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Posts na categoria "suspense"

Dan Brown de volta ao topo da lista

24 de maio de 2013 0

O escritor Dan Brown está de volta às listas de mais vendidos. Depois de best-sellers como O Código Da Vinci e Anjos e Demônios, o sucesso da vez é o recém-lançado romance Inferno (Arqueiro, 448 páginas, R$ 39,90), que lidera o ranking geral da semana divulgado esta manhã pelo site especializado Publishnews.

A trama, mais uma vez, traz como protagonista o simbologista Robert Langdon, num enredo que mistura história, arte, códigos e símbolos. No coração da Itália, Langdon é arrastado para um mundo angustiante centrado em uma das obras literárias mais duradouras e misteriosas da história: O Inferno, de Dante Alighieri.

Numa corrida contra o tempo, ele luta contra um adversário assustador e enfrenta um enigma engenhoso que o arrasta para uma clássica paisagem de arte, passagens secretas e ciência futurística. Tendo como pano de fundo o sombrio poema de Dante, Langdon mergulha numa caçada frenética para encontrar respostas e decidir em quem confiar, antes que o mundo que conhecemos seja destruído.

Segundo a lista da Publishnews, o livro vendeu 12.695 exemplares em uma semana nas livrarias brasileiras pesquisadas, conseguindo a façanha de passar à frente de Kairós (ed. Principium), livro do padre Marcelo Rossi que vinha liderando o ranking há semanas — desta vez, a obra do religioso ficou em segundo, com 10.958 exemplares na semana. Em terceiro, segue o infantojuvenil A Marca de Atena (Intrínseca), de Rick Riordan, com 5.866.

Noite de Hitchcock no Órbita Literária

20 de maio de 2013 1

Divulgação

Os fãs do mestre do suspense Alfred Hitchcock têm compromisso hoje à noite, a partir das 20h: a 52ª edição do Órbita Literária, promovido pelo Grupo Literário Independente NósSemHora, que terá o diretor como tema.

O encontro, que ocorre na Do Arco da Velha Livraria e Café (Rua Os 18 do Forte, 1.690, no centro de Caxias do Sul), tem entrada franca, e o convidado da noite é Conrado Heoli. Vale lembrar que muitas das obras hitchcockianas tiveram como origem as páginas dos livros, como Rebecca, vencedor do Oscar em 1941, adaptado da obra de Daphne Du Maurier, e Marnie — Confissões de uma Ladra, de Winston Graham, que o diretor transformou em filme em 1964.

Além disso, há vários livros que reúnem histórias de terror escolhidas por Hitchcock, como Festival Hitchcock e Histórias para Dar Arrepios, entre outros.

Além de abordar essa questão literatura-cinema, o painelista irá discorrer sobre como a extensa obra do diretor tem servido como tema para novas biografias, peças teatrais, filmes e séries televisivas — o recente telefilme A Garota, por exemplo, aborda a fixação de Hitchcock pela atriz Tippi Hedren, com a qual ele aparece na foto acima, nas filmagens de Marnie — e sobre a sua influência no contemporâneo.



Sessão de autógrafos em Caxias

07 de maio de 2013 0

Reprodução

Quem perdeu o lançamento do romance policial Contagem dos Inocentes, de Fernando Bins, tem nova oportunidade hoje: o jovem estudante de Psicologia estará autografando a obra, a partir das 18h, no prédio C da Faculdade da Serra Gaúcha, em Caxias do Sul.


Esse é o primeiro livro do autor, que recebeu recursos do Financiarte para publicar.  A trama envolve uma série de assassinatos ocorridos em Caxias do Sul, investigados pelo jovem gênio Erik Robbins, pelo detetive aposentado Flávio Cunha e pela médica legista Brenda Menegaro.

Com edição do autor, o livro tem 304 páginas e preço de R$ 24,90. Futuramente, falarei mais sobre a obra por aqui.

Resenha: '1222'

01 de maio de 2013 0

 

Reprodução

Já disse por aqui que gosto de descobrir novos autores, lendo orelhas e contracapas, folheando os livros antes de me decidir por comprá-los. Foi assim com 1222 (Fundamento, 304 páginas, R$ 29,50), da norueguesa Anne Holt. O título, que pode soar um tanto estranho, se refere à altitude do lugar em que se passa a história.


Tudo começa quando um trem descarrila no alto de uma montanha. As duas centenas e meia de passageiros, muitos deles feridos, são levados para um hotel, o Finse 1222, onde acabam presos devido a uma impiedosa nevasca, que dura vários dias. Isolados do mundo, eles ainda vão ter de lidar com um outro problema: um dos passageiros, um pastor popular, é brutalmente assassinado.

Sem ter como apelar às autoridades, os responsáveis pelo hotel recorrem a uma das passageiras, Hanne Wilhelmsen, uma ex-policial sarcástica e antissocial que, por acaso, estava no trem. Mas, presa a uma cadeira de rodas, ela não tem a mínima vontade de se envolver — ainda se lembra muito bem de sua última missão, que custou sua mobilidade.

Ao mesmo tempo, sem ter mais o que fazer, ela acaba cedendo em parte, dando alguns conselhos enquanto observa seus companheiros de confinamento. Entre eles, um outro pastor, mais tímido do que o primeiro; um casal muçulmano; um garoto que parece ter fugido de casa e por qual ela passa a nutrir certo carinho; uma jovem toda vestida de negro, ainda mais antissocial do que ela; um médico anão, inteligente e simpático; uma militante que está sempre incitando revoltas; um rapaz bonitão, líder de uma espécie de gangue de fortões.

Não bastassem as mortes (sim, há outras) e os conflitos que surgem entre os confinados, há ainda os boatos de que um membro da família real viajava num vagão isolado e agora está escondido numa ala reservada do hotel, sob forte esquema de segurança. Hanne não acredita que haja uma princesa ali — mas, decididamente, há alguém muito importante escondido ali (aliás, adorei a escolha que a autora fez para esse personagem misterioso).

O livro, segundo consta na capa, já conta com mais de 6 milhões de exemplares vendidos no mundo e vem sendo considerado "uma mistura de Stieg Larsson e Agatha Christie". Não sei se concordo plenamente com essa frase, que seria do Daily Mirror, mas é preciso admitir: o livro é muito bom, uma ótima pedida para quem gosta de literatura policial. Agora, fiquei curiosa por descobrir outras obras da autora...

Resenha: 'Fique Comigo'

27 de abril de 2013 0

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O primeiro livro que comentei aqui no blog, em agosto de 2009, foi Confie em Mim, de Harlan Coben. Depois, voltei a falar do autor em setembro de 2011, comentando o livro Desaparecido para Sempre. Li ainda alguns outros títulos do autor, mas não voltei a falar sobre eles porque fiquei com a nítida impressão de que as histórias, em linhas gerais, estavam se repetindo, por incluírem sempre pessoas desaparecidas. Até que, há cerca de uns 10 dias, lendo orelhas e contracapas numa livraria, resolvi voltar a comprar o mais novo livro de Harlan Coben.


Antes que alguém pergunte: sim, Fique Comigo não foge à regra do autor, e tem seu desaparecido. Aliás, seus desaparecidos, mais de um. Mas resolvi lhe conceder o benefício da dúvida - afinal, se sigo lendo outros autores cujas histórias sempre giram em torno de assassinatos ou de complôs (ou de romances, ou de seres sobrenaturais, ou de...), então por que esse meu preconceito com a insistência de Coben nos desaparecimentos?

No final, a leitura valeu a pena. Em alguns momentos, cheguei a esquecer que havia alguém sumido naquelas páginas, tão bem elaborada era a trama que os desaparecimentos acabavam parecendo pano de fundo. A história acompanha três personagens principais aparentemente muito diferentes entre si: uma mãe de classe alta, com dois filhos adolescentes; um fotógrafo decadente que ganha a vida como paparazzo de mentirinha; e um policial que ainda não se conforma de não ter solucionado um caso 17 anos antes. O caso é o dito desaparecimento, ou, ao menos, o mais antigo deles. E é esse homem sumido a tanto tempo, ainda pranteado por sua mulher e filhos, o elo entre Megan, Ray e o detetive Broome.

Isso porque, antes de se tornar uma dona de casa exemplar, Megan era dançarina de streaptease, e a garota preferida de Stewart, o homem que sumiu há 17 anos - e que não era tão decente quanto sua família e seus amigos pensavam. Na época, chegou-se mesmo a pensar que eles haviam fugido juntos, pois ela sumiu do La Crème, a boate em que trabalhava, na mesma noite. Coincidência?

Stewart não era o único homem da vida de Cassie, nome pelo qual Megan era conhecida então. Ela e Ray viviam uma intensa paixão, e ele nunca a esqueceu. Mas seria só por isso que ele largou sua carreira como fotógrafo internacional para ganhar a vida fazendo fotos de pessoas que pagam para se sentirem celebridades?

Já Broome é o único que não desistiu de descobrir a verdade sobre Stewart. E, a cada ano, no aniversário do sumiço, visita a mulher dele. Até que, novamente num 18 de fevereiro, outro homem desaparece. Embora ele também frequentasse a boate,aparentemente não tem mais nada em comum com o caso anterior: é solteiro e filhinho de papai, enquanto o outro era trabalhador e com dois filhos pequenos.

Enquanto isso, entediada com sua vida, Megan resolve voltar à cidade. De uma antiga colega, ouve do novo desaparecimento, e também que Stewart, ou alguém muito parecido com ele, havia sido visto recentemente. Ela decide, então, procurar Broome e Ray, mesmo sabendo que pode estar arriscando seu casamento. O que ela não sabe é que poderá estar arriscando, também, a sua vida.

Com 286 páginas, o livro saiu no Brasil pela Arqueiro e custa em média R$ 29,90.

Livros que viraram filmes: 'O Perfume'

21 de abril de 2013 0

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Zapeando pelos canais da TV, minutos atrás, vi que recém começara o filme O Perfume, baseado no famoso livro do escritor alemão Patrick Süskind. Ainda não tinha visto o filme (estou fazendo isso agora...), mas li o romance na minha adolescência, e é sempre bom ver uma boa história sair das páginas e ganhar cores e rostos. Por isso, resolvi criar essa nova "série", Livros que Viraram Filmes - já falei de alguns casos por aqui, mas não de forma sistemática.


Para começar, é claro, vou falar de O Perfume, que, em algumas edições (e são muitas, desde o seu lançamento, em 1985), traz como subtítulo A História de um Assassino. A trama se passa na França do século 18 e é protagonizada por Jean-Baptiste Grenouille, um jovem que nasceyu com um estranho dom: seu olfato é extremamente apurado, e, antes mesmo de aprender a falar, ele já reconhece os mais diversos cheiros.

Inicialmente, ele não faz distinção entre cheiros bons de ruins, só quer sentir, sempre, novos odores. Ao mesmo tempo, ele próprio não tem cheiro. Essa combinação faz com que seja continuamente rejeitado, e ele cresce em meio ao repúdio. Após trabalhar em um curtume, tem sua habilidade percebida por um perfumista decadente, que o toma como aprendiz. Mas os perfumes que produz não são suficientes para ele.

Um dia, ele sente o odor de uma jovem, um odor tão maravilhoso que ele fica obcecado por ela, e acaba matando-a para tentar se apoderar dele. Depois disso, ele acaba cometendo uma série de assassinatos, em busca da essência perfeita.

O livro tornou-se um bestseller, vendendo 15 milhões de exemplares em 40 idiomas. Virou filme em 2006, dirigida por Tom Tykwer (o mesmo de Corra, Lola, Corra) e estrelada por Ben Whishaw. Dustin Hoffman faz o papel do perfumista que ensina Jean-Baptiste a extrair essências, que chama de "alma das coisas".

Uma das edições mais recentes da obra no Brasil é essa da capinha ao lado, da BestBolso. Com 280 páginas, custa em média R$ 17,90 (edição de bolso).

Ah: o romance também teria inspirado algumas músicas, entre as quais Scentless Apprentice, do Nirvana - Kurt Cobain seria fã da obra de Patrick Süskind.

Resenha: 'A Casa das Sombras'

18 de abril de 2013 0

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A escritora norte-americana Patricia Higshmith é conhecida principalmente por seus thrillers, em especial os protagonizados pelo personagem Tom Ripley - quem nunca viu, pelo menos, a adaptação cinematográfica de O Talentoso Ripley, livro escrito em 1955 e que virou filme em 1999, com Matt Damon?


Entretanto o talento da escritora, morta em 1995, não se restringe aos romances de suspense. Em A Casa das Sombras, livro que foi publicado pela primeira vez em 1981 e que ano passado ganhou edição no Brasil pela Benvirá, é uma coletânea de contos em que histórias aparentemente comuns escondem um quê de macabro, de insólito, de perturbador.

Na primeira das 11 histórias, Uma Coisa que o Gato Arrastou para Dentro de Casa, um grupo de amigos está reunido jogando Scrabble quando o gato entra arrastando algo que não é um rato nem um passarinho. Em Não Foi Nenhum de Nós, outro grupo diverte-se debochando de um amigo em comum, sem perceber o que isso pode ocasionar. Já Os Velhinhos Lá em Casa conta como um casal sem filhos resolve convidar dois idosos de um asilo para morar com eles - e como acaba por se arrepender amargamente.

Esses são só alguns dos exemplos do que o leitor vai encontrar em A Casa das Sombras - esse título, aliás, é também da última das histórias do livro. Há ainda a moça que é "pescada" por um barco e enlouquece a tripulação masculina em O Sonho do Emma C, o homem indeciso entre duas lindas namoradas em Tudo pro Espaço, e muito mais.

Nem todos os contos têm final surpreendente, é preciso dizer (os mais impactantes, a meu ver, são os de Os Velhinhos Lá em Casa e A Pipa). Mas a capacidade da autora para criar suas tramas faz com que transforme relatos que poderiam ser banais em algo sinistro - nem que seja porque, em alguns momentos, nos reconhecemos numa ou outra situação.

Para quem quer conhecer mais um pouco dessa obra da "talentosa Highsmith", fica então a dica. O livro tem 272 páginas, e preço médio de R$ 34,90.

Outros cinco livros que 'levaram' o Oscar

22 de fevereiro de 2013 0

Anthony Hopkins como o canibal Hannibal Lecter, de 'O Silêncio dos Inocentes' (Divulgação)

Com a cerimônia do Oscar 2013 se aproximando, e para complementar o post de ontem, confira outros cinco filmes baseados em livros que foram merecedores do Oscar de Melhor Filme:

1992: o canibal mais famoso do cinema foi a estrela da 64ª edição do Oscar, com O Silêncio dos Inocentes (foto acima) faturando os prêmios de Melhor Filme, Melhor Atriz (Jodie Foster), Melhor Ator (Anthony Hopkins), Melhor Diretor (Jonathan Demme) e Melhor Roteiro Adaptado. O longa de suspense é baseado num romance homônimo de 1988, de Thomas Harris, segundo livro a apresentar o personagem Hannibal Lecter, um psiquiatra que é também um assassino em série canibal. No filme, Clarice Starling, uma jovem estagiária do FBI, procura ajuda do prisioneiro Dr. Lecter para prender outro serial killer.

1994: mudando totalmente de gênero, o 66º Oscar premiou o comovente A Lista de Schindler, história sobre o empresário alemão que salvou a vida de mais de mil judeus durante o Holocausto. Baseado no romance Schindler's Ark, de Thomas Keneally, o livro levou os troféus de Melhor Filme, Melhor Diretor (Steven Spielberg), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora Original

1997: outro drama, este dirigido por Anthony Minghella e baseado no romance de Michael Ondaatje, foi o vencedor da 69ª edição: O Paciente Inglês. A trama se centra em um desconhecido que sofre queimaduras generalizadas quando o seu avião é abatido na Segunda Guerra Mundial. Além de Melhor Filme, ganhou também nas categorias Melhor Diretor, Melhor Atriz Coadjuvante (Juliette Binoche), Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora - Drama e Melhor Mixagem de Som.

2002: dando um salto até a 74ª edição do Oscar, temos o drama biográfico Uma Mente Brilhante, sobre o matemático John Nash, baseado no livro homônimo de Sylvia Nasar. A história conta a vida de Nash, um personagem real que, ao mesmo tempo em que é premiado por suas descobertas científicas, sofre de alucinações devido à esquizofrenia. Venceu o Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Diretor (Ron Howard) e Atriz Coadjuvante (Jennifer Connelly).

2004: a fantasia épica de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (foto abaixo) dominou a 76ª edição do Oscar. O filme de Peter Jackson, baseado no terceiro volume da trilogia de J.R.R. Tolkien e estrelado por Elijah Wood (Frodo Baggins) e Viggo Mortensen (Aragorn), venceu em nada menos do que 11 categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Direção de Arte, Melhor Edição, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem, Melhor Mixagem de Som, Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original. As versões cinematográficas dos dois livros anteriores já haviam concorrido ao Oscar, respectivamente em 2002 e 2003, mas sem o sucesso de O Retorno do Rei.

'O Retorno do Rei' teve batalhas épicas (Warner, divulgação)

Papas e conclaves na literatura

11 de fevereiro de 2013 1

 


 

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Com a renúncia do Papa Bento XVI, anunciada hoje, católicos do mundo inteiro devem acompanhar, em breve, mais um conclave para eleger seus substituto, a exemplo do realizado em 2005, quando da morte do pontífice anterior, João Paulo II. A escolha de um novo papa, que nos próximos dias será exaustivamente abordada na imprensa do mundo todo, também já foi tema para a ficção, com vários romances abordando o assunto.

 

 

Um desses livros é As Sandálias do Pescador (Record, 272 páginas, R$ 39,90), de Morris West, lançado em 1963 e considerado por muitos um romance "profético", por antecipar em quase duas décadas a escolha de um papa vindo de um país comunista. Vale lembrar que, na época em que o livro foi escrito, estava-se no auge da Guerra Fria, então nada mais normal do que a trama abordar, além de questões da fé, também os perigos de um conflito atômico. Religião x ciênica, amor x pecado e, principalmente, a possibilidade de convivência pacífica entre os povos também são abordados no desenrolar da história.

Outro a escrever sobre uma escolha papal foi o best-seller Dan Brown. Em Anjos e Demônios (Arqueiro, 464 páginas, R$ 29,90), o professor de simbologia Robert Langdon (o mesmo protagonista de O Código Da Vinci) é chamado ao Vaticano quando às vésperas do conclave que vai eleger o novo papa.Em meio a um enredo que inclui antigas seitas, assassinatos e loucura, o leitor também pode acompanhar o processo que culmina no "habemus papa" (ao menos, como o autor o imagina). O conflito entre ciência e fé, claro, é outro ingrediente do thriller.

O escritor Luís Mighel Rocha, por sua vez, partiu de um acontecimento real — a morte repentina do papa João Paulo I, apenas 33 dias após ser eleito pontífice, em 1978 — para escrever O Último Papa (Ediouro, 400 páginas, R$ 39,90), outro thriller de suspense. Na trama, já em meados dos anos 2000, uma jornalista recebe anonimamente uma misteriosa lista com vários nomes e uma mensagem cifrada. Essa lista seria ligada aos acontecimentos de três décadas antes, e à morte do antigo papa.

Ficam as dicas de leitura, lembrando, é claro, que esses são romances — portanto, ficção —, e não documentários sobre a Igreja.

Resenha: 'As Mitologias Roubadas - Os 12 Trabalhos'

05 de fevereiro de 2013 2

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Embora muitos leitores brasileiros insistam em não ler autores nacionais - a velha história de que santo de casa não faz milagre -, nós temos, sim, vários bons escritores, muitos dos quais, infelizmente, seguem ignorados pelo grande público. Há pouco, descobri um deles, que ainda não conhecia: o mineiro radicado em Porto Alegre Giancarlo Carvalho Borges, autor do ótimo livro As Mitologias Roubadas - Os 12 Trabalhos (Literalis, 360 páginas, R$ 44), lançado ainda em 2007.


A trama de As Mitologias... se passa em Nova Porto Alegre, uma capital gaúcha reconstruída, no ano de 2070. Tudo começa quando a Biblioteca Pública é parcialmente destruída, de forma misteriosa, e tem um livro sobre mitologia roubado. No que restou de uma parede, uma estranha e enigmática mensagem é deixada esculpida. O jovem Felippe Valenti, estagiário da biblioteca, acredita que a mensagem foi deixada para ele, e, quando descobre que seu pai desapareceu, resolve seguir as pistas e decifrar os enigmas para poder salvá-lo.

Com a ajuda do amigo Hiro, ele parte numa aventura perigosa e fantástica, sendo obrigado a reconstruir os 12 trabalhos do herói grego Hércules - ao mesmo tempo em que cultua a memória de um antigo herói local, Gustav Côrtes, conhecido como O Laçador e que desapareceu 15 anos antes, sendo dado como morto, após ajudar a reconstruir a cidade que havia sido arrasada por uma enchente.

Mesmo apresentando uma Porto Alegre futurística e mesclando elementos mitológicos e de ficção científica à história, Giancarlo Borges consegue também traçar um belo panorama da cidade atual, com seus prédios históricos e belos monumentos, que muitas vezes passam despercebidos por quem transita pelas ruas da capital.

Em alguns momentos, as descrições desses locais cansam um pouco, quase caindo no didatismo, mas, ao mesmo tempo, servem como uma espécie de respiro para a ação e o suspense intensos que marcam a maioria das páginas.

O resultado final é um livro ágil, que convida à leitura e cativa o leitor, levando-o a querer ler sempre um pouquinho mais. Quando a história termina, fica uma sensação quase que de perda: a vontade era acompanhar mais aventuras da dupla de adolescentes por quem se torceu por três centenas e meia de páginas...