
Esta semana, o A Notícia recebeu uma bela carta, escrita pela leitora Mirtes Prachthäuser Fusinato, a mesma procurada por outro leitor nosso, do Rio Grande do Norte.
Nesta carta, ela procura por Dona Lelinha, uma professora que marcou a vidade muitos alunos da Escola Estadual Conselheiro Mafra. E fala da saudade do tempo "delicioso" em que passou por lá.
Leia abaixo o relato completo e emocionado de Mirtes. E mande o seu também!
"Maravilhosas as reportagens sobre o Conselheiro Mafra. Trazem muita saudade de um tempo delicioso da minha vida e de muita gente: o tempo de escola, de infância. Eu sou da geração que estudou na escola nos anos 60, mais exatamente de 1966 a 1969.
Mas a carta de um leitor na edição de quarta-feira trouxe ainda mais saudade, quando falou de sua primeira professora, dona Lelinha.
Ela também foi minha primeira professora, e eu a idolatrava. Então hoje fui procurar (e achei!) o meu “tesouro”: uma pasta com todas as “relíquias” que me levaram de volta a esse tempo lindo.
Encontrei os santinhos (alguém lembra o que é isso?) que ganhei durante o 1º ano X.

Eram o prêmio que a professora Lelinha dava mensalmente aos alunos que tinham as melhores notas. Tinham uma dedicatória e a classificação, 1º, 2º e 3º lugar, “ da Mestre e Amiga Lélia”.
Tenho também o prêmio que ela me deu como "recompensa pela aplicação” no final do ano, com data de 11.10.66: um livro de historinha, como se dizia na época, chamado 'O cãozinho delegado'.

Aliás, para mim, as melhores lembranças do Conselheiro Mafra são os livros de história que a gente tinha acesso uma vez por semana, na aula de leitura, quando a gente podia ler os livros da biblioteca. Era melhor do que a hora do recreio.
Tenho o “Álbum de Recordações”, uma coisa muito valiosa, que quase todas as meninas tinham na época: um livrinho (o meu é de capa dura vermelha) que entregávamos para as amigas e pessoas queridas escreverem uma mensagem, uma poesia.
Tenho a mensagem da professora Lelinha e das outras: dona Noeli C.Gomes (2º e 3º ano) e dona Astéria Schmidt (4º ano), bem como de muitas outras amigas. Cada página do livro era escrita na melhor caligrafia, com a melhor caneta e decorada com um desenho ou com um “decalquemania”, outra moda da época.
Tenho também meu primeiro caderno, escrito a lápis, onde cada tarefinha era corrigida pela dona Lelinha e colocada a nota: a mais esperada era o 10 com estrelinha! E o Caderno de Verificações, que era um cadernos de testes mensais, que o pai tinha que assinar para ficar ciente das notas.

O boletim do primeiro ano está um pouco danificado pelo tempo e manchado por um acidente doméstico(foi molhado pela fralda de um irmão menor), mas ainda dá pra ver todas as notas “10” , a média geral 10 e o nome completo da professora, Dona Lélia Fernandes Baptista. Assinado pela diretora Irma Terezinha Schmidt, claro!

Tenho ainda fotos daquelas que os fotógrafos iam fazer na escola, num pequeno cenário. Uma está numa capinha decorada e uma naquele tradicional binóculo, ou melhor, monóculo."
Hoje o coração transbordou de saudade!"