"A questão crucial deste milênio está na educação. O Brasil ainda não fez a tarefa de casa. Se quisermos despontar como uma economia forte e próspera, precisaremos realmente sair da zona de conforto, ancorada por estatísticas oficiais.
Sem educação, um país é pobre e doente. País rico investe maciçamente no setor. Não por acaso, apenas 2% dos alunos de hoje querem ser os mestres de amanhã. Falta-lhes incentivo. Para mudar este quadro, as ferramentas da tecnologia e da internet são grandes aliadas. A começar pela possibilidade de integrar conteúdos dentro das fronteiras nacionais. O Ministério da Educação tem um papel fundamental neste processo. Pode capacitar os educadores a distância e assim uniformizar a qualidade da formação oferecida a milhões de estudantes em todos os níveis.
Aos professores também falta o acesso a fontes confiáveis a fim de que possam diferenciar modismos e falácias daqueles métodos realmente comprovados ao aprendizado do aluno. Melhores salários estão entre os agentes motivadores, mas não só: um contrato de gestão e resultados com base na meritocracia daria novo oxigênio à educação formal. Tem dado grande efeito nas empresas e organizações governamentais.
Com um corpo de educadores mais preparado da educação infantil ao ensino médio, o estudante terá mais chance de acompanhar as disciplinas nas universidades. Isso vale especialmente aos cotistas que estão acessando a academia e que frequentemente não têm conseguido alcançar uma boa performance devido aos problemas na base de sua formação.
Por que não promover uma forte política de incentivo para aqueles que são os grandes mentores da sociedade, nossos professores? Essa questão polêmica e importante exige novas respostas."
Gilberto dos Passos Aguiar, escritor e engenheiro
Florianópolis