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Estações telemétricas do Ceops estão sem manutenção desde o início do ano

02 de junho de 2017 4
Equipamento que mede o nível do rio Itajaí-Açu fica na ponte Adolfo Konder. Foto: Mariana Furlan

Equipamento que mede o nível do rio Itajaí-Açu fica na ponte Adolfo Konder. Foto: Mariana Furlan

Desde a fundação de Blumenau passamos, de acordo com os registros oficiais, por mais de 90 enchentes. Algumas, como as de 2008, 1984, 1983 e 1911, foram traumáticas para o desenvolvimento social e econômico do Vale do Itajaí. Nem passando por tudo isso aprendemos – em especial o poder público – a lidar com a prevenção como deveríamos.

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Saibam todos que o Centro de Operação do Sistema de Alerta da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí-Açu (Ceops) está, uma vez mais, sem dinheiro para manutenção das 17 estações telemétricas instaladas no Médio e Alto Vale do Itajaí. Duas nem sequer funcionam, em Indaial e Benedito Novo. Nas demais, é bem provável que a medição da quantidade de chuva que caiu esteja errada, já que a falta de manutenção compromete a confiabilidade do sistema.

Cheia pode ter sido maior

Aqui em Blumenau, o equipamento que faz a medição do rio Itajaí-Açu na ponte Adolfo Konder deixou de transmitir as informações às 10h de segunda-feira, dia 29, e só voltou a funcionar às 2h da madrugada de quarta-feira. Depois não funcionou mais. Só hoje um técnico vai ao local verificar o que aconteceu e se será possível recuperar os dados.

A medição do rio nesta enchente só foi possível, de acordo com o coordenador do Ceops, Dirceu Severo, graças a um radar da Agência Nacional de Águas (ANA) instalado na mesma ponte. Ainda assim, não se sabe se esse aparelho estava regulado para isso. Dirceu diz que pode haver uma diferença de até 10 centímetros. Ou seja, o pico de 8,71 metros, na realidade, pode ter sido até 10 centímetros maior ou menor. Se os dados do sensor oficial forem recuperados, saberemos.

R$ 5 mil por mês

Desde 2015 até dezembro do ano passado o Ceops vinha recebendo R$ 5 mil por mês da Associação dos Municípios do Médio Vale do Itajaí (Ammvi), graças a um convênio firmado entre as partes. O acordo ainda não foi renovado e nenhuma manutenção preventiva foi feita nas estações neste ano.

O pedido de renovação já foi encaminhado à Ammvi. Como o governo do Estado acenou com a possibilidade de bancar a despesa, a renovação ainda não foi votada na assembleia da associação dos municípios. Isso só deve ocorrer na segunda quinzena de junho, depois de uma resposta do governo, que avalia a despesa. Enquanto isso, o reitor da Universidade Regional de Blumenau (Furb), João Natel, garantiu que a entidade vai pagar os reparos mais urgentes. O dinheiro deve ser liberado em breve. O Ceops funciona na Furb.

Experiência ajuda

Enquanto esse irresponsável descaso gerado pela falta de R$ 5 mil por mês se propaga, contamos com dados capengas e com a valorosa experiência dos técnicos do Ceops. Graças aos anos de cálculos e convivência com épocas de chuva e enchente eles são capazes de fazer cálculos precisos, mesmo com dados não confiáveis. Ou seja, sabendo que aquilo não funciona como deveria, toda a carga de sabedoria reunida ao longo dos anos é capaz de calibrar, para mais ou para menos, os resultados fornecidos pela matemática com base duvidosa.

A diferença, desta vez, foi de um centímetro. Se confirmada a medição de 8,71 metros. Só nos resta agradecer aos técnicos. Os políticos estão em dívida conosco.

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comentários

Comentários (4)

  • Isabel diz: 2 de junho de 2017

    Desculpe, mas, a imprensa só soube disso agora? Até os cupins aqui de casa sabiam. Com tantos malfeitos no município, estado, Brasil e mundo, não tem como os cidadãos fiscalizarem tudo já que poucos eleitos do Legislativo o fazem, embora eleitos para isso. Já que gostam tanto de novelas que ocupam espaços enormes nas televisões abertas (abertas a tudo que é demagógico, diga-se de passagem), poderiam disponibilizar nos sites dos jornais, pelo período que se fizesse necessário, informações, nos moldes de novelas, em ¨capítulos¨ de situações como esta. Assim o povo consegue acompanhar melhor e cobrar providências já que os vereadores não o fazem.

  • Djalma diz: 2 de junho de 2017

    Bom dia.
    Esta lengalenga já é sabido à muito tempo e só vem a baila quando acontece estas tragédias como aconteceu agora. Sempre é a falta de verba, não interessa de quem foi. Dai a Ammvi vai se reunir agora e blablablablablabla. As barragens ocupadas desde 1500 pelos indígenas e nada é feito. Deveria ser gerida pelo exercito e pronto. Quero ver se eles ocupariam aquilo la. Estas coisas sempre são lembradas agora que precisam. O resto sempre é festa e caçassão de votos.

  • Renato diz: 2 de junho de 2017

    Deixam algo que é de suma importância para que não ocorram tantos prejuízos e até mortes no Vale do Itajaí a merce da gestão pública que tem orçamento de 5 mil reais por mês, e quando finda o contrato ele não é renovado, simplesmente.
    Ahhhhh… deixa assim que não está chovendo mesmo.
    Mas o que importa é ter luzinhas na ponte.

  • Isabel diz: 2 de junho de 2017

    Muito estranho, no caso das barragens, novamente vem a conversa que estão ocupadas pelos índios. MeuDeusdocéu…quantas vezes já ouvimos essa história! Como índio não tem voz na sociedade, fica difícil acreditar que o problema maior é esse. Parece mais uma desculpa. E a FUNAI, para que serve? Quantas pessoas trabalham na FUNAI? O que fazem? Não está na hora de voltar para a sala de aula e tentar aprender a resolver esse tipo de problema? Se bem que…se educação resolvesse, já estaria resolvido.

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