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É preciso ressignifcar, afirma psicóloga

24 de outubro de 2013 0

A psicóloga Kethe de Oliveira, do Hospital Dona Helena, de Joinville,  redigiu um artigo especial para o Outubro Rosa.
Confira abaixo o texto completo.

— Não se pode mudar a direção do vento, pode-se ao menos alterar a posição das velas e seguir, quem sabe, com mais fluência.

A frase da psicóloga e pós-doutora em letras, Denise Maurano Mello, ajuda a compreender o processo de ressignificação que pacientes com diagnóstico de câncer podem passar. Muitas vezes, a notícia traz consigo temas relacionados à morte e ao sofrimento. Nas mulheres, especificamente, causa mudanças significativas na vida, interferindo na execução de seus papéis.

Quando a paciente é acometida por um câncer de mama, talvez o maior impacto esteja relacionado com a necessidade de fazer uma mastectomia, procedimento cirúrgico que remove a mama. A manifestação do sofrimento pode ter um impacto maior por se tratar de um órgão que simboliza a feminilidade, a sexualidade e a maternidade, além de ser um elemento estético importante.

Remover essa parte do corpo envolve um processo de elaboração que comumente surge em algumas semanas depois do procedimento, pois no primeiro momento o pensamento está mais direcionado à cura.

Na experiência com os atendimentos realizados no Hospital Dona Helena é possível verificar que diante da dor e da dificuldade surge também o processo de ressignificação. Ressignificar é poder atribuir um novo significado a acontecimentos a partir da mudança da visão de mundo.

Por meio desse processo, o sujeito pode aprender a pensar de outro modo sobre as coisas e construir novos pontos de vista. A reconstrução desses conceitos, nas pacientes em tratamento para câncer de mama, faz com que elas passem a viver intensamente como sujeitos de sua história.

Além de quem está sendo tratado, a ressignificação pode ser observada nos familiares, que criam estratégias para lidar com as mais diversas situações geradas pelo adoecimento.

O atendimento que envolve uma equipe multidisciplinar, dentro do ambiente hospitalar, visa trabalhar a reabilitação, a autoestima e a inclusão, favorecendo uma melhor qualidade de vida, sempre levando em conta a disponibilidade e aceitação da paciente.

Infelizmente, no Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) acredita que isso se deva ao diagnóstico tardio. Por isso, esteja atenta ao seu corpo e diante de dúvidas, procure especialistas que lhe ajudarão no diagnóstico e no enfrentamento da situação da melhor forma possível.

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