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Posts de novembro 2010

Livros para ouvir

30 de novembro de 2010 0

Nesta quarta-feira ocorre mais uma edição do projeto Livros para Ouvir, que objetiva aproximar portadores de deficiência visual de escritores.

Será às 14h, na Sala de Cinema Ulysses Geremia, no Centro de Cultura Ordovás , em Caxias do Sul. O palestrante será o escritor Uili Bergamin, que falará sobre o seu livro Sino do Campanário e sobre seus projetos para 2011.

A promoção é da Biblioteca Pública Pública Municipal Dr. Demetrio Niederauer e da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Visuais (Apadev). O encontro também é aberto para a comunidade em geral.

Uma Cidade Desassombrada

27 de novembro de 2010 0

(Maristela Scheuer Deves)

Aquela era a cidade mais desassombrada do mundo. Vitor bem que gostaria que não fosse: ele adorava histórias de fantasmas, vampiros e outros seres sobrenaturais. Já pensou a emoção que seria encontrar almas do além vagando pelos corredores, arrastando correntes e gemendo para assustar os mais medrosos? Ele, é claro, não tinha medo de nada. Queria mais era encontrar um desses seres, só não tinha a mínima ideia de como fazer isso.

Que azar, pensava, ter nascido justo ali, naquela cidadezinha esquecida por todos, onde até mesmo os fantasmas se negavam a morar. Já procurara no cemitério, na biblioteca, no porão e no sótão da casa dos avós, naquela ruela escura que todos diziam ser perigosa (e era mesmo, ele quase fora assaltado). E nada. Nadica de nada. Nem um lençolzinho branco para contar a história.

— Você não encontra fantasmas porque fantasmas não existem, nem aqui, nem em outra cidade qualquer — ria o irmão mais velho, fazendo pose de quem sabe tudo.

Mas Vitor não se dava por vencido. Encontrou na internet uma comunidade virtual intitulada “eu acredito em fantasmas” e passou a participar com interesse de todos os debates. Um domingo no começo de agosto, entrou no site e quase não conseguiu acreditar no que via: um fantasma estava anunciando que procurava um lugar para morar.

“Fantasma sem teto busca pessoa simpática para dividir casa. De preferência, casa antiga, mas pode ser nova também. Pode ser até apartamento, na verdade. Sou um fantasminha simpático e organizado, não faço barulho (prometo só arrastar as minhas correntes até as nove horas da noite) e sei fazer vários truques, como atravessar paredes e desaparecer no ar. Interessados, favor deixar mensagem e endereço aqui.”

Excitado, Vitor não perdeu tempo. Escreveu logo um recado, dizendo do seu interesse e contando como era sua casa: grande, antiga, com um grande porão e um sótão espaçoso. Depois, correu contar a novidade ao irmão.

— Você está louco? — enfureceu-se Jacó. — Onde já se viu, dar nosso endereço assim, pela internet, para um desconhecido? E se for um ladrão?

Vitor revirou os olhos.

— Você por acaso já viu algum fantasma roubar?

Jacó desistiu. Não adiantava tentar explicar as coisas para aquele pirralho teimoso.

Enquanto isso, Vitor não cabia em si de emoção. Daquele dia em diante, quase não saía mais da frente do computador, esperando a resposta do tal fantasma sem teto. Demorou três dias até que, enfim, veio a mensagem tão esperada.

“Caro senhor Vitor”, dizia o recado, “fico muito feliz em anunciar-lhe que a sua proposta foi a vencedora. Aqui na cidade onde eu moro não existem mais casas antigas como a que o senhor descreveu. Aliás, praticamente não existem mais casas onde possamos morar. São só prédios, altos e horrorosos, e as pessoas que moram neles não querem saber de nós, pobres fantasmas desamparados. Não acreditam na gente, nos expulsam de seus apartamentos, colocam música alta para não ouvirem as nossas correntes. Chegam até a dizer que não existimos, veja a audácia. Assim, quando comentei com meus amigos que estava me mudando, eles imploraram que eu os levasse juntos. Espero que o senhor não se importe. Nós chegaremos amanhã, à meia-noite.”

Vitor ficou entusiasmado. Em vez de um fantasma, ele teria vários. Quantos seriam? Três? Quatro? Se fossem cinco, seria a glória. Quase contou ao irmão, tão contente estava, mas pensou melhor. Jacó viria outra vez com aquele papo de que fantasmas não existiam e de que era uma armadilha. Pois bem. Quando eles estivessem ali, na sua casa, ele queria ver o irmão dizer que ele era bobo.

Não dormiu nada naquela noite, mas não estava cansado na manhã seguinte. A animação que sentia era suficiente para mantê-lo acordado. No almoço, no entanto, já estava irritado: as horas se arrastavam, e ainda faltava muito para na meia-noite.

— Esse moleque está aprontando alguma coisa — disse Jacó, quando o irmão saiu da mesa direto para a frente do computador.

— Deixa ele… Só está calado — replicou a mãe.

No seu quarto, Vitor vasculhou a comunidade sobre fantasmas no site, em busca de novidades. Quem sabe o seu fantasma tivesse deixado mais algum recado. Quem sabe até tivesse resolvido antecipar o horário de chegada. Mas não — a última mensagem era a do dia anterior.

Por fim, anoiteceu. Vitor resolveu dar uma olhada no sótão e no porão. Durante a tarde, pensara em limpar um pouco esses lugares, empoeirados pelo tempo sem uso, mas resolvera deixá-los como estavam: afinal, para um fantasma, provavelmente quanto mais abandonado parecessem, melhor seria. Quando o relógio marcou onze horas, avisou que estava indo dormir. O que fez, na verdade, foi ficar acordado sob as cobertas, olhando a cada poucos segundos para o mostrador luminoso do celular, contando os minutos que faltavam para a meia-noite.

Sem perceber, acabou caindo no sono. Acordou assustado algum tempo depois, com sussurros em seu ouvido. Abriu os olhos rapidamente, já se preparando para dar uma bronca no irmão pela brincadeira, mas Jacó não estava no quarto. Na verdade, parecia não ter ninguém ali a não ser ele. Mas quem deixara o abajur ligado? Estava uma claridade estranha no quarto… Será que ainda estava dormindo e aquilo era um sonho?

— Senhor Vitor… senhor Vitor, está me ouvindo?

O menino deu um pulo ao ouvir a voz.

— Quem está aí? — sussurrou de volta, com medo até mesmo de falar alto.

— Sou eu, senhor… Gustav, o fantasminha sem teto. Ou melhor, agora eu não sou mais sem teto, já que o senhor me acolheu — respondeu a voz, materializando-se em um fantasma branco e transparente bem ao lado da cama.

— Você veio mesmo — exclamou Vitor, pulando da cama, animado.

— Claro que eu vim, não podia perder uma oferta dessas. Aliás, deixe eu lhe apresentar meus amigos — disse o fantasma, estalando os dedos.

A cada estalo, uma nova forma branca ia surgindo. Vitor ia contando: um… dois… três… outro estalo… quatro… mais um estalo… cinco… seis… sete… e vários outros estalos em sequência… e oito, nove, dez, quinze, vinte fantasmas ao todo apareceram, um ao lado do outro, todos sorrindo e abanando para Vitor. Quase não havia mais lugar no quarto com todos eles ali.

O que ele faria com tantos fantasmas? Bem, era o que sempre quis, não era?, pensou Vitor. E já que eram tantos, o melhor era distribuí-los direito.

— Bem-vindos todos. Agora, vamos nos organizar… Aqui no meu quarto, ficam Gustav e mais um, que isso também não é a casa da Mãe Joana. No quarto do meu irmão — e Vitor deu um sorriso —, lá podem ficar três. No de visitas, outros três… No de meus pais, vamos deixar sem. Os outros se dividem entre o sótão e o porão, combinado?

Murmúrios fantasmagóricos de aprovação, e todos rumaram para seus quartos. Logo Vitor ouviu os gritos do irmão, e se conteve para não correr até lá e dizer um “eu não falei”. No outro dia, convidou alguns colegas de escola para dormirem na sua casa, e a diversão foi grande — ao menos para ele.

A partir de então, ficou conhecido como o menino mais corajoso da cidade, pois morava na única casa cheia de fantasmas naquela cidade até então desassombrada.

Inspiração em Harry Potter

24 de novembro de 2010 1

Aproveitando a deixa da estreia nos cinemas de Harry Potter e as Relíquias da Morte — Parte 1, um grupo de aspirantes a escritores que participa do 6º Desafio de Escritores, promovido pelo Espaço Cultural da Câmara dos Deputados, elaborou na última semana uma série de histórias inspiradas no universo mágico criado pela inglesa J.K. Rowling.

O resultado pode ser conferido no site http://desafiosdosescritores.sites.uol.com.br, clicando em “infanto-juvenil” e depois em “textos de infanto-juvenil 7″.

Hoje e amanhã tem Roda de Leitura

22 de novembro de 2010 0

Segunda e terça-feira são dias de Roda de Leitura na Biblioteca Pública Municipal Dr. Demetrio Niederauer, em Caxias do Sul.

Hoje, às 14h , é a vez de leitores adultos se reuniram para discutir leituras, a partir de um texto apresentado pelo coordenador do grupo, Uili Bergamin.

Amanhã, às 15h, o encontro é voltado a jovens leitores, que seguem o mesmo sistema de leitura e discussão.

As Rodas de Leitura têm entrada franca e ocorrem na sala do Contapete, no 2º andar da biblioteca, que fica na Rua Dr. Montaury, na Casa da Cultura, em frente à Praça Dante Alighieri. 

Leituras de Natal a partir desta segunda

21 de novembro de 2010 1

FOTOS PIETRO CARLUCCI DE CAMPOS, DIVULGAÇÃO

O Programa Permanente de Estímulo à Leitura (PPEL), ligado à Secretaria Municipal da Cultura de Caxias do Sul, não vai ficar de fora as atividades do Natal Brilha Caxias. A partir de amanhã, começam as atividades do Leituras de Natal: Compartilhando Sonhos e Esperanças, na antiga Estação Férrea.


A atividade prevê leituras de textos de grandes autores da literatura como Carlos Drummond de Andrade, Mario Quintana, Vinicius de Moraes, Clarice Lispector, entre outros, fazendo alusão a temas relacionados com o verdadeiro espírito natalino, como fé, esperança, amizade, determinação e companheirismo.

Além das leituras em voz alta, textos com essas temáticas foram selecionados para integrar os 60 livros que enfeitam a árvore natalina do Jardim da Leitura. Confeccionados em materila resistente à chuva, os livros não são só enfeites: eles podem realmente ser lidos pela criançada.

Além de se deliciarem no Jardim da Leitura, os visitantes poderão fazer um passeio no Expresso da Leitura. A versão lúdica do antigo trem também está ornamentada com motivos natalinos, integrando a programação.

As atividades estão previstas para acontecer todas as segundas, quartas e sextas-feiras, às 15h. Escolas podem agendar visitas das turmas junto ao Programa Livro Meu, por meio dos telefones (54) 3901.1388 e 3901.1288.

Se a procura for grande, os horários e dias das atividades podem ser ampliados, adianta Luiza Motta, coordenadora do PPEL / Livro Meu.

Dúvida Cruel

20 de novembro de 2010 1

(Maristela Scheuer Deves)

Eu não acredito, mas eles insistem em dizer que, ontem, eu morri. Um absurdo, claro: não vejo como isso possa ter acontecido. Ontem foi um dia como outro qualquer. Acordei às sete horas, tomei banho, preparei o desjejum e fui para o escritório. Não vi Maria, minha esposa, porque ela vai cedinho à feira, todas as sextas. As crianças ainda estavam dormindo — estão de férias e, por isso, têm todo o direito de dormir até mais tarde. O porteiro do prédio não me cumprimentou quando eu saí, provavelmente estava de mau humor. O que me irritou, mesmo, foi que nenhum motorista de táxi parou ao meu aceno. Bando de mal-educados!

Acabei andando as nove quadras até a empresa, mas, mesmo assim, não me senti cansado. Por isso, subi as escadas em vez de pegar o elevador. Quando cheguei na porta do escritório, vi que a secretária, Tereza, chorava. Sou uma pessoa discreta, passei reto murmurando apenas um bom-dia, ao qual ela não respondeu. Passei a manhã toda lendo relatórios atrasados, e, milagre dos milagres, o telefone não tocou nenhuma vez e ninguém bateu à porta para me interromper.

Quando dei por mim e olhei no relógio, já eram quase duas da tarde. Como não estava com fome e sentia uma grande energia, resolvi não interromper o trabalho. Segui até o final da tarde, sem parar. Foi só às cinco horas, quando finalmente achei que já tinha feito muito por um dia só e ia deixando o escritório, que pela primeira vez ouvi falar da minha morte.

A notícia veio pelos lábios de Tereza, que agora parecia um pouco mais calma do que pela manhã:

— Doutor Marcos, estou saindo para ir ao velório do doutor Fernando — disse ela ao meu sócio, que também passava por sua mesa no momento.

Estaquei. Que brincadeira era aquela? Ao meu velório? Ela estava louca, ou se referia a algum outro Fernando? Parei bem na sua frente e fiquei encarando-a, para ver se ela se explicava. Sua única reação, no entanto, foi encolher-se e esfregar os braços, como se sentisse um frio súbito.

— E as coroas, em nome de todos nós, você já enviou? — quis saber Marcos, acrescentando antes que a secretária respondesse: — Envie meu pêsames à Maria, e diga que eu passo lá mais tarde. Ainda não estou acreditando! Meu Deus, eu e o Fernando trabalhamos juntos desde que saímos da faculdade!

Esperei um minuto, com certeza de que logo os dois iriam cair na gargalhada — embora eu, particularmente, considerasse a piada de péssimo gosto. Já ia abrir a boca para perguntar se estavam me gozando porque eu passara o dia enfurnado na minha sala quando Tereza voltou a chorar. Atônito, estendi o braço para consolá-la, mas meu colega foi mais rápido e enlaçou-a num abraço desajeitado. Olhando para ele, percebi que, por baixo dos seus óculos, também corriam duas grossas lágrimas.

— Ei, vocês dois querem me explicar o que está acontecendo? — disse eu, por fim, uma pontinha de medo começando a se insinuar no meu peito.

Foi como se eu nada tivesse dito. A secretária chorou silenciosamente por mais alguns minutos e, depois, desvencilhou-se dos braços de Marcos.

— O senhor sabe — disse ela, olhando pare ele e continuando a me ignorar — que eu sempre tive uma queda pelo doutor Fernando? Tão distinto, tão elegante… Claro, nunca disse nada, ele era casado e eu sou uma mulher direita, mas, agora, fico pensando se não devia ter aproveitado…

Chocado com a revelação, eu não sabia se começava a rir ou se perguntava se ela estava brincando. Enxugando os olhos, ela se recompôs e disse, num sorriso triste:

— Mas, por favor, doutor Marcos, não conte isso para ninguém. Deus me livre, ele lá, morto, e eu aqui falando essas coisas…

Saí batendo a porta. Os dois deixaram escapar um grito de espanto, mas azar: se queriam ficar naquela brincadeira idiota, como se eu não estivesse ali, eu é que não iria ficar escutando baboseiras, muito menos voltar atrás para pedir desculpas por tê-los assustado. Ignorei o elevador e mais uma vez preferi as escadas _ um pouco de exercício ajudaria a me acalmar e a pensar melhor sobre o assunto. Que, pensar sobre o assunto, que nada!, xinguei a mim mesmo. Onde já se viu ficar dando bola para quem fingia que eu tinha morrido?

Cheguei em casa quando já escurecia (mais uma vez, nenhum táxi tinha parado para mim). Ao dobrar a última esquina, estranhei a movimentação: dezenas de carros estavam estacionados próximo ao meu prédio, outros paravam na frente dele e deixavam passageiros. Será que algum dos vizinhos estava dando uma festa e sequer me convidara?, pensei, um pouco enciumado.

O porteiro da noite estava ocupado e não me viu passar. Subi até meu apartamento lembrando que não comera nada desde a manhã, e pensando que uma janta gostosa me faria bem. Aquela cena estranha no escritório me deixara sentindo esquisito, só podia ser fome. Será que Maria já estava com a comida pronta?, questionei-me, e lancei um olhar para a porta do 202. Não precisei pegar a chave para abri-la: chorosa, Maria encostava-se ao batente, recebendo abraços e consolos de mais um casal de amigos que chegava.

— O que é isso? O que está acontecendo aqui? — perguntei à minha mulher.

Mais uma vez, fui solenemente ignorado. Deixando a porta escancarada, Maria e os outros dois apartamento adentro, até a sala. Segui-os, e quase desmaiei ao constatar que o aposento estava cheio _ de pessoas e de coroas de flores. No centro, um esquife, iluminado por duas velas. Meus filhos, que também choravam, correram agarrar-se às saias da mãe.

Caminhei até o meio de toda aquela gente, certo de que todos os olhares se voltariam para mim, percebendo o engano da situação. Ninguém me deu bola. Tentei puxar conversa com um ou dois velhos conhecidos, que há anos eu não via e que agora ali estavam, mas eles também não prestaram atenção em mim. Por fim, aproximei-me do caixão. No entanto, não tive coragem de olhar para dentro.

Depois disso, corri trancar-me no meu quarto, com medo de estar enlouquecendo. Ou eles todos estão loucos, ou sou eu que devo ser internado. Morto, pelo menos, sei que não estou. Não consegui sequer pregar o olho a noite inteira desde que tudo isso aconteceu, como posso estar dormindo o sono eterno? Fiquei esperando Maria vir se deitar, mas ela não veio. Passou a noite toda ao lado do caixão, soluçando. Apesar do absurdo da situação, senti-me comovido pela sua dedicação. Sinal que me ama. Mas como pode pensar que estou morto? Como pode aceitar tranquilamente todos os pêsames?

Já são novamente sete horas da manhã, falta apenas uma hora para o enterro. Para o meu enterro, como eles insistem em dizer. E, mesmo depois de uma noite inteira pensando, ainda não sei o que devo fazer. Ficar aqui, quieto, no meu canto? Voltar lá na sala e tentar novamente explicar que estou vivo, olhem, eu estou aqui? Ou dar-me por vencido, já que eles são maioria, e acreditar eu também que eu morri? Oh, Senhor, que dúvida cruel!



Livro do Nobel entre os mais vendidos (lá fora)

19 de novembro de 2010 0

 

Reprodução

El Sueño del Celta, mais recente romance do Nobel de Literatura 2010, Mario Vargas Llosa, lidera a lista de mais vendidos da semana na Argentina e no Chile.

Na Colômbia, ele também aparece na lista, mas em terceiro (atrás dos best-seller Os Homens que Não Amavam as Mulheres, do sueco Stieg Larsson, e Comer, Rezar, Amar, da norte-americana Elizabeth Gilbert).

Para lembrar: o livro foi lançado no dia 3 deste mês, com meio milhão de exemplares (metade para a Espanha, metade para os países da América Latina e os Estados Unidos).

Ainda não há edição em português, mas os outros livros de Vargas Llosa têm ganhado lugar de destaque nas livrarias brasileiras.

Nesta quinta tem Luz do Verbo

17 de novembro de 2010 0

O Luz do Verbo, projeto do jornalista e escritor Nivaldo Pereira e do poeta Marco de Menezes que reúne mensalmente apaixonados por literatura, terá nesta quinta-feira à noite sua última edição de 2010.

Será às 20h30min, na Do Arco da Velha Livraria e Café (Rua Os 18 do Forte, 1.690, no centro de Caxias do Sul). O encontro, aberto ao público e gratuito, vai discutir desta vez o poeta, cantor, compositor, dramaturgo e jornalista Vinicius de Moraes, sob o tema A Bênção, Vinicius.

Durante o encontro, serão distribuídos poemas e sonetos do Poetinha, e haverá participação especial dos músicos Camila Cornutti e Dan Ferretti, interpretando canções clássicas de Vinicius.

Nivaldo conta que a escolha de Vinicius para encerrar a programação deve-se justamente à sua multiplicidade como artista, uma vez que transitou pela música, pela literatura e pela dramaturgia.

Quanto à sequência do projeto em 2011, o jornalista diz que o formato ainda está sendo estudado. Em 2009, por exemplo, ocorria o encontro Benditos Malditos, substituído este ano pelo Luz do Verbo para ampliar o leque de possibilidades de autores abrangidos. Para o próximo ano, pode continuar com o mesmo nome ou ter novidades — o certo é que, para sorte de quem gosta de literatura, os encontros mensais continuarão.

Escola recebe livros

16 de novembro de 2010 1

Luiz Chaves, divulgação

A biblioteca da Escola Municipal Professor Nandi, em Caxias do Sul, foi incrementada nesta terça-feira com a entrega simbólica de 100 livros arrecadados durante o 4º Pedágio do Livro, ocorrido semana passada.

A entrega contou com a presença do prefeito José Ivo Sartori, de outras autoridades e de representantes das rádios São Francisco e Mais Nova, que ajudaram no pedágio.

Ao todo, foram arrecadados 8 mil livros, que serão doados a 15 bibliotecas escolares.



O dia em que fui a Rainha

13 de novembro de 2010 0

(Maristela Scheuer Deves)

Aquele sempre tinha sido o meu sonho. Eu, uma escritora iniciante, tinha me tornado, do dia para a noite, a maior escritora de todos os tempos. Não, isso não se devia ao fato de os leitores terem finalmente descoberto meu talento, ou de eu ter criado um personagem incrivelmente cativante. Era tudo muito mais simples e, ao mesmo tempo, muito mais complexo. Simplesmente, eu havia acordado na pele da escritora que eu mais admirava.

Não me perguntem como isso aconteceu. Eu só sei que abri os olhos, sentindo o sol entrar pelas cortinas do quarto, e estranhei não ter ouvido o despertador do celular tocar. Droga, devia estar atrasada para o trabalho, ia levar um sermão do chefe outra vez. Quando coloquei os pés no chão e olhei ao redor, no entanto, vi que algo não estava certo. O celular não apenas não despertara, ele também não estava na mesinha de cabeceira. Aliás, a própria mesinha de cabeceira não era como deveria ser. Nem a cama, ou a penteadeira, ou a minha escrivaninha. Tudo estava diferente. Caminhei em direção à nova penteadeira (na verdade, à velha penteadeira, uma vez que ela era obviamente uma antiguidade que substituíra o modelo moderno que estava ali na noite anterior) e parei, agora aterrorizada: quem era aquela mulher refletida no espelho emoldurado? Será que eu envelhecera do dia para a noite?

Para espantar o medo, decidi que estava sonhando. Com isso em mente, aproximei-me mais do espelho. A mulher que me encarava de lá tinha algumas décadas a mais do que eu, talvez uns cinquenta anos. Também vestia um antiquado pijama de calças e mangas compridas. Examinei-me, e comprovei que eu vestia a mesma coisa. Mexi um braço, ela também mexeu. Era eu, sem dúvida. Achei seu rosto de alguma forma familiar, mas não conseguia lembrar-me de onde. Com certeza, não se parecia com minha mãe, nem com minha avó.

“Vou lavar o rosto, daí acordo e paro de ver coisas estranhas”, murmurei para mim mesma, e segui até o banheiro – que, claro, também não ficava anexo ao quarto, como eu me lembrava, mas do outro lado do corredor. Quando olhei-me no espelho do banheiro, entretanto, o mesmo rosto me encarava. O que estaria acontecendo? Teria eu dormido não sete ou oito horas, mas vinte anos? Ou estaria com amnésia, esquecendo-me dos anos recentes e imaginando que estava ainda na juventude?

Não, não podia ser. Lembrava-me muito bem não só de mim mesma, mas da casa, do quarto, das roupas que eu usava. Se eu tinha esquecido os anos recentes, como é que tudo ao meu redor parecia mais antiquado do que eu me lembrava? Voltei ao quarto, resolvida a investigar e resolver aquele mistério. Até meus passos estavam diferentes, percebia agora, cada vez mais apavorada.

Dirigi-me à minha escrivaninha. Queria consultar a agenda e os diários que eu sempre mantinha. Assim, ao menos, teria a data daquele dia tão estranho, e que eu já não tinha mais certeza de qual era. Para minha surpresa (mais uma!), vi sobre o móvel de madeira escura um jornal todo em inglês. O que mais chamou-me a atenção, porém, foi a data: janeiro de 1942, e o jornal parecia novinho em folha. Mas como, se eu nascera em 1975?

Vi então o meu diário ali ao lado, exceto que aquele não era o meu diário — que novidade, disse para mim mesma, ironicamente. Sentei na cadeira que não era a minha, e abri o diário que não era o meu, sentindo-me um pouco como se estivesse invadindo a privacidade de outra pessoa. Mas eu precisava entender o que estava acontecendo!

Quando vi a letra na primeira página do diário, senti-me gelar novamente. Eu conhecia aquela letra, conhecia-a tão bem como se fosse a minha. Ou melhor, conhecia aquela assinatura no pé da página, a mesma que eu vira impressa na capa de tantos livros… Com uma ideia a brotar na minha mente, peguei uma caneta-tinteiro ao lado e uma folha de mata-borrão que estava por ali, e deixei minha mão rabiscar livremente. Sem surpresa desta vez, olhei para o papel e li a assinatura que acabara de produzir: Agatha Christie.

Voltei minha atenção para o diário em minha frente, que não era um diário convencional, mas um caderno cheio de rabiscos, histórias, trechos de livros que eu conhecia tão bem. Pelo que parecia, eu os conhecia não somente como leitora, mas também como a própria escritora… As páginas mais recentes eram sobre um livro que se chamaria A Mão Misteriosa, cheio de cartas anônimas acusadoras e com participação especial de Miss Marple, a personagem que eu mais gostava (não me perguntem se o “eu” dessa frase era “eu mesma” ou “eu, Agatha”).

Bem, já que eu estava naquela situação, o jeito era aproveitar. Assim, passei o resto do dia escrevendo, dando forma à história, testando um e outro possíveis culpados, fazendo especulações. Só parei para o almoço e para o chá da tarde, trazidos por um mordomo uniformizado. Ao anoitecer, eu quase me convencera de que eu era, mesmo, Agatha Christie. Que maravilha!, pensei, deslumbrada com meu próprio talento.

Fui dormir em meio a meus lençóis de linho, sem a presença de Max, meu (dela?) marido, que estava viajando em uma escavação arqueológica, segundo me dissera o mordomo. Sonhei com venenos, intrigas de aldeia e um detetive com cabeça em formato de ovo. Acordei com o som irritante do despertador do celular tocando na mesinha de cabeceira.

Abri os olhos. Onde eu estava? Vi-me novamente em meu antigo/moderno quarto, tudo como era antes. Que sonho mais pretensioso eu tivera! Eu, Agatha Christie, vejam só, sorri comigo mesma, olhando-me no espelho e vendo meu “eu” normal. Deixando aquela história de lado, corri me arrumar para o trabalho, antes que me atrasasse. Não adiantou nada, levei sermão do meu chefe da mesma maneira: onde eu estivera no dia anterior? Como é que não aparecera para trabalhar? Tinha atestado? O que é que eu estava pensando?

Cada vez mais confusa, balbuciei uma desculpa sem pé nem cabeça, e fui para a minha mesa. No intervalo do almoço, corri à livraria comprar A Mão Misteriosa. Primeiro, conferi a data da edição original: julho de 1942. Um arrepio percorreu minhas costas, e ele ampliou-se quando li as primeiras páginas. Como é que eu sonhara que estava escrevendo exatamente aquelas palavras, se aquele era um dos pouquíssimos livros da Rainha do Crime que eu ainda não lera? Lembrei-me, então, da célebre frase do único escritor que supera Agatha em vendas no mundo, Shakespeare: “Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia…