
Andréia Copini, divulgação
Como twittei mais cedo em primeira mão, no @palavraescrita, o médico e poeta Marco de Menezes foi escolhido agora à noite o patrono da 27ª Feira do Livro de Caxias do Sul. A sua eleição foi unânime e por aclamação, segundo a coordenadora do Programa Permanente de Estímulo à Leitura (PPEL), Luiza Motta.
Um dos primeiros a cumprimentar o eleito foi o patrono da edição passada, Marcos Kirst.
— Estou passando a coroa, ou talvez devesse dizer o marcador de livros — brincou Kirst.
Em meio aos parabéns, Marco de Menezes também entrou no tom de brincadeira, dizendo estar com um pouco de medo pelo tamanho da responsabilidade. Logo reassumiu o tom sério, mas alegre:
— Vamos trabalhar todos juntos em nome da literatura — garantiu.
O poeta, natural de Uruguaiana mas radicado há mais de 25 anos em Caxias, contou que estava na livraria Do Arco da Velha ("como sempre, aliás", brincou) quando o livreiro Germano Weinrich lhe disse que fosse até o PPEL.
— Eu nem estava pensando nisso (em ser escolhido), mas aí desconfiei — contou.
Marco, leitor desde criança e dono de uma biblioteca de 4 mil volumes, destacou o papel do livro na sociedade:
— Há muito se demonstrou que os livros são determinantes no florescimento cultural das sociedades e dos povos. Manter essa referência numa época de mudanças é essencial. O objeto livro tem um papel meio totêmico, é um ícone, uma ferramenta para tornar as pessoas mais civilizadas. No livro, encontramos uma possibilidade de diálogo com a realidade — defende.
Kirst, que foi patrono da 26ª Feira do Livro, elogiou a escolha de Marco de Menezes como seu sucessor:
— Aprovadíssimas, as duas escolhas (referindo-se também à homenageada desta edição, a livreira Maria Helena Lacava, da livraria Mercado de Ideias). Caxias tem o privilégio de ter um leque enorme de bons autores, que podem assumir o posto de patrono. E tem também muitas pessoas que trabalham pela divulgação do livro. Não são nomes que caem de paraquedas, são pessoas que têm uma história de trabalho pelo livro.
O secretário municipal da Cultura, Antônio Feldmann, declarou que a escolha reflete um amadurecimento do meio literário caxiense.
— Não é bairrismo, mas nos últimos anos temos tido muitos bons nomes daqui para serem patronos. E arrisco dizer que temos boas opções para os próximo oito, dez anos. Mas este é o ano do Marco, e não só pelo Açorianos (o novo patrono recebeu o troféu de poesia e de Livro do Ano no Açorianos de Literatura 2010), mas pelo amor que ele tem pelos livros — elogiou.
Além de médico e poeta, Marco de Menezes também é editor — lançou há dois anos a editora Modelo de Nuvem. E, ainda, é um dos promotores dos encontros Luz do Verbo, que discute literatura, e Som do Verbo, que fala sobre música e literatura.