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Poirot retorna à cena em setembro

28 de julho de 2014 1
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Reza a lenda que Agatha Christie não queria que acontecesse, com seus personagens, o mesmo que aconteceu com outros detetives do mundo literário: serem utilizados por outros autores, após sua morte. Mas não adiantou a Rainha do Crime matar seus heróis, Hercule Poirot e Miss Marple, respectivamente em Cai o Pano e Um Crime Adormecido (perdoem-me o spoiler, mas os verdadeiros fãs certamente já leram esses livros): quase quarenta anos após perecer em 1975, poucos meses antes de sua criadora, o famoso detetive belga volta à ativa em setembro com o lançamento do livro Os Crimes do Monograma.

Embora seja anunciado como “novo livro de Agatha Christie”, na verdade a obra foi escrita pela também britânica Sophie Hannah. Como já tínhamos comentado aqui no blog ainda ano passado, ela reviverá o personagem com o aval da família de Agatha e da Acorn Productions, que detém os direitos da escritora, morta em 1976.

A capa é esta acima, divulgada semana passada na página da editora Nova Fronteira no Facebook juntamente com a chamada #poirotvemaí. Foram mais de mil curtidas e cerca de 200 compartilhamentos, embora não tenham faltado críticas na própria página, com muita gente comentando que, se não foi escrito por Agatha, não é Poirot de verdade, e que nenhum escritor, por melhor que seja, conseguirá se igualar à Rainha.

De minha parte, até concordo com esses argumentos, mas mesmo assim continuo curiosa para ler Os Crimes do Monograma. Tanto para conferir mais uma aventura do meu detetive preferido (sim, prefiro Poirot e suas esquisitices a Sherlock Holmes) quanto para ver como a Sophie Hannah se saiu. Creio que nunca li nada dela, mas para ter aceito o desafio de “substituir” Agatha Christie (que, convenhamos, é insubstituível), ela deve ter talento ou, no mínimo, bastante coragem.

Até agora, porém, ainda não falei da história. Segundo a sinopse divulgada, Poirot está ceando em um café londrino quando é abordado por uma jovem que diz estar prestes a ser assassinada. Ela não quer, entretanto, que o detetive investigue, pois diz que sua morte será para fazer justiça. Naquela mesma noite, três pessoas são assassinadas num elegante hotel, e na boca da cada uma é encontrada uma abotoadura. Poirot não resiste e põe suas famosas células cinzentas para funcionar, enquanto mais um crime está prestes a ser cometido…

Pelo que li, não sei dizer se o personagem será “ressuscitado”, mas creio que a ideia é que a trama se passe antes daquela de Cai o Pano, uma vez que é ambientada nos anos 1920 (o primeiro livro com Poirot, O Misterioso Caso de Styles, foi lançado em 1920, e o último, em 1975). Também não encontrei ainda detalhes sobre número de páginas e preço do livro, mas sei que o lançamento no Brasil deverá ser simultâneo ao lançamento mundial, em setembro — segundo a revista Veja, a data exata é o dia 8.

Ah: a título de curiosidade, publico aqui, além da colorida capa da edição brasileira, as versões britânica (do meio) e americana/canadense (a terceira), que trazem na capa a tradicional assinatura de Dame Agatha.

Cinco bons livros nacionais V

24 de julho de 2014 0
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Diversificada, a literatura produzida em Caxias do Sul tem também espaço para os romances policiais.

Nessa seara, encontramos desde o veterano escritor José Clemente Pozenato (que apesar de ser mais conhecido por O Quatrilho possui vários títulos policiais) até estreantes na literatura, passando ainda por esta blogueira.
Confira cinco dicas.

- O Caso do Martelo, de José Clemente Pozenato: na trama, o delegado Pasúbio precisa resolver o assassinato de um velho senhor, morto a marteladas numa pequena comunidade italiana. Aos poucos, percebe que o homicídio está ligado a segredos familiares, amores e ódios.

- Você Pode Guardar um Segredo?, de Pedro Guerra: embora mais conhecido pelo livro A Rainha está Morta, lançado ano passado, o jovem escritor caxiense lançou antes esse romance policial ambientado num típico condado norte-americano. Nele encontramos Christine, funcionária de um laboratório fotográfico, que se envolve em um mistério quando começa a receber estranhas fotos para revelar.

- O Pentagrama de Dante, de Heleusa M. Concer: o livro é no melhor estilo thriller, e as 425 páginas fluem naturalmente na história do detetive falido Dante, que repentinamente recebe uma nova missão, enquanto milhares de reais começam a chover em sua conta antes vazia.

- Contagem dos Inocentes, de Fernando Bins: a trama é ambientada em Caxias do Sul, com o primeiro de uma série de crimes acontecendo junto ao Monumento ao Imigrante. Detalhe para a construção psicológica dos personagens (o autor é estudante de Psicologia).

- A Culpa é dos Teus Pais, de Maristela Scheuer Deves: peço licença aos leitores para apresentar também esse meu livro, em que encontramos a jovem jornalista Guisela às voltas com um serial killer que deixa sempre o mesmo bilhete junto aos corpos de suas vítimas: “a culpa é dos teus pais”.

Cinco séries baseadas em livros

16 de julho de 2014 1
Para quem gosta de histórias policiais, uma dica é 'Rizzoli & Isles', baseada nos livros de Tess Gerritsen (TNT, reprodução)

Para quem gosta de histórias policiais, uma dica é ‘Rizzoli & Isles’, baseada nos livros de Tess Gerritsen (TNT, reprodução)

Quem acompanha o blog sabe que, frequentemente, falo por aqui sobre séries baseadas em livros. Se eu gostei da trama criada pelo autor, gosto de ver como ficou a versão para a TV, o que foi aproveitado do original, o que foi modificado… E, principalmente, sempre é bom relembrar uma boa história, ou ver novas aventuras com os mesmos personagens.

Por isso, e porque há tempos não faço mais “listas” por aqui, resolvi juntar num único post cinco dicas de boas séries baseadas em livros. Daqui a alguns dias, farei outro post falando de outras cinco — e aguardo sugestões de vocês, leitores, para complementar a lista.

- Under the Dome: baseada na obra de Stephen King (um calhamaço de mais de mil páginas, mas que com certeza vale a leitura), conta a história de uma pequena cidade que, repentinamente, se vê isolada do mundo por uma redoma invisível. Enquanto uns trabalham para que a população mantenha a calma, outros veem o fenômeno como uma oportunidade para aumentar o seu poder. A segunda temporada estreia no dia 28, no canal pago TNT _ recentemente, a Globo exibiu os episódios da primeira temporada , que já haviam passado em 2013 no TNT. Quem perdeu também pode conferir em DVD. Com Mike Vogel (Dale Barbara), Rachele Lefevre (Julia Shumway) e Dean Norris (Big Jim Rennie).

- Resurrection: baseada no romance homônimo de Jason Mott, conta a história de Jacob, um menino de oito anos que acorda num pequeno vilarejo chinês e é levado de volta a sua cidadezinha, nos EUA, por um agente do governo. O problema é que Jacob morreu há três décadas. Como ele, vários outros mortos estão voltando, iguais a como eram no passado _ para alegria de uns e desconfiança de outros. A primeira temporada foi exibida recentemente pelo canal pago AXN. Com Lando Gimeniz (Jacob), Matt Craven (xerife Fred Langston) e Omar Epps (agente Martin Bellamy).

- The Leftovers: essa recém-lançada série, que estreeou no Brasil simultaneamente aos Estados Unidos e está sendo exibida pelo canal pago HBO, é baseada na obra de Tom Perrotta e se passa após o súbito desaparecimento de 2% da população mundial — homens, mulheres e crianças que simplesmente sumiram, como se tivessem evaporado no ar. Quem ficou, tendo ou não perdido pessoas queridas, busca formas de lidar com a situação, muitas vezes acabando por se juntar a seitas que tentam explicar o acontecido. Com Justin Theroux (Kevin Garvey).

- Rizzoli & Isles (foto): para quem gosta de histórias policiais, essa é uma de minhas séries preferidas, trazendo as personagens Jane Rizzoli, uma detetive da homicídios, e Maura Isles, uma legista, criadas pela escritora Tess Gerritsen. Juntas (e, na série, geralmente às turras), elas solucionam os mais complicados crimes. No papel, são pelo menos nove livros estrelados pela dupla, entre eles O Cirurgião, Desaparecidas e Relíquias. Na versão televisiva, ganhou exibição no Brasil no SBT (as duas primeiras temporadas) e nos canais pagos Space e Glitz. Atualmente, o Glitz está exibindo a 3ª temporada — nos EUA, a série está na quinta. Com Angie Harmon (Jane Rizzoli) e Sasha Alexander (Maura Isles).

- Sherlock: inspirada no clássico personagem criado por Arthur Conan Doyle, a série adapta as aventuras de Sherlock Holmes e de seu parceiro Watson (“elementar, meu caro!”) para os dias de hoje. No início deste mês, a BBC, que produz a série — exibida no Brasil pela BBC HD — confirmou a quarta temporada, além de um especial. Mas os fãs do mais brilhante detetive de todos os tempos terão de esperar um pouco para saber as novidades da 221B Baker Street: o especial começa a ser filmado apenas em janeiro, e os três episódios da nova temporada, no fim de 2015. Ah: as duas primeiras temporadas já saíram em DVD. Com Benedict Cumberbatch (Sherlock) e Martin Freeman (Dr. John Watson).

Livros de Agatha Christie ganham nova edição

10 de julho de 2014 1
Imagens Globo Livros, divulgação

Imagens Globo Livros, divulgação

Mesmo passados quase quatro décadas de sua morte, a escritora britânica Agatha Christie segue cativando leitores de todas as idades _ tanto que ainda é uma das autoras mais vendidas do mundo e lidera com folga o ranking de traduções para outros idiomas, que somam mais de 7,2 mil versões (contra 4,7 mil do segundo colocado, o francês Júlio Verne).

E novas edições das obras da “Dame” Agatha surgem a cada ano, como esta série de oito clássicos da Rainha do Crime que está sendo lançada pela Globo Livros. Entre eles, o primeiro dos romances publicados pela escritora, O Misterioso Caso de Styles (288 páginas, R$ 34,90), que marca também o “nascimento” do seu mais célebre personagem, o detetive belga Hercule Poirot).

Na lista está também a reedição de E Não Sobrou Nenhum (400 páginas, R$ 39,90) — novo título de O Caso dos Dez Negrinhos), considerado o melhor livro policial de todos os tempos e que inaugurou um novo estilo nas histórias policiais. Um detalhe é que, nessa versão, em vez de a cantiga infantil que conduz a história dizer “dez negrinhos saem para jantar”, ela vem com “dez soldadinhos saem pra jantar”.

Os outros títulos são O Assassinato de Roger Ackroyd (296 páginas, R$ 34,90), outro dos clássicos da autora e sempre listado entre seus melhores livros, Assassinato no Campo de Golfe (296 páginas, R$ 34,90), O Adversário Secreto (384 páginas, R$ 39,90), Os Cinco Porquinhos (296, R$ 34,90) — outro dos chamados “casos das cantigas infantis” —, Os Relógios (336 páginas, R$ 34,90) e Três Ratos Cegos e Outros Contos (272 páginas, R$ 34,90), este último reunindo nove contos).

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A Rainha não está morta

09 de junho de 2014 0
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Hoje é segunda-feira, portanto, noite de Órbita Literária. E para comandar o bate-papo, o convidado da vez é o jovem escritor Pedro Guerra, autor de dois romances policiais publicados nos últimos anos, entre eles A Rainha Está Morta, 4º obra mais vendida na última Feira do Livro de Caxias do Sul.

Mas não, o bate-papo não vai desmentir a trama do livro — que gira em torno de um crime ocorrido numa escolha de soberanas da Festa da Uva —, e sim falar de uma outra rainha, Agatha Christie, que, apesar de morta há quase quatro décadas, segue mais viva do que nunca entre os amantes da literatura policial.

Com o tema A Indústria Agatha Christie, o encontro vai debater vida e obra da eterna Rainha do Crime, autora de mais de 80 livros e que, ainda hoje, segue como a campeã de vendas no mundo todo (sim, suas obras somam mais de 4 bilhões de exemplares vendidos, bem a frente de best-sellers da atualidade, como J.K. Rowling ou John Green).

O bate-papo, promovido pelo Grupo Cultural Órbita Literária, começa às 20h, na Do Arco da Velha Livraria e Café (Rua Dr. Montaury, 1.570), no centro de Caxias, e tem entrada franca.

***

Quem quiser ir lendo um pouco mais sobre as obras de Agatha Christie para se preparar para o encontro, fica aqui o link de uma série de resenhas publicadas aqui no blog, além de notícias relacionadas a obras da Rainha.

Resenha: 'O Jogo de Ripper'

22 de maio de 2014 0
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Uma vidente famosa dá o aviso: vai ocorrer um banho de sangue em São Francisco. Ninguém, entretanto, acredita muito nisso — nem mesmo sua afilhada, Amanda Martín, uma estudante introvertida cujo passatempo preferido jogar RPG online. Quando um crime realmente acontece, a jovem, ainda descrente da previsão da madrinha, convoca seus amigos do jogo de Ripper para tentar solucioná-lo, e aos outros crimes que ocorrem na sequência.

Assim começa O Jogo de Ripper (Bertrand Brasil, 490 páginas, R$ 50), mais recente livro da consagrada escritora chilena Isabel Allende — que já havia mostrado sua versatilidade com a série juvenil As Aventuras da Águia e do Jaguar e agora resolveu se aventurar num novo gênero, o romance policial (lembrando que ela é casada com o romancista policial William C. Gordon, que esteve em Caxias do Sul na Feira do Livro do ano passado).

Na trama, Amanda é ajudada em sua investigação pelo avô, Blake Jackson, e pelos parceiros do Ripper, espalhados por vários pontos do globo. Quem não gosta muito do hobby da menina são seus pais, o inspetor-chefe Bob Martín (encarregado de investigar os casos) e a curandeira Indiana. Esta última, que engravidou ainda adolescente e separou-se de Bob logo depois, vive cercada de admiradores, como o ex-soldado Ryan Miller e o namorado Alan Keller.

Aos poucos, o grupo do Ripper percebe que a morte do vigia de uma escola tem relação com outras que acontecem nos meses seguintes, embora as vítimas aparentemente não se conhecessem e as mortes em si sejam diferentes. O inspetor-chefe reluta em acreditar nas deduções da filha, mas então mais um assassinato ocorre e Indiana desaparece… Agora que prender o serial killer se tornou uma questão pessoal, Amanda vai levar o jogo ainda mais a sério.

Uma curiosidade é que um personagem secundário da trama, o detetive particular Samuel Hamilton Jr., é “filho” do protagonista dos livros de Gordon — o próprio marido da autora é citado umas duas ou três vezes nas páginas, meio que de passagem.

Embora Isabel Allende tenha declarado, em entrevistas, que criou personagens um tanto quanto caricatos, numa brincadeira com o gênero, ela conseguiu reunir no livro todos os elementos de uma boa trama policial. Por vezes, as digressões sobre a vida pessoal ou profissional de alguns personagens parecem um pouco deslocadas, mas aos poucos o leitor vai percebendo que elas serão essenciais para o desdobrar dos acontecimentos e para a solução do mistério (atenção, leitor: estou dando uma pista importante se você é daqueles que entra no jogo do autor e tenta encontrar o culpado antes do final!).

E falando em pistas, há também muitas pistas falsas, armadilhas para o leitor, que pensa que descobriu tudo e, quando vê, estava indo pelo caminho errado — ou não, pois as coisas podem mudar novamente, e aquele suspeito que parecia descartado voltar ao foco. Minha dica, então, para quem quer jogar O Jogo de Ripper, é prestar muita atenção a tudo, desconfiar de todos, e seguir a velha máxima dos detetives policiais da ficção: tirando o impossível, o que resta, por mais improvável que pareça, é a solução…

'Boneco de Neve' vai virar filme

21 de maio de 2014 1
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A literatura escandinava vem ganhando cada vez mais espaço, inclusive na tela grande. Agora, será a vez do livro Boneco de Neve, do norueguês Jo Nesbo, ganhar adaptação para o cinema.

A direção do longa será do sueco Tomas Alfredson, que já levou aos cinemas adaptações de Deixa ela entrar (baseado no livro de John Ajvide Lindqvist) e O espião que sabia demais (na obra de John Le Carré). A produção ficará por conta de Martin Scorsese.

Autor de thrillers de enorme sucesso, Nesbo já vendeu mais de 23 milhões de livros no mundo. Lançado no Brasil pela editora Record, Boneco de Neve fala sobre uma série de desaparecimentos e assassinatos investigada pelo detetive Harry Hole, estrela de muitas das obras de Nesbo.

 

Para quem quer saber mais sobre a história, fiz uma resenha do livro em janeiro, que pode ser lida clicando aqui.

Noite de Agatha Christie na Confraria Reinações

20 de maio de 2014 0
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Dez pessoas, que não se conhecem, são convidadas a passar o final de semana numa ilha. Uma a uma, elas vão sendo assassinadas. Essa é, em resumo, a trama do livro E não sobrou nenhum, de Agatha Christie, que será debatido hoje, a partir das 19h, no encontro mensal da Confraria Reinações Caxias, que ocorre na Do Arco da Velha Livraria e Café (Rua Dr. Montaury, 1.570), em Caxias do Sul.

Para quem não está reconhecendo o nome do livro, é porque esse é o título “politicamente correto” de O Caso dos Dez Negrinhos, um dos clássicos da Rainha do Crime — essa versão já era utilizada nas edições americanas, e nos últimos anos passou a ser a preferida também nas reedições brasileiras.

Um dos mais de 80 livros de Agatha Christie, O Caso dos Dez Negrinhos / E não sobrou nenhum foi publicado originalmente em 1939. A obra ganhou várias adaptações para o cinema e para o teatro e é hoje a mais vendida da autora.

Com entrada franca, o bate-papo será conduzido por Tatiane Becker.

Crimes na Paris fin-de-siècle

01 de abril de 2014 0
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Para quem, como eu, não resiste a um bom romance policial e acha Paris uma das cidades mais charmosas do mundo, esse lançamento da Editora Vestígio (especializada em policiais) é um prato cheio: Assassinato na Torre Eiffel (256 páginas, R$ 29,90), de Claude Izner.

A trama promete unir investigação, suspense e romance na Paris fin-de-siècle, tudo mesclado com muitos detalhes da vida parisiense do final do século 19. O protagonista é Victor Legris, um livreiro que se vê envolvido numa série de mortes inexplicáveis.

A história se passa no verão de 1889, quando milhares de visitantes de todo o mundo estão a caminho da Exposição Universal, na qual a Torre Eiffel acaba de ser inaugurada. Victor está no primeiro andar da torre para se encontrar com seu sócio, Kenji Mori, e Marius Bonnet, seu amigo jornalista, diretor e redator-chefe do Passe-Partout. A conversa é subitamente interrompida com a notícia de que uma mulher foi encontrada morta naquele mesmo andar, vítima de uma estranha picada de abelha.

Três dias depois, o corpo do naturalista americano John Cavendish é descoberto em frente ao Palácio das Colônias, igualmente picado por uma abelha. Uma carta anônima sobre abelhas assassinas é a peça que faltava para Victor começar a investigar as estranhas mortes.

Além do enredo interessante (e do cenário mais interessante ainda), depõe a favor do livro o fato de ele ter vencido o renomado Prêmio Michel Lebrun. E vale ainda destacar uma curiosidade: Claude Izner não é um escritor, mas sim o pseudônimos de duas escritoras, as irmãs francesas Liliane Korb e Laurence Lefèvre.

Entrou na minha lista de leituras para este ano.

Resenha: 'O Menino da Mala'

16 de março de 2014 1
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Imagine que uma amiga lhe peça um favor: ir até a estação ferroviária da cidade buscar uma mala num guarda-volume. Você faz isso, e, ao abrir a mala, encontra dentro um menino de três anos, nu, dopado e que não fala a sua língua.

Assustador, não? Pois esse é o ponto de partida de O Menino da Mala (Arqueiro, 256 páginas, R$ 29,90), romance das dinamarquesas Lene Kaaberbøl e Agnete Friis. Na trama, a assistente social Nina Borg é obcecada em ajudar as pessoas – tanto que tem problemas em casa, pois frequentemente “esquece” o marido e a filha em prol dos necessitados. Mas quando ela encontra o menino da mala e descobre que ele está sendo caçado por um homem com toda a aparência de ser perigoso, ela não sabe o que fazer.

Sem querer procurar a polícia, ela vai atrás da amiga que lhe pediu para buscar a mala. Só que essa amiga foi assassinada, mais um indício de que há (muito) perigo na história. Nina, então, decide fugir com o menino, e busca no submundo de Copenhague, onde mora, a ajuda de uma prostituta estrangeira para tentar se comunicar com o garotinho assustado. Enquanto isso, bem longe dali, uma mulher sozinha sofre por não saber onde está o seu filho…

A narrativa é simplesmente eletrizante, e passa uma sensação de agonia ao leitor, com um desfecho inesperado. O final, entretanto, parece deixar algo meio em aberto — até que se descobre que o livro é o primeiro de uma série com a personagem Nina. Mesmo assim, poderia ter havido um pouco mais de foco no menino, que, afinal, dá título ao livro.