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Cirurgião realizou mais de 400 reconstruções mamárias nos últimos anos

29 de outubro de 2012 0

O cirurgião plástico Humberto Thormann Bez Batti  está em Joinville há 16 anos e realizou um trabalho importante voltado para reconstruções mamárias.
Desde então, ele soma mais de 400 cirurgias, muitas feitas em parceira com a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Joinville e oferecidas gratuitamente para as mulheres mais carentes que utilizavam os serviços da entidade.
Em entrevista, o médico explica como são feitas as reconstruções e os tipos de cirurgias que atualmente são oferecidas para mulheres mastectomizadas.

Como é feita a cirurgia de reconstrução de mama?
A cirurgia pode ser feita de três maneiras e cada uma tem sua peculiaridade. Existe a mais simples, na qual toda a mama é retirada e é colocado um aparelho chamado expansor, que nada mais é do que um balãozinho de silicone implantado embaixo do músculo peitoral. Ele tem uma válvula e aí, toda semana depois da cirurgia, usando uma seringa e uma agulha, enchemos 10% do balão com soro fisiológico, ou seja, em 10 semanas o balão estará cheio, do tamanho de uma mama. Depois deixamos a pele descansar por três meses, retiramos o expansor e colocamos a prótese de silicone.
Hoje em dia temos outra método ainda mais moderno, que é o expansor permanente. A paciente recebe um expansor que já vem com uma prótese dentro. Ele tem uma parte de silicone e a vantagem é que não precisa ser trocado e será preenchido do tamanho que a paciente quiser. Além disso, durante a vida a paciente pode mudar o tamanho. Por exemplo, com o passar dos anos, a mama tende a cair um pouco e diminuir de tamanho. Com a mudança de tamanho da outra mama, podemos esvaziá-lo até os seios ficarem simétricos.

É possível colocar apenas a prótese para fazer a reconstrução?
Se colocarmos só a prótese depois da mastectomia, não haverá pele o suficiente para cobrir a prótese e vai comprometer toda a cirurgia, por isso que se coloca o expansor. Ele fica embaixo da pele para inflar e estender a pele, é o mesmo movimento de quando a mulher engravida e a barriga cresce. Por isso também que inflamos o balão do expansor penas 10% por semana, para não estender demais e causar rejeição.

Existem outras formas de reconstrução?
A mais simples é a com expansor, ideal para fazer imediatamente após a mastectomia. Se a mulher já fez a mastectomia e a radioterapia, a pele normalmente não tolera que seja colocado o expansor, então, temos duas outras opções. Podemos fazer a reconstrução com tecido do abdômen, usamos tecido da própria barriga da paciente, pele e gordura, junto com o músculo abdominal, para reconstruir a mama  e não há necessidade de usar prótese. Esse método apresenta uma grande vantagem porque, se a paciente aumenta de peso, a mama reconstruída tem pele e gordura e vai aumentar também, assim como a outra mama e o mesmo acontece se ela emagrecer.
Existem algumas contraindicações para fazer a reconstrução com abdômen. Primeiramente, não se faz em paciente tabagista e com diabetes, o fumo e a diabetes prejudicam a microcirculação e a cicatrização desse tipo de reconstrução.
Se o paciente já fez uma plástica de abdômen não é possível porque nessa cirurgia a gente faz uma nova plástica de abdômen, utilizando aquela pele e gordura da região abaixo do umbigo.
A segunda opção é reconstruir com a pele e o músculo das costas, que se chama grande dorsal, e daí essa pele e esse músculo vão cobrir uma prótese.

Como é o processo de recuperação dessas cirurgias?
Com prótese expansora, a cirurgia e o processo de recuperação são mais rápidos. Essa é uma cirurgia que leva em torno de uma hora e meia. A reconstrução com tecido do abdômen é maior, leva em torno de quatro horas, e a reconstrução com o músculo das costas também leva em torno de cinco horas aproximadamente. Como as duas últimas são cirurgias maiores e mexemos em outros lugares do corpo, existe um período de recuperação maior também.

O que vai definir o tipo de cirurgia?
É preciso considerar como é a mama da paciente, qual é o tamanho da ressecção de mama que ela vai retirar, o tipo de mastectomia que vai ser feito, o tipo de mama que ela tem do outro lado, o quadro clínico da paciente, quais são as patologias prévias que ela tem, se fuma, se tem diabetes, a idade da paciente, a qualidade da pele, então isso é que vai determinar se existem restrições para algum tipo de reconstrução, temos que avaliar tudo isso.

Qual é a importância dessa cirurgia para a mulher que passou pela mastectomia?
A mama, desde que a mulher é adolescente, tem importância visceral para ela. Tem ligação com a transformação da menina em mulher, com a amamentação, com a sexualidade. Por isso é importante realizar reconstrução e fazê-la no momento em que se faz a mastectomia. Até porque, dependendo do tratamento, é preciso esperar pelo menos seis meses para poder reconstrui-la. Se a reconstrução é imediata, a paciente pode fazer radioterapia e quimioterapia logo depois sem problema nenhum.

Como é a reconstrução em mulheres que retiram apenas um quadrante da mama?
Quando se retira um quadrante da mama, a cirurgia é muito semelhante da plástica para redução de mama. O mastologista tira um quadrante e refazemos aquela mama com técnicas de cirurgia plástica e depois reduzimos a outra mama para ficar simétrico.

Todas as mulheres podem fazer a reconstrução logo após a mastectomia?
Na medicina não existe o sempre nem o nunca. Existe alguma restrição para se fazer a mastectomia e a reconstrução imediata? Alguns anos atrás os mastologistas mais antigos recomendavam que a paciente fizesse a mastectomia e mais tarde, anos depois, se não tivessem nenhuma recidiva, fizessem a reconstrução.
Hoje em dia essa ideia se caiu por terra. Lógico que se a paciente tem um problema de saúde tão grave e que não permite que se faça uma cirurgia longa, aí não se faz. Mas em 98% dos casos a indicação é fazer a reconstrução imediata.

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