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Resenha: ‘Novembro de 63’

29 de dezembro de 2013 0
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O que você mudaria se tivesse a oportunidade de retornar ao passado? Com certeza, todos já pensaram que seria bom poder voltar no tempo e “consertar” algum erro, talvez até mesmo evitar uma grande tragédia. Pois essa oportunidade é dada ao professor Jake Epping, protagonista de Novembro de 63 (Suma de Letras, 727 págs., R$79,90), de Stephen King, quando ele é chamado até uma lanchonete local, da qual o dono parece ter envelhecido do dia para a noite.

Al, o proprietário, leva Jake até a despensa da lanchonete e lhe mostra que ali há uma espécie de buraco no tempo, ou “toca de coelho”, como ele a chama. Só que o lugar a que essa “toca” leva não é o País das Maravilhas, mas sim ao dia 9 de setembro de 1958, mais precisamente às 11h58min desse dia.

Embora Jake tenha visto Al na noite anterior, este lhe explica que acaba de voltar de quatro anos vividos no passado – no presente, entretanto, cada “viagem” dura apenas dois minutos. Enquanto esteve na Terra de Antigamente, Al adoeceu, por isso quer passar para Jake a missão que não conseguiu concluir: evitar o assassinato do presidente John F. Kennedy, ocorrido em Dallas a 22 de novembro de 1963 (daí o nome original do livro, 11/22/63).

Inicialmente, o professor acha que é tudo loucura. Ele desce pelo portal do tempo e passa uma hora no passado, vê que aquilo é real, mas a princípio não tem vontade nenhuma de passar cinco anos no passado esperando chegar a data fatídica – afinal, a cada vez que entrar pela toca, será sempre 9 de setembro de 1958, e tudo que ele tiver eventualmente mudado no passado reiniciará do zero, sem que nenhum envolvido — a não ser ele próprio — se lembre de nada.

Entretanto, Jake se lembra de uma redação que leu tempos antes, de um aluno já idoso, que contava como sobreviveu à noite em que o pai massacrou toda a família. E esse crime, coincidentemente, aconteceu em 1958, na noite do Halloween. Incentivado pela possibilidade de evitar a tragédia na família de Harry Dunning, Jake parte para o passado, adotando o nome de George Amberson e instalando-se na pacata cidadezinha de Jodie para esperar novembro de 1963 chegar.

Enquanto os anos passam, ele reaprende a viver sem tecnologia, envolve-se com as pessoas da época e precisa cuidar com o que fala. Mais do que tudo, porém, Jake/George precisa vencer a resistência do passado, que não pode ser mudado — e aprender a conviver com a consequência que os mínimos atos que fizer podem causar…

Apesar de extenso, o livro é daqueles que faz virar madrugadas, sempre com uma nova reviravolta, um novo conflito. Se J.F.K. estará vivo ao final da trama, como mostra a contracapa do livro? Bem, isso vocês vão ter de ler para descobrir.

 

Dê livros neste Natal

20 de dezembro de 2012 1

Já comprou todos os presentes para o Natal que se aproxima? Não esqueça de colocar livros na lista! Essa dica vale tanto para quando o presenteado em questão é adulto quanto para quando é uma criança. As livrarias estão repletas de boas opções para todos os gostos, dos mais intelectuais àqueles que não costumam ler muito, porém sempre podem ser seduzidos por uma boa história.

Como preferências — literárias, inclusive — são algo muito pessoal, fica difícil dar dicas, mas mesmo assim vou listar aqui algumas sugestões. Você também pode pesquisar outros post do blog sobre os mais variados gêneros, basta clicar nos link da lista “Categorias”, no canto inferior direito, onde tem, por exemplo, “autores brasileiros”, “clássicos”, “fantasia”, “infanto-juvenil”, “lançamento”, “literatura erótica”, “policial”, “suspense”, etc.

Vamos, então, às dicas prometidas. Aproveite e deixe também a sua sugestão de livro para presentear, ou qual você gostaria de ganhar neste Natal.

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* Morte Súbita: o esperado primeiro romance adulto da autora de Harry Potter, J.K. Rowling, chegou em novembro às livrarias brasileiras, e já

falei dele por aqui. Pode ser um bom presente para fãs crescidos da escritora. Editora Nova Fronteira, 512 páginas, R$ 49,90 – mas já mais caro e mais barato, dependendo da livraria).

* Cinquenta Tons de Cinza: com centenas de milhares de exemplares vendidos só no Brasil, o romance erótico (ou “pornô para mamães”) de E.L. James é o sucesso do momento. Não faz muito o meu gênero, mas tem feito muita gente que nunca tinha aberto um livro começar a ler. Intrínseca, 480 páginas, R$ 39,90.

* Festa no Covil: o romance de estreia do mexicano Juan Pablo Villalobos é curtinho, tem menos de 100 páginas, mas é cativante. A história é contada pelo ponto de vista do menino Tochtli, filho de um poderoso traficante, que vive em uma fortaleza nas montanhas e passa seus dias colecionando palavras difíceis, chapéus e animais exóticos, encarando a violência como algo corriqueiro em um mundo que ele não compreende muito bem. Companhia das Letras, 96 páginas, R$ 29,50.

* O Prisioneiro do Ceú: a dica é dar esse livro para quem já leu os dois livros anteriores do espanhol Carlos Ruiz Zafón, A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo. Isso porque nesse romance (um pouco mais curtinho que os outros dois) as tramas das obras precedentes se encontram e, de certa forma, se esclarecem em muitos pontos. Suma de Letras, 248 páginas, R$ 39,90.

* Pilares da Terra: o cultuado livro de Ken Follett ganhou recentemente reedição em volume único.  Na trama, a construção minuciosa de uma catedral gótica serve como motivo para um mergulho na Inglaterra do século 12 e em suas intrigas. Rocco, 944 páginas, R$ 69,50.

* O Enigma do Morango: o segundo volume da série de “suspense culinário” criada por Joanna Fluke é uma divertida história que mistura assassinatos, receitas de bolo e um texto leve e engraçado, sem deixar o mistério de lado. Lua de Papel, 240 páginas, R$ 29,90.

* O Motivo: o premiado romance infanto-juvenil de Patrick Ness conta a história de Todd, um garoto prestes a completar 13 anos (idade em que se tornará oficialmente um homem) que vive em Prentissburgo, uma cidade formada só por homens onde todos podem ouvir os pensamentos uns dos outros. Mas um dia o menino encontra alguém que ele não consegue ouvir, e descobre que muitos segredos foram escondidos dele. Para sobreviver, ele terá de fugir. Vale a leitura também por adultos. Pandorga, 447 páginas, R$ 39,90.

* Um Mundo Chamado Timidez: outro livro classificado como infanto-juvenil mas que pode tranquilamente ser lido pelos mais crescidos, esse romance de Leanne Hall se passa também num lugar estranho, Timidez, onde é sempre noite. Num bar, uma garota que prefere ser chamada de Menina Selvagem e que vem do lado “claro” da cidade conhece o misterioso Menino Lobo, um nativo que a leva para se aventurar pelos sombrios subúrbios de Timidez. Leya, 224 páginas, R$ 39,90.

'A Chave de Sarah', uma história comovente

08 de setembro de 2012 1

 

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A Chave de Sarah (Ponto de Leitura, 400 páginas, R$ 21,90) , da francesa Tatiana de Rosnay, é um romance, não um relato histórico. Mas o ponto de partida dessa história é um trágico fato real: a concentração do Velódrome d’Hiver, ou simplesmente Vel’ d’Hiv, ocorrida em 16 de julho de 1942, em que milhares de judeus, a maioria crianças, foram retirados à força de suas casas, em Paris, amontoados no velódromo e depois enviados a campos de concentração.

No livro, acompanhamos duas histórias paralelas. Uma é a da pequena Sarah Starzynski, de apenas 10 anos, que acorda numa madrugada de 1942 com a polícia batendo na porta de sua casa. Enquanto sua mãe vai abrir, ela esconde o irmãozinho em um armário secreto, que fecha a chave, pensando que assim ele estará seguro e que logo ela poderá vir libertá-lo.

 A outra se passa em 2002, quando a jornalista Julia Jarmond é escalada para fazer uma matéria sobre os 60 anos de Vel’ d’Hiv. Enquanto investiga os fatos que ainda envergonham os parisienses – pois foi a polícia francesa, e não a alemã, a responsável pelo episódio, mesmo ele tendo ocorrido durante a ocupação nazista -, ela descobre que o apartamento em que vai morar era a casa de Sarah, e fica obcecada em descobrir o que aconteceu com a menina.

Na Paris de 1942, acompanhamos o drama de Sarah quando ela e os pais são levados para o Vel’ d’Hiv, e a seguir para um campo de concentração, onde ela é separada do pai e depois da mãe. Em meio à fome e às humilhações, a menina não consegue parar de pensar no irmãozinho, e em voltar para resgatá-lo.

Na Paris de sessenta nos depois, Julia segue em sua busca para rastrear Sarah, ao mesmo tempo em que vive um drama pessoal: aos 45 anos e após vários abortos espontâneos, está grávida novamente – mas seu marido não quer saber daquele filho.

Comovente, o livro é daqueles que não se consegue largar. Assim como Julia, também o leitor também fica obcecado em saber o que afinal aconteceu com Sarah, e que rumo tomará a vida da jornalista.

Além da trama que transborda emoção, o livro tem o mérito de, sem didatismos, fazer pensar sobre um dos períodos mais negros da história mundial, a Segunda Guerra, e todas as suas consequências – a intolerância, o preconceito, a dor e a perda de milhões de vidas, muitas delas de crianças ainda menores do que a heroína de A Chave de Sarah.

***

Ah: descobri que também existe um filme baseado nesse livro. Pelo trailer, ele é bem fiel à história original.