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Nova vida após o câncer

20 de outubro de 2012 0

Em fevereiro deste ano, Andréia Lúcia Machado, 39 anos, concluiu mais uma etapa do processo de recuperação de um câncer de mama descoberto em 2006. Ela finalmente reconstruiu o seio direito, afetado pela doença.

A história dessa costureira, moradora de Araquari, é marcada por reviravoltas. Uma surpresa, em especial, deu outro sentido a tudo que ela passou durante esse período.

Andréia descobriu o tumor casualmente, enquanto tomava banho. Pensou que não era motivo para se preocupar. Costumava sentir nódulos quando parou de amamentar os filhos, mas esse era diferente dos outros: não doía, por isso, achou melhor consultar um médico.

Depois de realizar uma ultrassonografia que não detectou o tumor e uma mamografia que apontou irregularidades no seio, o ginecologista recomendou que ela procurasse um mastologista para exames mais detalhados. A biópsia confirmou: era câncer. Andréia tinha 33 anos, dois filhos que foram amamentados até os dois anos e meio e não havia caso de câncer na família.

Seu perfil não se enquadrava no de mulheres com risco de desenvolver a doença, mas, no caso dela, o câncer parecia contrariar as probabilidades. “O resultado da biópsia saiu no dia 17 de novembro. A gente nunca esquece essas datas ruins. Meu mundo caiu naquele momento.”

A cirurgia foi marcada para 6 de dezembro. Ela retiraria apenas uma parte da mama porque o nódulo era pequeno. No dia da cirurgia, no entanto, ela notou que o caroço no seio, que antes parecia um grão de feijão, estava bem maior. Durante a operação, o médico constatou que o câncer realmente havia aumentado e precisou fazer uma mastectomia completa.

Ela garante que a transformação do corpo não a incomodou, o importante era sua recuperação. Andréia esperou todo esse tempo para fazer a reconstrução da mama justamente porque havia desistido de colocar um implante e também por medo de que a doença voltasse. “O cirurgião insistiu tanto, que acabou me convencendo. Não me sentia mutilada. É só um peito. Mutilação é perder um braço, uma perna.”

No meio do turbilhão no qual estava vivendo, Andréia recebeu a primeira das boas notícias alguns dias depois da cirurgia. Os exames mostravam que não havia metástase, o tumor estava maior por causa de uma inflamação, e poderia dar continuidade ao tratamento.

Começaram as sessões de químio e radioterapia. Todas as noites, por quase um mês, ela e o marido saíam de Araraqui até o Hospital São José, em Joinville. Ele sempre esteve ao lado da mulher e fazia questão de elogiá-la. Dizia que ela estava ainda mais bonita, por isso, ela acredita que não sentiu falta do seio e nem tinha vergonha de mostrar o corpo para ele.

Foram essa dedicação e carinho que mantiveram a autoestima de Andréia e que a emociona até hoje ao falar sobre o companheirismo dele. “Ele nunca me deixou sozinha, não fui a uma consulta sem ele. Foi ele quem segurou a barra”, recorda, com a voz embargada.

O amor pelos filhos, Jenifer e Gustavo, na época com 15 e cinco anos, foi outro pilar de sustentação durante o tratamento. Ela queria viver para cuidar dos dois e era neles que pensava nas horas difíceis, principalmente durante a quimioterapia, a pior fase do tratamento.
Andréia sentia-se muito fraca nos dias após as aplicações, conta que não conseguia reconhecer a mulher pálida e debilitada que via no espelho.

Perder os cabelos foi o menor dos problemas. Quando os fios começaram a cair, ela mesma teve a iniciativa de chamar a irmã, que é cabeleireira, para raspar a cabeça. “Não fiquei triste por estar careca. O que me estressava era aquele monte de cabelo caindo pela casa”, ri.

Prática, ela também deu um jeito de disfarçar a falta de uma das mamas. Colocou um daqueles sutiãs de silicone dentro de uma meia fina, preencheu com mais algumas meias para fazer volume e o encaixava dentro do outro sutiã que vestia. Às vezes, ela esquecia de colocá-lo quando saíam e precisava voltar para buscar o peito falso, o que, no fim, virava motivo de risadas entre eles.

Como era jovem e casada, antes de começar o tratamento, o oncologista perguntou se gostaria de congelar os óvulos caso pretendesse engravidar novamente, já que havia um risco de ficar infértil. Ela se recusou. Tinha dois filhos e não fazia planos para ser mãe novamente.
Então, o inesperado aconteceu. Dois meses após terminar a radioterapia, outro exame mudou a vida de Andréia: ela estava grávida.

A ideia de que a criança pudesse nascer com problemas por causa dos tratamentos que havia feito a deixava apavorada. Ela diz que o medo foi maior do que descobrir o câncer ou do que a preocupação de que a doença voltasse por causa das mudanças que uma gestação traria. Mas o ultrassom feito quando completou um mês de gravidez fez com que ela e o marido finalmente respirassem aliviados e pudessem comemorar a chegada de mais uma criança. Em julho de 2008, Gabriela nasceu completamente saudável.

Começava então outro desafio. Como só tinha uma mama, desde que soube da gravidez, a família fez um estoque de leite infantil para alimentar o bebê. Mas Gabriela não se adaptou àquele leite. Surpreendentemente, Andréia amamentou a filha até um ano e seis meses apenas no seio esquerdo. “Ela fala pra mim: ‘Mãe, sabia que eu sou um anjinho que veio lá do céu para cuidar de ti?”, conta, comovida.

Agora, Andréia diz que a preocupação é estar sempre um passo à frente da doença. Faz exames regularmente e não descuida da saúde. Manter a esperança e não resumir sua vida ao câncer de mama foi a maneira que ela encontrou de superar o problema. “Eu tinha chances e lutei. A maior lição é que existe vida após o câncer, e hoje tenho minha filha para provar isso.”

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