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Prova ABC traz dados preocupantes

05 de julho de 2013 0

Stock.xchng, divulgação

São no mínimo preocupantes os resultados da segunda edição da Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização, a Prova ABC, que começaram a ser divulgados na semana passada. Segundo a pesquisa, feita no final do ano passado em 600 municípios brasileiros e abrangendo 54 mil crianças do 3º ano do ensino fundamental privado e público, com faixa etária de oito anos, menos da metade dos alunos dessa série (44,5%) apresentam proficiência adequada em leitura. Ou, em outras palavras, 55,5% das crianças do 3º ano não sabem ler no nível esperado para seu nível de ensino.


Pela escala utilizada, esse nível equivale a um mínimo de 175 pontos na prova. Segundo Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos Pela Educação — promotora da prova, em parceria com a Fundação Cesgranrio, o Instituto Paulo Montenegro e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com apoio do Instituto Ayrton Senna, da Fundação Itaú Social, da Fundação Educar DPaschoal, do Instituto Gerdau e do Instituto Península —, a avaliação mostrou ainda desigualdades regionais, com o norte e o nordeste apresentando uma maior defasagem na proficiência em leitura.

Nesse comparativo entre regiões, o melhor colocado é o Sudeste, em que 56,5% das crianças avaliadas ultrapassaram os 175 pontos. O Sul vem em segundo, com 51,2%. Entre os estados, o melhor colocado é São Paulo (60,1%), seguido de Minas Gerais (59,1), Distrito Federal (55%), Santa Catarina (54,3%) e Rio Grande do Sul (52,3%).

A Prova ABC também avaliou as habilidades de escrita, em que o nível considerado adequado à série era de 75 pontos. Aí a preocupação aumenta: apenas 30,1% dos estudantes do terceiro ano atingiram essa média. No Norte, ficou em apenas 16,1%. Os melhores colocados foram as regiões Sudeste (38,8%), Centro-Oeste (36,2%) e Sul (36%). Entre os estados, o pior colocado é o Pará, em que apenas 11,6% das crianças avaliadas atingiram a média proposta. O melhor, desta vez, foi Goiás, com 42,1%, seguido de Minas Gerais (41,6%), São Paulo (39,3%), Santa Catarina (38,1%) e Mato Grosso (37,5%). Paraná (35,8%) vem em 6º lugar, e o Rio Grande do Sul (35,2%), em 7º.

De qualquer forma, para quem quer que seja, não adianta “consolar-se” dizendo “meu estado ficou melhor colocado”. Do jeito que está, todas as notas me parecem ruins. Ler e escrever são habilidades básicas para que as crianças desenvolvam outros aprendizados. Vale lembrar que ler não é só saber decifrar as letras, mas entender o que diz um texto, saber interpretá-lo; e esse estudo mostra que isso não vem acontecendo. Algo precisa ser feito, urgentemente, para mudar essa situação, e isso vale para governos, escolas e, também, para a família.

Cigarros e livros

13 de maio de 2013 2

Volta e meia, escuto que o brasileiro não lê porque o livro é caro. Realmente, pagar entre R$ 30 e R$ 40 por um livro num país em que o salário mínimo é menor que R$ 700 é bastante. Mesmo assim, cada vez mais, eu me convenço de que a questão do preço é mera desculpa de quem não quer ler. E hoje escutei algo que me aumentou essa minha convicção.

No caminho do trabalho, escutava no rádio o programa Polêmica, da Rádio Gaúcha, e o debate era sobre se o cigarro fazia mais mal à saúde ou ao bolso. O que chamou a minha atenção foram duas pesquisas citadas pelo apresentador, Lauro Quadros: que em 2012 o brasileiro gastou com cigarros o dobro do que gastou com feijão e arroz e de que, para 2013, a projeção é de que os gaúchos gastem mais com fumo do que com livros e materiais escolares.

Pode-se argumentar que nem todos fumam, o que, graças a Deus, é verdade. Mas há que se atentar que, segundo outras pesquisas, a maioria dos fumantes está nas classes C e D, ou seja, nas que menos ganham, chegando a comprometer até 15% de sua renda com o vício do cigarro. Isso significaria R$ 105 mensais para um salário de R$ 700 — isso com a pessoa fumando menos de um maço por dia, senão, a conta seria ainda maior.

Aí, eu fiquei pensando: R$ 100 para cigarro por mês não é muito, mas R$ 30 para um livro é? Em que sociedade vivemos que os valores estão assim invertidos? A cultura vale tão menos do que um hábito que todos sabem ser prejudicial à saúde?

Pois é, algo a se refletir…

As mulheres e o incentivo à leitura

09 de março de 2013 2

O Dia Internacional da Mulher foi ontem, mas a constatação ainda vale: são elas as principais incentivadoras do hábito da leitura.

Confira trechos de artigo sobre o assunto escrito pela presidente do Instituto Pró-Livro e da Câmara Brasileira do Livro, Karine Pansa:

“Em meio a tantas tarefas – que se dividem entre as relações interpessoais, a casa, o trabalho e o tempo para si – a ‘supermulher’ ainda tem um papel muito importante: incentivar o hábito de ler dos filhos. Eu como mulher, presidente do Instituto Pró-Livro e mãe de dois queridos, também exerço um grande papel de incentivadora de leitura em minha casa. Não porque os livros fazem parte do meu trabalho, e sim porque penso que a leitura é a mais rica fonte de conhecimento e desenvolvimento.

Segundo a última edição da pesquisa Retratos da Leitura do Brasil, encomendada pelo Instituto Pró-Livro (IPL) em 2012, ao Ibope Inteligência, as mães estão entre as principais incentivadoras do hábito de ler dos filhos (43%) e, só têm uma pequena desvantagem perante os professores (45%). Não é a toa que a pesquisa ainda aponta que a idade em que os leitores mais leram na vida é até os 14 anos, representando 35% – fase em que, além da escola, os pais exercem muita influência sobre a educação dos filhos.

Toda essa influência está atrelada ao exemplo. Ainda de acordo com a pesquisa, a frequência com que os leitores sempre viam a mãe lendo em casa é de 22%, contra apenas 13% dos pais. Assim como o índice de leitura é maior entre as mulheres com 57%, contra 43% dos homens que são leitores.

É importante que, mesmo com a correria do cotidiano, essa cultura familiar e o exemplo dentro de casa continuem. O hábito criado desde a infância, até mesmo desde o útero da mãe, tende a não ser quebrado no futuro e, assim, passado para outras gerações. E, mesmo com os desafios pessoais, não podemos desistir desta importante tarefa.”