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Mulher de força e fé

26 de outubro de 2012 4

Vilma Maria de Souza Barabacha começou a fazer os exames preventivos aos 40 anos de idade. O fato de a mãe ter morrido há 26 anos em decorrência de um câncer fez com que se mantivesse sempre alerta com a saúde.

Em uma dessas mamografias descobriu que tinha microcalcificações, passou a acompanhar a situação com ainda mais rigor, consultava um médico a cada seis meses para garantir que, se surgisse um tumor, ele fosse descoberto a tempo.
Em abril de 2002, um desses exames apontou um nódulo e a biópsia, infelizmente, confirmou a malignidade da doença na mama direita.

“É um baque só que eu não me abalei. Eu até tinha ido até o centro com minha filha, na época o Jorge tinha 16 anos e a Dani 15. Tinha ido fazer compras e passei do doutor Geraldo para pegar o resultado. Saí da sala e ela me perguntou “como é que foi?” Aí eu disse que teria que fazer a cirurgia, fiquei chateada e ela  chorou, queria voltar. Eu disse que não, que ninguém ia para casa por causa daquilo. Não adiantava  ir para casa chorar. Eu enfrentei bem aquele momento.”

Menos de um mês depois da cirurgia da retirada, seguida da reconstrução da mama, ela voltou ao mastologista para uma consulta com o marido, Mauro, que esteve sempre ao lado da mulher. Quando entrou na sala, o médico disse que não tinha uma boa notícia.

Vilma achava que ele ia dizer que teria que fazer químio e radioterapia. Ela estava preparada para aquilo e disposta a enfrentar o tratamento. Só que a notícia não era exatamente o que Vilma esperava. Ela teria que passar pelo tratamento, sim, mas o que ouviu do médico foi pior: a biópsia feita após a cirurgia mostrou um câncer invasivo abaixo da mama, que não aparecia na mamografia.

O médico então explicou que ela precisaria retirar as glândulas da axila, ou seja, teria que passar por outra cirurgia por causa da metástase.
A primeira reação de Vilma foi recusar. Não queria operar novamente. Ela foi para Curitiba, fez novos exames e o marido e os médicos finalmente a convenceram que a operação era inevitável se quisesse se recuperar. A nova cirugia aconteceu no dia 21 de julho de 2002, seguida pelas sessões de quimioterapia. “Fiz quatro sessões, mas era da mais forte. Não tive que fazer a radioterapia”, comenta. “Ela ia a cada 21 dias e saía das sessões branca como uma folha de papel”, relembra o marido.

Ela diz que a segunda cirurgia a deixou mais assustada e o processo de recuperação também foi mais difícil. “Na segunda vez estava com medo e tinha todos aqueles cortes (Vilma fez a reconstrução da mama movendo tecido do abdômen), mal podia me mexer. Tinha que ficar com dreno o dia inteiro”, acrescenta.

Devota de Nossa Senhora de Fátima e Santa Paulina, apegou-se à religião para suportar os momentos difíceis e conta emocionada que dormia com o rosário na mão, rezando para que tivesse forças para superar aquela situação.
E Vilma superou. Depois que a dura fase do tratamento passou, ela conta que ouvia das pessoas que nem parecia que pouco tempo antes estava doente. Seis meses depois das sessões de químio e radio, os cabelos voltaram a aparecer e a autoestima melhorou.

Mas existe outro vestígio da doença que não se apaga tão facilmente: o medo. Nos primeiros anos ela teve que aprender a conviver com a ameaça da volta do câncer, sentimento que de certa forma a sonda até hoje. “A gente pensa nisso sim, mas tem que acompanhar. Este ano já fiz minha mamografia.”
Da doença, Vilma diz ainda que tirou uma lição: “Eu acho que a pessoa tem que enfrentar a dificuldade, se apegar a Deus e tentar levar a vida normalmente. Não adianta ficar se lamentando, temos que ocupar o tempo, procurar outra coisa para fazer e viver a vida.”

Comentários (4)

  • Daniele Barabacha diz: 26 de outubro de 2012

    Enfrentou os problemas de cabeça erguida!

  • Florinda Kuchiminski Filha diz: 27 de outubro de 2012

    Emociona ler depoimentos como o da Vilma Maria , uma vencedora com fé e otimismo ! Quantas batalhadoras e vencedoras como a Vilma existem ! Parabéns a Genara e Roberta pela iniciativa do projeto ! Reportagens assim faz repensar os nossos valores.

    Florinda.

  • Mariana diz: 29 de outubro de 2012

    Minha mãe está passando pela mesma situação. Tirou o câncer e infelizmente tirou a mama e não pode fazer a reconstituição. Mas o que mais me comove é a força que ela tem e teve em todo este processo. Por ser uma mulher tão vaidosa pensei que seria muito difícil o momento em que ela se olhasse no espelho, mas muito pelo contrário, ela ficou tranquila e está quanto a isso… Eu é que chorei muito pensando no sofrimento dela, mas me dá vergonha em saber o quanto ela é forte!
    Agora irá fazer as sessões de quimioterapia, não sabemos quantas serão necessárias. Mas sei que ela sairá desta muito mais forte e alegre do que é!!!
    Parabéns a todas as guerreiras que passam por este momento difícil!!!

  • SIlvana Cercal diz: 29 de outubro de 2012

    Fico muito emocionada com depoimentos como este. Admiro a força, a fé, a perseverança. As dificuldades nos deixam mais fortes, mas temos que admitir que receber um diagnóstico de cancer e não se abater é pra poucos. Pessoas especiais que lutam pela vida merecem aproveita-la cada minuto. A história da VIlma é emocionante. Que Deus e Santa Paulina lhe abençõe muito e que voce continue servendo de exemplo para tantas outras pessoas que enfrentam estar dor.
    Parabens!

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