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As voltas de Henry James

28 de julho de 2011 0

Reprodução

Sou daquelas pessoas que gosta de ler ora clássicos, ora lançamentos, até para aproveitar melhor as diferenças de estilo entre autores e épocas de escrita. Assim, uma de minhas leituras mais recentes foi a novela A Volta do Parafuso, do escritor norte-americano Henry James (1843-1916).


Lançada há mais de um século, em 1898 (a capa que ilustra este post é de 2007, de uma edição da L&PM Pocket), até hoje essa narrativa de terror psicológico instiga e intriga quem a lê. Do tipo "história dentro da história", ela começa com um grupo ao redor da lareira ouvindo e contando histórias assustadoras. Um dos participantes diz ter um relato aterrorizante, que lhe foi deixado por escrito por uma antiga governanta. Ele reluta em compartilhá-lo, mas por fim cede, e aí começa a verdadeira trama de A Volta do Parafuso.

A partir de então narrado em primeira pessoa pela governanta (cujo nome não é mencionado), o texto conta a experiência que viveu aos 20 anos, quando foi trabalhar no interior para cuidar de duas crianças órfãs. Ao avistar um desconhecido nas proximidades, passa a acreditar que ele é o fantasma de um antigo funcionário da casa, começando então um crescendo de tensão — que se intensifica ainda mais quando ela passa a ver também uma mulher, que seria o espectro da ex-governanta.

O casal fantasmagórico está atrás das crianças, acredita a narradora-personagem. Estas, apesar de parecerem perfeitos anjinhos, também o sabem, mas se esforçam em esconder que veem os antigos tutores. Ao menos é o que diz a governanta — e aqui é que começam as dúvidas. Estará ela contando a verdade? Havia mesmo fantasmas naquela mansão? Ou estaria ela delirando? Ou escondendo algo, com a verdadeira natureza de seu relacionamento com as crianças?

Em certos trechos, pequenos indícios parecem apontar ora para um, ora para outro lado. Ao mesmo tempo, outros mistérios pontuam a narrativa, como o estranho tio das crianças, que contratou a governanta mas não quer ser informado de nada, e o porquê de o garoto ter sido expulso da escola (será que foi mesmo?, também é possível se indagar).

Enfim, apesar da narrativa que cheia de voltas (como um parafuso), traduzindo o estado mental da personagem — que tira conclusões nem sempre óbvias, muitas das quais fazem o leitor questionar se o que ela está dizendo é real ou fantasioso —, é uma leitura  que prende, até o final inesperado.

Ah: a versão pocket da L&PM inclui ainda outra novela de James, Daisy Miller, e o livro, com um total de 226 páginas, custa em média R$ 12.

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