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'Existem lacunas de atenção às pessoas vitimadas', diz Nasser Barbosa, do Caps

04 de janeiro de 2015 0

Nasser Haidar Barbosa, coordenador do Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas, sobre as famílias de Mara Tayana, Vitória Schier e Leodir Fouz nunca terem recebido assistência do poder público, em Joinville

“Nossa sociedade se caracteriza e se legitima na divisão social. Infelizmente, é assim que nossas relações têm se constituído, baseando-se na ideia de que ou somos bons ou maus.
Nos âmbitos filosófico e ideológico, é assim que as instituições de poder nos fazem ver e entender o mundo. Da mesma forma, no âmbito individual nossas reações ao mundo sofrem influência dessa dicotomia entre bom e mau. Quando uma pessoa tem seu direito à vida violado, a partir das diferentes formas de violência, é compreensível que isto se manifeste por meio de paixões, na expressão do desejo de revanche ou vingança. Não cabe a ninguém julgar este sentimento, e como defensor de direitos humanos nunca o fiz.
Porém, enquanto sociedade, enquanto comunidade, enquanto coletividade, a bandeira da defesa de direitos humanos é levantada em favor de uma cultura da paz, da igualdade, da reparação e da justiça, todas noções que se afastam da vingança e da violência como resposta à violência. Nesse sentido, é inegável que existem lacunas de atenção às pessoas vitimadas, e a luta por preencher essas lacunas tem sido constante na história do Centro dos Direitos Humanos de Joinville. Contudo, mesmo com o pleno suporte no âmbito individual, ainda teremos o desafio coletivo de vencer a nossa dicotômica organização social, que nos faz crer em uma ideia de justiça que fere não apenas os preceitos legais que nos garantem o direito à vida (portanto, ideia contraditória em si), mas, principalmente, que pressupõe a violência como algo aceitável e possível em nossa sociedade, mesmo que em situações muito específicas.”

Leia também: ‘A maioria dos crimes tem uma segunda face, que é esquecida’, diz promotor Paladino

'A maioria dos crimes tem uma segunda face, que é esquecida', diz promotor Paladino

04 de janeiro de 2015 0

Ricardo Paladino, promotor de justiça, sobre as famílias de Mara Tayana, Vitória Schier e Leodir Fouz nunca terem recebido assistência do poder público, em Joinville

“Comumente, nos deparamos com notícias sobre projetos de lei, programas e outras iniciativas em favor dos autores de crimes. A reinserção social dos apenados é tema recorrente no Congresso Nacional e no meio jurídico.
O Ministério Público, a Ordem dos Advogados do Brasil, a Defensoria Pública e o Poder Judiciário zelam pelos direitos dos condenados. Ocorre que a maioria dos crimes tem uma segunda face, a das vítimas, que permanece esquecida. Os jornais revelam a proliferação de famílias destruídas pelo crime. Para elas, que não recebem qualquer atenção estatal e geralmente são ignoradas pelas entidades de defesa dos direitos humanos, restam as cicatrizes e a dor. Para os órfãos, não há auxílio financeiro, e para as famílias enlutadas não há apoio psicológico. Resta-lhes apenas o sofrimento calado, o “silêncio dos inocentes.
Enfim, enquanto olhos e ouvidos permanecerem voltados apenas aos criminosos, renovado será o sofrimento das vítimas e seus familiares.”

História pouco conhecida: senador Luiz Henrique conta a ligação entre a criação do JEC e a política

08 de dezembro de 2014 0

Confira o artigo do senador Luiz Henrique da Silveira na íntegra:

“É uma história que poucos conhecem. A fusão do América e do Caxias teve dois objetivos. Primeiro, fazer um clube campeão; segundo, eleger o saudoso Luiz Gomes prefeito municipal. Essa não era uma estratégia do nosso Lula, nem mesmo dos líderes locais da Arena. Era um comando que vinha de Brasília, para impedir que o prefeito Pedro Ivo elegesse um sucessor do MDB.

Por imposição do governo autoritário, Luiz Gomes (ex-craque do América) foi feito sócio número um do novo clube. Quem anunciou? Foi o almirante Heleno Nunes, então bi-presidente da Aliança Renovadora Nacional (Arena) e da Confederação Brasileira de Futebol (CBD). Mas o almirante Heleno Nunes foi mais longe na sua ousada e autoritária politiquice: se Lula fosse eleito prefeito, o JEC estaria, automaticamente, no campeonato nacional (a Série A daquela época).

Como ganhei a eleição, os dirigentes do Joinville entraram em pânico. Tomei posse no cargo de prefeito em 15 de fevereiro de 1977. Logo nos primeiros dias, recebi em audiência um grupo liderado pelo legendário presidente Waldomiro Schützler e pelo doutor Gerd Baggenstoss:

– Prefeito, se não conseguirmos ampliar e modernizar o estádio Ernesto Schlemm Sobrinho, o Joinville não poderá disputar o nacional!

Respondi:

– Ué, mas o Almirante não nos assegurou isso?

– É, mas agora ele exige novo gramado e aumento do número de espectadores, com reforma da geral e da arquibancada.

O que fazer? Colocar o JEC no Nacional significava lazer para o povo e ver Joinville divulgada na TV brasileira.

Verifiquei que o caixa da prefeitura não permitiria investir naquelas obras. Por isso, dei um peitaço:

– Waldomiro, arranja um empréstimo de R$ 3,5 milhões que eu deixo o Ernestão pronto pro Nacional!

Gerente regional do Sul-Brasileiro, Schützle viabilizou o empréstimo à prefeitura. No dia 19 de outubro, o JEC debutava no campeonato nacional: 1 a 1 contra o Grêmio.

Em 1988, 12 anos depois, Lula foi eleito prefeito, sem precisar de imposições de nenhum poderoso. Ganhou dirigindo a Veraneio com a mão direita, e segurando o microfone com a mão esquerda. Ganhou com seu jeito tijucano, simples e bom, e a mesma paixão incontida pelo JEC, que explode no nosso peito pela volta à elite do futebol.”

Adolescentes surfam na onda dos atentados

03 de outubro de 2014 0

Schirlei Alves

schirlei.alves@an.com.br

A polícia procura descobrir a causa dos atentados que, desta vez, não foi deixada às claras pelos seus líderes – prováveis integrantes de facções criminosas. Mas não dá para negar que há participação de aproveitadores nos episódios deste ano. Como mostram os noticiários, entre os suspeitos presos há sempre parcela de adolescentes. Jovens que até podem ser usados como fantoches pelos criminosos, mas também podem estar fazendo “parte da festa” sem terem sido “convidados”.

A expectativa das crianças em volta de ônibus queimado, os comentários entre os adolescentes que achavam tudo aquilo cena de filme assusta. Talvez os adolescentes que participaram dos ataques só tenham percebido a gravidade do problema depois de terem entrado algemados pela porta dos fundos de uma delegacia.

atentado

Nos anos 90, ser fora da lei era passar trote. E agora? O que leva um jovem que acabou de completar 16 anos a participar de um ato que extrapola o vandalismo, coloca em risco a vida de pessoas e desestabiliza a segurança?

- Eu saí de casa para ir à padaria. Aí, cruzei com uns parceiros e eles convidaram pra “fazer” um ônibus. Eu disse ‘vamo embora, demorou’ – foi o relato que ouvi de um adolescente durante uma entrevista na segunda onda de atentados no Estado.

E o problema não termina aí. No meio daqueles que colocam a mão na massa, há os que se divertem com o pânico alheio. Nesta nova onda de atentados, o caso de segurança pública virou piada em rede social. Mensagens viralizaram e espalharam o terror entre as pessoas.

Sem o menor senso de responsabilidade, alertas falsos de arrastões e atentados foram disseminados com a velocidade da tecnologia. A polícia e a imprensa tiveram que explicar o que era fato e o que era lenda para amenizar a situação. “Responsabilidade” e “consequência” são duas palavrinhas mágicas que talvez ajudem a traduzir este cenário.

 

Professora alerta sobre violência nas proximidades de escola no Centro de Joinville

26 de setembro de 2014 0

Preocupada com assaltos que estão acontecendo a alunos da Escola de Educação Básica Professor Germano Timm, no centro de Joinville, uma professora da instituição de ensino escreveu um e-mail para a Redação do “AN” para relatar o problema e falar sobre a sensação de impotência diante dos atos de violência que os alunos têm vivenciado.

Confira a íntegra da carta:

“Em dez dias, três alunos da E.E.B.Prof. Germano Timm foram assaltados e ameaçados com faca. Nesta quinta-feira, 25 de setembro, um deles, do 2º ano do Ensino Médio levou uma facada no rosto por volta das 13:20h. Até quando teremos que presenciar, impotentes, aos assaltos aos nossos alunos ? Até quando ir à escola é correr risco de morte? E até quando a “Segurança” de todos nós que pagamos impostos altíssimos estará ameaçada? Um sorvete tem imposto imbuído, portanto até as crianças/adolescentes pagam. E o que recebemos em troca ? Medo.”

Prof. Iára Solange Braga

Pai alerta sobre assaltos na saída da universidade em Joinville

17 de setembro de 2014 0

Preocupado com o que considera uma onda de assaltos perto do acesso à Univille e à Udesc, um pai enviou e-mail para a Redação do “AN” para relatar a violência sofrida por seu próprio filho, alertar a população sobre esta sensação de insegurança e pedir providências das autoridades policiais. Confira a seguir a íntegra da carta.

Sensação de insegurança
“Meu filho de 15 anos foi assaltado na última 6ª feira (12/9) vindo da Univille para casa, um trajeto de aproximadamente 1km onde transitam diversas pessoas entre estudantes de ensino fundamental, médio, universitário e diversos trabalhadores da região. A ocorrência se passou ao lado dos muros de uma das maiores empresas de Joinville.
Foi um assalto simples, sem maiores consequências, mas que vem se repetindo com bastante frequência. Ontem tivemos a notícia de outro evento envolvendo uma estudante que quase foi estuprada no mesmo trajeto.
Além dessas certezas temos a outra certeza de que a Polícia não está fazendo a sua parte preventiva. Após as ocorrências o atendimento é imediato, e no caso do meu filho conseguiram até prender um dos marginais, porém isto é o depois, nada é feito preventivamente, e há até um tratamento meio que de conformismo. Não se vê rondas na porta da Univille e da Udesc há muito tempo. Há local e horários que seria importante uma viatura em cima do canteiro para prevenção.”

Dirceu Mattos

AN Verde - Dia do Meio Ambiente: Refletir e agir

05 de junho de 2014 0

carangueijo
Em busca de tema para esta edição do AN Verde, uma situação saltou aos olhos: onde vão parar as carradas de resíduos gerados especialmente pelo volume de construções existente em Joinville?

Este é o propósito das reportagens e artigos deste caderno: trazer o tema ao debate, mostrar que a estrutura pública tenta engatinhar ainda no campo dos projetos e, sobretudo, a falta de consciência de parte da população na
destinação dos resíduos sólidos.

Há muito o que se fazer por um meio ambiente efetivamente saudável. Há grande campo no qual o setor público precisa atuar. Há, quem sabe, um nicho para a iniciativa privada investir e transformar também este lixo em riqueza. Há muito no que se avançar na educação por uma cidade melhor, livre de aterros clandestinos a ameaças a rios e mangues. Que as revelações, as preocupações e os debates aqui contidos sejam os passos iniciais para que o tema venha a ser tratado de forma prática com a urgência e a seriedade que merecem, como nos lembra sempre esta data dedicada à
reflexão sobre o meio em que vivemos.

Sobre o ódio na internet

10 de maio de 2014 0

Bem antes de um jovem suspeito de roubo ser preso a um poste no dia 31 de janeiro deste ano e desencadear a onda de justiceiros no País – já foram 20 vítimas em 2014, segundo a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) –, observam-se o discurso de ódio e a discriminação na sua expressão online. Amparados pela sensação de insegurança e descrença no Estado, muitos comentam, compartilham e disseminam a mentalidade punitiva via redes sociais.

O caso do espancamento de Fabiana Maria de Jesus, no Guarujá, na Baixada Santista (SP), é um exemplo de como estes discursos são constantes e irresponsáveis. Moradores da região teriam confundido Fabiana com a suspeita de sequestros de crianças na cidade. Havia uma foto de uma mulher parecida com ela circulando na web. E havia um boato. A mulher morreu por espancamento, mas não havia crime. Mesmo que houvesse, compete ao Judiciário diferenciar culpados de inocentes.

Nosso direito é questionar o poder público para que este dever seja cumprido por ele. A página no Facebook onde o retrato foi divulgado teria sido vista por muitos com credibilidade, porque é abastecida pelos próprios moradores e se confia no autor dela (hoje, seguidos por muitos, o usuário único também se torna um transmissor de conteúdo). E os comentários dos internautas podem ter sido o elemento extra para a mentira ter sido vista como verdade absoluta.

Nem precisa ir tão longe para observar esta postura. Em Joinville, o caso da jovem Mara Tayana Decker é um exemplo disso. Antes e depois de a comunidade tomar conhecimento do triste desfecho, Mara foi julgada por estar num bar, por sair de madrugada, como se essa explicação reducionista fosse o problema da violência. A mãe de Mara até recebeu mensagens de que a menina estaria na casa de um amigo. Infelizmente, eram boatos. A velocidade da informação faz com que tudo seja compartilhado e nada conferido. Esta rapidez da notícia, somada aos anseios por justiça, não pode ser justificativa para ecoar o fervor do ódio. E o caso é ainda mais grave quando ganha voz em veículos de comunicação, que têm como dever primário do jornalismo checar a informação e utilizar seus canais atuando como combatente da mentalidade violenta. A indignação precisa se manter viva no sentido de cobrar dos órgãos competentes.

Com o Marco Civil da Internet, aprovado em abril pela presidente Dilma Rousseff, o indivíduo que se sentir lesado com manifestações virtuais pode entrar com recursos contra o autor da mensagem, não o meio (o Facebook, neste caso). Contudo, as suposições, os comentários e os boatos dão lugar a outros com a mesma velocidade com que aparecem. A dor que eles causaram permanecerá nas famílias de Fabiana, Mara e tantas outras.

CAROLINA WANZUITA | EDITORA ASSISTENTE DE AN ONLINE

Concessão do poder de polícia aos bombeiros militares não pode ser ameaça aos voluntários

20 de março de 2014 3

A concessão do poder de polícia aos bombeiros militares não pode ser ameaça à atuação das corporações voluntárias. Essa condição, defendida por “AN” durante a discussão da legislação sobre o tema na Assembleia, em 2013, é repetida agora que o Tribunal de Justiça modificou dispositivo da lei. Com a alteração, o poder de polícia dos militares passa a valer também em municípios como Joinville, onde há convênio da Prefeitura com os bombeiros voluntários.

Assim, abre-se a possibilidade de atuação dos militares na cidade. A decisão não impede que voluntários continuem fazendo vistorias, mas defensores do modelo voluntário temem que essa “concorrência” com os militares esvazie a atuação de uma entidade perto de completar 122 anos. E isso Joinville não pode aceitar.

A defesa do modelo voluntário, por suas décadas de excelência em serviços prestados a Joinville, com maior economia e eficiência, não significa detrimento dos bombeiros militares, entidade que também cumpre importantes funções. O inusitado é preparar terreno para a atuação militar em cidades onde os voluntários dão conta do recado, enquanto existem municípios sem cobertura alguma.

O apoio incondicional à corporação criada em 1892, antes de qualquer iniciativa estatal, é fruto de uma cultura que também se identifica com o voluntariado. Por que tamanha ofensiva contra uma instituição exemplar? Chegou até a ser citado que os voluntários estavam atrás do poder de polícia, prerrogativa que nunca foi solicitada. Em Joinville, essa condição continuou sendo exclusiva da Prefeitura. E mesmo que a mudança na lei seja mantida, o trabalho dos voluntários não pode ser atrapalhado ou mesmo eliminado.

Dez presentes para Joinville ser uma cidade cada vez melhor

08 de março de 2014 2

Toda época tem seus desafios. Em 163 anos de história, Joinville acumulou conquistas. Mas também novas demandas. Sempre houve mais um degrau, sempre foi necessário dar mais um passo. Neste momento de festa, é importante valorizar o passado e celebrar o presente. Mas também é uma oportunidade de desenhar o futuro. De nos prepararmos para subirmos novos degraus, darmos novos passos, avançarmos.

:: Mural: Que prioridade você acrescentaria a esta lista? ::

Antes do exame das demandas, é preciso lembrar que Joinville sempre teve êxito na construção do futuro ao longo de sucessivas gerações. Em uma homenagem aos pioneiros, é preciso reforçar que talvez nenhuma época tenha sido tão difícil quanto a enfrentada pelos primeiros imigrantes. Havia uma cidade inteira a ser construída. Ao longo de mais
de um século e meio, cada época impôs novas exigências.

Mesmo em períodos recentes, como o final da década de 1990 e início dos anos 2000, havia temor quanto ao futuro econômico. Pois em pouco mais de dez anos, Joinville conseguiu criar 80 mil empregos, boa parte justamente na
indústria, contrariando previsões  de que o setor estava se esgotando.

A população universitária se multiplicou. Consolidou-se uma rede de serviços e lazer quase inimaginável poucos anos atrás – a Via Gastronômica é um ícone deste avanço, mas o fortalecimento do comércio nas principais vias dos bairros é o melhor exemplo desse novo momento.

A cidade se manteve atrativa para a migração. Um indicador econômico dá a dimensão do quanto a cidade mais populosa do Estado continua avançando: apenas entre 2007 e 2011, ano da última apuração do IBGE, o PIB do município passou de R$ 11,5 bilhões para R$ 18,8 bilhões, elevando Joinville do 31º para o 28º lugar no ranking das cidades mais ricas do Brasil.

Antes desta expansão, também havia uma nuvem de dúvidas e questionamentos sobre o futuro. Mas avançamos. É com essa confiança, baseada em histórico de êxitos – que, infelizmente, não contemplaram toda a população de forma equânime – que os desafios atuais precisam ser enfrentados. A lista é extensa, mas sempre é possível definir prioridades. São novos degraus, futuros presentes para a cidade que celebra 163 anos neste final de semana.

1) A ampliação da capacidade de atendimento do Hospital São José, em especial dos leitos de UTI, é uma das demandas mais urgentes na saúde pública. A ativação deverá ficar para o próximo ano, conforme acordo a ser fechado com o Ministério Público. Apesar do prazo razoável, o histórico de decepções envolvendo o Complexo Emergencial Ulysses Guimarães cobra vigilância permanente.

2) A tão sonhada e defendida eficiência da rede básica – os populares postinhos – ainda permanece um desafio, mesmo que o sistema tenha se capilarizado. Também nesse campo, a ampliação do Estratégia Saúde da Família – hoje cobrindo
um terço da cidade – precisa ganhar um senso de urgência que até agora não se observou.

3) A infraestrutura cobra investimentos pesados. Nos rankings de qualidade de vida, Joinville teve no saneamento
básico o indicativo que impediu melhores resultados, ainda que a performance nesse tipo de levantamento tenha sido
satisfatória. Mas se fossem levados em conta índices de pavimentação, por exemplo, a cidade não apresentaria um
desempenho tão bom. Só 60% dos joinvilenses moram em ruas pavimentadas. Em Florianópolis, o índice chega perto de 90%.

4) A mobilidade se transformou em uma questão crucial. Não há como ampliar a malha viária a ponto de atender ao exponencial crescimento da frota de veículos – mas Joinville não pode ficar parada. As duplicações da Santos Dumont e
da Dona Francisca, a instalação de mais vias exclusivas para ônibus e maior atenção às principais rotas da zona Sul devem entrar nesse esforço que Joinville não tem como resolver sem participação dos governos federal e estadual.

5) A ampliação da capacidade da BR-101 e a duplicação da BR-280 também são vitais para a infraestrutura de Joinville,
duas demandas que ficam na conta das pendências do governo federal, mas cuja solução depende do poder de fogo da nossa representação política e da articulação das nossas lideranças empresariais e comunitárias.

6) No aeroporto, há que se festejar a instalação do ILS, que está encaminhada. Mas há sempre o passo seguinte, que, no caso do aeroporto, é a ampliação da pista, uma forma da incentivar a instalação do terminal de cargas e de um distrito industrial.

7) Os 70 pontos de alagamento registrados na chuvarada de terça-feira lembram que a drenagem não pode mais esperar. Com uma conta de R$ 2,3 bilhões na bacia do rio Cachoeira, é uma intervenção cara, cuja participação federal é imprescindível. Em um tema correlato, a despoluição do rio Cachoeira representaria a redenção para uma cidade que conseguiu destruir o símbolo de sua fundação – afi nal, foi por ali que os primeiros imigrantes chegaram, há 163 anos.

8) No campo da educação, são inegáveis os avanços do ensino superior, o crescimento da rede de ensino técnico e a qualificação profissional. Mas nesse terreno, não há espaço para acomodação: é preciso subir novos degraus permanentemente. A universalização da educação infantil é a meta mais ambiciosa e prioritária.

9) A defesa do meio ambiente, que é, antes de tudo, a defesa do homem, precisa estar na agenda. O avanço sobre os mangues, ainda que restem extensas porções do bioma original, cobra um preço até hoje. Os 52 mil hectares de mata atlântica ainda intactos são um trunfo ambiental que não pode ser desperdiçado, assim como as áreas urbanas remanescentes.

10) Na segurança pública, a escalada de assaltos, furtos e outros tipos de violência impõe uma reação que Joinville não está conseguindo colocar em curso. As cobranças por mais efetivo das polícias Civil e Militar e de infraestrutura – como as prometidas novas câmeras de vigilância, ainda sem data para instalação – vão se repetindo ao longo dos anos e as respostas ainda são pífias. Os índices de violência até podem ser razoavelmente baixos em comparação com outras cidades do mesmo porte, mas conseguem servir de escudo contra uma realidade indiscutível: a sensação de medo e de insegurança que cresce entre os joinvilenses.

A lista dos desafios não tira o brilho dos avanços que construímos e conquistamos de 1851 até hoje e que tanto orgulham a todos nós, moradores de Joinville. Ao longo dos próximos anos, muitas destas demandas serão resolvidas, e outras novas vão surgir. Parceiro de 91 anos dos 163 que Joinville comemora neste final de semana, o jornal “A Notícia” renova os compromissos de dar voz às demandas da comunidade, de cobrar soluções, de celebrar conquistas e, principalmente, de propor reflexões que ajudem Joinville a escalar os novos degraus que nos levarão a uma cidade cada vez melhor.