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Posts na categoria "pesquisa"

Retratos da Leitura em livro

15 de agosto de 2012 0

O que o brasileiro lê? O que o motiva a ler? E quanto ele lê? Essas são algumas das perguntas cujas respostas poderão ser encontradas no livro Retratos da Leitura no Brasil 3, que terá lançamento nesta quarta-feira, dia 15, durante a  Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Produzida pelo Instituto Pró-Livro, a obra traz resultados do maior e mais completo estudo sobre os hábitos de leitura dos brasileiros, reunindo informações, tabelas e textos acerca de diversos temas analisados por especialistas, baseado na 3ª edição da pesquisa e na comparação desses resultados com o das duas edições anteriores.

O lançamento será às 12h30min, no espaço Livros & Cia. Um pouco antes, às 11h, haverá um Painel para promover um debate entre o público e autores sobre o tema da leitura. Com coedição do Instituto Pró-Livro e da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Retratos da Leitura no Brasil 3 terá uma tiragem inicial de duas mil unidades e 344 páginas, divididas em duas partes. Na primeira trará a introdução de Zoara Failla, organizadora do projeto, escrevendo sobre o comportamento leitor do brasileiro segundo a pesquisa.

No capítulo I, a presidente da Academia Brasileira de Letras e escritora Ana Maria Machado, assina o Sangue nas Veias. Sérgio Leite é o autor do capítulo II, Alfabetizar para Ler. Ler para conquistar a plena cidadania.

 No capítulo III, é a vez de Maria Antonieta Cunha escrever sobre O Acesso à Leitura no Brasil – os recados da “Retratos da Leitura”. No capítulo IV, a autora Tania M. Kuchenbecker Rösing, da Universidade de Passo Fundo, escreve sobre Esse Brasil que Não Lê. No capitulo V, Ezequiel Theodoro da Silva, da UNICAMP, Cole e ABL, fala sobre A Escola e a Formação de Leitores.

 A escritora Regina Zilberman, da UFRS, é a autora do capítulo VI, Ler é Dever, Livro é Prazer?. No capítulo VII, a editora e presidente da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, Isis Valeria Gomes, escreve Retrospectiva – O acesso ao livro e à leitura pelos jovens no Brasil. O capítulo VIII trata acerca de Não existe almoço grátis, escrito por Felipe Lindoso, antropólogo e estudioso do mercado editorial e das políticas públicas para o livro no Brasil.

 O capítulo IX fala sobre A Cadeia Produtiva do Livro e a Leitura, escrito por Fabio S. Earp e G. Komis, da UFRJ. O capítulo X traz O rumo está certo. Agora, é acelerar!, assinado por Galeno Amorim, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, do Ministério da Cultura.

 Marisa Lojolo, da Unicamp e Mackenzie, escreve no capítulo XI sobre Livros, leitura e literatura em oito anotações. O capítulo XII é sobre Retratos do Comportamento Leitor – o impacto das ações de fomento a leitura, escrito por José Castilho Marques Neto, do Edunesp e da Associação Brasileira de Ensino Universitário.

 O capítulo XIII, último dessa primeira parte, fala sobre Comportamento do Leitor e o acesso ao livro nos países da Ibero América – estudos e recomendações pelo CERLALC. Esse capítulo está dividido em dois tópicos. Bernardo Jaramillo escreve o Comportamento do leitor e hábitos de leitura: comparativo de resultados em alguns países da América Latina, e Fabiano dos Santos Piúba, escreve Por uma Leitura dos Retratos. Ambos fazem parte do CERLALC – Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e o Caribe.

 A segunda parte do livro traz os resultados da 3ª Edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, o histórico, objetivos, metodologias, inovações e considerações sobre o índice de leitura de 2011, segundo o Ibope Inteligência.  Traz também, os principais resultados da pesquisa, com tabelas, gráficos, perfil da amostra e definição de leitor e não leitor.

Escolaridade cresce, mas a aprendizagem, não

20 de julho de 2012 1

Stok.xchng, divulgação

Prosseguindo na análise dos dados da pesquisa Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf 2011), da qual já falei ontem por aqui, outra informação preocupante: embora a escolaridade média do brasileiro tenha crescido na última década, isso não quer dizer que ele necessariamente está aprendendo mais.

 O estudo mostra que o desempenho médio melhorou entre as pessoas com o primeiro ciclo do ensino fundamental (completo ou não), porém o escore médio caiu ao longo da década entre aquelas com o segundo ciclo do ensino fundamental, com ensino médio e com nível superior. A queda mais acentuada entre as pessoas com nível superior.

Vamos aos números. Quando se trata do ensino fundamental, a proporção de analfabetos funcionais caiu de 73% para 65% ao longo da década, com incremento de 10 pontos percentuais (de 22% para 32%) daqueles que atingiram o nível básico de alfabetismo. Essa é a boa notícia.

Agora, a má. Entre as pessoas que cursaram o ensino fundamental II, a proporção de analfabetos funcionais ao longo da década ficou estável (entre 27% e 26%). No entanto, o índice de pessoas com nível pleno de alfabetização nessa faixa caiu de 22% para 15%.

Fenômeno semelhante ocorre entre os brasileiros com ensino médio completo ou incompleto: os que atingem o nível pleno de compreensão do que leem caíram de 49% para 35%. Em outras palavras, embora mais pessoas estejam ampliando seu tempo de estudo, o nível de habilidades de quem completa essa etapa teve, na média, forte diminuição.

Da população que estudou até o ensino superior, como comentamos no post de ontem, apenas 62% compreendem plenamente o que leem. Em 2001, esse índice era de 76% — ou seja, houve uma queda de 14 pontos percentuais ao longo da década.


O próprio relatório do Inaf é taxativo em dizer que, apensar do esforço despendido para ampliar o acesso ao ensino, não houve os ganhos de aprendizagem esperados. Ou seja, algo está muito errado. Isso não quer dizer, é óbvio, que não adianta estudar, mas que o ensino no país, infelizmente, ainda deixa muito a desejar.

A solução pode estar no que descreve o próprio relatório da pesquisa: “A busca de uma nova qualidade para a educação escolar em especial nos sistemas públicos de ensino deve ser concomitante ao esforço de ampliação de escala no atendimento para que a escola garanta efetivamente o direito à aprendizagem.”

Em ano eleitoral, espera-se que esses dados sirvam de alerta para candidatos e para quem trabalha com políticas públicas de educação, para que valorizem mais a qualidade e não apenas a quantidade. Universalizar a educação é preciso, mas não são os diplomas que contam: os alunos, sejam do ensino fundamental, do médio ou do superior, precisam realmente aprender.


Leitura em baixa

19 de julho de 2012 2

 

Daniela Xu

Dias atrás, o escritor Marcos Fernando Kirst escreveu em sua coluna, no jornal Pioneiro, sobre o problema que muitas pessoas demonstram atualmente em compreender textos que tenham um pouco mais de complexidade que a permitida pelo limite de 140 caracteres do Twitter, por exemplo. Também já observei esse “fenômeno”, em que alguns ditos leitores parecem não conceber frases que não se componham unicamente de sujeito + verbo + um único complemento. Textos que conectam ideias, abordam dois conceitos ou fazem intercalações na escrita parecem, para alguns, pecado mortal.



Pois agora surge uma pesquisa que mostra que essas observações têm fundamentação na realidade. Dados da pesquisa pesquisa Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf 2011), realizada pelo Instituto Paulo Montenegro, ligado ao Ibope, e pela ONG Ação Educativa, mostram que, embora oficialmente o analfabetismo atinja menos de 10% da população brasileira, aqueles que realmente têm domínio pleno da capacidade de leitura restringem-se a 26% da população entre 15 e 64 anos.

Segundo o estudo, os analfabetos — considerados como aqueles que não conseguem executar tarefas simples de leitura — são 6% nessa faixa etária. Outros 21% teriam apenas um nível rudimentar de compreensão da escrita, com capacidade de localizar informações explícitas em textos curtos, anúncios ou bilhetes.

A maioria dos brasileiros, 47%, estaria no nível de alfabetização considerado básico: seriam os alfabetizados funcionalmente, que leem e compreendem textos de média extensão, leem números na casa dos milhões e têm noção de proporcionalidade. No entanto, teriam limitações quando a ações que envolvem maior número de elementos, etapas ou relações (como um texto mais complexo).

E só os 26% restantes, já citados, seriam plenamente alfabetizados, capazes de ler textos mais longos, analisar e relacionar as suas partes, comparar e avaliar informações, distinguir fatos de opiniões, realizar inferências e sínteses.

O mais assustador são alguns dados complementares da pesquisa. Entre as pessoas com ensino médio — das quais, como salienta o próprio texto do estudo, se esperaria que já estivessem todas no alfabetismo pleno —, a maioria (57%) permanece no nível básico, e apenas 35% têm a compreensão integral do que leem. Quando o universo é o das pessoas com nível superior, a situação melhora um pouco, e 62% mostram nível pleno de compreensão; mesmo assim, ainda se está distante do que se esperaria de alguém com no mínimo 15 anos de estudo.

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Nos próximos dias, abordarei outros dados da pesquisa aqui no blog.

O acesso aos livros, aqui e lá fora

14 de abril de 2012 0

Na coluna Palavra Escrita da revista Almanaque do final de semana, reproduzi vários dados de uma pesquisa do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe (Cerlalc), organismo ligado à Unesco que comparou os hábitos de leitura do brasileiro e da população de outros nove países – sete deles latino-americanos, além de Portugal e Espanha.

Como prometido na coluna, complemento aqui as informações, no que diz respeito à forma de acesso à leitura. Segundo o estudo do Cerlalc, a compra ainda é a principal forma de acesso ao livro na maioria dos países. No México, 59% dos leitores disseram comprar as obras que leem. No Brasil, esse índice é de 48%. A taxa mais baixa de compra de livros entre os países pesquisados é no Peru, onde apenas 23% adquirem obras para leitura.

No México e no Uruguai é também alta a taxa dos que pegam livros emprestados com outras pessoas, respectivamente 36% e 35%. Quando o assunto são obras retiradas em bibliotecas, o líder do ranking é o Brasil, em que essa forma de acesso aparece com 26%. Um dado curioso: na Espanha, essa opção responde por apenas 5% das leituras.

No Brasil destacam-se ainda os livros que são distribuídos gratuitamente pelo governo, o que não aparece nos outros países analisados.

Na hora de comprar livros, as livrarias, claro, predominam na maioria dos países, mas não reinam absolutas. Em Portugal, por exemplo, é muito forte a venda de livros em bancas – 42% dos leitores utilizam ou já utilizaram essa opção. No Brasil, esse índice é de apenas 18%, e no México, de 3%.

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Amanhã, confira aqui no blog mais dados da pesquisa do Cerlalc, sobre os fatores que influenciam na escolha dos livros, sobre o lugar preferido para leituras e sobre a leitura no âmbito virtual.

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Enquanto isso, o Palavra Escrita quer saber: e você, como chega até seus livros? Eles são comprados? Você pega emprestado de um amigo? Retira em bibliotecas? E, quando compra, faz isso onde? Em livrarias, bancas, supermercados, catálogos? Deixe seu comentário aqui no blog!