White na capa de sua estreia como artista solo. Seu semblante e a parca luminosidade constroem, junto à ave de mal agouro, uma atmosfera melancólica que vai ao encontro dos temas abordados na maioria das 13 faixas de Blunderbuss - dor, morte, separação, desesperança. Não deixa de ser um contraste com o ótimo momento de Jack, inabalável depois do fim do White Stripes. Mas fãs e críticos não seriam tão receptivos assim se ele não mantivesse o habitual alto nível no álbum, seguro nas bases e referências que o tornaram um astro confiável. Blues, country, rock e folk puxam climas que transpiram eletricidade a meia luz, vide Freedom at 21 e Missing Pieces, enquanto Sixteen Saltines conduz os riffs violentos da antiga banda de White. A acústica Love Interruption é amena só na superfície e reforça a ligação com sonoridades dos anos 50 e 60. Segue-se as cordas e o toque caipira de faixa-título, a ambientação setentista de Hypocritical Kiss e dramática Weep Themselves to Sleep. Em sua diversidade bem amarrada, Jack ainda manda rockabilly (I'm Shakin'), um piano blueseiro de fina cepa (TrashTongue Talker) e uma peça final amalucada (Take Me with You When You Go). Nada disso é estranho aos fãs, mas é impossível não perceber a densidade da produção e os arranjos esmerilhados, que tiram a responsabilidade da guitarra e ampliam a percepção de que a musicalidade e a criatividade de Jack White só tendem a crescer.
Benza Deus, Madonna! Essa é pra lembrar do quão fácil era se apaixonar por você nos anos 80 e 90. No seu auge artístico, também molhava sonhos com admiráveis atributos físicos, visíveis primeiro pelos corpetes e depois escancarados nas páginas do livro Sex, que lhe flagrava, linda e provocadora, no esplendor dos 32 anos. Rainha do pop mundial por completo. A crítica não gostou muito - ao contrário do disco Erotica, lançado naquele mesmo 1992 -, mas, mesmo assim, 1,5 milhão de cópias foram vendidas. Hoje, aquele material pode ser considerado um tesouro, vide os US$ 23,7 mil que alguém pagou pra ter a inédita foto abaixo, clicada em 1990 por Steven Meisel e descartada na edição final do livro. A venda aconteceu segunda-feira (14), num leilão em Nova York.
Quase íamos esquecendo do aniversário de 30 anos de Combat Rock, na segunda-feira (14). O quinto álbum do The Clash foi o mais bem-sucedido comercialmente do grupo, tendo ficado 61 semanas na parada americana e vendido cerca de 2 milhões de cópias, puxado pelos hits Rock the Casbah e Should I Stay or Should I Go. Apesar do sucesso, foi aí que a coisa começou a degringolar pro Clash - os conflitos criativos e ideológicos e problemas com drogas provocaram a saída de Mick Jones e Topper Headon, cujos efeitos colaterais, a médio prazo, foram o horroroso Cut the Crap e o fim da banda, em 1986.
Eis aí mais dois clipes pra crescente videografia do rock catarinense. O primeiro chegou à net há cerca de duas semanas: Hei Menina, primeiro single do disco de estreia da banda riosulense Costeletas, que será lançado com festa no dia 25 deste mês. Otimamente dirigido pela produtora Fábrica de Cinema, é um "road clip" que conta com a rápida, mas marcante, participação da musa underground barriga-verde Gisele Ferran no papel de striper.
Já o de Escravo, lançado sexta (11) no Taliesyn, na Capital, marca a primeira incursão dos ilhéus do Zoidz no ramo dos vídeos, apesar de a música ser do disco Feio, Sujo e Malvado, de 2010. Mas o rock duro e raivoso do grupo tá impresso na simplicidade em preto e branco do produto final.
O público joinvilense terá que esperar mais um pouco pra assistir ao novoshow de Zeca Baleiro, baseado no recém-lançado álbum O Disco do Ano. Na noite desta segunda-feira (14), veio a informação de que a apresentação na Harmonia-Lyra, nesta sexta (18), foi transferida pra agosto. O anúncio veio acompanhado da nota oficial abaixo, assinada pela produção:
"Por motivos técnicos alheios à nossa vontade, o show do cantor Zeca Baleiro marcado para dia 18 de maio foi adiado. A nova data deste show será 17 de agosto, no Teatro Harmonia Lyra em Joinville.Aqueles que já compraram ingressos poderão ser ressarcidos ou manter estes mesmos ingressos para a nova data. A troca pode ser feita no local onde foi efetuada a compra: na bilheteria ou no site do Ticketcenter.
Pedimos desculpas por esse inconveniente e contamos com a compreensão de todos."
Mais um grande serviço prestado ao blog pelo cinema - neste caso, pela boa animação Piratas Pirados, que estreou sexta-feira. A trilha da abertura do filme é Swords of a Thousand Men, retumbante canção da banda inglesa Tenpole Tundor. É também a mais conhecida faixa do grupo, nascido no fervo punk e na ativa até o início dos anos 80, quando lançou dois discos que até fizeram sucesso na Grã-Bretanha. O vocalista Edward Tudor-Pole - que foi cogitado pra substituir Johnny Rotten nos Sex Pistols e chegou a gravar três faixas com a banda - retoma o Tenpole Tudor de vez em quando, mas com outros integrantes.
Às vezes, você precisa atirar no escuro e torcer pra acertar em alguma coisa. Se não der certo, beleza. Agora, se atingir em cheio o alvo... Foi o que a coluna fez ao ser contatado por um amigo de Mickey Leigh, nada menos do que o irmão mais novo de Joey Ramone e o mais ferrenho defensor do espólio dele desde sua morte, em 2001, além de testemunha da trajetória ramônica e do desenrolar do punk nova-iorquino. Como o segundo disco solo do cantor será lançado neste mês, "Orelhada" tentou a sorte. Recebeu de volta uma exigência: não falaria sobre os Ramones, apenas sobre ...Ya Know?, o álbum póstumo do qual é o artífice principal, tendo recuperado e reunido faixas que Joey compôs mas nunca lançou, algumas delas inacabadas. Pra finalizá-las, Mickey chamou amigos do irmão e outros que ele aprovaria, como Joan Jett, Richie Ramone e o pessoal do Dictators e Cheap Trick. Muito bem, o papo online ficou nisso. Já é o suficiente pra colocá-lo na pequena prateleira de troféus da coluna.
Como você chegou ao título ... Ya Know? Mickey Leigh - Algumas ideias de títulos foram lançadas. Algumas pessoas envolvidas quiseram chamá-lo de Rock & Roll is the Answer, mas eu não me sentia muito atraído por este título. Então enviei uma mensagem a um amigo e perguntei a ele o que ele achava a respeito do título. Meu amigo também não gostou - ele respondeu que eu deveria pensar em coisas mais características da personalidade do meu irmão, e ele terminou o texto com "...,you know?"(você sabe?).Eu não sabia se ele estava sugerindo isto como um título ou não, mas no momento em que vi aquelas duas palavras, pensei:'Isto é perfeito! Este é o título !" Eu alterei a escrita para colocar na forma que Joey diria.
Foi surpresa pra você descobrir que Joey tinha tanta coisa inédita?
Mickey - Não. Eu tinha um sentimento de que estas coisas estavam lá. Eu sabia que ele tinha escrito músicas que não haviam sido gravadas pela banda (os Ramones) e não estavam em seu primeiro álbum solo.
Qual a participação de Ed Stasium na seleção das faixas?
Mickey - Ed não selecionou as faixas. Eu selecionei. Haviam algumas outras que achei que não eram boas o suficiente. Eu não lançaria alguma coisa que achasse que não fosse ótimo. Ed foi um instrumento, ele ajudou-nos a readquirir as canções que o Joey gravou como demos - 11 das quais estão neste álbum - da pessoa que as reteve da minha mãe e de mim por nove anos. Nós só tivemos quatro canções diferentes daquelas. Se não fosse pelo Ed fazer aquilo, este álbum não existiria.
Que critérios vocês usaram pra chamar os músicos convidados?
Mickey - Eu queria trabalhar com pessoas com as quais o Joey tinha trabalhado no passado. Mas a coisa mais importante para mim foi trabalhar com pessoas que tinahm o espírito certo.
Qual a sua opinião a respeito da qualidade dessas músicas?
Mickey - De altíssima qualidade.
Você acha que esse disco é superior a Don't Worry About Me?
Mickey - Eu acho que é um dos melhores álbuns de todos os tempos.
Existe mais material inédito de Joey a ser lançado?
Mickey - Nunca se sabe.
O disco será divulgado com shows? Afinal, você também é músico.
Mickey - Muitas das pessoas que tocaram nas faixas, alguns convidados especiais e eu vamos apresentar as canções este ano, no aniversário do desaparecimento de Joey Ramone. Fora isso, não tenho planos de fazer algo mais. Mas, novamente, nunca se sabe.
Na sua opinião, como a memória de Joey tem sido tratada desde a sua morte?
Mickey - Tão bem quanto a memória de alguém pode ser tratada.
Veremos outro livro sobre a vida de Joey, além daquele escrito por você e Legs McNeil?
Mickey - Não por mim.
PS: agradecimentos a Allen Brooks, que ajudou a intermediar a entrevista, e ao big brother Roberto Herbst, que deu uma força na tradução. Valeu, bro!
O bicho pegou nesta sexta-feira (11) num programa de rádio matutino. Uma discussão acalorada entre o músico José Mello e a presidente da Promotur, Maria Ivonete Peixer, reacendeu a discussão sobre o futuro do espaço musical do Mercado Público de Joinville com as obras de revitalização do lugar. Como fez em março, em conversa com Orelhada, a diretora do órgão rechaçou os boatos de fechamento e garantiu que o palco apenas mudará de lugar dentro do prédio, pois onde se encontra hoje não oferece as condições ideais e também contraria a reorganização dos boxes. Ela diz ainda que um condomínio comercial e cultural irá gerir as atividades dentro do mercado, e dele fará parte a Associação dos Músicos de Joinville (Amuj). O edital de licitação das obras tá parado na Procuradoria do município, mas deve ser lançado na semana que vem.
Já o maestro Mello, que ainda lidera apresentações semanais no mercado, é só irritação e desabafo. Em conversa com este colunista/blogueiro, referiu-se à presidente da Promotur como "mentirosa" e pôs em dúvida a acomodação de um novo palco interno, baseado no fato de que ele não aparece na planta apresentada à imprensa. Mello defende a manutenção do palco atual, e acredita que, mesmo que outro seja destinado à músico, ele será irrisório. "Essa reforma é de quem não conhece o mercado", dispara. "Se o mercado é top, é por causa da música. Antes dela, o mercado estava quebrado. Levamos 18 anos para firmar esse espaço".
Rubens Herbst, joinvilense, 17 anos de jornalismo, é colunista do Anexo, e quando não está fechando o Orelhada impresso, corre atrás de novas (ou nem tanto) do maravilhoso universo pop - daqui, dali e acolá - para contar para os internautas.