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Quem disse que literatura escrita por mulheres tem de ser do tipo chick-lit, ou então romance água com açúcar? Há excelentes escritoras em todos os gêneros, inclusive na literatura policial - afinal, é uma mulher, a inglesa Agatha Christie, que detém até hoje o título de "Rainha do Crime".
Ela é, também, a minha preferida nesse gênero. Minha e de muita gente, visto que, mesmo passados mais de 30 anos de sua morte, ainda é a escritora mais vendida de todos os tempos. Criou tipos inesquecíveis, como Hercule Poirot, o pequeno detetive belga de cabeça de ovo, e a solteirona Miss Jane Marple, que resolve muitos mistérios na pacata St. Mary Mead.
Desde a publicação de O Misterioso Caso de Styles, em 1920, foram mais de 80 romances muito bem tramados, com tudo o que caracteriza o gênero: assassinatos, múltiplos suspeitos, pistas falsas e verdadeiras e um suspense que prende até o final. Entre os numerosos títulos, destaque para Convite para Um Homicídio, Depois do Funeral, Um Brinde de Cianureto, O Caso dos Dez Negrinhos, O Mistério do Trem Azul e O Assassinato de Roger Ackroyd.
E se Agatha fez escola, são muitas as discípulas. As tramas criadas da também inglesa P.D. James, nascida no ano em que a Rainha do Crime fez sua estreia literária, são igualmente muito bem costruídas, vide Morte no Seminário, Sala dos Homicídios, Mente Assassina e Trabalho Impróprio para Uma Mulher. Seus protagonistas são o inspetor-chefe da Scotland yard Adam Dalgliesh e a detetive particular Cordelia Gray.
Outro nome de destaque na literatura policial é Ruth Rendell, também britânica, nascida em 1930. Foi repórter e editora em vários jornais, e, em 1964, lançou seu primeiro livro, apresentando o personagem Reginald Wexford, protagonista de boa parcela de seus romances. Alguns de seus livros são Unidos para Sempre, Sem Perdão e Um Assassino entre Nós. Uma curiosidade é que a escritora tinha o título de baronesa
Da Europa para a América, outra escritora bem-sucedida no segmento policial é a norte-americana Mary Higgins Clark. Onde Estão as Crianças?, publicado em 1975 (quando ela já contava com mais de 45 anos) já pode ser considerado um clássico. A Filhinha do Papai e Duas Meninas de Azul são outros de seus sucessos.
Nascida ainda no final do século 19, a neo-zelandesa Ngaio Marsh é outra típica representante do gênero. Seus romances trazem o detetive Roderick Alleyn resolvendo diversos crimes, em livros como Erro Fatal, Prelúdio para Matar e A Foto Fatídica. Duas curiosidades: como Agatha Christie, Ngaio também era Dama do Império Britânico, e muitos de seus livros trazem referências ao teatro, outra de suas paixões.
Avançando um pouco no tempo e voltando aos Estado Unidos, não dá para esquecer de Patricia Cornwell, uma ex-repórter policial que criou a médica legista Kay Scarpetta, protagonista de muitos dos seus livros. Estreou na literatura em 1990, com Post-Mortem - livro que havia sido rejeitado por sete editoras, mas depois de publicado recebeu diversos prêmios, incluindo o Edgar. Entre seus títulos estão Corpo de Delito, Restos Mortais, Causa Mortis e Contágio Criminoso.
Há ainda muitos outros exemplos de escritoras que se dedicaram ou se dedicam ao romance policial, e vou apenas citar outras quatro, que se destacam nas últimas décadas: Minette Walters, Linda Fairstein, Tess Gerritsen e J.D.Robb (esta última, pseudônimo de Nora Robberts para uma série policial-futurística).
E você, costuma ler alguma dessas autoras, ou gosta de outra escritora policial não citada aqui? Deixe seu comentário e/ou sua dica!