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Amor e fé para superar

20 de outubro de 2012 0

Faz 16 anos que Cladis Bosco teve câncer de mama, mas as lembranças daqueles tempos difíceis ainda permanecem bem vivas em sua memória. A fala é pausada quando toca no assunto, como se buscasse as palavras certas para contar o que viveu e sentiu. A emoção fica evidente nas lágrimas que vez ou outra insistem em aparecer.

Ela conta que na época em que descobriu o tumor, o câncer era um tabu ainda maior do que é hoje. Era como se quem tivesse a doença estivesse, inevitavelmente, fadado à morte. “Algumas pessoas nem falavam essa palavra em voz alta, usavam o termo ‘aquela doença’. Parecia que estava com os dias contados, ficava imaginando quanto tempo  mais eu iria viver’”, lembra.

Isso tornou o processo ainda mais doloroso para ela. Cladis tinha 44 anos, mas ainda não tinha feito mamografia porque naquele tempo o exame era recomendado apenas para mulheres acima dos 50 anos. Por curiosidade, em uma visita ao ginecologista, disse que gostaria de realizar  a mamografia só para confirmar se estava tudo bem com a saúde e, mesmo sem ter histórico na família, a médica autorizou.

Foi o que a ajudou a descobrir o câncer de mama no estágio inicial. O exame não apontou nódulos, mas existiam microcalcificações na mama direita. O médico, então, pediu uma biópsia que confirmou: era maligno.

Depois de ter feito tantos exames, quando o mastologista ligou e pediu que Cladis fosse ao consultório acompanhada do marido para buscar os resultados, ela conta que preparou-se para o pior. “Senti muito medo e perguntava ‘por que comigo?’. Eu queria viver, queria ver meus dois filhos formados na faculdade, um sonho que eu não tinha conseguido realizar.”

O médico explicou que apenas uma parte da mama precisaria ser retirada. Assustada com o diagnóstico, ela insistiu que todo o seio fosse removido. Mesmo assim, foi um choque quando acordou da anestesia, colocou a mão sobre o seio e não o sentiu. Aos poucos, porém, acostumou-se com a mudança. Aquele seria o seu corpo pelos próximos três anos, tempo que esperou até fazer a reconstrução.

Para disfarçar a falta de uma das mamas, foi até a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Joinvile, por indicação de uma amiga, que lhe contou que lá distribuíam sutiãs com prótese móvel para mulheres que passaram por mastectomia.

Foi assim que começou a frequentar as reuniões das quais participa até hoje. Fez amizades lá e encontrou mais pessoas que a apoiavam, além da família e do marido, seu fiel companheiro, que, como ela mesma conta, ajudou a cuidar do lado emocional e a preservar sua autoestima quando ficava triste. “Ele sempre me dizia que iríamos enfrentar tudo aquilo juntos. Tenho 41 anos de casada e a força dele foi essencial. Ele nunca saiu do meu lado”, conta.

Como não precisou fazer quimioterapia, nem radioterapia, apenas as pessoas mais próximas souberam do problema de saúde de Cladis, ela preferiu não contar justamente pelo estigma que era ter a doença. Depois da cirurgia, a vida voltou ao normal em pouco tempo e, apesar de conviver com o medo da volta do câncer, tentava espantar os pensamentos ruins dedicando-se a um de seus passatempos prediletos como dona de casa: cuidar do jardim, que ainda mantém com muito capricho.

Cladis também mantinha a saúde com muita vigilância, realizando os exames pre-ventivos periodicamente.
Foi a mamografia, mais uma vez, que mostrou outro tumor na mama esquerda quatro anos depois de ter vencido o primeiro. Infelizmente, precisaria enfrentar de novo o medo, a angústia e, desta vez, um tratamento mais rigoroso. Mas nunca perdeu a esperança de se curar.

Como o nódulo era pequeno, não precisaria retirar todo o seio, ao menos a cirurgia não seria tão invasiva. Porém, como resultado da quimioterapia, veio a queda dos cabelos, um dos momentos mais chocantes do tratamento para ela. “Alguns dias depois da primeira sessão, acordei e o travesseiro estava forrado de cabelo. Fui tomar banho e o resto caiu quando lavei a cabeça. Fiquei muito assustada, mas tinha que passar por aquilo para viver. Claro que existe a vaidade, até por isso fiz a reconstrução da mama, mas isso fica em segundo plano, essas coisas pequenas perdem importância”, assegura.

Sentir-se querida e amada foi outro estímulo para lutar pela vida, e Cladis contava com muitos amigos para apoiá-la. Além do marido e filhos, tinha as novas amigas da Rede Feminina para acompanhá-la nesta segunda batalha. Lá, segundo ela, doou e recebeu amor de voluntárias e pessoas que enfrentavam a mesma situação. Além disso, os encontros significavam momentos de descontração para ela e lhe davam ainda mais ânimo. “Continuo indo porque me sinto bem e também porque a gente pode apoiar as outras mulheres que chegam lá. Elas olham para nós e percebem que não é o fim, que é possível sair dessa.”

Cladis recuperou-se, realizou o sonho de ver os dois filhos formados em engenharia, teve netos e hoje vive feliz ao lado da família. Para ela, o segredo da superação é o amor pela vida e a fé. Ela admite que é difícil esquecer, mas é possível superar. O medo ainda existe, sim, só que ele serve de alerta para que continue a cuidar da saúde. “Mulheres, amem-se! Minha mãe é um exemplo, ela tem 84 anos e faz mamografia anualmente. Nós temos a Rede Feminina e o SUS à nossa disposição. O exame é gratuito, não deixem de se cuidar.”

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