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Psicóloga transformou cenário cotidiano em inspiração para pesquisa acadêmica

30 de outubro de 2013 1

Gabryella Cidral Vieira Agostinho estava concluindo o curso de Psicologia na Universidade da Região de Joinville (Univille) quando a mãe dela foi diagnosticada com câncer de mama, em 2010.

No ano seguinte, a inspiração para o trabalho de conclusão de curso veio de casa: Gabryella entrevistou dez mulheres que lutavam contra o câncer, inclusive a mãe e uma tia, para a elaboração da monografia.

O trabalho, intitulado “A mulher diante do Câncer de Mama e os Aspectos Emocionais Envolvidos”, teve como objetivo descobrir a influência dos aspectos emocionais no desenvolvimento do câncer de mama.

— Antes de iniciar minha pesquisa, fiz contato com uma das responsáveis pelo grupo de mulheres da Rede Feminina de Combate ao Câncer. Apresentei meus objetivos com o trabalho e contei um pouquinho o que estava vivendo com a minha mãe, e o quanto este trabalho estava me dando forças para prosseguir e ajudar as pessoas— conta.

Na pesquisa, a psicóloga apresenta a importância da identificação de quanto os aspectos emocionais vividos ao longa da vida da mulher podem influenciar no surgimento, ou não, do câncer, além de ressaltar a influência da psicooncologia no acompanhamento da paciente diagnosticada com câncer.

— Meu trabalho apresenta, ainda, os possíveis problemas que se enfrenta com uma equipe médica que não está preparada para se dar uma notícia dessas ao paciente e seus familiares, e o quanto isso tira o “chão” das pessoas, como tirou o meu há três anos — explica.

Gabryella revela que a profissão ajudou a ter uma visão ampla da doença, enquanto acompanhava o tratamento da mãe, no entanto, não a eximiu do sofrimento.

No início de 2010, a mãe dela, Sônia Cidral realizou vários exames para identificar o caroço que sentia no seio esquerdo. Enquanto o médico acreditava que eram apenas glândulas mamárias, ela insistia em novos diagnósticos. Na quinta biópsia, ela recebeu a notícia que estava com câncer de mama e que precisava fazer a cirurgia com urgência.

De acordo com Gabryella, após a família insistir, o médico ofereceu a opção de realizar a quimioterapia em vez de fazer a operação cirúrgica de imediato. Diante de um cenário tão delicado e conturbado, Gabryella percebeu a importância que um psicólogo pode ter desde o início do tratamento.

—Quando saímos do consultório, minha mãe parecia forte. Mas quando entrou no carro, se desmanchou a chorar e disse: Eu vou morrer. Por que minha filha? Por quê comigo que sempre me cuidei tanto? — recorda Gabryella, reforçando a preocupação com a saúde da mãe. A cada seis meses, dona Sônia realizava os exames preventivos e tinha uma alimentação regrada.

O tratamento foi conturbado. Com divergências entre os profissionais e a família, avanço da doença e após trocas de médicos, finalmente a cirurgia para retirada da mama foi realizada, em janeiro de 2011, acompanhada de sessões de radioterapia.

Em setembro do mesmo ano, prestes a completar 61 anos, a mãe de Gabryella decidiu deixar a loja que comandava para aproveitar melhor a vida. Viajar, cuidar da casa e da família.

Infelizmente, dois meses após o término do tratamento, a mãe da psicóloga teve uma recidiva no pulmão. Foram onze meses de tratamento, com Gabryella e o marido acompanhando tudo. Sônia não resistiu ao avanço da doença e faleceu em novembro de 2012, uma semana antes do aniversário da filha.

gabryella

 

Comentários (1)

  • joeli grimbor marques souza diz: 1 de novembro de 2013

    Tive o privilégio de conhecer a Sonia, estive muito pouco tempo com ela, mas o tempo que tive foi marcante pela maneira dela ser, tão pouquinho tempo demonstrava a mulher especial que era. Louvado seja o Senhor pelo exemplo de vida! E que Ele esteja abençoando ricamente as pessoas que tinham algum envolvimento com ela, dando-lhe a paz que só Cristo pode dar.

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