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Posts na categoria "romance"

Resenha do leitor: 'Necrose Moral'

13 de abril de 2014 0

O blog também quer abrir espaço para o leitor. Por isso, inauguramos hoje a seção Resenha do Leitor. E a primeira resenha foi enviada pela leitora Norma Stagi, que se define como “apaixonada por literatura e devoradora de livros digitais compulsivamente”.

Ela fala do romance Necrose Moral, de Ráyel G. C. Barroso. Confira:

 

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Necrose Moral é um romance de aventura ambientado no Brasil que conta a saga de Ramos, um militar, que ao investigar as circunstâncias de um acidente aéreo se depara com segredos que podem comprometer pessoas muito poderosas e até mudar o rumo das eleições presidenciais.

A partir daí, ele passa a ser considerado uma ameaça, vai ser acusado do assassinato da presidenta da República e será caçado impiedosamente.

Enquanto tenta descobrir a verdade por trás dessas acusações, ele terá de utilizar todos os conhecimentos em operações especiais para sobreviver aos seus inimigos. Ramos vai expor a necrose moral em um cenário político no qual tudo é justificado quando o assunto é poder e dinheiro.

É um livro impressionante, dinâmico e atual com um desfecho surpreendente.”

Resenha: 'A Filha do Louco'

11 de abril de 2014 0
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Já se passaram mais de cem anos desde que H.G. Wells, um dos pioneiros da ficção científica, escreveu A Ilha do Dr. Moreau, em que encontramos um cirurgião envolvido em experiências macabras que objetivam transformar animais em humanos. Agora, as mesmas discussões sobre os limites da ciência e da ética são retomados pela escritora Megan Shepherd sob um ângulo diferente: o da filha do médico, que ainda sofre as consequências do escândalo que envolveu seu pai e destruiu sua família seis anos antes.

No recém-lançado romance A Filha do Louco (Novo Conceito, 416 páginas, R$ 32,90), encontramos a jovem Juliet, que passou a infância entre os luxos da alta sociedade. Aos dez anos, porém, ela viu seu pai amado e até então respeitado ser acusado de crueldade com os animais pela prática da vivissecção — uma espécie de dissecação com os animais vivos. Para não ser preso, o dr. Moreau foge e é dado como morto, enquanto a mulher e a filha perdem tudo o que têm. Poucos anos depois, a mãe também morre, e Juliet sobrevive trabalhando como faxineira, escovando o chão nos laboratórios da faculdade de Medicina, a mesma em que seu pai lecionava antigamente.

Com poucas expectativas a não ser escapar das mãos de um professor que a persegue pelos corredores da faculdade, Juliet tem sua vida novamente transformada quando encontra uma pista de que o pai pode estar vivo. Decidida a encontrá-lo e a descobrir se ele é mesmo o monstro que todos dizem ou se é apenas um gênio incompreendido, ela parte para a ilha remota em que ele se refugiou, na companhia de Montgomery — um belo rapaz que foi criado da família e agora trabalha como assistente do médico em suas experiências.

Na chegada à misteriosa ilha do dr. Moreau, Juliet e Montgomery ainda terão a companhia de Edward, um náufrago que o navio recolheu no caminho. O velho médico não parece muito satisfeito com o hóspede, nem dedica à filha toda a atenção que ela esperava, mas os deixa ficar. A tranquilidade da estadia, entretanto, é quebrada com uma sequência de mortes misteriosas e com as descobertas da jovem sobre o que seu pai e Montgomery fazem até altas horas no laboratório.

Além do medo do assassino e da mistura de fascinação e horror em ver do que o pai é capaz, Juliet ainda se sente dividida entre Montgomery, sua paixão desde a infância, e Edward, por quem sente intensa atração e para quem seu pai a empurra — afinal, ele é de “boa família”, e não um simples empregado como o outro. Quando os ataques aos habitantes da ilha se intensificam, porém, as dúvidas do coração ficam em segundo plano: as prioridades são capturar o monstro responsável pelas mortes, e fugir dali o quanto antes…

Recheado de suspense, o livro é daqueles para virar a noite lendo, tão difícil é largá-lo antes do fim. E, como toda boa releitura de um clássico, ainda deixa o leitor com vontade de (re) ler a obra original. 

 

Os vencedores do Prêmio Brasília de Literatura

09 de abril de 2014 0

A organização da II Bienal do Livro e da Leitura, que começa na sexta-feira em Brasília, anunciou hoje os vencedores do Prêmio Brasília de Literatura, que vai distribuir R$ 320 mil em prêmios para oito categorias literárias — Biografia, Conto, Crônica, Infantil, Juvenil, Poesia, Romance e Reportagem.

O prêmio será entregue no dia 17, dentro da programação da Bienal. O primeiro colocado de cada categoria receberá R$ 30 mil e o troféu, e o segundo, R$ 10 mil, além do troféu.

Confira a listagem de vencedores:

Poesia

Mirantes – Roberval Pereyer – Ed. 7 Letras

O aquário desenterrado – Samarone Lima – Ed. Confraria do Vento

Romance

O sonâmbulo amador – José Luiz Passos – Ed. Alfaguara

O peso da luz – Einstein do Ceará – Ana Miranda – Ed. Armazém da Cultura

Reportagem

Jango: A vida e morte no exílio – Juremir Machado da Silva – Ed. L&PM

As duas guerras de Vlado Herzog – Da perseguição Nazista na Europa à morte sob tortura no Brasil – Audálio Dantas – Ed. Civilização Brasileira

Infantil

Lá no fundo do peito – Mauro Martins – Ed. Aletria

A fome do lobo – Cláudia Maria de Vasconcellos – Ed. Iluminuras

Biografia

Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo – Mário Magalhães – Ed. Companhia das Letras

Getúlio 1930-1945: Do governo provisório à ditadura do Estado Novo – Lira Neto – Ed. Companhia das Letras

Crônica

Nú, de Botas – Antonio Prata – Ed. Companhia das Letras

Labirinto da Palavra – Cláudia Lage – Ed. Record

Conto

A verdadeira história do alfabeto – Noemi Jaffe – Ed. Companhia das Letras

Garimpo – Beatriz Bracher – Ed. 34

Juvenil

Marcéu – Marcos Bagno – Ed. Positivo

As gêmeas da família – Stella Maris Rezende – Ed. Globo Livros

'Adultério', de Paulo Coelho, chega em abril

12 de março de 2014 0
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Dias atrás, falei por aqui que o lançamento do novo livro de Paulo Coelho nos Estados Unidos seria em agosto. Pois no Brasil o lançamento será meses antes: Adultério estará nas livrarias no dia 15 de abril, pela editora Sextante. Ainda não sei o número de páginas e o preço.

A capa é essa aí ao lado, e o tema do romance, é claro, pode-se depreender do título. Confira um trecho, retirado da página do livro no site Skoob: “Só fiz amor com vontade mesmo uma vez em muitos meses – e você sabe bem de que dia estou falando. Já considerei que tudo isso seja um rito de passagem, consequência de eu ter passado dos 30 anos, mas essa explicação não basta”.

Hoje, o escritor divulgou no seu twitter o link para um teaser do livro no YouTube (confira abaixo). Pelo que dá para ver nos 49 segundos do vídeo, tem muita ação e emoção (e sexo) na história.

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O novo livro de Paulo Ribeiro

24 de fevereiro de 2014 0
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Atenção, leitores: já está disponível para download (gratuito!) o novo livro de Paulo Ribeiro, O Cabelo de Dalila, editado pela Belas-Letras apenas em e-book.

O escritor, professor e jornalista postou hoje no Facebook, na página do evento que criou para divulgar o romance, o link para a obra. Confere lá no Face, ou clique aqui, e prestigie a literatura feita em Caxias do Sul!

Na trama, um escritor frustrado aproveita uma manhã chuvosa para refletir sobre sua obra e sua vida, enquanto tem, deitada a seu lado, a Dalila do título, sua mulher, que ele passou a odiar.

A ideia de Paulo Ribeiro, com O Cabelo de Dalila, foi fugir um pouco do regionalismo que marcou suas obras mais recentes.

Ah: a julgar pelo número de “presenças confirmadas” no lançamento virtual — 1.218 até agora —, o livro será um sucesso!

Resenha: 'As Luzes de Setembro'

16 de fevereiro de 2014 0

Esqueça a Barcelona de A Sombra do Vento. Esqueça, ao menos por ora, o Cemitério dos Livros Esquecidos. Imagine-se na Paris de meados dos anos 1930, e depois deixe-a para trás, de carona com a viúva Simone Sauvelle e seus filhos, Irene e Dorian, que partem da capital francesa com destino a um pequeno vilarejo no litoral da Normandia. Lá, acompanhe a família na sua primeira visita à mansão Cravenmoore, onde mora o excêntrico fabricante de brinquedos Lazarus Jann, novo patrão de Simone. E não se assuste ao ser recebido por um mordomo-autômato: ele é só mais uma das criações de Jann… 

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Se você leu até aqui, já está quase dentro do espírito do livro As Luzes de Setembro, de Carlos Ruiz Zafón. Terceiro de seus livros infantojuvenis, foi publicado originalmente nos anos 1990, mas só chegou ao Brasil no ano passado. Aliás, o “infantojuvenil”, nesse caso, pode ser considerado uma mera classificação sem sentido — como os outros livros escritos pelo escritor espanhol naquele período, ele tem menos páginas do que as obras da trilogia que alçou o autor à categoria de best-seller, mas a imaginação, a originalidade e a densidade (sem que isso signifique dificuldade de leitura) estão ali. Ah, o prazer com a leitura, também.

Voltando ao livro, a trama se passa no pré-Segunda Guerra. Empobrecida após a morte do marido, que deixou muitas dívidas, Simone Sauvelle se vê obrigada a aceitar um emprego de governanta na mansão de Jann. Assim, ao menos, a filha não terá mais de dançar com soldados em troca de algumas moedas… Além de um bom salário, a família ainda ganha o direito de morar numa antiga casa, com linda vista do mar. Na primeira noite, são convidados a jantar com o patrão, e atravessam uma mata fechada (e um tanto sinistra) para chegar à casa. O susto, entretanto, ocorre quando são recebidos por uma espécie de robô, o primeiro de muitos que, descobrem depois, povoam cada recanto da mansão, saídos das mãos habilidosas do fabricante de brinquedos.

Enquanto a mãe sente uma empatia automática com o patrão — que mora ali com a mulher, inválida e presa à cama há mais de vinte anos, vítima de uma doença rara —, Dorian se encanta pelas suas invenções quase miraculosas. Irene, por sua vez, fica logo amiga da cozinheira, Hannah, uma mocinha de sua idade que fala pelos cotovelos e só pensa em arrumar um namorado. Logo Hannah a apresenta a Ismael, seu primo (um pescador que sonha em escrever novelas para o rádio), e a paixão entre os dois é rápida e certeira. É Ismael que lhe fala do mistério de um farol desativado, que seria assombrado por estranhas luzes desde que, décadas antes, uma mulher mascarada naufragou quando ia para lá encontrar o amante…

Tudo vai bem até que Hannah é encontrada morta, assassinada, na mata entre a mansão e a casa dos Sauvelle. Ismael, muito chegado à prima, quer descobrir o culpado a todo custo — e Irene descobre que é melhor ajudá-lo, pois só assim evitará que sua família se transforme também em vítima. Nessa investigação, as luzes de setembro se mesclam a boatos sobre uma criatura que vive na mata e às  lendas germânicas do doppelgänger, ou o duplo, aquele ser fantástico que é como uma cópia da pessoa — só que mau,  incrivelmente mau.

Cheio de mistério, envolvente, cativante, As Luzes de Setembro também retoma um tema presente em O Príncipe da Névoa, primeiro livro de Zafón, e que viria a aparecer ainda, embora com menor destaque, em O Jogo do Anjo: o do preço que estamos dispostos a pagar pelos nossos desejos. 

Sem dúvida, um dos melhores livros de Zafón, para todas as idades.

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Com edição da Suma de Letras, o livro tem 232 páginas e preço médio de R$ 26,90.

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P.S.: agora, só falta eu ler Marina, para completar os livros lançados até agora por Zafón. Ainda não leu nenhum? Experimente, é leitura de primeira!

Quase no topo

07 de fevereiro de 2014 0
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Semana passada, quando estreou o filme A Menina Que Roubava Livros, comentei por aqui que o livro de Markus Zusak estava voltando às paradas, estando, naquele momento, em segundo lugar entre os mais vendidos de ficção e em quinto na listagem geral.

Pois agora, com a divulgação do novo ranking do site especializado Publishnews, referente ao período de 27/01 a 02/02, o livro continua em segundo entre os de ficção (parece virtualmente impossível bater A Culpa é das Estrelas, de John Green), mas galgou três posições na listagem geral, ficando em segundo também nela. Ao todo, foram 5.763 exemplares vendidos nas lojas pesquisadas — na semana anterior, eram 3.913.

Claro que tem muito a ver com o efeito cinema, mas, de qualquer forma, é sempre bom ver dois livros de ficção liderando a lista de mais vendidos, à frente de livros de não ficção e autoajuda.

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Ah: a capa que ilustra este post é a “tradicional”, embora as livrarias já estejam comercializando também a edição com a capa do filme, como mostrei em post anterior.

Resenha: 'Barba Ensopada de Sangue'

06 de fevereiro de 2014 1
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No prólogo, um jovem comenta sobre o tio que nunca conheceu, e que teria morrido no mar em Garopaba, enquanto tentava salvar um banhista. Corta para o primeiro capítulo, e um homem — que depois descobrimos ser o tal tio do rapaz do prólogo — está visitando o pai, que diz que irá se matar no dia seguinte e lhe pede que, depois, sacrifique sua cachorrinha. Enquanto tenta dissuadir o pai, este lhe conta sobre o avô que ele nunca conheceu,  e que teria sido assassinado durante uma falta de luz num baile, na mesma praia de Garopaba.

Confuso? No início, parece, mas depois que a trama de Barba Ensopada de Sangue (Companhia das Letras, 424 páginas, R$ 39,50) engrena, o leitor não consegue deixar de lado o livro escrito por Daniel Galera, e acaba vendo que, no final, a história toda é redondinha. Depois da “cena” citada acima, há outro corte, e dessa vez encontramos o tal homem, que é professor de natação, chegando em Garopaba, de mala e cuia — ou, melhor dizendo, com todas as suas coisas dentro do carro, incluindo a cadela do pai, Beta, que ele optou por não sacrificar.

Descobrimos então que o protagonista, cujo nome não aparece, decidiu deixar para trás sua Porto Alegre natal e se instalar em Garopaba para tentar descobrir o que realmente aconteceu com o avô. Praticamente sem laços — o pai morreu, a mãe tem outro marido, e ele não se dá com o irmão, que lhe roubou a namorada —, vai aos poucos se acomodando na vidinha local, apesar da desconfiança dos nativos. Estes costumam olhar atravessado, especialmente quando ele lhes pergunta sobre o avô, Gaudério.

Estranhamente, ninguém parece lembrar de Gaudério. Todos negam tê-lo conhecido, e mudam de assunto ou deixam de falar com ele quando faz seus questionamentos. Aos poucos, ele vai se conformando com a situação, embora sem desistir totalmente de descobrir a verdade. Enquanto isso, arruma emprego numa academia local e vai fazendo alguns amigos — e conquistando amores.

Essa adaptação não é muito fácil, até porque o professor/protagonista tem uma estranha condição neurológica: ele não reconhece rostos, nem mesmo o seu. Por isso, está sempre prestando atenção a algum outro detalhe das pessoas, como o cabelo, a voz, o tipo de roupa. E está sempre se desculpando, explicando que não, não estava fingindo que não viu determinada pessoa.

Entre os personagens que cruzam o seu caminho estão uma linda garçonete e seu filho, um dono de pousada meio aloucado, um homem de cabelos descoloridos, um antigo delegado, uma prostituta e a antiga namorada do avô. Se ele vai descobrir o que aconteceu com Gaudério? Talvez. Mas, antes, vai ter de descobrir quem ele próprio é…

Ah: publicado em 2012, Barba Ensopada de Sangue ganhou no ano passado o Prêmio São Paulo de Literatura, um dos principais prêmios literários do país.

Resenha: ‘O Porco entre os Peixes’

18 de janeiro de 2014 0
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Celestine, ou Stine, como costuma ser chamada, não conheceu a mãe, uma francesa que trabalhava na Alemanha quando engravidou. Acabou sendo criada pelo pai, Reiner – cujo maior sonho é ter uma lanchonete – e pela madrasta, Ramona, que vive permanentemente bêbada. Não é uma vida fácil para Stine, a heroína (ou seria anti-heroína?) de O Porco entre os Peixes (301 páginas, R$ 39), segundo livro da escritora alemã Jasmin Ramadan, lançado ano passado no Brasil pela editora gaúha 8Inverso.

Na trama, Stine é uma garota que procura saber quem exatamente ela é. Às vezes, sonha em conhecer a mãe, e fica imaginando como ela seria. Enquanto isso, vai vivendo sua vida, sonhando em seguir os estudos (embora o pai queira que ela se responsabilize pela lanchonete que ele enfim consegue comprar), decepcionando-se com a primeira relação sexual, enfrentando o medo de lugares fechados – que o pai tenta curar ora recorrendo a místicos, ora subornando-a para que fique o máximo de tempo possível dentro do carro fechado num lava-jato.

O círculo com o qual a menina convive inclui ainda a avó, a rígida Oma Senta, e tia Trixi, expulsa de casa pela avó por ser lésbica. Ah, e o Dr. Ray, um cirurgião plástico amigo da família que acaba servindo como uma espécie de psicólogo para Stine.

O título do livro tem a ver com um peixe servido pela avó: durante o jantar, ela explica que aquele tipo de peixe é onívoro, come tudo o que vê pela frente, como se fosse um porco dentre os peixe – e, após comparar o peixe ao porco, a avó o compara às pessoas, dizendo que também somos assim.

“A gente pode se habituar às tradições, a gente pode se habituar a tudo, pois nem sempre se consegue aquilo que se quer, senão, aliás, seria uma bagunça só neste mundo, menina!”, filosofa Oma Senta.

E essa capacidade de adaptação é o que encontramos na protagonista e em sua vidinha aparentemente normal e sem graça. Mas que cativa, porque, sem os devidos exageros, poderia ser a vida de qualquer um de nós.

O meu clássico preferido

08 de janeiro de 2014 0
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Depois do post de segunda-feira à noite, aqui no blog, e também da minha coluna de hoje no jornal Pioneiro, ambos sobre o tema da redação do vestibular da UFRGS, muita gente quis saber: afinal, qual é o meu livro preferido?

Como disse na crônica, já li tantos bons livros que fica difícil escolher um só, mas, já que o tema se referia a clássicos, não tem erro: o meu clássico preferido é O Vermelho e o Negro, de Stendhal. Que, de quebra, é o melhor de todos os livros que já li.

Só fui lê-lo alguns anos atrás, quando ganhei um exemplar de presente de amigo secreto do Carlos Henrique Iotti (sim, o criador do Radicci). Nas primeiras páginas, achei o texto um tanto difícil — afinal, a obra-prima do escritor francês foi publicada há quase dois séculos, em 1830, quando a linguagem era muito diferente da de hoje. Bastou, entretanto, ultrapassar o primeiro capítulo para me apaixonar pela história.

Nas suas mais de 400 páginas (o número exato depende da edição, há várias em português), O Vermelho e o Negro conta a trajetória do jovem Julien Sorel. Nascido em uma família de camponeses, ele é contratado para dar aulas aos filhos de uma família nobre, os De Rênal, e acaba tendo um caso ardente com a Sra. De Renal. Ela é o amor de sua vida, ele tem certeza — até conhecer a jovem Mathilde De La Mole, que se torna seu outro amor “eterno e definitivo”.

O escândalo e as aventuras (ou desventuras) amorosas de Sorel, entretanto, não são os únicos elementos de peso do romance, um dos mais densos da literatura mundial. Muito bem costurados à trama estão as complexas relações sociais e políticas da França de então. Que, embora já estejam distantes no tempo, por vezes fazem lembrar a política brasileira atual, é preciso dizer.

Considerada a obra que introduziu o realismo no romance francês,  O Vermelho e O Negro é daqueles livros que, mesmo depois de terminada a leitura, demoram a sair do seu pensamento. Julien Sorel, madame De Rênal e Mathilde são personagens tão vívidos, tão reais, que nos é difícil separar deles, ou deixar de refletir sobre seu destino. 

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Ah: pouco tempo atrás, zapeando na tevê, encontrei uma adaptação televisiva de outra obra de Stendhal, ou melhor, Henri-Marie Beyle, nome verdadeiro do autor. O filme era baseado no livro A Cartuxa de Parma, que ainda não li, mas que está na minha lista, pois parece tão interessante e denso quanto seu “irmão” mais famoso.