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Suspensão de obra ameaça patrimônio histórico

17 de outubro de 2012 16

A Justiça suspendeu, em decisão liminar, a construção de um prédio residencial que estava sendo erguido no Bairro Bom Retiro, no mesmo terreno que abriga uma casa histórica que pertenceu ao industrial Ingo Hering. Acatou pedido do Ministério Público, que questiona a liberação da obra por parte da prefeitura.

Segundo o promotor Felipe de Azevedo, a construção foi autorizada ignorando um parecer técnico da Gerência de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano. O documento destacava a necessidade de manter visíveis as fachadas e o entorno da casa, mas o edifício obstruiria parte da parede lateral do imóvel histórico.

O secretário municipal de Planejamento Urbano, Walfredo Balistieri, explica que o parecer foi levado em consideração pelo Conselho do Patrimônio Cultural ao avaliar e aprovar a obra.

— A decisão do conselho é soberana. Mesmo com o parecer, os conselheiros entenderam que o prédio não prejudicaria o patrimônio histórico — diz Balistieri, que já encaminhou explicação ao Ministério Público.

Suspensão pode prejudicar patrimônio

A incorporadora Melchior Barbieri, responsável pela obra, acionou os advogados para tentar reverter a situação. O sócio Luiz Barbieri lamenta a decisão. Diz que tudo foi feito de acordo com o que a lei exige, em processo que durou mais de 10 meses nos órgãos públicos. A maior preocupação da empresa agora é em relação ao estágio atual da construção.

— A fundação já foi concluída. Parar a obra nesse estágio pode fazer com que a terra se movimente, o que pode comprometer a estrutura da casa histórica e dos imóveis vizinhos — diz o empresário.

A ideia da incorporadora é preservar a casa, transformando-a em área de convivência para os moradores. Depois da suspensão, foi feita uma alteração no projeto, aumentando o espaço entre as edificações, mas qualquer análise do Ministério Público só deve ser feita após o retorno do promotor autor da ação, que está de férias até novembro.

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comentários

Comentários (16)

  • Charles diz: 18 de outubro de 2012

    Espero que prevaleça o bom senso e a obra seja retomada. Prefiro ver o casarão sendo cuidado por um condomínio do que caindo aos pedaços, como geralmente acontece com nosso patrimônio histórico.

  • Charles diz: 18 de outubro de 2012

    Complementando : Como exemplo cito que muito perto do local onde a obra foi suspensa existe um casarão azul antigo que está definhando e em breve cairá sozinho. Para ele ninguém se mobiliza para restauração. Jogam pedras nos empreendedores que ajudam a manter em pé o pouco que resta do patrimônio. Hipocrisia pouca é bobagem.

  • Karla diz: 18 de outubro de 2012

    A essa altura creio que o problema não seja mais a construção de um edifício no mesmo terreno, até porque a construtora já acabou com todo o belo tereno e jardim que ali existia… mas sim, o fato de construirem esse edifício GRUDADO a casa antiga… isso não se faz aqui nem na China! Bom, na verdade, nem na Europa nem na China.. porque nesse Brasil, não duvido de nada…

  • Pedro diz: 18 de outubro de 2012

    Concordo com vc Charles e acrescento

    Isso ocorre por pressāo de ‘gente diferenciada’ elitista, preocupada apenas o próprio conforto e querendo dar ao bairro bom retiro um ar elitista, exclusivo e consequentemente de prestígio… Algo completamentE estupido e brega nos dias de hoje

  • Sandra diz: 18 de outubro de 2012

    Os monumentos históricos e os restos arqueológicos são importantes portadores de mensagens…

  • Bia diz: 18 de outubro de 2012

    Quisera eu ser elitista… nem sequer moro no Bom Retiro, mas sou feliz por conseguir ver a beleza e história em casarões antigos como os tantos deste bairro. É uma pena que nossa população deixe de valor valor para eles…. entretanto, são essas mesmas pessoas que vão para a Europa adorar as construções históricas, que vão a FLoripa, a São Chico e Laguna, e ficam tirando fotos nas casas antigas de lá….

  • Juliano diz: 18 de outubro de 2012

    As malditas incorporadoras e o crescimento desordenado da cidade mudaram a paisagem da cidade em menos de 10 anos. Primeiro foi a Alameda, depois bairros como Vila Nova e agora bairros como Bom Retiro, partes da Velha e Água Verde….com uma pontinha de dor vou embora da cidade onde nasci. O diferencial que Blumenau tinha já existe não mais…

  • Znavsky diz: 18 de outubro de 2012

    Olhem o que fazem na Europa: http://files2.structurae.de/files/photos/2055/deutschland/pa130040.jpg

    Esse é o Museu de História Alemã, em Berlin. E é só um exemplo. Existem milhares de construções assim na civilizada Europa. Vocês querem que Blumenau seja como Cuba, então? É isso? Esse povo quer que Blumenau fique assim: http://jewishcuba.org/photos/hav02.jpg

    O novo e o antigo (e bota antigo nisso). Aquela construção antiga ao lado da parte de vidro tem 400 anos. A casa do Bom Retiro (que foi do capitalista Ingo Hering) tem quantos anos? Respondam os ~defensores~ do patrimônio. Vamos lá.

  • Weimar diz: 18 de outubro de 2012

    Discordo das opiniões onde se diz que os casarões centenários caem “sozinhos”. Geralmente caem por ação humana premeditada e por incêndios criminosos. Enquanto isto, as características germânicas vão se perdendo celeremente, dia a dia surgindo, em seu lugar estes horrendos edifícios impessoais, despersonalizados, agressivos a toda forma civilizada de convivência. Seu crescimento numérico, concentrado, sem qualquer planejamento beneficia apenas alguns: as construtoras, os donos das glebas, parte do setor público municipal.
    A imensa maioria da população é prejudicada pela falta da infraestrutura necessária. a mobilidade, os esgotos, os serviços públicos de coleta de lixo, para citar alguns exemplos.

  • Tadeu diz: 18 de outubro de 2012

    Porque nao fazer um projeto de um edificio com caracteristicas na fachada que lembrem a origem de Blumenau e do bairro? Seria uma forma de integra-lo aos casaroes.
    Esse negocio de contraste entre o antigo e o moderno nao gosto, assim como foi feito no Louvre, em Paris com a piramide no centro que na minha opiniao, enfeiou, e muito, todo aquele conjunto arquitetonico .

  • Znavsky diz: 18 de outubro de 2012

    Weimar, onde tem característica germânica na casa que foi do Ingo Hering?

  • André Silva diz: 18 de outubro de 2012

    Znavsky, não precisa ir a Cuba para ver pobreza. Vai ali no morro das Cabras, ou no Horto, aqui mesmo em Blumenau, que vc poderá ver imagens assim, iguaizinhas a Cuba.
    É tudo um ponto de vista. Eu tenho o meu de Cuba, assim:

    http://www.sabetudo.net/fotos-e-informacoes-de-varadero-cuba.html

  • Marie diz: 18 de outubro de 2012

    Porque então não voltamos a andar de carroça e retiramos todo o asfalto das ruas, usando roupas tradicionais da época de 1800? Já que assim querem viver do passado!

  • Adriana Ribeiro Harb diz: 18 de outubro de 2012

    Aprecio e valorizo os imóveis antigos, mas o problema não é este. O empreendimento passou por todos os órgãos das autarquias, e apresentou todos os documentos exigidos. Os projetos e as documentações foram aprovadas, segundo o plano diretor, meio ambiente e patrimônio histórico. Recebido o alvará de licença para construção a empresa início os trabalhos. Agora depois de alguns meses de investimentos, simplesmente tudo foi suspenso. Como pode-se investir em um empreendimento na nossa cidade se não temos garantias de que tudo, a qualquer momento, poderá ser embargado? E o grande prejuízo da empresa, quem irá ressarcir? Como ficam as famílias dos operários contratados? Então deveria fazer parte dos trâmites de aprovação passar os projetos pelo ministério público. É o mesmo que a os órgãos aprovarem a reforma da sua casa, e então no meio da obra seja embargado. É JUSTO?

  • Alfredo diz: 20 de outubro de 2012

    Prezado Pancho, acho que o título do seu post está equivocado, deveria ser “Suspensão de Obra PODE VIABILIZAR patrimônio histórico”.
    Nem mesmo “direitos adquiridos” ou “justiça” podem justificar a desfiguração da paisagem urbana da forma como está sendo apenas INICIADO no Bom Retiro. Falo isso como NÃO-morador do Bom Retiro, mas como admirador daquele que poderia continuar sendo o nosso mais belo exemplo-vivo de história da cidade. O pequeno vale e os morros verdes poderão ser ocupados de forma inteligente e adequada, sem travar o desenvolvimento urbano, honrando a nossa tradição de bom-senso e beleza.
    Fica muito fácil às “autoridades” (transitórias) transferir as responsabilidades aos seus “Conselhos”, principalmente quando deles participam incorporadores e outros interessados.
    Blumenau está cansada de aceitar erros públicos notáveis, vou dar apenas alguns exemplos:
    1. No 1o. ano de vigencia do 1o. Plano Diretor (1973) o então prefeito autorizou a construção de um prédio de 15 pavimentos EXATAMENTE onde estava previsto o inicio do binário das Ruas República Argentina e Av. Brasil. Resultado= o caos diário do trânsito na Ponta Aguda.
    2. O mesmo prefeito autorizou/ reduziu os recuos exigidos na Rua 2 de Setembro. Resultado= caos na Itoupava Norte e agora com o corredor de ônibus na contramão= acidentes diários.
    3. Depois das enchentes de 83 e 84 os prefeitos autorizaram a construção do Edificio América e a ocupação desordenada da Alameda Rio Branco. Inclusive a construção do (por enquanto) único edificio alto do Bom Retiro. Resultado= um exemplo-esqueleto horroroso na paisagem central e os “felizes” moradores dos prédios na região da Alameda se entreolhando em afastamentos mínimos e sem insolação e ventilação.
    4. Depois de 1990 os prefeitos e incorporadores “acharam” as belezas e a tranquilidade do Victor Konder. Aliás, alí o 1o. prédio foi permitido também com a alegação da “preservação” de uma tradicional residencia. Pergunto onde está esta residencia? atrás de muros de 2m de altura e “invisível” e inacessível aos pobre mortais normais.Resultado do Victor Konder= vizinhos se entreolhando em recuos ridículos e sem insolação e ventilação adequada.Pasmem – há outro projeto de 250 (duzentos e cinquenta, sim!) apartamentos aprovado.

    Faço uma sugestão e deixo uma pergunta a todos: tirem bastante fotografias/ vídeos da Rua Hermann Hering – urgente – e façam a comparação daqui a dez e vinte anos.

    Pergunta final: por que não aprendemos com os erros cometidos na região da Alameda e no Victor Konder (apenas para ficar na área central)? Façam esta pergunta aos conselheiros do Conselho do Patrimonio Histórico de Blumenau e do COPLAN, já que a prefeitura joga toda a responsabilidade nas suas costas! E responsabilizem os conselheiros daqui a dez ou vinte anos.

    Pancho, permita-me sugerir aos comentaristas deste link que acessem os comentários (30) do seu post anterior sobre o mesmo assunto.

  • Andre diz: 21 de outubro de 2012

    Pelos post, a maioria que concorda com a obra, esta doida para comprar um apartamento ali. É totalmente sem nexo um espigão desse tamanho ali. Mostraram fotos de Berlin com moderno e antigo, mas olhem bem, lá é realmente MODERNO e em harmonia com o antigo. Valorizou o antigo, não o escondeu. Mas o erro aconteceu na aprovação da obra, agora tem que ir até o fim e cuidar para não fazer algo assim em outro casarão.
    Engraçado, tenho dois terrenos, um com mais de 6.000 m2 e outro com 8.000 m2, há 15 minutos do centro e ninguém se interessa. Agora ali que o terreno é ínfimo, querem por toda custa explorar. Por que modernizar, evoluir, fazer o futuro sem esquecer do antigo só serve para os bairros e terrenos ricos? Estranho não é!?

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