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Nos últimos anos, surgiram inúmeras trilogias e séries, em especial voltadas ao público juvenil. Algumas ótimas, outras nem tanto. A série Mundo em Caos, do norte-americano Patrick Ness, pertence sem dúvida à primeira categoria (como provam, aliás, os vários prêmios que já recebeu).
No livro que abre a trilogia, O Motivo (editora Pandorga, 447 páginas, R$ 39,90), o leitor trava conhecimento com Todd Hewitt, um garoto prestes a completar 13 anos, idade em que se tornará oficialmente um homem. Ele vive em Prentissburgo, no Novo Mundo, e é o último menino da cidade.
Lá também não existem mulheres - todas morreram quando ele ainda era um bebê, supostamente vítimas de um misterioso vírus, durante uma guerra que exterminou todas as outras colônias do planeta. Nos homens, o vírus não foi fatal, mas deixou-os com uma estranha capacidade (ou maldição): todos podem ouvir os pensamentos dos outros. Assim, vivem em um constante ruído, e sem nenhuma privacidade. Sem nenhum segredo. Ao menos, é o que parece.
Nos momentos de folga do trabalho na fazenda em que foi criado, Todd caminha pela cidade e pelos arredores com seu cãozinho Manche, entreouvindo pensamentos e lembranças por vezes perturbadores dos 146 homens que ali moram. Faltando um mês para seu aniversário, durante um passeio pelo bosque, ele escuta algo incomum. Ou melhor, não escuta: há um buraco no ruído, um ponto de completo silêncio.
Isso, entretanto, é impossível: desde que nasceu, Todd sempre viveu imerso em ruído. Não existe mais o silêncio, foi o que lhe ensinaram. Repentinamente, ele descobre que existem, sim, segredos que nunca lhe foram revelados. Apesar do ruído, os homens de Prentissbugo estão mentindo para ele. E para salvar sua vida, ele terá de correr.
Nas mais de 400 páginas do livro, acompanhamos essa fuga - e essa busca pela verdade - empreendida por Todd, acompanhado de Viola, a primeira menina que ele conheceu na vida. Aos poucos, Todd e o leitor vão descobrindo que nada - nem ninguém - é o que parece. No caminho, muitos perigos, como um pregador enlouquecido, um exército implacável e os misteriosos Spackles.
O segundo livro da trilogia é A Missão (editora Pandorga, 486 páginas, R$ 39,90), cuja história eu não vou detalhar muito aqui para não dar "spoilers" do que ocorreu no primeiro. Basta dizer que a história segue densa, ou se torna ainda mais densa que o primeira. Perturbadora, por vezes, e que nos faz refletir na frase de um dos personagens: "somos as escolhas que fazemos". Mesmo que elas nem sempre sejam fáceis.
Durante todo o livro, Todd e Viola vão enfrentar novos obstáculos e inimigos. Mais certezas caem por terra, e novas dúvidas surgem, pois as situações - e até algumas pessoas - mudam. Novamente, nem tudo é o que parece ser, inclusive as opções que se apresentam podem não ser as únicas.
E quando tudo parece se encaminhar para um desfecho, seja ele bom ou ruim, novos fatos surgem. E o livro acaba, dando a deixa para A Guerra, terceiro volume da trilogia. Ainda não encontrei esse desfecho da série nas livrarias, nem no site da editora, por isso acredito ainda não ter sido lançado no Brasil. Como O Motivo foi lançado em 2011 e A Missão em 2012, é provável que A Guerra saia ainda este ano. Assim que sair, já está na minha lista.
Enquanto isso, recomendo: vale ir degustando os dois primeiros livros da saga de Todd Hewitt, o último garoto de Prentissburgo.