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Posts com a tag "Educação"

Jornalismo de sala de aula

06 de abril de 2013 0

Ao ler sobre o termo educomunicação, cheguei à conclusão de que o próprio jornal "A Notícia" poderia fazer sua parte. Por que não instigar alunos a desenvolver e criar redações interessantes como projeto de aula? Insistir para que conversem com pessoas, tirem suas curiosidades, desafiem a timidez.

Decidi, então, iniciar este projeto com os alunos do 9º ano da Escola Municipal Pastor Hans Müller. A escolha foi baseada no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2012. A escola do Glória teve a melhor nota nas séries finais em Joinville.

O resultado me surpreendeu. Pequenos detalhes nas redações, como análise da expressão dos personagens e as citações, chamaram atenção. Mas o que mais me deixou feliz foi a criatividade que muitos tiveram com o título, que facilmente poderia ser compartilhado em páginas do "AN". Além da parceria dos professores, que foram fundamentais para que este projeto saísse, literalmente, do papel.

Também descobri que é gostoso compartilhar qualquer tipo de conhecimento com crianças e adolescentes. Que falar sobre redação jornalística, minha área de trabalho, pode ser mais interessante e motivador do que se imagina.

Que este projeto tenha vida longa. Que o jornalismo e a educação continuem me inspirando e inspirando os estudantes de Joinville.

Na edição conjunta deste fim de semana, AN traz uma matéria especial sobre educomunicação. Confira a seguir as redações da turma da escola Pastor Hans Müller e delicie-se com a leitura.

Caroline Stinghen

Murilo Galvani Machado: Infância no Interior

06 de abril de 2013 0

A dona de casa Lucilene Vieira Galvani Machado, de 43 anos, conta que é impossível esquecer São José do Cerrito (SC), cidadezinha pacata, sem muitos habitantes, na qual passou toda a sua infância. Lembra muito bem dos campos em que brincava com seus cinco irmãos, as brincadeiras não duravam muito, pois tinham que ajudar seu pai na lavoura e ainda ajudar a limpar a casa, junto com sua mãe e sua irmã.

A sua infância foi muito simples, sem luxo algum. Não tinha brinquedos industrializados, mas usavam a criatividade, a imaginação para criar brincadeiras e brinquedos. “Nos divertíamos muito!” conta Lucilene. O brinquedo que ela e seus irmãos mais construíram foi o carrinho de rolimã.

Além disso, adoravam brincar de esconde-esconde, de andar a cavalo. Ela recorda que certo dia, decidiram descer um morro dentro de pneus. Todos se machucaram muito. “Outra diversão era ir à escola”, recorda Lucilene. “O percurso era longo, mas não me cansava, tinha muito ânimo para aprender algo novo.

As séries iniciais estudavam em uma sala só, isto dificultava prestar atenção no que a minha professora dizia.” Ela se lembra do dia em que o Exército Brasileiro chegou a sua cidade para fazer treinamento. Teve a oportunidade de entrar em um helicóptero e saber como funcionava, com apenas 12 anos.

Hoje, ela não está feliz com as mudanças no município, na questão econômica. Mas conta que o povo é muito bom, pessoas de bem com a vida, honestas, felizes, onde todo mundo se conhece. “Tenho saudade daquele tempo!”, falou.

Ana Carolina: Traebert Infância entre os morros

06 de abril de 2013 0

“Minha vida inteira foi só trabalho, nunca tive moleza e acho que é por isso que não consigo parar de trabalhar” diz Lony Traebert, hoje aposentada com 63 anos, mas que ajuda seu filho mais velho a entregar pão. Todos que já viveram em um sítio na época em que não havia energia e os carros eram poucos, sabe que não é fácil.

Lony Traebert a única filha mulher de seus pais. Vivia em um lugar em que os vizinhos mais próximos estavam a três quilômetros e era cercado de mata virgem e morros. O sítio era bem grande com lagoas repletas de peixes e marrecos. Havia plantação de arroz, batata, aipim, mandri, taiá, japão e abacaxi.

Assim como o enorme sítio, o trabalho também era enorme. Desde os oito anos de idade Lony ajudava os pais nos afazeres da casa e ia para a roça.O que ela mais gostava era de vender abacaxis com seu irmão de casa em casa, mas eles não voltavam antes de terem vendido tudo.

Todo esse trabalho cessava aos domingos e feriados. Ela, seus irmãos e vizinhos brincavam de pega-pega, esconde-esconde, brincavam com seus cachorros e de corridas. Andar de bicicleta, Lony só havia aprendido com 12 anos, pois um vizinho a ensinou. “Ele subiu na garupa da bicicleta, eu fui pedalando e só paramos dentro do poço” comentou Lony.

Na época, sua escola oferecia até a quarta série e como as outras escolas eram longe e particulares, seus pais não tinham condições de oferecer para seus filhos mais estudos, então só estudaram até aí. Seu primeiro trabalho fora do sítio foi como babá e empregada doméstica aos 11 anos. Cerca de um ano e meio depois, seu irmão Osmar faleceu. Ela então abandonou o emprego. Quando tinha 13 anos, seus pais venderam todas as terras. Hoje ela é casada, têm dois filhos, três netas e muita saudade de sua vida no sítio.

Caio César Baumer: Uma aventura no Monte Crista

06 de abril de 2013 0

Meu avô em um dia comum resolveu ir acampar com dois amigos no Monte Crista, em Garuva. Preparam as malas, lanternas e um lampião. Subiram. Era uma trilha muito estreita, com muita lama e muito escorregadia. Uma subida de sete horas. Quando chegaram ao topo, armaram as barracas, prepararam a fogueira e o jantar.

Depois de algum tempo, a fogueira começou a ficar sem lenha, meu avô com a lanterna foi buscar lenha para passar a noite. Sua lanterna quebrou, teve que usar o seu lampião para buscar mais lenha. Chegou no seu acampamento, a fogueira já tinha apagado e os fósforos tinham acabado, teve que usar sua faca e sua pederneira, ficou batendo até sair faísca.

No outro dia, na volta para casa acabaram se perdendo na mata fechada, por fim acharam um rio que levava até o final da trilha, finalmente encontraram o caminho para a casa. Colocaram as coisas no carro e seguiram viagem.

Leonardo Krüger Dias de Menina

06 de abril de 2013 0

Ela, Regina Krüger, tem 74 anos, mora na casa que era de seus pais, na cidade de Joinville. Antes ela morava no sítio, no bairro Vila Nova. Era um excelente lugar para morar, bem calmo, com muitos pássaros e bons vizinhos. Eram em quatro irmãos, três meninas e um menino. Infelizmente dois já morreram, sobrando somente ela e sua irmã gêmea.

Seu pai era um professor, que dava aula em alemão. Sempre dizia que a escola e a igreja tinham que andar de mãos dadas, porque serviam para a educação e para aprender a importância da vida. A rotina era sempre a mesma, de manhã levantavam cedo e ajudavam a sua mãe a tirar leite das vacas e depois tomavam café - que era muito gostoso. Tinha queijo, manteiga, leite, melado ou "muss”.

Depois do café delicioso era hora de ir à escola. Tinham um horário para brincar e também para ajudar os seus pais, para aprender a trabalhar. Seus vizinhos eram especiais, como eram os menores, os adultos gostavam muito deles. Muitas vezes convidavam-lhes para brincar. Todos tinham um enorme quintal com muitas frutas que podiam comer a vontade. Mas tinham um horário para estar em casa, às 18 horas. Caso contrário, ficavam de castigo.

Regina gostava muito de pescar, subir nas árvores, dos cavalos, das galinhas e seus pintinhos, os patos nadando no pequeno rio que tinha no quintal, das vacas e seus bezerros. Gostava de brincar de pega-pega, esconde-esconde, a famosa "roda-cutia", brincar de boneca nas casinhas que faziam com folhas em um bambuzal, pular corda, jogar "peca" (bolinha de gude), jogar peteca e adorava bater nos morcegos com varas de bambu nas noites iluminadas pela lua e pelas estrelas "Era muito divertido", disse.

Gostava também de andar de carroça com o seu pai quando iam ao centro para vender suas mercadorias. Sua família lhe tratava muito bem. Seus pais eram pessoas especiais, eram muito religiosos, com muitos testemunhos que serviram para sua educação na vida e na fé. Sente muita falta dos seus pais, da sua infância, dos dias de brincadeira e de aprendizado, mas sabe que um dia tudo tem que acabar.

Ana Paula Núñez de la Rosa: Vocação sem fronteiras

06 de abril de 2013 0

O ensino da língua portuguesa é algo que nasce com a história do nosso país. Tânia da Silva é docente há mais de 20 anos e já viveu experiências que muitos outros nem imaginam. Estudou e se aperfeiçoou em sua área, mas até onde chegou essa catarinense?

Tânia nasceu em Ipira, e desde menina gostava de acompanhar suas tias às escolas onde ensinavam. Interessou-se cada vez mais pelo ensino da língua portuguesa e descobriu sua vocação sendo muito jovem. “Quis me aperfeiçoar no ensino da língua portuguesa, pois sempre gostei muito do mundo das letras”, disse Tânia.

Ensinou em escolas de ensino fundamental, onde viveu experiências muito gratificantes, desde alfabetizar os alunos até obter um interesse maior pela sua própria língua. Mas a sua maior realização foi a partir de 1993, quando foi para à Argentina. Foi uma experiência totalmente nova e diferente. Trabalhou com o ensino de português para estrangeiros, dando aulas em faculdades. O ensino da língua portuguesa estava sendo implantado nesse país, faltava material didático, o que a forçou a ter que elaborá-lo, culminando na publicação de dois livros didáticos.

Durante esse tempo, identificou-se com o ensino de português para estrangeiros e acredita que essa tenha sido a maior experiência de sua vida. A professora, que foi referência da língua portuguesa na cidade em que morava, conta que seu trabalho no exterior teve bons frutos e que se sente muito bem, pois transmitiu a seus alunos não só a sua própria língua, como também a cultura do povo brasileiro. Após 18 anos no exterior, regressou ao Brasil e está morando na cidade de Joinville.

Diz que tem grande expectativa de poder continuar ensinando e transmitindo todo o conhecimento que possui pelas experiências vividas em todos esses anos de trabalho.

Daniel Francisco: Do Inesperado ao Sucesso

06 de abril de 2013 0

“Nunca havia pensado em trabalhar no ramo de corretora de imóveis. Em toda a minha vida profissional, atuei em empresas.” diz Bernardete Maria Carone Anhelli de 56 anos, hoje uma das proprietárias da Carone Imóveis, atuante em Joinville desde 2006 quando chegou de São Paulo (SP).

Filha de comerciantes imigrantes italianos, Bernardete sempre gostou de se relacionar com as pessoas, característica importante neste ramo. Desde pequena, pensava em ser veterinária, porém sempre carregou o sangue de comerciante nas veias, o que a fez mudar de ideia.

“O gosto por essa profissão veio por uma correspondência por mala direta que recebi para uma entrevista. Eles ressaltavam pontos positivos e importantes na atuação direta com as pessoas e os seus sonhos. Fiquei empolgada com esta possibilidade e dei início imediato as atividades.

Em seis meses estava com minhas credenciais para atuar em todo o território nacional,” afirma. Já em Joinville, iniciou atuando em uma imobiliária local, e hoje tem seu próprio negócio junto a irmã e sócia, Ana Maria Carone, confirmando ser este a realização do seu sonho pessoal.

Tem como meta expandir seus negócios sempre voltada ao respeito social, buscando a realização desses sonhos com segurança e competência, procurando sempre a parceria de profissionais capacitados em suas respectivas áreas. “Meu slogan é : A atenção que faz a diferença”, salientou.

Matheus Leitzke: Um esforço que valeu a pena

06 de abril de 2013 0

A moradora de Joinville, Melania Fritzke Leitzke, 64 anos, teve uma difícil infância, as marcas ficaram, e, essas não passarão. Em uma humilde casinha de tábuas, pequena e aconchegante, nasceu e viveu lá até os dez anos de idade. Tinha ao todo nove irmãos: sete mulheres e dois homens.

Todos ajudavam, e com maior prazer, nos afazeres do lar: tratar os animais, limpar a casa, ajudar na roça entre outras tantas tarefas. O que ela mais gostava era de ir à escola. Ah, como adorava a escola. Mesmo sendo obrigada a sair dela na terceira série, sempre gostava da severa professora, cujo nome lembra até hoje: Woles.

Por mais que usasse aquela dura régua de madeira para bater e os grãos de milho, sempre teve uma ótima vocação. Ainda sim, tudo que é bom, dura pouco, e, foi obrigada a sair de casa aos dez anos de idade, pois seu pai havia falecido e havia uma alta dívida com o hospital.

Sua mãe lhe mandou embora para que ela cuidasse do bebê que havia nascido da irmã mais velha, e depois de lá, cada vez que mudava de casa, era porque um bebê novo nascia na família, e sobrava para ela cuidar deles. Além de cuidar de bebês, também havia mais afazeres como o trabalho na casa e na roça.

Começou a trabalhar fora, como empregada doméstica aos 16 anos, quase conseguia se sustentar, mesmo assim, dava a maior parte do dinheiro à sua mãe até quando se casou, para que com esse, ela conseguisse pagar a dívida no hospital. “Realmente não foram dias fáceis, ainda sim, tenho saudade de cada momento vivido naquela época, da escola e do trabalho dos irmãos e da casinha, só sinto pena mesmo da geração de hoje em dia, pois infelizmente, nunca terão memórias como as minhas”, relatou Melania.

Ohana Natasha Pitta: Um teatro marcante

06 de abril de 2013 0

Dizem que todos tem uma infância marcante! A massoterapeuta Simone Rebelo, de 44 anos, conta que a sua foi inesquecível. Era uma criança comum, gostava de correr e brincar com suas amigas.

Alimentava o sonho de ser massoterapeuta. Simone fala que era muito paparicada pelas professoras por sua dedicação o que a levava a ter notas altas nas matérias que gostava, que eram matemática e ciências. Depois, perguntei o por quê de uma infância marcante e Simone respondeu: “Porque fiz uma apresentação no teatro municipal de São Paulo para o jornalista Cid Moreira.

O jornalista pediu para eu tirar uma foto com ele, falou que eu ia ter um ótimo futuro, por isso marcou minha infância.” “Muitas vezes coisas que acontecem na nossa infância nos marcam para toda a vida”, diz Simone.

Ana Gabrielle Neves de Oliveira: Joinville por outros olhos

06 de abril de 2013 0

Jacquelyne Ferrareto, 24 anos, é mais uma entre muitos brasileiros que se mudam de metrópoles para cidades menores. Jacquelyne morava na cidade de São Paulo e no ano de 2012 se mudou para Joinville. Ela nos conta os pontos positivos e negativos da mudança, e as primeiras impressões que teve da nova cidade. Jacque, como os amigos a chamam, relata que no começo foi estranho.

São Paulo tem sempre muita gente correndo, apressada. Aqui, "tudo é bem diferente" . " O trânsito, principalmente, me impressionou. É muito calmo", observa. Ela diz que a violência também é outro fator relevante, já que esta vem crescendo a cada dia em nosso país.

Nas grandes cidades, já se tornou parte da rotina o medo constante que as pessoas têm de serem assaltadas. "Isso foi um alívio quando cheguei aqui." declara. Mas essas são as vantagens de se viver em uma cidade menor. Uma das desvantagens, por exemplo, é a falta de opção no quesito de lojas, restaurantes, shopping. "É claro que em uma capital se tem uma enorme variedade. Você pode escolher onde quer comer, comprar, pois sempre tem opções de sobra". Outro ponto negativo é a ausência da família.

"O que mais sinto falta, sem dúvida, é da minha família. Sempre fui muito apegada a minha mãe" destaca ela. Apesar do impacto e das dificuldades iniciais, Jacquelyne fala que já se acostumou com o ritmo de Joinville. "Já sinto até saudade daqui, quando vou a São Paulo", brinca. Ela ainda afirma que o joinvilense é privilegiado em viver em um local com tanta natureza, próximo de praias e serras e ainda tão calmo para se viver.