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Tezza fala do resgate da literatura brasileira

01 de junho de 2012 1

 

Adriana Sirena, divulgação

O escritor Cristovão Tezza abriu muito bem, na noite desta sexta-feira, o 5º Seminário de Literatura e Leitura, em Caxias do Sul. Como mestre da palavra que é, ele encantou a plateia, na sala de teatro do Centro de Cultura Ordovás das 20h30min até aproximadamente 22h, falando de sua formação literária, da literatura de modo geral e também do que chamou de esfarelamento da literatura nacional nos anos 1970 e 1980 - e de sua retomada nos anos 2000.

Tezza lembrou que, até os anos 1970, o que mais se lia no Brasil eram escritores brasileiros, como Erico Verissimo e Clarice Lispector, que, nas suas palavras, sabiam conversar com o leitor. Veio então um período, analisa, em que entrou em cena o academicismo, o formalismo, pois a universidade se apropriou da literatura. O resultado?

- Houve um divórcio entre literatura brasileira e leitor, um esfarelamento da literatura - define, acrescentando que essa literatura tornou-se acanhada, distante da realidade do povo.

Isso acabou distanciando os leitores, que passaram a procurar mais os auotres estrangeiros, acredita. Outro fator que, para Tezza, pesou na queda da nossa literatura por quase três décadas foi o predomínio da oralidade, uma vez que, com o advento da televisão, esse veículo penetrava mesmo em lugares onde as bibliotecas ainda não tinham chegado.

Hoje, comemora o escritor, essa realidade está mudando, e se está resgatando a literatura brasileira (o próprio fato de ele mesmo, que escreve há mais de 30 anos, poder finalmente viver de literatura é uma prova disso). E um dos motivos para a mudança, na visão de Tezza, é justamente algo que, para muitos, seria o vilão da história: a internet.

- Com a internet, subitamente, isso se rompe, com uma valorização espetacular da palavra escrita.

O motivo seria que, diferentemente da TV, onde a fala predomina, nos sites e blogs e emails é preciso ler e escrever muito, o que, para ele, pode ser visto como uma revolução que favorece enormemente a literatura.

***

O Seminário de Literatura e Leitura prossegue neste sábado, das 8h ao meio-dia, com palestras dos escritores Caio Riter e Luiz Ruffato, seguidas de um debate de encerramento com a participação de Tezza.

Comentários (1)

  • Henry Alfred Bugalho diz: 2 de junho de 2012

    Eu havia assistido a uma palestra do Tezza em Curitiba, quando ainda não havia todo este furor em torno dele.

    Não sei, na íntegra, o conteúdo do que ele falou, mas acho um pouco complicado comparar o público leitor da década de 70, extremamente inferior e restrito em comparação aos dias de hoje, com a cultura de massas dos anos 90 para cá. Hoje há muito mais gente consumindo cultura, muito mais gente com acesso a produtos culturais que não eram tão facilmente encontrados ou comercializados 40 anos atrás.
    E a americanização do gosto não é apenas uma questão de academicismo dos autores brasileiros, é um projeto de colonização cultural global dos EUA.

    Convenhamos que mal dá para disputar com um mercado cultural aquecidíssimo como dos EUA. Basta pormos de lado os dados de número de livros publicados, de filmes lançados, ou de canções nos EUA e no Brasil todos os anos. Só nos EUA são lançados quase 300 mil livros anualmente (principalmente de autores americanos), ou seja, parece-me óbvio que eles terão muito mais material de qualidade para exportar do que o Brasil, com seus 50 e tantos mil livros ao ano, sendo que a maioria é de autores estrangeiros.

    Acho que a guinada da literatura brasileira, se é que realmente está ocorrendo e não é apenas um fenômeno passageiro, deve-se mais à quantidade de gente que finalmente está adquirindo o hábito da leitura e, depois de já ter consumido uma porção de livros estrangeiros, decidiu conferir o que há de bom sendo feito no Brasil.
    Mesmo assim, no Brasil, os volumes de vendas de um best-seller estrangeiro são sempre ridiculamente mais altos que de um best-seller brasileiro.

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