
“Nova esperança para a BR-280”. Foi com esta manchete estampada na capa da edição da última segunda-feira que “A Notícia” definiu o ato de lançamento do edital de duplicação de um trecho de 14 quilômetros da rodovia. Uma esperança principalmente de que a decepção não se repita. Afinal, se os planos originais do governo federal tivessem se transformado em realidade, pelo menos alguns dos trechos entre Jaraguá do Sul e São Francisco do Suljá estariam hoje com pista duplicada.
Como o prazo de conclusão dos três lotes – que totalizam 74 quilômetros – é estimado em três anos, hoje já seria possível transitar em pista dupla, ainda que parcialmente, se a promessa feita em maio de 2008 pela então ministra da Casa Civil e hoje presidente Dilma Roussef tivesse sido cumprida. Naquele mês, a então ministra participou de um “Painel RBS” em Joinville para discutir os gargalos de infraestrutura de Santa Catarina. E diante de lideranças empresariais e políticas que lotaram o Teatro Juarez Machado, comprometeu-se com a abertura de licitação até outubro daquele ano.
Naquele momento, seria de um pessimismo extremo imaginar que mais de quatro anos depois não haveria sequer uma máquina trabalhando na obra. A importância do empreendimento foi reconhecida publicamente, o projeto estava em elaboração e havia um cronograma, ainda que mínimo. Pois ganhou a aposta quem adotou uma postura mais cética e duvidou. A concorrência acabaria sendo aberta somente em 2010 – mas foi cancelada duas vezes por diferentes motivos.
Espera-se que o relançamento da concorrência, no auditório da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul, seja definitivo e para valer. Com o propósito de prevenir uma nova decepção, “A Notícia” conclama lideranças políticas, empresariais e sociais de uma região que concentra 20% do PIB de Santa Catarina a se manterem atentas e vigilantes mais do que nunca.
É preciso colocar um ponto final neste histórico de desilusões a respeito de uma estrada de uma região que produz 33% das exportações do Estado. Na solenidade da última segunda-feira, os ministros Paulo Sérgio Passos (Transportes) eIdeli Salvatti (Relações Institucionais) fizeram questão de mostrar o edital publicado no “Diário Oficial da União”.
Publicação oficial é uma garantia importante, mas nunca foi absoluta. É preciso, portanto, vigiar para que não apenas a concorrência do trecho entre Guaramirim e a BR-101 seja feita dentro do prazo; é fundamental garantir o lançamento dos editais dos lotes restantes até o fim do ano.
Também há necessidade de definição imediata em relação à ponte sobre o canal do Linguado, obra que também terá um edital específico. O Linguado envolve complexas questões ambientais, ainda não esclarecidas na ação do Ministério Público Federal que propõe a abertura do canal. É preciso estarmos atentos para evitar interrupções na obra mais adiante. A complicada conclusão do trecho Sul da BR-101 é um exemplo próximo e contemporâneo o bastante para ser ignorado.
Como um dos motivos responsáveis pelo atraso na reabertura da concorrência foi a exigência da presidente Dilma para que houvesse um projeto executivo da duplicação, espera-se que o detalhamento mais apurado da obra contribua para evitar percalços e ajude no andamento mais rápido dos trabalhos. Mas sem vigilância nem cobrança, o Norte catarinense corre o risco de enfrentar novos dissabores.
Vale lembrar que não fosse a mobilização política e empresarial de maio deste ano, quando uma comitiva da região participou de audiência no Ministério dos Transportes, talvez os editais só fossem para a rua em 2013. E a sonhada duplicação ficaria para uma data ainda mais distante. Com mais mortes em acidentes, mais prejuízos econômicos com atrasos de transportes de carga e mais obstáculos ao desenvolvimento do turismo da região.
Ainda neste ano, a BR-280 foi fechada momentaneamente em protestos contra atropelamentos em Araquari. Duplicação também é vida. Desde maio de 2008, quando foi feita a primeira promessa de duplicação, até este mês de setembro de 2012, o trecho a ser duplicado registrou nada menos do que 3.876 acidentes, com a perda de 88 vidas. Só isto já seria sufi ciente para sensibilizar o governo federal a honrar sua palavra.
A BR-280 duplicada será um reforço para o desenvolvimento turístico de São Francisco e Barra do Sul. A BR-280 qualifica a logística, a ligação com o cada vez mais fundamental Porto de São Francisco. Com mais uma pista na rodovia, tornam-se ainda mais importantes os investimentos nos berços de atracação e na ampliação do calado.
A BR-280 duplicada reforça um eixo de desenvolvimento, atraindo mais empresas para o Norte, região valorizada pelos investimentos da GM e prestes a receber a confirmação da BMW. É difícil encontrar outra obra de infraestrutura que hoje tenha mais relevância e seja capaz de trazer tantos benefícios para a região Norte do Estado quanto a duplicação da BR-280.
Repousa aí a unanimidade em torno da necessidade e urgência do investimento. Em tarefa alinhada à sua atuação comunitária, “AN” tem erguido a bandeira pela duplicação da BR-280. A cada lançamento de edital, mesmo sem deixar de lembrar as frustrações anteriores, este jornal festeja a esperança de que desta vez é para valer.
Foi esse o tom da cobertura da solenidade da última segunda-feira. E é com essa confiança que se espera o cumprimento dos prazos e o fim definitivo das pendências restantes. E que o lançamento dos editais de duplicação – tanto da BR-280 quanto da BR-470, na região do Blumenau – a duas semanas das eleições municipais não passe de uma simples coincidência do calendário.