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Posts na categoria "um livro por dia"

Literatura, vampiros e muita diversão (dica do dia)

14 de outubro de 2011 0

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Imaginem a cena: uma autora famosa e reconhecida, vivendo incógnita numa cidadezinha do interior dos Estados Unidos, como dona de uma pequena  livraria. Além de não receber os direitos autorais de suas obras, que seguem vendendo bem mesmo após duzentos anos, ela vê os originais de seu novo romance sendo recusados por editora após editora, e não pode revelar quem é ralmente. 

Não, o “duzentos anos” do parágrafo acima não foi erro de digitação. É que a escritora em questão é nada menos do que Jane Austen, que não morreu como se pensava, mas sim foi transformada em vampira por seu grande amor, Lorde Byron, que depiis a abandonou. Ao menos, no livro Jane Austen, A Vampira, de Michael Thomas Ford (editora Lua de Papel, 304 páginas, R$ 39,90).

Já falei rapidamente dele por aqui, quando foi lançado, cerca de um ano atrás. Na época, como disse no post, ainda não havia lido o livro, e tinha minhas desconfianças de que fosse apenas mais um lançamento de olho na onda vampiresca que rondava (e ainda ronda, mas já parece ter diminuído o ritmo) a literatura mundial. No entanto, a curiosidade foi mais forte, e, quando vi o livro na livraria, comprei.

O que posso dizer é que a leitura valeu a pena. Diferentemente de outros livros do gênero – tentei ler algumas adaptações de grandes clássicos mesclados com sobrenatural, e achei horríveis -, o livro é divertido, bem escrito e com uma trama envolvente. Não é uma paródia mal feita, é uma história criativa e gostosa de ler.


Quanto à heroína-vampira, ela pode até se alimentar de sangue, mas é bem humana em seus dramas – a frustração por não reconhecerem o valor de sua escrita, a indignação por ver as mais absurdas adaptações de sua obra e da sua biografia (boa sacada dentro de um livro que não deixa de ser uma reescrita da vida de Austen), as dúvidas no amor, a alegria quando finalmente elogiam seu novo livro sem saber que “Jane Fairfax” é na verdade uma das maiores escritoras de todos os tempo


E um aviso aos fãs das histórias vampirescas: o livro até tem mordidas, mas é possível dizer que elas são acessórias, e não centrais na história.

 Fica a sugestão de leitura. Quem aceitar dificilmente vai se arrepender.

Investigação na era da internet (dica do dia)

13 de outubro de 2011 0

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Um dos mais prestigiados autores da região, José Clemente Pozenato é conhecido principalmente pelo romance O Quatrilho, que deu origem ao filme homônimo (que chegou a representar o Brasil no Oscar). É também dele A Cocanha, que tem sessão de autógrafos nesta sexta na Feira do Livro, às 17h. Mas nem só de saga italiana vive sua produção, que é grande e variada.

Um exemplo é a dica de leitura de hoje: O Caso do E-Mail, publicado em 2000 pela editora Mercado Aberto. No livro, ele traz mais uma vez o personagem Pasúbio, um investigador que já aparecera em livros anteriores, como O Caso do Martelo (que foi adaptado para a TV) e O Caso do Loteamento Clandestino.

Na história, Pasúbio está às voltas com mais uma investigação de assassinato. Só que, dessa vez, tem uma pista a mais: um e-mail de uma testemunha que estava próximo ao local do crime. O rapaz, que escrevia a uma amiga, digitara “ouvi um tiro, vou ver e já volto, bie”. Assim, pela hora registrada no e-mail, a polícia tem o que seria a hora do crime.

O resultado é um ótimo romance policial, com surpresas até o fim.

Um menino e seus balangandãs (dica do dia)

12 de outubro de 2011 0

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Você tem mania de colecionar coisas? Ou não tem coragem de se desfazer de nada? Então, talvez se identifique com Ivan, personagem do livro Ivan Balangandã (Liddo Editora, 28 páginas, R$ 25), que a escritora Helô Bachichette lança hoje, às 16h30min, no Palco Infantil da Feira do Livro de Caxias.

A obra cont a história de um menino, o Ivan do título, que guarda muitas coisas: copos, latas, selos, pregos, insetos e até pontas de lápis de cor – para desespero de sua mãe, que se assusta com a bagunça do quarto. Um dia, ele encontra um menino que também recolhe coisas, só que para vender…

O livro, voltado ao público infantil, tem belas e coloridas ilustrações de Danilo Marques.



Um policial instigante (dica do dia)

10 de outubro de 2011 0

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Minha primeira aquisição na Feira do Livro deste ano foi Eu Sei o Que Você Está Pensando (editora Arqueiro, 256 páginas, R$ 29,90), de John Verdon. Não conhecia o autor, mas estava passando de banca em banca, olhando um e outro livro, folheando, lendo contracapas e orelhas, e o enredo desse chamou minha atenção.

Na história, o detetive aposentado David Gurney recebe a visita de um antigo colega de faculdade, que não via há quase 30 anos. O agora bem sucedido guru de autoajuda Mark Mellery pede sua ajuda para enfrentar um inimigo misterioso, que parece ter poderes sobrenaturais. Tudo começou, conta Mellery, quando ele recebeu uma estranha carta escrita a mão, com tinta vermelha, na qual o remetente dizia saber de seus segredos e conhecê-lo tão bem que até podia adivinhar seu pensamento. Para provar, pedia que o guru pensasse um número qualquer, de um a mil, e depois abrisse outro envelope anexo. Ele pensa 658, abre o envelope e lá está: “Ficou chocado por eu saber que você pensaria no número 658?”

Depois desse primeiro e estranho contato, o correspondente misterioso passa a enviar pequenos poemas de oito versos cada, que vão se tornando mais e mais ameaçadores. Eles fazem referências ao passado de Mellery, a seu problema com a bebida — vício que ele abandonara anos antes — e a uma suposta retribuição por algum dano que ele teria causado, e que ele diz não saber o que é. Logo os temores de Mellery se mostram fundamentados: ele aparece assassinado, quase degolado, com pelo menos 14 golpes no pescoço feitos com uma garrafa quebrada de uísque.

Mesmo aposentado, Gurney é chamado para ajudar nas investigações, em meio a pistas que parecem não levar a nada. É quando outras mortes semelhantes acontecem, todas envolvendo pessoas que tiveram problemas com a bebida — e, em todos os casos, o assassino sabia que a vítima escolheria o número 658.

Como ele fazia isso? E por que esses homens estavam sendo mortos? Um quebra-cabeças instigante, para o leitor ir resolvendo junto com Gurney nesse excelente thriller.

Cinco garotos, um cão e muitas aventuras (dica do dia)

09 de outubro de 2011 0

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Como o Dia da Criança está chegando, resolvi que as dicas deste final de semana serão sobre uma série infanto-juvenil que eu adorava ler quando estava com meus 12 ou 13 anos: Os Seis.

As capinhas reproduzidas acima são de apenas alguns desses livros, que me deliciavam tanto a ponto de só parar de ler quando meu pai ralhava que eu estava horas e horas enfurnada no quarto, sem sair para fazer qualquer outra coisa.

Escritas por Hélio do Soveral (ou Irani de Castro, pseudônimo que aparecia em algumas das edições), as tramas contavam as aventuras de um grupo de garotos que, todo final de semana, se reunia na Praia de Sepetiba e se envolvia em mistérios e confusões: Zé Luiz, seu primo Dudu, Anete e os irmãos Marilene e Beto Ferrugem. A Sociedade Secreta dos Seis era completada por Saci, o cachorrinho dos dois irmãos, que sempre acompanhava a meninada.

Munidos de walkie-talkies e diversos outros apetrechos, eles se encontravam em uma caverna secreta no morro junto à praia. A partir daí, combinavam o que fariam no final de semana — e sempre acabavam se envolvendo em um mistério a resolver, muitas vezes correndo perigo.

Lembro de um verão em que conegui comprar a coleção completa, com os 19 livros d’Os Seis. Foi a glória, e tive leitura para as férias inteira. Além dos títulos reproduzidos acima, outras aventuras dessa turma que gostei muito são Os Seis e o Trem Fantasma, Os Seis e o Teco-Teco Misterioso e Os Seis e o Segredo do Sambaqui.

Ah: esses livros saíam pela Ediouro, mas não sei dizer se ainda estão em catálogo.


Uma ilha de surpresas (dica do dia)

07 de outubro de 2011 0

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Não é regra, claro, mas histórias passadas em ilhas normalmente costumam ser interessantes. Não é diferente em O Outro Lado da Ilha (editora Ática, 95 páginas), livro infanto-juvenil de José Maviel Monteiro.

Integrante da coleção Vaga-Lume (lembram dela?), a história começa quando um grupo vai passar uns dias na deserta Ilha da Cacaia, uma reserva natural onde o naturalista Tio Cirilo vai fazer pesquisas sobre as aves e seus ninhos. Ele vai até lá acompanhado de Robson e Débora e dos jovens Ivan, Leda e Lia.

Tudo vai bem até que eles encontram um grande número de carcaças de aves. Na mesma noite, todos acordam com os balidos desesperados das cabras – e, na manhã seguinte, encontram sangue no quintal da casa, e os restos de um cabrito morto.

Que tipo de animal estaria rondando por ali? Tio Cirilo, Ivan e os outros estariam em perigo?

Para a gurizada ou para adultos que gostam de uma boa aventura, O Outro Lado da Ilha é uma leitura leve e agradável, que desperta a curiosidade até o final.

Um Simenon mais 'sério' (dica do dia)

06 de outubro de 2011 0

 

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Quando se fala em Georges Simenon, a primeira coisa que vem à mente é Maigret, o comissário de polícia que protagoniza 75 de seus livros, além de diversos contos, e que ficou famoso entre os apreciadores da literatura policial. No entanto, o escritor belga também escreveu o que ele próprio denominou de “trabalhos mais sérios” (palavras dele, não minhas, pois acredito que romances policiais são também excelente literatura).

Esse outro Simenon pode ser conferido em livros como O Homem que Via o Trem Passar.Nessa trama, o pacato Popinga, um burguês bem-sucedido que, repentinamente, resolve abandonar tudo, a família, o trabalho, a vida tranquila, e seguir para Amsterdã, cidade na qual se envolve numa série de crimes, inclusive assassinato – e passa a divertir-se iludindo a polícia.

A transformação começa com a nostalgia que ele sente sempre que vê o trem passar – uma nostalgia que ele não sabe exatamente de que. Até que um dia, encontra seu patrão bêbado, e o desabafo deste faz sua vida mudar. Repentinamente, torna-se um personagem totalmente diferente do Popinga do início da trama, num crescendo de delinquência.

Além da história em si, que acompanha o protagonista como uma câmera que estivesse gravando seus passos, chama a atenção o cuidado de Simenon com a forma, com as palavras. Apenas para exemplificar, reproduzo aqui o início do romance: “No que diz respeito a Kees Popinga, pessoalmente, cumpre admitir que, às oito da noite, ainda havia tempo, pois seu destino não estava decidido.”

Se, como dizia um antigo professor meu, é a primeira frase que captura o leitor, essa é uma isca certeira.

***

A capa que ilustra esse post é de uma edição da Nova Fronteira, de 2006, com 206 páginas. Já a edição que eu tenho é da Abril, de 1983, com 182 páginas.

Adolescência americana (dica do dia)

05 de outubro de 2011 0

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Gosto de ler um pouco de tudo, até para espairecer. Por isso, poucos dias atrás, aceitei a dica (e o empréstimo do livro) de uma amiga de 13 anos: Maldosas (Rocco, 296 páginas), primeiro volume da série Pretty Little Liars, da escritora americana Sara Shepard.


A série, que virou fenômeno entre os adolescentes e transformou-se em seriado de televisão, conta a história de quatro típicas garotas (ricas) americanas, Spencer, Hanna, Aria e Emily, amigas até a sétima série, quando se distanciam após o desaparecimento repentino de outra amiga que liderava o grupo, Alison.

 Três anos depois, as quatro começam a receber estranhas e ameaçadoras mensagens por e-mail ou celular: alguém, que assina apenas como A, ameaça revelar seus mais negros segredos, inclusive aqueles que apenas Alison sabia.

Spencer, por exemplo, está interessada no namorado da irmã, como estivera três anos antes. A ex-gordinha Hanna teme que todos saibam como ela se mantém magra, entre outras coisas que esconde para manter as aparências. Aria, recém-chegada de um período na Islândia, descobre que seu novo namorado é também seu novo professor, mas isso não pode vir a público — ainda mais se for ligado, como ameaça A, a um segredo escandaloso do passado de sua família. E Emily se debate entre um futuro na natação, como querem os pais, e o forte sentimento por uma nova amiga, que está ocupando o lugar que era de Alison em seu coração.

Em meio a esses dilemas da adolescência, elas se confrontam com o medo de que Alison esteja de volta. E se não for ela, quem saberia coisas tão íntimas?

O fim de cinco mestres (dica do dia)

04 de outubro de 2011 0

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A dica de livro de hoje é obra da escritora americana Joyce Carol Oates, um dos nomes cotados para o Nobel de Literatura, a ser anunciado na quinta-feira. Independentemente de ela receber ou não a premiação, Descanse em Paz (editora Leya, 240 páginas) é uma leitura que vale a pena.

Lançado em 2008 nos EUA e ano passado no Brasil, o livro traz cinco histórias sobre os últimos dias de vida de cinco grandes escritores: Edgar Allan Poe, Emily Dickinson, Mark Twain, Henry James e Ernest Hemingway.

Embora tratem de personagens reais e conhecidos, não são relatos reais, que fique claro: é a imaginação de Oates que recria esses momentos, utilizando recursos narrativos que caracterizavam os próprios autores retratados.

Em Poe Póstumo; ou, o Farol, por exemplo, é possível reconhecer o estilo do grande mestre, com toques de Manuscrito Encontrado numa Garrafa e de O Relato de Arthur Gordon Pym. O formato, no caso, é o de um diário, em que o Poe-personagem vai retratando o período em que se refugia em um farol em Viña del Mar, isolado de tudo e de todos, tendo por companhia apenas o cachorro Mercury.

Já Emily Dickinson tem seus últimos dias retratados de uma forma bem diferente: em pleno Século 21, duzentos anos depois do que foi na realidade, na história EDickinsonRepliLuxe.

Twain é lembrado por seu nome verdadeiro, Samuel Clemens, no conto Vovô Clemens & Peixe-Anjo, no qual procura a amizade de adolescentes para se alegrar ao ver que seus livros não rendem o suficiente. O fim de James na versão de Oates é contado em O Mestre do Hospital São Bartolomeu, enquanto um Hemingway paranoico protagoniza Papa em Ketchum.

Para quem se interessa por política externa (dica do dia)

03 de outubro de 2011 0

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Nos oito anos em que ficou à frente do Ministério das Relações Exteriores, Celso Amorin ministrou diversas palestras para os alunos do Instituto Rio Branco — responsável pela formação dos diplomatas que representam o Brasil no Exterior.


Dessas conversas, nas quais abordou desde o relacionamento com os vizinhos sul-americanos até a abertura de novas frentes de negócios internacionais e os tratados que o país assinou na ONU, na OEA e na OMC, entre diversos outros temas relacionados à política externa brasileira, nasceu o livro Conversas com Jovens Diplomatas (600 páginas, R$ 64,90), lançado recentemente pela editora Benvirá.

Como foram transpostos das palestras, os textos tomam o tom de um diálogo — de alto nível, mas ainda assim de diálogo —, justificando o título. Notas de rodapé ajudam a entender algumas referências mais datadas, no caso de temas que hoje não estão tão presentes no noticiário.

Embora pareça destinada a um público específico, a obra é leitura importante para quem quer compreender os rumos da política externa do país na última década e a crescente importância brasileira no cenário internacional.