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Posts com a tag "agatha christie"

Policiais em e-book

26 de abril de 2013 0

 

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A nova safra de lançamentos em e-book da editora gaúcha L&PM vem com dois bons títulos para os fãs do romance policial: Uma Confidência de Maigret, de Georges Simenon, e Morte nas Nuvens, de Agatha Christie.

Estrelados por dois dos mais famosos detetives da literatura — o comissário Jules Maigret e o detetive particular Hercule Poirot —, os livros trazem os elementos clássicos do gênero, com crimes sendo dissecados por meio da inteligência de quem investiga.

Em Uma Confidência de Maigret, o comissário, em um jantar com amigos, confessa que já pensou em abandonar a profissão. E conta por que, relembrando um caso de assassinato em que, apesar de todas as provas apontarem para um suspeito, ele não ficou convencido de sua culpa.

Já em Morte nas Nuvens, uma agiota morre subitamente durante um voo de Paris a Londres, vítima de um dardo envenenado. Poirot, que estava entre os passageiros, não consegue aceitar que um assassinato foi cometido bem debaixo do seu nariz, e acaba embarcando em um dos casos mais difíceis de sua carreira.

O e-book com a trama de Simenon sai por R$ 16, e o de Agatha, por R$ 17. Os valores ainda são bem próximos aos dos mesmos livros na versão tradicional, em papel — que saem, respectivamente, R$ 18 e R$ 19.



Efemérides deste sábado II

12 de janeiro de 2013 0

 

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Foi também num 12 de janeiro, em 1976, que o universo literário perdeu aquela que é, até hoje, a rainha inconteste de um dos gêneros mais populares, o policial: Agatha Christie.

 

Só fui conhecer a obra dessa autora anos depois dela ter morrido, e, ainda assim, tornou-se uma das minhas preferidas. É também, a escritora mais vendida do mundo (não, ela ainda não foi batida por E.L. James, de Cinquenta Tons de Cinza: os mais de 80 livros de Agatha somam mais de 2 bilhões de exemplares).

Fiquei pensando em quais livros da Rainha do Crime eu falaria por aqui, mas achei melhor colocar um link para um pouco do que já foi dito dela aqui no blog — há alguns anos, cheguei mesmo a fazer um mês inteiro de posts diários sobre seus livros, que podem ser conferidos clicando aqui.



As leituras de Stephenie Meyer

14 de novembro de 2012 0

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Às vésperas da estreia da última parte da versão cinematográfica da saga Crepúsculo, o filme Amanhecer - Parte 2, que chega aos cinemas de todo mundo (Caxias do Sul, inclusive) na virada desta quarta para quinta-feira, nada melhor do que falar um pouco daquela que criou essa história que cativou muitos milhões de leitores e espectadores ao redor do mundo: a escritora Stephenie Meyer.


Sei que muito já se falou sobre ela nos últimos anos, por isso, vou me concentrar aqui em um único aspecto: as suas leituras. Como sou muito curiosa sobre a vida de escritores, comprei recentemente o livro Stephenie Meyer - A Rainha do Crepúsculo, de Chas Newkey-Burden, e descobri, entre outras coisas, que ela é uma grande leitora, desde sempre.

Quando pequena, o livro do qual mais gostava era A Espada de Shannara, de Terry Brooks. Toda noite, seu pai lia um capítulo para ela e as irmãs. Para não ter de esperar o trecho seguinte, ela se esgueirava escondido até onde estava guardado o livro para ler mais um pouco... Além de seu pai, sua mãe também lia muito, tendo entre suas escritoras preferidas a inglesa Jane Austen, da qual Stephenie acabou também se tornando fã incondicional (já a descreveu como sua autora "super preferida"). O nome do vampiro Edward, aliás, teria sido inspirado em dois outros personagens fictícios, sendo um deles do livro Razão e Sensibilidade...

Segundo a biografia escrita por Newkey-Burden, entre os livros que a criadora de Bella e do vampiro Edward leu e "amou" estão os clássicos ...E o Vento Levou, de Margaret Mitchell, Romeu e Julieta, de Willian Shakespeare, e Jane Eyre, de Charllote Brontë - este último, ela leu pela primeira vez aos nove anos, e voltou a lê-lo várias vezes.

A lista de autores cujas páginas passaram pelas mãos de Stephenie Meyer, antes e depois de ela mesma se tornar escritora, é longa. Inclui outros nomes consagrados como Daphne du Maurier (autora entre outras das obras de suspense Os Pássaros e Rebecca, que viraram filmes "cult") e Agatha Christie, a Rainha do Crime, e há ainda William Goldman (A Princesa Prometida), L.M. Montgomery (Anne de Green Gables), Orson Scott Card (Speaker for the Dead), Eva Ibbotson (Uma Companhia de Cisnes), David Eddings (épicos de fantasia), Louisa May Alcott (escritora americana do século 19), Janet Evanovich, e muitos, muitos outros.

Criada em uma família mórmon, Stephenie também é leitora do livro dessa religião e da Bíblia. Ah: curiosamente, apesar de hoje em dia escrever histórias de vampiros, ela nunca gostou de ler histórias vampirescas e tem medo do terror em geral, embora tenha se aventurado em alguns dos livros de Anne Rice (a autora de Entrevista com o Vampiro). 

O que achei curioso é que, de acordo com a biografia, mesmo quando tinha os três filhos pequenos ela não parou de ler, muito pelo contrário: segurava o bebê com uma mão e um livro com outra... Eram cinco ou seis livros por semana, mesmo com as tarefas domésticas e os cuidados com as crianças.

 Foi por gostar de ler que ela escolheu o curso de inglês e literatura na hora de cursar uma universidade. As leituras teriam sido, inclusive, sua "escola" para a escrita, e ela fez questão de tornar sua heroína, Bella, uma leitora voraz como ela (e também apaixonada por clássicos como O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë).

Enfim, foi uma grata surpresa saber que uma das escritoras-sensação dos últimos anos é principalmente uma leitora. Que os fãs de Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer sigam seu exemplo e leiam muito, inclusive os clássicos...

Literatura em quadrinhos pauta debate

16 de julho de 2012 0

 

Editora Ática, divulgação

Basta observar nas livrarias: nos últimos anos, as opções de literatura no formato quadrinhos vêm se multiplicando em ritmo acelerado — a imagem acima, por exemplo, reproduz página de uma versão em HQ de Dom Casmurro, de Machado de Assis.

De olho nesse fenômeno, o grupo literário NósSemHora promove hoje, a partir das 20h30min, mais um bate-papo Órbita Literária, que terá como tema justamente a literatura em quadrinhos.


Para conduzir as discussões, os convidados da noite são Adriano Richardi e Frank Tartari Fialho. O Órbita ocorre no Aristos, junto ao Clube Juvenil, em Caxias do Sul, e tem entrada franca.

***

Quer ler mais sobre literatura em quadrinhos? Clique nesses links:

- Dom Casmurro ganha versão HQ

- Sherlock Holmes em quadrinhos

- Agatha Christie em quadrinhos

- Ópera 'Aída' em HQ

- Anita Garibaldi versão HQ

- A história de Anne Frank em HQ

- Elvis vira HQ

- Allan Kardec em HQ

Literatura policial e fantástica em debate

14 de maio de 2012 0

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A foto da Rainha do Crime, aí ao lado, é para lembrar que hoje à noite estarei participando do bate-papo Órbita Literária, que começa às 20h30min no Aristos London House (o pub do Clube Juvenil, em Caxias do Sul), para falar de literatura policial. E como Agatha Christie é e sempre será mestre do gênero, ela com certeza será também assunto das discussões.


Além desta blogueira, o outro convidado da noite é Dangelo Müller, que falará sobre literatura fantástica, em especial das histórias envolvendo lobisomem.

Para participar e falar também de seus romances policiais ou fantásticos favoritos, basta aparecer lá no Aristos. A entrada é franca.

Elas são de matar!

10 de março de 2012 4

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Quem disse que literatura escrita por mulheres tem de ser do tipo chick-lit, ou então romance água com açúcar? Há excelentes escritoras em todos os gêneros, inclusive na literatura policial - afinal, é uma mulher, a inglesa Agatha Christie, que detém até hoje o título de "Rainha do Crime".


Ela é, também, a minha preferida nesse gênero. Minha e de muita gente, visto que, mesmo passados mais de 30 anos de sua morte, ainda é a escritora mais vendida de todos os tempos. Criou tipos inesquecíveis, como Hercule Poirot, o pequeno detetive belga de cabeça de ovo, e a solteirona Miss Jane Marple, que resolve muitos mistérios na pacata St. Mary Mead.

Desde a publicação de O Misterioso Caso de Styles, em 1920, foram mais de 80 romances muito bem tramados, com tudo o que caracteriza o gênero: assassinatos, múltiplos suspeitos, pistas falsas e verdadeiras e um suspense que prende até o final. Entre os numerosos títulos, destaque para Convite para Um Homicídio, Depois do Funeral, Um Brinde de Cianureto, O Caso dos Dez Negrinhos, O Mistério do Trem Azul e O Assassinato de Roger Ackroyd.

E se Agatha fez escola, são muitas as discípulas. As tramas criadas da também inglesa P.D. James, nascida no ano em que a Rainha do Crime fez sua estreia literária, são igualmente muito bem costruídas, vide Morte no Seminário, Sala dos Homicídios, Mente Assassina e Trabalho Impróprio para Uma Mulher. Seus protagonistas são o inspetor-chefe da Scotland yard  Adam Dalgliesh e a detetive particular Cordelia Gray.

Outro nome de destaque na literatura policial é Ruth Rendell, também britânica, nascida em 1930. Foi repórter e editora em vários jornais, e, em 1964, lançou seu primeiro livro, apresentando o personagem Reginald Wexford, protagonista de boa parcela de seus romances. Alguns de seus livros são Unidos para Sempre, Sem Perdão e Um Assassino entre Nós. Uma curiosidade é que a escritora tinha o título de baronesa

Da Europa para a América, outra escritora bem-sucedida no segmento policial é a norte-americana Mary Higgins Clark. Onde Estão as Crianças?, publicado em 1975 (quando ela já contava com mais de 45 anos) já pode ser considerado um clássico. A Filhinha do PapaiDuas Meninas de Azul são outros de seus sucessos.

Nascida ainda no final do século 19, a neo-zelandesa Ngaio Marsh é outra típica representante do gênero. Seus romances trazem o detetive Roderick Alleyn resolvendo diversos crimes, em livros como Erro Fatal, Prelúdio para Matar e A Foto Fatídica. Duas curiosidades: como Agatha Christie, Ngaio também era Dama do Império Britânico, e muitos de seus livros trazem referências ao teatro, outra de suas paixões.

Avançando um pouco no tempo e voltando aos Estado Unidos, não dá para esquecer de Patricia Cornwell, uma ex-repórter policial que criou a médica legista Kay Scarpetta, protagonista de muitos dos seus livros. Estreou na literatura em 1990, com Post-Mortem - livro que havia sido rejeitado por sete editoras, mas depois de publicado recebeu diversos prêmios, incluindo o Edgar. Entre seus títulos estão Corpo de Delito, Restos Mortais, Causa Mortis e Contágio Criminoso.

Há ainda muitos outros exemplos de escritoras que se dedicaram ou se dedicam ao romance policial, e vou apenas citar outras quatro, que se destacam nas últimas décadas: Minette Walters, Linda Fairstein, Tess Gerritsen e J.D.Robb (esta última, pseudônimo de Nora Robberts para uma série policial-futurística).

E você, costuma ler alguma dessas autoras, ou gosta de outra escritora policial não citada aqui? Deixe seu comentário e/ou sua dica!

Aniversário de Agatha Christie

15 de setembro de 2011 0

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O dia 15 de setembro é uma data especial para os amantes da literatura policial: é o aniversário de nascimento de Agatha Christie, a escritora que mais vendeu livros em todos os tempos e que ficou conhecida como Rainha do Crime.

Autora de 66 romances do gênero, além de numerosos contos, foi a criadora de personagens inesquecíveis, como o impagável detetive belga Hercule Poirot e a esperta velhinha solteirona Miss Marple.

Fica a dia do blog: que tal marcar os 121 anos do nascimento da autora com um dos seus livros? O Palavra Escrita já publicou uma série de dicas e resenhas de obras da autora ou sobre ela — inclusive com posts diários em setembro de 2010. Você pode relê-los clicando aqui.

Uma outra Agatha

28 de abril de 2011 0

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Para quem, como eu, é fã de Agatha Christie, ler e reler seus livros é sempre um prazer. Por isso, fiquei interessada em Filha é Filha, que está chegando às livrarias pela L&PM.

Estranhou o título? Pois é, esse não é um dos romances policiais "tradicionais" da Rainha do Crime, mas um dos que ela lançou sob o pseudônimo de Mary Westmacott. No lugar de Hercule Poirot, Miss Marple ou Tommy e Tupence, entram em cena os conflitos e emoções da alma humana.

A trama gira em torno de Ann Prentice, viúva cuja única filha, Sarah, viaja para uma estação de esqui na Suíça. Ela sente um estranho vazio, mas, enquanto a filha está fora, acaba conhecendo um homem com uma história trágica, e se apaixona por ele. Quando Sarah voltar de férias, ela terá uma surpresa...

Com 256 páginas e formato pocket, o livro custa R$ 18.





O dia em que fui a Rainha

13 de novembro de 2010 0

(Maristela Scheuer Deves)

Aquele sempre tinha sido o meu sonho. Eu, uma escritora iniciante, tinha me tornado, do dia para a noite, a maior escritora de todos os tempos. Não, isso não se devia ao fato de os leitores terem finalmente descoberto meu talento, ou de eu ter criado um personagem incrivelmente cativante. Era tudo muito mais simples e, ao mesmo tempo, muito mais complexo. Simplesmente, eu havia acordado na pele da escritora que eu mais admirava.

Não me perguntem como isso aconteceu. Eu só sei que abri os olhos, sentindo o sol entrar pelas cortinas do quarto, e estranhei não ter ouvido o despertador do celular tocar. Droga, devia estar atrasada para o trabalho, ia levar um sermão do chefe outra vez. Quando coloquei os pés no chão e olhei ao redor, no entanto, vi que algo não estava certo. O celular não apenas não despertara, ele também não estava na mesinha de cabeceira. Aliás, a própria mesinha de cabeceira não era como deveria ser. Nem a cama, ou a penteadeira, ou a minha escrivaninha. Tudo estava diferente. Caminhei em direção à nova penteadeira (na verdade, à velha penteadeira, uma vez que ela era obviamente uma antiguidade que substituíra o modelo moderno que estava ali na noite anterior) e parei, agora aterrorizada: quem era aquela mulher refletida no espelho emoldurado? Será que eu envelhecera do dia para a noite?

Para espantar o medo, decidi que estava sonhando. Com isso em mente, aproximei-me mais do espelho. A mulher que me encarava de lá tinha algumas décadas a mais do que eu, talvez uns cinquenta anos. Também vestia um antiquado pijama de calças e mangas compridas. Examinei-me, e comprovei que eu vestia a mesma coisa. Mexi um braço, ela também mexeu. Era eu, sem dúvida. Achei seu rosto de alguma forma familiar, mas não conseguia lembrar-me de onde. Com certeza, não se parecia com minha mãe, nem com minha avó.

"Vou lavar o rosto, daí acordo e paro de ver coisas estranhas", murmurei para mim mesma, e segui até o banheiro - que, claro, também não ficava anexo ao quarto, como eu me lembrava, mas do outro lado do corredor. Quando olhei-me no espelho do banheiro, entretanto, o mesmo rosto me encarava. O que estaria acontecendo? Teria eu dormido não sete ou oito horas, mas vinte anos? Ou estaria com amnésia, esquecendo-me dos anos recentes e imaginando que estava ainda na juventude?

Não, não podia ser. Lembrava-me muito bem não só de mim mesma, mas da casa, do quarto, das roupas que eu usava. Se eu tinha esquecido os anos recentes, como é que tudo ao meu redor parecia mais antiquado do que eu me lembrava? Voltei ao quarto, resolvida a investigar e resolver aquele mistério. Até meus passos estavam diferentes, percebia agora, cada vez mais apavorada.

Dirigi-me à minha escrivaninha. Queria consultar a agenda e os diários que eu sempre mantinha. Assim, ao menos, teria a data daquele dia tão estranho, e que eu já não tinha mais certeza de qual era. Para minha surpresa (mais uma!), vi sobre o móvel de madeira escura um jornal todo em inglês. O que mais chamou-me a atenção, porém, foi a data: janeiro de 1942, e o jornal parecia novinho em folha. Mas como, se eu nascera em 1975?

Vi então o meu diário ali ao lado, exceto que aquele não era o meu diário — que novidade, disse para mim mesma, ironicamente. Sentei na cadeira que não era a minha, e abri o diário que não era o meu, sentindo-me um pouco como se estivesse invadindo a privacidade de outra pessoa. Mas eu precisava entender o que estava acontecendo!

Quando vi a letra na primeira página do diário, senti-me gelar novamente. Eu conhecia aquela letra, conhecia-a tão bem como se fosse a minha. Ou melhor, conhecia aquela assinatura no pé da página, a mesma que eu vira impressa na capa de tantos livros... Com uma ideia a brotar na minha mente, peguei uma caneta-tinteiro ao lado e uma folha de mata-borrão que estava por ali, e deixei minha mão rabiscar livremente. Sem surpresa desta vez, olhei para o papel e li a assinatura que acabara de produzir: Agatha Christie.

Voltei minha atenção para o diário em minha frente, que não era um diário convencional, mas um caderno cheio de rabiscos, histórias, trechos de livros que eu conhecia tão bem. Pelo que parecia, eu os conhecia não somente como leitora, mas também como a própria escritora... As páginas mais recentes eram sobre um livro que se chamaria A Mão Misteriosa, cheio de cartas anônimas acusadoras e com participação especial de Miss Marple, a personagem que eu mais gostava (não me perguntem se o "eu" dessa frase era "eu mesma" ou "eu, Agatha").

Bem, já que eu estava naquela situação, o jeito era aproveitar. Assim, passei o resto do dia escrevendo, dando forma à história, testando um e outro possíveis culpados, fazendo especulações. Só parei para o almoço e para o chá da tarde, trazidos por um mordomo uniformizado. Ao anoitecer, eu quase me convencera de que eu era, mesmo, Agatha Christie. Que maravilha!, pensei, deslumbrada com meu próprio talento.

Fui dormir em meio a meus lençóis de linho, sem a presença de Max, meu (dela?) marido, que estava viajando em uma escavação arqueológica, segundo me dissera o mordomo. Sonhei com venenos, intrigas de aldeia e um detetive com cabeça em formato de ovo. Acordei com o som irritante do despertador do celular tocando na mesinha de cabeceira.

Abri os olhos. Onde eu estava? Vi-me novamente em meu antigo/moderno quarto, tudo como era antes. Que sonho mais pretensioso eu tivera! Eu, Agatha Christie, vejam só, sorri comigo mesma, olhando-me no espelho e vendo meu "eu" normal. Deixando aquela história de lado, corri me arrumar para o trabalho, antes que me atrasasse. Não adiantou nada, levei sermão do meu chefe da mesma maneira: onde eu estivera no dia anterior? Como é que não aparecera para trabalhar? Tinha atestado? O que é que eu estava pensando?

Cada vez mais confusa, balbuciei uma desculpa sem pé nem cabeça, e fui para a minha mesa. No intervalo do almoço, corri à livraria comprar A Mão Misteriosa. Primeiro, conferi a data da edição original: julho de 1942. Um arrepio percorreu minhas costas, e ele ampliou-se quando li as primeiras páginas. Como é que eu sonhara que estava escrevendo exatamente aquelas palavras, se aquele era um dos pouquíssimos livros da Rainha do Crime que eu ainda não lera? Lembrei-me, então, da célebre frase do único escritor que supera Agatha em vendas no mundo, Shakespeare: "Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia...

Um Crime Adormecido (Mês Agatha Christie)

30 de setembro de 2010 0

ReproduçãoPara encerrar este mês de posts diários sobre os livros da Rainha do Crime, falarei hoje um pouco sobre o seu último livro, publicado em 1976, pouco depois da morte dela. É Um Crime Adormecido, também conhecido por ser o último caso da simpática Miss Marple.

Esse é mais um dos livros de Agatha Christie em que ela constrói a história ao redor de um lugar, mais precisamente uma velha mansão vitoriana. É lá que vai morar Gwenda Reed, uma mulher recém-casada que acaba de chegar à Inglaterra. Embora tenha vivido toda sua vida no Exterior, ela fica com a sensação de que já conhecia sua nova casa.

Pior: nos dias seguintes, enquanto assiste uma peça de teatro, repentinamente vêm-lhe à mente imagens de uma mulher morta na sua casa. Ela estaria ficando louca? Ou seria uma experiência de mediunidade? Apavorada, a jovem mulher sai correndo e acaba se encontrando com Miss Marple. A velhinha se interessa pela história e, com seu talento para desencavar os segredos mais escondidos, começa a investigar esse "crime adormecido".

***

A capa que ilustra este post é de uma edição antiga da Nova Fronteira. Neste ano, a L&PM relançou o livro em versão pocket, que, segundo o site da editora, custa R$ 16.