Pauta de Márcia Valério Alacon
Quando a primeira edição de “A Notícia” foi impressa, Joinville era uma pequena cidade de origem alemã de pouco mais de 20 mil habitantes e Orlandino Pereira do Nascimento tinha um mês de vida. Hoje, o ex-tenente reformado do Exército tem 89 anos – assim como o jornal que ele lê diariamente para acompanhar as mudanças pelas quais passou a cidade, atualmente com mais de 500 mil habitantes.
Nascido em 25 de janeiro de 1923, em Foz do Iguaçu (PR), Orlandino veio para Joinville em 1950 para servir ao então 13º Batalhão de Caçadores, atual 62º Batalhão de Infantaria. Foi pelas páginas de “A Notícia” que ele conheceu mais a cidade que adotou como sua.
Ao chegar a Joinville depois de passar por batalhões paranaenses, Orlandino se encantou pela cidade e por uma moça chamada Jessie de Menezes. Foram casados por 50 anos, até a morte dela, em 2002. Pai de dois filhos, avô de cinco netos e bisavô pela terceira vez, Orlandino agora vive no Lar Betânia. Habilidoso ao violão, assim que entrou no Exército Orlandino foi destacado para tocar na banda. “Um oficial me reconheceu como ‘o rapaz da turma que fazia serenatas para as meninas’”, conta. Sorte de Orlandino, que ficou longe das trincheiras da guerra que enchia com alarme as páginas de “AN”.
Com a banda, ele se apresentou em eventos que acabaram retratados em “A Notícia”. Considerando que Orlandino chegou a Joinville em 1950 e se aposentou em meados de 1974, ele deve ter participado de pelo menos 23 desfiles de Sete de Setembro e outros 24 de aniversário da cidade.
Naquela época, o jornal era em preto e branco, standard (de páginas mais compridas). Basicamente por meio dele Orlandino se informava durante a ditadura militar. Naquela época, a repercussão das notícias se dava pelo boca a boca nas praças, mesas dos bares e sociedades. Hoje, o jornal é colorido e esta reportagem poderá ser lida e comparilhada pela internet, por meio das redes sociais.
Muito mudou, mas um fator se manteve: o valor da informação. Para Orlandino e outros leitores assíduos de “AN”, viver sem saber o que ocorre na cidade e no mundo não teria a menor graça.
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Alice Klüger, que nasceu em Blumenau, mas mora em Joinville desde os 25 anos, completou 89 anos em 2012, assim como “A Notícia”. Mas não é só a idade que ela e o jornal têm em comum. Durante muito tempo, ambos tiveram também o mesmo código de endereçamento postal (CEP). Alice morou por cerca de 45 anos na rua Caçador, no bairro Anita Garibaldi, e viu a atual sede do jornal ser construída e inaugurada, em janeiro de 1980.
“O terreno onde construíram a sede do jornal era baldio e teve de ser aterrado, como muitos outros na região, que era cheia de mato. A rua não tinha nem calçamento”, conta Alice, que ao longo dos anos acompanhou o crescimento de Joinville e do jornal de perto.
“A gente acompanhava a movimentação das equipes de reportagem e dos caminhões carregados de papel saindo e entrando no jornal. Conversando com os jornalistas, ficávamos sabendo da notícia antes de ela ser publicada”, conta Alice, que hoje mora no Ancionato Bethesda e continua lendo o jornal para se manter informada.
“Gosto de saber o que está acontecendo na cidade. Meu marido gostava de ler as notícias de política”, relata. “Lembro de uma vez em que encontraram uma jararaca enorme no terreno do vizinho. Chamaram um repórter para fazer matéria e a fotografia da cobra saiu no jornal”.
Ela, o marido, Fredonlin Hardt, com quem foi casada por 39 anos, moraram em uma casa em frente ao jornal. “A gente tinha um ‘secos e molhados’ no Bom Retiro e as conversas sempre eram as notícias que saíam no jornal”, conta. Depois, o casal, junto com o filho, Nelson, mudou-se para outra casa na mesma rua, ao lado da Rodoviária Harold Nielson, onde mantiveram uma banca de jornais.
Por essas e outras, a relação de Alice com o jornal é tão íntima que ela fala do “A Notícia” como quem fala de um vizinho querido, a quem deseja os parabéns por mais um aniversário. A data também ficará marcada em sua memória como o dia em que ela saiu pela primeira vez em um jornal. Situação que forçará Alice a lidar com a fama repentina e a popularidade entre os amigos do lar de idosos, brincou a senhora.
