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Uma vitória de mãe e filha

20 de outubro de 2012 0

Ninguém espera receber o diagnóstico de um câncer, muito menos aos 26 anos. Roseana Farias Corsani era jovem, estava casada havia quatro anos e com muitos planos para o futuro, mas viu tudo mudar em fevereiro de 2008. “A sensação que eu tive é de que estava recebendo minha sentença de morte”, relembra.

Naquele momento, ela passava a fazer parte de um grupo raro de mulheres que desenvolvem câncer de mama antes dos 35 anos. Apesar do medo da doença e das complicações que ela traria, do medo de morrer, ela preferiu aceitar o que estava lhe acontecendo.

Apegou-se à família, ao amor incondicional do marido e à fé inabalável e garante que enfrentaria tudo novamente para tornar-se a mulher forte que é agora. Ela não abriu mão dos sonhos, apenas os adaptou à nova realidade.

Foi em um autoexame que Roseana sentiu o nódulo na mama direita pela primeira vez, em 2007, mas como havia assumido a direção de uma escola naquele ano e estava muito atribulada, não deu atenção àquilo.

Como o caroço no seio não desaparecia, em outubro daquele ano decidiu procurar um ginecologista, que identificou um nódulo pelo ultrassom. Ela resolveu consultar um especialista em mamas. Fez uma punção, mas o exame mostrou um nódulo benigno, por isso, começou um tratamento para gânglios. Considerando os resultados dos exames e faixa etária de Roseana, a possibilidade de ser câncer era pequena.

Por dois meses, tomou a medicação indicada e retornou no início do ano seguinte para nova avaliação. O ultrassom mostrou que o nódulo não diminuía. A biópsia marcada com urgência, finalmente, detectou a doença tão temida.

A cirurgia para retirada da mama foi feita dias depois. Ela ainda assimilava o que estava lhe acontecendo. Roseana também precisou tirar os linfonodos da axila, porque durante a cirurgia foi constatado que estava com metástase.

A perda de um dos seios só não foi tão traumática porque ele foi reconstruído imediatamente após a mastectomia. O mais difícil foi se desfazer dos longos cabelos loiros — e junto com os fios se foram as sobrancelhas, os cílios e todas as unhas. “É muito difícil, mas isso tudo passa. Eu queria estar bem, queria estar viva.”

Ela acredita que a autoestima não foi tão abalada porque o marido sempre transmitiu muita segurança. Ele a acompanhava a cada exame e, depois da cirurgia, pediu afastamento do emprego para dedicar-se exclusivamente à mulher. A mãe de Roseana, dona Nair Mello Farias, também não saía do lado da filha e ainda cuidava do marido, que tinha câncer nos ossos. “Ele morreu achando que era culpado pela minha doença”, lamenta Roseana, que perdeu o pai há três anos.

As amigas também foram essenciais naquele momento. Um dia antes de fazer a mastectomia, organizaram uma festa para ela e, na manhã seguinte, ficaram no corredor do hospital até a cirurgia terminar. “Eu nunca fiquei sozinha. Isso te fortalece. Sem falar na equipe médica, sempre muito atenciosa e prestativa.”

Terminado o tratamento, Roseana teve que adaptar-se às mudanças. Precisa fazer drenagem linfática no braço direito duas vezes por semana e não pode fazer esforço físico porque, com a retirada dos linfonodos, o movimento do braço pode ficar comprometido.

Isso causou uma mudança ainda maior na vida dela: precisou abdicar do trabalho como professora; agora, trabalha na secretaria da escola onde antes lecionava. “Recentemente, vários professores faltaram e eu disse que daria aula no lugar de um deles, pois uma tarde não me prejudicaria. De manhã, naquele dia, meu coração ficou acelerado, fazia anos que não entrava em uma sala de aula.”

O plano de ter filhos também foi deixado de lado, pelo menos neste momento. Ela e o marido cogitavam fazer um tratamento porque ela continuou ovulando mesmo depois da quimioterapia, mas o médico alertou sobre os riscos que uma gravidez traria. “Estamos bem resolvidos em relação a isso. Temos vários afilhados e sobrinhos, estamos cercados de crianças. Acho que Deus só me dará um filho se for para vê-lo crescer”, acredita.

Quando todas as dificuldades pareciam superadas, Roseana e a família sofreriam outro abalo. Há dois anos, sua mãe, dona Nair, descobriu um tumor no seio, por coincidência, no mesmo dia em que Roseana havia recebido o diagnóstico três anos antes.

Mas ela não se intimidou com a doença. O maior exemplo de superação era a própria filha. Nair fala com naturalidade sobre o câncer, mas ainda chora quando relembra tudo que aconteceu com Roseana.

Foi a filha que esteve com ela no consultório quando tiveram a confirmação da doença. “Eu tinha certeza de que ela ia ficar bem. A gente fica triste, a mãe já tinha sofrido tanto com o pai, comigo, ela não precisava passar por isso, mas eu tinha que dar força para ela”, ressalta. “O que passei não foi nada perto do que senti quando ela estava doente, gastei todo o meu sofrimento com ela”, acrescenta a mãe, que terminou o tratamento no ano passado.

Mãe de cinco filhos, Nair diz que a família ficou ainda mais unida depois de tudo o que passaram e, agora, não se priva de nada, quer curtir a vida. “Eu já tenho 63 anos, então tudo o que vier agora, tenho que viver. Passeio mais, compro mais, vivo mais”, brinca.

Foi com os pais que Roseana diz ter aprendido a nunca desistir diante de uma dificuldade, e isso foi essencial para manter a confiança no tratamento. Hoje, ela assegura que tem uma vida feliz. “Tudo mudou na minha vida. Os meus conceitos, as minhas prioridades são outras. A única coisa que eu quero é ser feliz e fazer quem está perto de mim feliz.”

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