

fotos: Andressa Barros
Você já deve ter escutado por aí que mãe é tudo igual, só muda o endereço. Mas existem aquelas que fogem um pouco do modelo tradicional e muitas vezes acabam até sendo confundidas como irmãs das filhas. Elas, assim como você, também adoram andar na moda, acessar as redes sociais e curtir uma boa balada. Até onde vai essa relação de mãe e amiga? O Pah! foi descobrir.
O orgulho pela mãe gatona, como ela mesmo chama, fica evidente quando conversamos com Audrey Schmidt, 21 anos, moradora do Bairro Rio Branco, em Canoas.
A guria, que até a adolescência era o xodó do papai, agora vê na mãe sua inspiração.
Paixão essa que ela tem até tatuada no braço.
– Me dou muito bem com a minha mãe. Gosto do seu estilo de roupas, até mais do que do meu, e, muitas vezes, até roubo uns modelitos – brinca.

● Vivendo uma nova realidade
A mãe, Adriana Schmidt, 40 anos, tinha apenas 17 anos quando descobriu que estava grávida. Na época, ainda estudante do ensino médio, teve que encarar a responsabilidade de continuar os estudos, arranjar emprego e criar a filha.
– Eu fui pai e mãe, pois, mesmo que meu marido, namorado na época, tenha ficado ao meu lado, ele ainda era mais imaturo. Mas deu tudo certo, e hoje está aí a “bronca”, linda e criada. E não deixei de curtir minha juventude. Quando eu saía, principalmente para ver o marido tocar guitarra em uma banda de rock, ela ia comigo e ficava dormindo em um cantinho – lembra Adriana.

● O velho papo de tal mãe, tal filha
Hoje, elas são mais do que mãe e filhas: são amigas e companheiras. Gostam de estar juntas e dividir bons momentos. Vão à praia e a shows de reggae, gosto musical que compartilham. Até quando o assunto é o namorado de dois anos de Audrey, elas são confidentes e gostam muito dessa proximidade.
Adriana acredita que o fato de ser uma mãe mais jovem, gostar de cuidar da aparência e de sair para se divertir não impede que seja durona e exigente quando necessário.
– A parte boa é que, quando eu saio para me divertir com as minhas amigas e acabo bebendo um pouquinho mais da conta, é ela quem vai me buscar na balada – diverte-se Adriana.
Para Audrey, é muito bacana ter uma mãe mais jovem porque entende seus anseios e dá toques legais sobre as dúvidas que tem.
– Adoro poder contar com ela e ver como meus amigos a acham linda. Só tenho que ficar de olho na internet, pois ela vive postando fotos – implica Audrey.
NÃO ATROPELE ETAPAS

Essa cumplicidade também existe na casa de Elisiane Moraes, 31 anos, e da filha Thamires Moraes, 15 anos. Por ter sido mãe solteira aos 16 anos, Elisiane viu sua vida mudar quando soube da gravidez.
– Eu acabei os estudos e comecei a trabalhar. Não queria que ninguém fosse responsabilizado por um problema que era meu – lembra.
Hoje, já casada e mãe de outra menina, de sete anos, Elisiane acredita que a pouca diferença de idade ajuda muito na relação dela com as meninas, principalmente com Thamires:
– Sou mais ligada nas coisas do que minha mãe era. É mais difícil ela me enrolar. Como também gosto de sair para me divertir, sei como é a vida “lá fora”. Também tenho facebook e, apesar de não gostar muito, estou sempre de olho nas coisas que ela posta – completa.

Para Thamires, essa proximidade com a mãe é pura diversão.
– Ela vai comigo a shows e a festas. Até no Planeta Atlântida me acompanhou. Arrasta até meu pai às vezes (risos). Minhas amigas acham o máximo que ela tem várias roupas lindas para nos emprestar. Sempre dizem: pede para tua mãe aquela blusa tal – ri Thamires.
PALAVRA DO ESPECIALISTA
Deve haver limites na relação entre pais e filhos
Para a psicóloga Marlise Sandler Albuquerque, os pais
precisam ter cuidado para não transformar essa amizade em uma invasão no espaço dos filhos.
– A mãe amiga é um diferencial. É importante estar junto, acompanhar. Mas deve haver limites, porque isso toca no
ponto da diferença de gerações. Mesmo que a mãe tenha apenas 15anos, 16 anos a mais que os filhos, ela tem que entender que eles precisam “existir”separado delas – explica.
● Cuidado com a competitividade
Ainda segundo Marlise,nada impede que uma mãe jovem saia e curta a noite com os amigos, tenha seu perfil nas redes sociais e divirta-se.
Mas isso tudo com seus próprios amigos, evitando estar a todo momento no mesmo ambiente que o filho. Uma vez ou outra é saudável e, até mesmo, necessário.
– É preciso tomar cuidado para não gerar uma competitividade entre os dois. Essa é uma época de muitas incertezas e baixa autoestima.
O jovem precisa saber que tem alguém responsável que lhe dará apoio nas dificuldades, e não alguém que vá agir igual ou até de forma mais inconsequente – completa Marlise.
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