
Na quarta-feira, dia 28 de março, o leitor Wilson Vieira Junior, de Joinville, enviou uma carta para o jornal A Notícia reclamando de ciclistas que não usam as ciclofaixas. Depois da publicação, a polêmica começou. Na cidade das bicicletas, amantes ou avessos à magrela continuaram, na edição desta quinta, a discussão.
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"Presenciei um fato não muito agradável. Alguns ciclistas de Joinville não sabem ou não querem ver as ciclovias e ciclofaixas. Uma ciclista estava na pista de rolamento na rua Tuiuti, perto da rua Senador Rodrigo Lobo, no Iririú. Aguardei por ela para mudar de faixa, quando resolvi baixar o vidro do carro e orientá-la que a ciclofaixa ficava do outro lado. Para minha surpresa, o comentário dela em tom de xingamento foi: “Ando onde eu quero”. Senti-me envergonhado pelo desconhecimento das pessoas pelas leis de trânsito e a ignorância dessa senhora. Então, aqui entre nós, um simples gesto de orientação se transformou em ódio por parte da ciclista. O trânsito é responsabilidade de todos e se torna calamitoso nem sempre por falta de avenidas e tal, mas, sim, de conscientização das pessoas que por elas trafegam. Wilson Vieira Junior
A repercussão já começou
A carta do leitor Wilson Vieira Junior sobre o comportamento de uma ciclista, que o respondeu de forma grosseira ao ser orientada a andar pela faixa exclusiva de bicicletas, é oportunidade para ampliar um pouco mais o debate e conscientização sobre a convivência dos diversos veículos e pedestres no espaço urbano. O leitor se disse envergonhado pelo desconhecimento pelas pessoas das leis de trânsito. Penso que ele não deveria se envergonhar porque não existe lei de trânsito que obrigue o ciclista a andar na ciclovia. O que deve existir é bom senso. O que a lei contempla é que os mais vulneráveis (no caso, pedestres, ciclistas) devem ter maior respeito que os mais blindados (no caso, carros, caminhões etc.). Todos concordam que trânsito seguro é responsabilidade de todos, notadamente dos que usam veículos motorizados, que ao longo dos anos se adonaram das ruas e se acham com razão ao darem fechadas em bicicletas, xingarem pedestres e abusarem de velocidade e manobras perigosas. Tem razão o leitor ao concluir que o trânsito se torna calamitoso menos por falta de ruas e avenidas e sim por falta de conscientização das pessoas. Wagner Baggio
"Moro no Floresta e trabalho no Saguaçu. Vou de bicicleta todas as terças e quintas-feiras e, sinceramente, repudio o comportamento da tal ciclista. Não concordo de maneira nenhuma que um ciclista invada o espaço dos veículos para trafegar, porém, gostaria que todos aqueles que reclamam que nós, ciclistas, invadimos o espaço dos veículos tentassem andar de bicicleta nessas pseudociclovias que temos na cidade. Tempos atrás, enviei fotos para a coluna “AN Portal” evidenciando as péssimas ciclovias em frente à Prefeitura, na Beira-rio e até hoje continua na mesma situação, se não pior. Para se observar o descaso do poder público com este assunto, temos a ciclovia que fica em frente ao Centreventos. O local foi interditado para a construção da ponte Charlot e durante todo o período não fizeram nenhuma demarcação ou barreira na Beira-rio para que os ciclistas trafegassem com segurança. Sem falar que aquela ciclovia tem buracos. E muitos. Certa vez, no Twitter, o prefeito falou que Joinville tem 84 km de ciclovias e ciclofaixas. Sinceramente, gostaria que ele de fato pedalasse pelas tais para dar o seu veredito sobre o que é um caminho pior do que o da roça, no passado. Não dá para admitir que a cidade, com a geografia que tem, com o trânsito insuportável e insustentável que está se tornando, apresente ciclofaixas ou ciclovias que envergonham o passado histórico de Joinville, que um dia chamou-se “Cidade das Bicicletas”". Reinaldo João Adriano