
Da porta do hangar que foi alugado para abrigar a sede administrativa do Aeroporto Regional de Blumenau – nome oficial do popular Aeroporto Quero-Quero –, o presidente do Seterb, Rudolf Clebsch, protege os ouvidos.
Quer evitar problemas que podem ser causados pelo barulho dos motores do jatinho Learjet 40, de um empresário blumenauense, que manobrava para decolar em direção a Canela, no Rio Grande do Sul.
– Esse mesmo empresário já fechou grandes negócios com clientes que só vieram a Blumenau graças ao aeroporto – diz Clebsch, na esperança de deixar clara a importância da estrutura para o desenvolvimento econômico da região.
O Learjet 40 foi um dos quatro aviões que vi usar a pista enquanto estive no local, por pouco mais de uma hora, na manhã de quinta-feira, na mesma semana em que, há 10 anos, a empresa Ocean Air desistia do voo diário que fazia entre Blumenau e São Paulo devido à baixa procura.
Os avanços
A crença de que o Quero-Quero é importante para o desenvolvimento da região é o que mantém o trabalho em andamento. Apesar do ritmo lento, algumas coisas mudaram. A vegetação ao redor da pista vem sendo roçada para evitar pássaros, em especial o Quero-Quero, que deu nome ao aeroporto.
Os donos de imóveis nos arredores sinalizaram as partes mais altas. Há pessoal capacitado para as operações do aeródromo.
– Se uma empresa quiser oferecer voos regulares, transformamos este hangar em terminal de passageiros em uma semana – explica o presidente do Seterb.
O desinteresse
Por que, então, as empresas aéreas não se instalam no Quero-Quero? São vários os fatores. Muitos dizem que o blumenauense tem medo de voar em aviões de pequeno porte. As empresas que manifestaram interesse pediram para que a prefeitura e as entidades empresariais garantissem a venda das passagens, o que não foi aceito.
Também não há vagas para novos voos no aeroporto de Congonhas, principal destino do blumenauense. Por fim, as passagens custariam mais, já que na maioria dos casos os clientes não poderiam aproveitar o atual programa de milhagens.
O interesse
Enquanto isso, o aeroporto tem sua utilidade. O Aeroclube de Blumenau, uma das mais respeitadas escolas de aviação do país, é quem mais usa a pista. Os voos de aviões particulares são constantes. Cinco aeronaves têm hangar no local e donos de outras já manifestaram interesse.
Aviões de transportes de valores pousam frequentemente, assim como UTIs aéreas usadas no transporte de pacientes e órgãos que serão transplantados. O foco é incentivar a aviação executiva, sem deixar de mirar na aviação comercial.
As pendências
Falta muito para o aeroporto chegar perto do desejado pelo Seterb. Para receber aviões maiores, eucaliptos e antenas de rádio precisam ser removidos. Imóveis deveriam ser desapropriados pela prefeitura. Não há iluminação para operações noturnas e uma pista auxiliar interditada só será liberada quando uma cerca de 700 metros de extensão for recuada. E nem para isso há dinheiro.
O mais desejado é a ampliação da pista, mas essa, se vier, só será possível depois da construção da nova rodovia estadual que vai tirar o tráfego pesado da Rua Pedro Zimmermann. Até lá, é esta a pista que temos.
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