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O maior especialista do mundo em Sherlock Holmes aparece morto misteriosamente, bem quando ele tentava impedir a venda de documentos que pertenceram ao escritor Arthur Conan Doyle. Na sua secretária eletrônica, os amigos escutam não a voz dele, mas uma voz com sotaque americano - e lembram que ele dizia que um americano o estava ameaçando.
Essa é a primeira história do livro O Diabo & Sherlock Holmes (Companhia das Letras, 464 páginas, R$ 55), de David Grann. Mas o que parece enredo de livro policial é, na verdade, o resumo de uma excelente reportagem, uma das 12 que recheiam o livro. Todas, como diz o subtítulo, "histórias reais de assassinato, loucura e obsessão".
O fato de os textos serem sobre crimes reais não tira, no entanto, o sabor da leitura.O autor, considerado um dos maiores jornalistas literários da atualidade, faz bem mais do que simplesmente descrever os fatos como se fosse uma transcrição da ocorrência policial: ele dá detalhes, antecedentes, faz voltas que fazem os leitores se sentirem como se estivessem lendo ficção.
Em Circunstâncias Misteriosas, por exemplo - a história de que falei acima, sobre a morte do especialista em Sherlock Holmes -, ele mescla os relatos sobre a morte em circunstâncias estranhas de Richard Green com a vida de Conan Doyle, com frases das histórias do detetive e com relatos sobre a infância da vítima. Até a "solução do caso" segue uma máxima de Holmes: "Depois que se eliminou o impossível, o que sobrar, por mais improvável que seja, deve ser a verdade".
As reportagens, claro, não envolvem todas Sherlock Holmes. Mas tem muitas outras histórias interessante na seleção, como o caso do escritor polonês que comete um crime quase perfeito e coloca pistas em seus romances, ou o do francês que, por 30 anos, se fez passar por adolescentes órfãos.
Uma leitura fluente e muito interessante, que mostra que às vezes a realidade pode ser mais estranha e inacreditável que a ficção.