De quinta a sábado, Blumenau vai receber empresários de todo o Estado para a 45ª Convenção Estadual do Comércio Varejista, cujo tema é Inovando o Varejo. A promoção é da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL/SC), presidida desde 2008 pelo riosulense Sergio Medeiros, 50 anos, empresário do ramo de combustíveis. Em conversa com a coluna, o comandante da entidade que reúne 188 CDLs e 35 mil lojistas fala sobre as características do comércio catarinense, as conquistas, os desafios e a expectativa em relação ao evento.
Como classificar o comércio varejista de Santa Catarina?
Sergio Medeiros - É um pouco mais maduro. O consumidor detém mais bens, tem capacidade financeira maior do que os do Norte e Nordeste, por exemplo. Lá, ele tem um caminho maior a percorrer. Aqui, ele está mais satisfeito. Com o crescimento da classe C, o Norte e Nordeste cresceram muito em vendas no varejo e nós ficamos estabilizados, com crescimento pequeno.
E como avaliar o comércio catarinense neste momento?
Medeiros - O varejo de SC está em recuperação. O ano passado foi de poucas vendas, pouco crescimento em relação a 2011. Iniciamos este ano com bons números. Janeiro crescemos 3,8%, fevereiro 1,5%, março foi negativo, mas em abril crescemos 4,8%. São números da venda no crediário, medidos pelo SPC, mas tomamos o índice como base também nas vendas à vista. Já consultamos economista e todos têm esse mesmo entendimento. Se a venda à prazo cresce, a venda à vista segue na mesma linha.
Inovação é o tema da convenção. O comerciante não está inovando?
Medeiros - Nós não temos grandes metrópoles no Estado e o varejo se desenvolveu muito no ramo familiar, com micro e pequenas empresas. Por isso, temos dificuldade para adotar práticas mais inovadoras em termos de tecnologia, devido ao custo. O pequeno tem que ser inovador dentro das possibilidades dele. Acho que a gente tem tido um crescimento bem legal de criatividade e inovação. Já na parte de comércio eletrônico, acho que estamos um pouco atrás. Tentamos fazer através da federação algumas ações, mas ainda não conseguimos ajudar.
Qual é a expectativa em relação ao evento?
Medeiros - É a 45ª edição do nosso maior evento. Devemos ter cerca de 1,5 mil participantes nos três dias e fica a expectativa de levar um pouco mais de conhecimento ao comerciante e que ele possa usar isso que vai ser passado para melhorar ainda mais o atendimento e competência no estabelecimento. São várias palestras de tecnologia, economia e motivacionais. O lojista tem essa necessidade de ter um empurrão para seguir em frente. A expectativa é boa.
Como será o ano de 2013 para o comércio, com a ameaça da inflação e a alta de juros?
Medeiros - Eu procuro ser otimista, mas claro que dentro da realidade. Não adianta a gente achar que vai ser bom num clima que não está propício. Em dezembro do ano passado, a nossa previsão de crescimento para este ano era de 4%. Como o ano começou bem, apesar da inflação e dos juros, tenho uma visão muito otimista. O ano passado foi bem ruim, com números negativos até outubro. Acho que não é difícil a gente crescer de 3% a 4%. Fica a dúvida se o governo vai ou não conseguir combater a inflação. Eu acho que é um pouco pontual em alguns setores, mas acho que dá pra combater.
Qual é a maior preocupação da FCDL/SC?
Medeiros - A manutenção dos benefícios da micro e da pequena empresa. Hoje, tem o Simples Nacional, só que os governos estaduais estão impondo mudanças nas cobranças dos impostos que eliminam essa vantagem. A substituição tributária é um exemplo. Nós encabeçamos uma luta e hoje SC é o único estado do Brasil que tem um diferencial para os pequenos na cobrança da substituição tributária. Em janeiro, o governo criou a Diferencial de Alíquota (Difa). Colocamos a boca no mundo e fizemos um auê desgraçado para não cobrar. Conseguimos a suspensão temporária, mas vamos lutar até o fim para derrubar essa cobrança definitivamente.
E sobre exigência de especificar os impostos na nota ou cupom fiscal?
Medeiros - Vejo com muita preocupação. Quem sabe todos os impostos que há no preço de um produto? Desconheço e acho que não existe. A lei diz que o valor pode ser aproximado, mesmo assim nosso regime tributário é muito complexo e não tem como aplicar. É muito complicado. Gera custo para atualizar o software. A iniciativa é bacana, mas desse jeito não dá.
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