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Posts na categoria "clássicos"

Cinco bons livros nacionais I

21 de julho de 2014 0
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Nesta Semana do Livro Nacional, o blog Palavra Escrita vai publicar uma série de posts sobre bons livros de autores nacionais.

Para começar, cinco obras que podem ser consideradas clássicos da nossa literatura:

- A Hora da Estrela, de Clarice Lispector: obra de uma das maiores escritoras brasileiras, conta a triste história da rotina da nordestina Macabéa, que tenta a vida como datilógrafa na cidade grande (Rio de Janeiro). Virou filme em 1985.

- O Sorriso do Lagarto, de João Ubaldo Ribeiro: ambição, traição e mistérios permeiam a história de um biólogo fracassado que se instala numa pequena ilha do litoral baiano. Lá, vai acabar se envolvendo com a mulher de um político. E, claro, tem um lagarto estranho, que dá nome à obra. Foi adaptada como minissérie de TV em 1991.

- As Meninas, de Lygia Fagundes Telles: conta a histórias de três universitárias que se conhecem em um pensionato durante a ditadura. Apesar das diferenças de origens e valores, elas acabam se tornando amigas.

- Iracema, de José de Alencar: está certo, você certamente já leu esse livro na escola, por obrigação. Mas experimente ler por prazer – mais do que a história em si, a linguagem poética é um dos atrativos desse livro, certamente um dos clássicos da nossa literatura.

- Dom Casmurro, de Machado de Assis: esse é o clássico brasileiro por excelência, lido há várias gerações e sempre cercado da mesma polêmica: Capitu traiu ou não traiu Bentinho? Sem falar nas descrições refinadas, como os famosos “olhos de ressaca” da amada do narrador-protagonista. Já inspirou diversas adaptações, inclusive a minissérie Dom.

Livros de Agatha Christie ganham nova edição

10 de julho de 2014 1
Imagens Globo Livros, divulgação

Imagens Globo Livros, divulgação

Mesmo passados quase quatro décadas de sua morte, a escritora britânica Agatha Christie segue cativando leitores de todas as idades _ tanto que ainda é uma das autoras mais vendidas do mundo e lidera com folga o ranking de traduções para outros idiomas, que somam mais de 7,2 mil versões (contra 4,7 mil do segundo colocado, o francês Júlio Verne).

E novas edições das obras da “Dame” Agatha surgem a cada ano, como esta série de oito clássicos da Rainha do Crime que está sendo lançada pela Globo Livros. Entre eles, o primeiro dos romances publicados pela escritora, O Misterioso Caso de Styles (288 páginas, R$ 34,90), que marca também o “nascimento” do seu mais célebre personagem, o detetive belga Hercule Poirot).

Na lista está também a reedição de E Não Sobrou Nenhum (400 páginas, R$ 39,90) — novo título de O Caso dos Dez Negrinhos), considerado o melhor livro policial de todos os tempos e que inaugurou um novo estilo nas histórias policiais. Um detalhe é que, nessa versão, em vez de a cantiga infantil que conduz a história dizer “dez negrinhos saem para jantar”, ela vem com “dez soldadinhos saem pra jantar”.

Os outros títulos são O Assassinato de Roger Ackroyd (296 páginas, R$ 34,90), outro dos clássicos da autora e sempre listado entre seus melhores livros, Assassinato no Campo de Golfe (296 páginas, R$ 34,90), O Adversário Secreto (384 páginas, R$ 39,90), Os Cinco Porquinhos (296, R$ 34,90) — outro dos chamados “casos das cantigas infantis” —, Os Relógios (336 páginas, R$ 34,90) e Três Ratos Cegos e Outros Contos (272 páginas, R$ 34,90), este último reunindo nove contos).

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Resenha: 'A Filha do Louco'

11 de abril de 2014 0
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Já se passaram mais de cem anos desde que H.G. Wells, um dos pioneiros da ficção científica, escreveu A Ilha do Dr. Moreau, em que encontramos um cirurgião envolvido em experiências macabras que objetivam transformar animais em humanos. Agora, as mesmas discussões sobre os limites da ciência e da ética são retomados pela escritora Megan Shepherd sob um ângulo diferente: o da filha do médico, que ainda sofre as consequências do escândalo que envolveu seu pai e destruiu sua família seis anos antes.

No recém-lançado romance A Filha do Louco (Novo Conceito, 416 páginas, R$ 32,90), encontramos a jovem Juliet, que passou a infância entre os luxos da alta sociedade. Aos dez anos, porém, ela viu seu pai amado e até então respeitado ser acusado de crueldade com os animais pela prática da vivissecção — uma espécie de dissecação com os animais vivos. Para não ser preso, o dr. Moreau foge e é dado como morto, enquanto a mulher e a filha perdem tudo o que têm. Poucos anos depois, a mãe também morre, e Juliet sobrevive trabalhando como faxineira, escovando o chão nos laboratórios da faculdade de Medicina, a mesma em que seu pai lecionava antigamente.

Com poucas expectativas a não ser escapar das mãos de um professor que a persegue pelos corredores da faculdade, Juliet tem sua vida novamente transformada quando encontra uma pista de que o pai pode estar vivo. Decidida a encontrá-lo e a descobrir se ele é mesmo o monstro que todos dizem ou se é apenas um gênio incompreendido, ela parte para a ilha remota em que ele se refugiou, na companhia de Montgomery — um belo rapaz que foi criado da família e agora trabalha como assistente do médico em suas experiências.

Na chegada à misteriosa ilha do dr. Moreau, Juliet e Montgomery ainda terão a companhia de Edward, um náufrago que o navio recolheu no caminho. O velho médico não parece muito satisfeito com o hóspede, nem dedica à filha toda a atenção que ela esperava, mas os deixa ficar. A tranquilidade da estadia, entretanto, é quebrada com uma sequência de mortes misteriosas e com as descobertas da jovem sobre o que seu pai e Montgomery fazem até altas horas no laboratório.

Além do medo do assassino e da mistura de fascinação e horror em ver do que o pai é capaz, Juliet ainda se sente dividida entre Montgomery, sua paixão desde a infância, e Edward, por quem sente intensa atração e para quem seu pai a empurra — afinal, ele é de “boa família”, e não um simples empregado como o outro. Quando os ataques aos habitantes da ilha se intensificam, porém, as dúvidas do coração ficam em segundo plano: as prioridades são capturar o monstro responsável pelas mortes, e fugir dali o quanto antes…

Recheado de suspense, o livro é daqueles para virar a noite lendo, tão difícil é largá-lo antes do fim. E, como toda boa releitura de um clássico, ainda deixa o leitor com vontade de (re) ler a obra original. 

 

Pozenato, Brás Cubas e tradução no Órbita Literária

24 de março de 2014 0
José Clemente Pozenato abordará tradução francesa de obra de Machado de Assis (foto Roni Rigon, banco de dados)

José Clemente Pozenato abordará tradução francesa de obra de Machado de Assis (foto Roni Rigon, banco de dados)

Um dos clássicos da literatura brasileira, Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, será o tema de hoje do bate-papo Órbita Literária, que começa às 20h na Do Arco da Velha Livraria e Café (Dr. Montaury, 1.570), em Caxias do Sul.

O foco do debate, entretanto, não será apenas a obra em si, mas o significado cultural e a importância literária da tradução do romance para o francês, feita por Chadebec de Lavalade.

Para abordar o tema, o painelista convidado é o escritor José Clemente Pozenato — autor de livros como O Quatrilho, A Cocanha e O Caso do Martelo.

A participação no encontro, como sempre, é aberta a todos os interessados e gratuita.

Huxley, sempre fundamental

20 de fevereiro de 2014 0
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Quem ainda não leu Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, tem agora uma nova oportunidade de conferir esse clássico sobre um estado autoritário e controlador, publicado em 1932. O livro é uma das três obras do autor que acabam de ganhar reedição, com nova identidade visual, pela Biblioteca Azul. Os outros dois, que também têm as capas reproduzidas acima, são Contraponto e Contos Escolhidos.

Em Admirável Mundo Novo (312págs., R$ 39,90), encontramos um mundo futurístico em que tudo é controlado cientificamente, até a reprodução humana. A tecnologia e a racionalidade se tornaram a nova religião, e a ciência está acima de tudo. Uma droga consumida por todos ajuda a evitar dissidências, mas quando um dos cientistas tem contato com os moradores da Reserva Selvagem, onde ainda vivem como antigamente (inclusive têm filhos de forma natural, o que não mais acontece na nova sociedade), ele começa a questionar certos valores tidos como certos. 

Contraponto (688págs., R$ 59,90) mostra o desencontro entre as pessoas, a frieza nas relações, a dificuldade de expressão, e o mundo avassalador que incita os homens e ao mesmo tempo os afasta. O mosaico de personagens é agrupado em núcles, que vão de uma aristocracia decadente a ricos emergentes na sociedade inglesa do início do século 20. 

O terceiro livro, Contos Escolhidos  (548págs., R$ 59,90), reúne 21 contos nos quais é possível reconhecer a semente daquilo que, nos romances posteriores, iria caracterizar o típico narrador huxleyano: a crítica à afetação intelectual da elite inglesa e a exposição do tédio e do vazio de uma vida desprovida de sentido prático em tempos difíceis.

Ah: os três livros também têm versões em e-book, com preços de R$ 27,90 para Admirável… e de R$ 41,90 para cada um dos outros dois.

Meus 10 livros preferidos da coleção Vaga-Lume

04 de fevereiro de 2014 2
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A coleção Vaga-Lume marcou a infância e a adolescência de muitos leitores, e comigo não seria diferente.
Por isso, nessa onda de listar 10 livros marcantes, reservei um post só para ela – e com certeza, mais uma vez, vários títulos bons ficaram de fora.

Esses listados abaixo são todos de décadas atrás, dos “clássicos” da coleção, ainda hoje reeditados (já li vários dos livros mais recentes, mas continuo preferindo os antigos). São livros feitos especialmente para o público jovem, com opções de aventura, mistério e até preocupação social — como o caso de Tonico e Carniça, por exemplo.

Além disso, é uma coleção inteira composta de ótimos livros de autores brasileiros, mostrando que também se faz boa literatura  por aqui. Inclusive para os jovens, que muitas vezes pensam ser necessário recorrer a similares estrangeiros de muito menos qualidade.

Se você também leu livros da Vaga-Lume, comente deixando seu preferido. Se não leu, experimente. Com certeza, você vai amar.

- A Serra dos Dois Meninos, de de Aristides Fraga Lima: a história dos dois irmãos que vão explorar sozinhos um morro na fazenda do pai e acabam se perdendo na mata foi uma das primeiras histórias que prendeu minha atenção, lá pelos meus oito anos. Ficava imaginando o que eu faria naquela situação…

- A Ilha Perdida, de Maria José Dupré: outra história de aventura, em que dois irmãos, de férias, resolvem ir de canoa explorar uma ilha do rio que corta as terras do padrinho, sem que ninguém saiba. Mas a canoa some, o rio sobe e eles ficam presos lá…

- O Mistério do Cinco Estrelas, de Marcos Rey: um dos primeiros livros que me fizeram gostar de tramas policiais, começa com um homem assassinado em um grande hotel. Apenas o mensageiro Léo vê o corpo, mas ninguém acredita nele, que resolve desvendar o mistério apenas com a ajuda dos amigos.

- Um Cadáver Ouve Rádio, de Marcos Rey: um sanfoneiro é encontrado morto num prédio abandonado, tendo ao lado um rádio ligado. Leo e seus amigos, os mesmos do livro anterior, resolvem investigar o crime.

- O Rapto do Garoto de Ouro, de Marcos Rey: um jovem cantor, conhecido como Garoto de Ouro, é raptado antes de um show, e os amigos Leo, Gino e Ângela vão tentar desvendar o caso, tendo como pista apenas uma agenda com nomes e endereços.

- O Escaravelho do Diabo, de Lúcia Machado de Almeida: pessoas ruivas estão sendo assassinadas, e, antes da morte, recebem um escaravelho. Outro ótimo livro policial da Vaga-Lume.

- O Caso da Borboleta Atíria, de Lúcia Machado de Almeida: divertida história policial passada no mundo animal, é um dos clássicos da coleção.

- Spharion, de Lúcia Machado de Almeida: nessa história, os crimes misteriosos tem relação com fenômenos paranormais, numa trama diferente e interessante.

- Tonico e Carniça, de José Rezende Filho e Assis Brasil: continuação de Tonico, de Rezende Filho, traz mais uma vez o menino órfão que vira engraxate, ao lado de seu amigo Carniça.

- A Vida Secreta de Jonas, de Luiz Galdino: conta a história de um menino que aparece de repente em uma cidadezinha, dizendo não saber quem é. Acolhido por uma família, faz amigos — mas também inimigos, que dizem que ele é extraterrestre.

Ampliando a brincadeira, mais livros inesquecíveis

02 de fevereiro de 2014 0
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Como comentei aqui quando postei a lista de 10 livros que me marcaram — aqueles da brincadeira que virou moda no Facebook —, foi muito difícil, entre tantas boas leituras, escolher apenas 10.

Por isso, não resisti à tentação de fazer uma segunda listagem, com outros 10 livros que li e considero excelentes. Vamos a eles:

- Incidente em Antares, de Erico Verissimo: na divertidíssima história, que chegou à tevê alguns anos atrás com Fernanda Montenegro e Paulo Betti no elenco, os mortos não sepultados devido a uma greve dos coveiros se revoltam com a situação.

- O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: a clássica história do homem que fica eternamente jovem, com um retrato envelhecendo no seu lugar.

- O Bebê de Rosemary, de Ira Levin: mesmo quem não leu o livro já viu o filme ou, ao menos, ouviu falar da história, em que o filho tão esperado pela protagonista pode não ser do marido, e sim de uma entidade diabólica.

- O Fantasma da Infância, de Cristovão Tezza: o romance trata a questão do duplo, com duas histórias de personagens homônimos seguindo paralelas, deixando o leitor a questionar qual é a versão “real”.

- Barba Ensopada de Sangue, de Daniel Galera: vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura, a obra conta a história de um professor de natação que se muda de Porto Alegre para a praia catarinense de Garopaba tentando descobrir o que aconteceu com o avô, que teria sido morto por lá antes dele nascer.

- Festa no Covil, de Juan Pablo Villalobos: a trama é narrada na perspectiva de um garoto, filho de um traficante, que passa os dias na fortaleza do pai, estudando novas palavras e sonhando com um hipopótamo anão, tomando como corriqueira a violência ao redor de si.

- O Vendedor de Histórias, de Jostein Gaarder: assaltado por milhares de histórias que pipocam sem cessar na sua mente, homem passa a vendê-las para outros, que buscam a fama como escritor.

- Sob a Redoma (Under the Dome), de Stephen King: desse livro, que virou minissérie recentemente, já falei muito por aqui, mas, para recapitular, ele fala de uma pequena cidade que, repentinamente, fica presa sob uma redoma invisível, e os conflitos que se originam a partir daí.

- Convite para um Homicídio, de Agatha Christie: o jornal local publica um anúncio convidando a todos para o homicídio que ocorreria aquela noite na mansão de Little Paddocks. Quando um crime realmente acontece, Miss Marple resolve investigar.

- A Chave de Sarah, de Tatiana de Rosnay: embora seja ficção, essa contundente história sobre a perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra (desta vez, na França) é simplesmente emocionante.

***

Ah: nos próximos dias, posto por aqui algumas listas “temáticas”. Não percam!

Um clássico infantil na UCS TV

10 de janeiro de 2014 1
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Para aqueles que têm UCS TV (ou, fora de Caxias do Sul, o Canal Futura), a dica desta sexta-feira é o filme Heidi, baseado no clássico infantil de Johanna Spyri e que será exibido às 11h, no Cine Especial de Férias.

O livro — que li quando criança e simplesmente adorei — e o filme contam a história de Heidi, uma menina orfã que vai morar com o avô nos Alpes Suíços. O avô é uma pessoa endurecida pela vida, mas acaba mudando com a presença da criança, que tem uma vida simples mas feliz.

Até que um dia, quando já está acostumada a esse cotidiano das montanhas, Heidi é levada contra a vontade para morar com uma família rica em Frankfurt. Apesar da amizade com Klara, filha dos donos da casa e que vive presa a uma cadeira de rodas, a menina sonha em voltar para o lado do avô e para a vida ao ar livre.

Publicado originalmente em 1880, hoje o livro é difícil de ser encontrado (geralmente em sebos), por isso, reforço a dica para assistir ao filme na UCS TV. É uma história singela e emocionante, daquelas com sabor de antigamente…

O meu clássico preferido

08 de janeiro de 2014 0
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Depois do post de segunda-feira à noite, aqui no blog, e também da minha coluna de hoje no jornal Pioneiro, ambos sobre o tema da redação do vestibular da UFRGS, muita gente quis saber: afinal, qual é o meu livro preferido?

Como disse na crônica, já li tantos bons livros que fica difícil escolher um só, mas, já que o tema se referia a clássicos, não tem erro: o meu clássico preferido é O Vermelho e o Negro, de Stendhal. Que, de quebra, é o melhor de todos os livros que já li.

Só fui lê-lo alguns anos atrás, quando ganhei um exemplar de presente de amigo secreto do Carlos Henrique Iotti (sim, o criador do Radicci). Nas primeiras páginas, achei o texto um tanto difícil — afinal, a obra-prima do escritor francês foi publicada há quase dois séculos, em 1830, quando a linguagem era muito diferente da de hoje. Bastou, entretanto, ultrapassar o primeiro capítulo para me apaixonar pela história.

Nas suas mais de 400 páginas (o número exato depende da edição, há várias em português), O Vermelho e o Negro conta a trajetória do jovem Julien Sorel. Nascido em uma família de camponeses, ele é contratado para dar aulas aos filhos de uma família nobre, os De Rênal, e acaba tendo um caso ardente com a Sra. De Renal. Ela é o amor de sua vida, ele tem certeza — até conhecer a jovem Mathilde De La Mole, que se torna seu outro amor “eterno e definitivo”.

O escândalo e as aventuras (ou desventuras) amorosas de Sorel, entretanto, não são os únicos elementos de peso do romance, um dos mais densos da literatura mundial. Muito bem costurados à trama estão as complexas relações sociais e políticas da França de então. Que, embora já estejam distantes no tempo, por vezes fazem lembrar a política brasileira atual, é preciso dizer.

Considerada a obra que introduziu o realismo no romance francês,  O Vermelho e O Negro é daqueles livros que, mesmo depois de terminada a leitura, demoram a sair do seu pensamento. Julien Sorel, madame De Rênal e Mathilde são personagens tão vívidos, tão reais, que nos é difícil separar deles, ou deixar de refletir sobre seu destino. 

***

Ah: pouco tempo atrás, zapeando na tevê, encontrei uma adaptação televisiva de outra obra de Stendhal, ou melhor, Henri-Marie Beyle, nome verdadeiro do autor. O filme era baseado no livro A Cartuxa de Parma, que ainda não li, mas que está na minha lista, pois parece tão interessante e denso quanto seu “irmão” mais famoso.

A redação do vestibular da UFRGS

06 de janeiro de 2014 0

Gostei, e muito, do tema deste ano para a redação do vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a UFRGS. Na prova, hoje pela manhã, os candidatos foram estimulados a escrever sobre um livro que considerassem clássico, marcante em sua vida.

Com isso, acredito que aqueles que possuem uma bagagem de leitura tiveram mais facilidade do que aqueles que, nos estudos, privilegiaram a decoreba de modelos de redação, pensando em possíveis temas polêmicos ou “atuais” que poderiam ser cobrados.

Isso tem importância porque, infelizmente, muita gente ainda chega no vestibular sem dar a mínima para as leituras que não são obrigatórias. Depois, sofrem para acompanhar as aulas (ao menos numa boa universidade), sofrem mais ainda para redigir um artigo ou o trabalho de conclusão, e muitas vezes conseguem o diploma mas ainda são, em certo grau, analfabetos funcionais. E garanto que isso ocorre mais freqüentemente do que você pensa.

Eu não sei se os livros citados pelos candidatos nas suas redações são o que academicamente se considera clássicos, mas só o fato de eles terem seus livros marcantes e conseguirem argumentar em sua defesa merece aplausos.

E aplausos também para a UFRGS, por lançar esse tema num mundo em que, muitas vezes, ler parece ter caído em desuso.