Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Perdi...

08 de junho de 2010 0

Não foi desta vez. Apostei em Joseph Altuzarra para melhor “novo designer de moda feminina” para o CFDA Awards _ o prêmio do Conselho de Designers de Moda da America (Council of Fashion Designers of America), revelado ontem à noite, aqui em Nova York, no Alice Tully Hall do Lincoln Center. Jason Wu foi o grande vencedor. Merecido, justo, mas muito pouco surpreendente.

Wu ja está com seu nome ao vento há algumas temporadas. Tudo por conta da admiração da primeira-dama e trend hunter Michelle Obama.

As indicações já eram boas (Wu, Altuzarra e Prabal Gurung), então, quaisquer deles no pódio me faria feliz. Mas ainda assim, apostava em Altuzarra. Sabe por quê? Pra mim, Wu já é parte do line up oficial da moda. Apresenta-lo como novo talento, novo designer, novo nome, me incomoda um pouco. Mas vá lá. O prêmio principal foi para Marc Jacobs, pra mim, sempre, o melhor do mundo. Mas que não foi o mais surpreendente nesta temporada.

Enfim, pra que esperar por surpresas?

O carrossel da moda se apresenta com tanta antecedência, as ideias chegam nos noticiários tanto tempo antes de chegar nas vitrinas, o calendário mundial perdeu a linearidade há tanto tempo que surpresa, na moda, é coisa que não se usa mais…

Hello Dolly

31 de maio de 2010 1

Fácil, fácil ser surpreendido em Nova York.

Se falarmos em estilo, então: presente novo a cada rua, a cada bloco.

Pois agora as meninas de Manhattan me aparecem com essa: meia de babados, como aquelas de bebês, usadas com sapatos pesados.

     

Já tinha visto duas por aí e ontem, no mesmo dia, vi mais duas.

Vale usar com abotinados, sandálias de solado grosso e tiras largas e a aposta trendie: com oxford _ aquele sapato de couro, com a costura contornando o cadarço (foi parte do uniforme da universidade inglesa, por isso o nome…).

Boys meet girls again…

Mas confesso que a primeira coisa que me veio à cabeça foi minhas irmãs, Didi e Kaká, dançando sapateado com vestidinho rodado, sapato preto e meia de babados. ” I said Hello, Dolly…”

Disneyland District

13 de maio de 2010 0

O Meatpacking District é daqueles fenômenos urbanos que a moda ajuda a construir. Samantha Jones, do Sex and the City, já morava lá nas primeiras temporadas do seriado. Gente bacana do fashion business também começou a se aprochegar por ali, como Stella Mc Cartney, Alexander Mc Queen, Diane Von Furstenberg. Até o brasileiro Carlos Miele instalou seus cabides por lá. The Standard Hotel, um dos hotéis mais in de Manhattan, tá erguido ali, olhando para o Rio Hudson.

Foi então que, uma tradicional zona de depósitos e mercados de carne se tornou o hot spot de uma cidade que tem engarrafamento de hot spots.

Pois então, todo esse papo para lembrar um dos lugares mais charmosos da maçãzona, o restaurante Pastis. Na vizinhança desde 1999, quando só os mais descolados conheciam a região, é daqueles lugares que tem sempre paparazzo na porta, com o foco pronto para a chegada repentina de uma celeb qualquer. E sempre tem.

O lugar, de inspiração francesa, foi o escolhido de Guillaume Henry, diretor criativo da Carven, para uma entrevista para a Vogue America. O estilista, francês, se saiu bem quando perguntado se o Pastis o lembrava Paris. “Talvez Paris em um filme da Disney”, respondeu, dando a melhor definição de todos os tempos para o lugar.

Lagerfeldices

10 de maio de 2010 0

 Da série: “coisas que só acontecem em Nova York”… (como quando eu me fiz de doida e comecei a dançar com a Madonna em um club, como se eu fosse da turma dela)

Tava eu na loja da Chanel na Spring St., no SoHo, tentando entender a mecânica da saia de tweed estruturada da coleção de verão quando eu vejo um senhor perguntando se a encomenda já tinha chegado.

Foto Márcio Madeira, divulgação

Minutos depois surge o vendedor com uma snowboard de madeira natural e uma caixa com as botas para encaixar na prancha, brancas, lindas.

Fico ali, parada, me imaginando nos alpes austríacos carregando uma prancha daquelas quando ouço a maravilha:

_ Agora que a temporada de neve já acabou, minha filha pediu esta outra prancha. Ela já tem a preta, mas disse que essa, cor de madeira, combinava melhor no quarto dela.

Considerando que cada pranchinha custa US$ 2750, acho justo a menina ter as duas cores, não?

Nossa, há quanto tempo...

23 de abril de 2010 1

Ih gente, foi mal ai mesmo. Ando tão enlouquecida com o tanto de coisas pra fazer aqui em NY que o blog andou meio (pra ser delicada…) abandonadinho ultimamente.

O pessoal tem me pedido pra falar um pouco sobre o curso e sobre as coisas que eu tô vendo em aula. Então decidi traduzir alguns textos que eu fiz pra publicar aqui. Mas antes vou postar um video de um bate-papo que eu tive com a Katia Suman, na quarta à noite, durante o Camarote TV COM. Só pra recomeçar…

Aperta o play, baby:

New kids on the (fashion) block

29 de março de 2010 3

Prometo que não vou fazer a dancinha do “I Told You So”, mas que eu avisei, eu avisei.

Depois das indicações para o CFDA Awards, prêmio badalado do Council of Fashion Designers of America na última semana, a profecia se comprova: a cara da nova moda feita nos Estados Unidos tem olhinhos puxados.

Não é de hoje que eu venho pensando (e falando para vocês) na coincidência (feliz, feliz) do boom de estilistas de origem asiática no mercado da América.

Eles são novinhos, encararam o desafio de uma marca própria cedo e respondem ao que o mercado anda perguntando há tempos: como costurar novidade sem parar a caixa registradora da loja.

 

      

Em uma das categorias mais aguardadas do prêmio _ dos concorrentes a melhor jovem estilista _ está Jason WuJoseph Altuzarra e Prabal Gurung (na ordem, nas fotos acima), que parecem ter bebido da mesma água na infância.

Michelle Obama os adora. Anna Wintour também. As principais estrelas de Hollywood têm desfilado suas criações pelos tapetes vermelhos por aí com o maior orgulho.

O vencedor da corrida a gente só vai conhecer dia 7 de junho, na entrega da premiação.

Eu voto em Altuzarra, mas qualquer um dos bonitinhos no topo do pódio me fará muito feliz.

 

Espia só como eles são legais:

 

 

JASON WU |    Quem, aos 27 anos, veste primeiras-damas no baile de posse do marido com a desenvoltura de Jason Wu? O chinês nascido em Taipei, Taiwan, estudou no Canadá e nos Estados Unidos até se instalar em Nova York. O andrógino estilista começou a se inspirar desenhando roupas de bonecas, e aos 17 anos era o diretor criativo da Integrity Toys. Em seguidinha foi chamado para ser estagiário de Narciso Rodriguez.

Em 2006, Wu apresenta a primeira coleção com sua assinatura, na semana de moda de Nova York, e vem derretendo o coração de público e crítica desde então.  Ele é craque em desvirtuar o estilo lady-like. Para o inverno 2010/2011, Wu diluiu a feminilidade e a leveza dos seus vestidos com um toque de masculinidade na inspiração, aumentando os contornos e as proporções.

www.jasonwustudio.com

 

 

JOSEPH ALTUZARRA |    Há um ano, aos 24, Joseph Altuzarra pisava na passarela americana com a sua própria etiqueta, depois de passar pela Maison Givenchy, Proenza Shoulder e por um estágio de seis meses com Marc Jacobs. Nascido e educado em Paris, nadou contra a maré e escolheu o mercado americano para se estabelecer. E em menor tempo que a duração de seu primeiro desfile, conquistou as it girls nova-iorquinas.

Altuzarra fala de sensualidade em suas coleções, e consegue mostrar a abrangência do conceito. Para o próximo verão, desenhou em branco e bege peças decotadas e fluidas, rasgadas, assimétricas. Para o inverno 2010/2011, tingiu tudo de preto e apertou a silhueta, usando couro e pele em contornos justos. Ajustados ainda mais por bem-localizadas fivelas.

É a consciência da forma do corpo feminino que faz toda a diferença em sua produção.

 

www. josephaltuzarra.com

 

PRABAL GURUNG |    Ele nasceu em Singapura, cresceu em Kathmandu, no Nepal, começou sua carreira em Nova Dehli, na India, faz sucesso entre as bonitas de Hollywood, mas é de Nova York que ele controla sua produção. O querido de Demi Moore, Zoe Saldana e Rachel Zoe já foi estagiário de Donna Karan, trabalhou na equipe de design de Cynthia Rowley, foi diretor criativo da Bill Blass e desde a primavera de 2009 dirige sua própria marca _ e desde então desfila durante o Mercedes-Benz Fashion Week.

Ah, até 2012, ele faz parte do programa CFDA Incubator, em que o conselho de moda de Nova York paga parte do aluguel do studio e outros incentivos financeiros para que 12 estilistas possam se estabelecer em Manhattan.

www.prabalgurung.com

 

 

 

Confira todos os indicados ao CFDA Awards em

www.cfda.com

 

Apostas: roxo no vermelho

10 de março de 2010 5

Semana de Oscar e a turma da moda fica toda ouriçada. Não tem outro assunto que não seja quem (e como) pisou no tapete vermelho.

Ainda mais interessante do que as apreciações sobre os vestidos da noite que se desdobram pelos sites e publicações até o final do mês são as previsões feitas antes da festa.

Como uma bolsa de apostas, todo o fashionista que se preze fica imaginando qual peça de qual designer será a escolha de tal atriz (e agora, no caso, diretora) que passará pela porta de entrada do Kodak Theatre.

A brincadeira é divertida. Ainda mais porque já vimos todos os desfiles de Alta-Costura, na semana de Couture de Paris, e os shows das principais maisons das grandes capitais da moda. E dificilmente algo que não pisou na passarela vai pisar no tapete vermelho. O jogo de advinha não fica muito difícil.

Foi assim um dos exercícios do meu curso da Parsons: descobrir quais as inspirações e ideias dos estilistas estariam vestindo as estrelas de Hollywood.

No meu projeto apresentei algumas ideias bem improváveis, como os curtos de Marchesa e Dior ou a alfaiataria de Dolce & Gabbana.

 

(Marchesa)                                      Dolce & Gabbana                           Dior Couture

 

Como eu mesmo imaginava eles apareceram, no máximo, nas after parties _ sobretudo na festinha-glamour da Vanity Vair.

Assim como eu tinha certeza total e absoluta que pelo menos dois vestidos Armani Privé estariam por lá…

 

 

Armani Privé                                      Jennifer Lopez

 

… fiquei muito, mas muito feliz ao ver que a minha principal sugestão vingou! Um embabadado em tons de roxo, Givenchy, vestindo uma das poucas mulheres que poderiam empunhá-lo.

 

 

Quem ainda não a conhece, e gosta de moda, anota aí: Zoe Saldana. Ela é a nova it girl da praça. Atriz de 31 anos, em muito pouco tempo virou referência de estilo para bastante gente. A princesa Neytiri, de Avatar (que também foi Uhutu, de Star Trek), ainda tem quatro filmes para lançar este ano: Takers, Burning Palms, The Losers e Death At A Funeral. E ainda tem tempo para administrar sua própria marca, Arasmaci.

Boa menina… Linda. E ainda deu uma forcinha na minha avaliação de aula.

O vão...

06 de março de 2010 15

Sabe qual a nova moda?

Segundo a Daily Front Row, revista bafo que circula aqui durante a semana de moda de Nova York, a nova onda é “the Gap”.

Não. Não a marca americana de casualwear.

O gap mesmo, espaço entre os dentes da frente que qualquer ortodontista condenaria à prisão em aparelhos metálicos.

Os milímetros entre um dente e outro já tinham virado notícia desde que a modelo boazuda Lara Stone começou a estampar as principais revistas de moda.

 

 

 

Também, uma das finalistas do America’s Next Top Model da última edição foi obrigada a preencher o seu gap porque Tyra Banks não simpatizava com ele. Mal sabia ela que um movimento pró-vão estava chegando a passos ligeiros.

Depois que a revista fez a brincadeira na capa, colocando um espaço falso entre os dentes da top Frida Gustavsson, o assunto não sai das rodas de fashionistas. Não é pra menos.

A Madonna tem. Vanessa Paradis, a francesa sortuda que acorda todos os dias ao lado de Johnny Depp, tem. Jane Birkin, ex-modelo e cantora, também preserva o seu. Vivienne Westwood, a estilista inglesa, uma das melhores do mundo, também tem.

  

   

 (Madonna)                                                   (Vanessa Paradis)

 

  

(Jane Birkin)                                                       (Vivienne Westwood)

 

 

Até eu tenho! (que metida…)

 

 

A minha dentista de infância, dra. Ana Pohlmann, nunca quis mexer no meu gap. E me convenceu a preservá-lo com o argumento mais incontestável de todos: 

 

“Brigitte Bardot tem”

  

 

 

 

Casa nova

24 de fevereiro de 2010 1

Fotos: Paola Deodoro 

 

Uma semana de moda no meio de um parque não é cena muito comum. Pelo menos para quem não é nova-iorquino. Porque quem anda por Manhattan, e passa pela 6ª Avenida, entre as ruas 40, 41 e 42, topar com Naomi Campbell recém saída da passarela ou ver Ralph Lauren chegando para organizar seu show é cena bem comum.

O evento hoje batizado de Mercedes-Benz Fashion Week se divide entre tendas montadas em plena praça desde 1993. A fonte que fica no meio do parque continua lá, dividindo o ambiente e as entradas para cada sala de desfiles. É ali que as pessoas sentam para esperar o próximo show. Ou esperavam.

A próxima edição, em setembro, muda de endereço e se instala no bem-estruturado Lincoln Center. Para ter uma ideia, a fashion week de Nova York é quatro, talvez cinco vezes menor que o São Paulo Fashion Week, que ocupa três andares do gigantesco prédio da Bienal, no Parque Ibirapuera. Por aqui é um ambiente, cercado por oito lounges e uma única entrada para as três salas de desfiles. Tudo muito objetivo e direto. Agora, com toda a área do Lincoln Center, será que as listas de convidados vão aumentar? Ou a badalação vai ser mais intensa?

Quando setembro chegar a gente descobre. E conta tudo.

 

 

Fotos de importantes momentos do Bryant Park enfeitavam os corredores das tendas, como as de Gisele Bündchen (E) e Kate Moss nos bastidores

 

 

 

 

Fern Mallis (de óculos vermelhos), vice-presidente da IMG Fashion, responsável pela organização do evento, comemorou o aniversário entre as centenas de fotógrafos na ponta da passarela, minutos antes do início do show de Tommy Hilfiger, o último desta edição, o último do Bryant Park

Ouro italiano

20 de fevereiro de 2010 3

 

O desfile da Diesel Black Gold foi marcado para as 5h da última quinta. Exatamente na hora que começava uma nevasca em Nova York. Pior. Não era no Bryant Park. Era em um galpão na 41th, com uma entrada pequena, apertada.

Claro que até todo mundo entrar a escova tinha ido pro beleléu, o casaco molhado, sem falar na guerra de guarda-chuvas. E sabe o quê? Assim que entrei, a sensação era de que aqueles italianos tinham passado por um “Extreme Makeover” entre a porta e a sala de desfiles. Que talento para a elegância.

As mulheres são lindas, mas o alinhamento dos homens é impressionante. Natural, genético. É aquela sensação de chegar em Milão, ali pelo Corso Como, e não saber para onde olhar. Todos de paletó ajustado, calça reta, cabelos longos, mas cortados na medida que só eles sabem qual é.

Ok, para mim já estava tudo ótimo. Mas a festa italiana ainda estava por começar. A seção mais elaborada de uma das marcas de jeans mais badaladas do mundo caprichou na apresentação. Com estilista nova, Sophia Kokosalaki, a Diesel Black Gold fez um inverno mais black do que jeans. Kokosalaki se valeu do couro como matéria-prima principal da coleção. Ficou um perfume de motoqueiro contemporâneo, com boa mão de sensualidade nas leggings e nos vestidos muito justos, intercalando o couro com transparências.

Passou por lá também lurex, veludo, flanela, mohair.

Para os meninos elegantes da plateia, a dica: camiseta oversized sob o paletó e calça larga, com gancho solto.

 

 

           

 

 

 

           

 

 

Sem perder a ternura

20 de fevereiro de 2010 2

      Foto: Claudia Silveira

Alexandre Herchcovitch está em casa em Nova York. Fez duas temporadas em Paris, em 2002 e 2003. Mas em 11 de setembro de 2004 estreou na passarela americana. E ficou. A data representativa, o cenário florido, a coleção leve, impecável, ganhou o coração dos novaiorquinos. E do mundo.

Seis anos depois, ele segue conquistando. A coleção para o inverno 2010/2011 mostra o dom sensível do estilista em misturar peso e delicadeza. Em São Paulo, onde a mesma coleção foi apresentada em janeiro, os fashionistas choraram _ assim como choram nos shows do carismático mineirinho Ronaldo Fraga.

A turma de Manhattan não se entregou a tal ponto. Mas os aplausos calorosos, coisa rara por aqui, devem ter embalado bem o sono de Herchcovitch depois do show.

Desta vez as criações foram abrangentes, e passaram tanto pelo preto como pelas estampas mais faceiras. As ideias são pesadas, como vestidos cortados como casacos e peças de renda de tricô rebordadas em dourado. Mas o movimento ainda está lá.

Lindo foi aplicar renda na lã, manobra perigosa, e bordar animadamente as peças lisas, com pedras coloridas.

E foi na sessão de aviamentos que Herchcovitch se deu bem. As aplicações, pedras, tachas (especialmente as quadradas, pontiagudas) e correntes foram os pontos de luz da coleção. Nada que Alê nunca tenha feito. O paetê fosco, bordado em escamas douradas e acobreadas, já desfilou para ele há duas temporadas, em leggings que ainda fazem sucesso por ai. Lindo. Do tipo tão lindo que a gente queria mesmo ver de novo.

 

 

            

 

 

 

           

 

 

Devota de Santo Marc Jacobs da Moda Contemporânea

18 de fevereiro de 2010 2

Sabe quando parece que todo o caminho já foi feito, e que o novo soa como, no máximo, as invenções de Lady Gaga? Uma sensação de que só a melancia no pescoço salva…

Daí, como quem não quer nada, vem lá Marc Jacobs e muda tudo. Começa a trilha: a versão mais romântica possível de Somewhere Over the Rainbow, por Juliette Gréco e Korla Panditt. Em um cenário feito de papel pardo entra o próprio Jacobs e Robert Duffy, presidente da marca, e puxam um grande rolo de papel, revelando uma caixa de madeira. É lá que estão as modelos. Elas começam a se revezar na passarela com um passo forte, marcado, e ainda assim sereno, delicado.

Exatamente como a coleção.

Suéteres, trios de alfaiataria, casacos a meia-altura e até vestidos de broderi desfilaram em tons claros e pálidos, que ganharam companhia de peças mais intensas, com peles, bordados, paetês e veludo. Elegância no grau máximo. Serenidade na medida da necessidade.

Jacobs ganhou o público em momentos específicos. O corte mais aberto das saias em A, a nova forma do terno, com pantalonas e paletó mais longo e mais acinturado, o cardigã de brilhoso, o suéter invertido, as luvas muito longas.

A quem possa interpretar o show como uma revisita, lembranças, déjà vu, uma frase de MJ, do camarim, talvez ajude:

_ Há tanta fome pela novidade agora que a novidade acaba parecendo o menos novo.

 

 

           

 

 

 

 

 

            

 

 

    Fotos: Marcio Madeira / First View

 

               

 

Ficou curioso? Espia o desfile inteirinho.

 

 

 

 

A seus pés

17 de fevereiro de 2010 1

 

 

Que Christian Louboutin, que Manolo Blahnik, que nada… Pelo backstage da Mercedes-Benz Fashion Week, as modelos não tiram dos pés as incensadas botinas Dr Martens. Em Nova York é must-have, principalmente os modelos forrados de pele, para atravessar as nevascas sem cair no chão.

 

Aqui, caiu um grampo: são bem mais bonitinhas que as Uggs, né?

 

No camarim do Miele, as tops R’el Dade e Kelsey Van Mook andaram felizes com suas Dr Martens vermelhas.

 

 

  

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotos: Paola Deodoro

R’el Dade

 

 

 

      

Kelsey Van Mook

 

 

 

 

 

 

Repeat with me: cupuaçu

16 de fevereiro de 2010 2

 

Todo mundo estava tentando pronunciar “cupuaçu”, “fuxico”, “Rocinha”. Pois era dia de desfile do brasileiro Carlos Miele, que tem apresentado sempre sua coleção em Nova York e tem uma loja de cinema no coração do Meatpacking District.

Se aproximando mais e mais do estilo casual, com jeans (amaciado com a tal manteiga de cupuaçu) e tricô na passarela, Miele não tira seus olhos da alta-moda. Em trabalho conjunto com uma cooperativa da favela da Rocinha, no Rio, desenhou um inverno tropical, e garantidamente glamouroso, para gringo ver. E amar.

Teri Agains, toda-poderosa da moda do Wall Street Journal foi até o camarim beijar o criador brasileiro. Perguntou do filho, elogiou algumas peças do desfile, tudo conversado em português _ Teri morou cinco anos no Brasil.

Bom momento brasileiro que está sendo degustado de garfo e faca por Miele. Incendiou com cores fortes misturadas, como vermelho, roxo e magenta. Se aproveitou destes tons para estampas geométricas. Apertou a silhueta em um perfil bem ajustado, contornado por correntes bem finas. Tudo o que o Brasil sabe fazer e divulgar.

Claro que os grandes e luxuosos vestidos de festa, marca do estilista durante muito tempo, fazem falta. Mas não é de se reclamar. O vestido de renda guipure preta sobre a seda dourada é trabalho de mestre. A mistura de texturas _ fuxico, renda, plissado _ em vestidos de noite sempre é bem-vinda. E o poncho de pele usado com uma calça oversized, clochard, preta, é uma imagem bem boa de lembrar.

 

 

           

 

 

 

 

           

 

 

  

O olho (e a mão) do dono

16 de fevereiro de 2010 1

Sentei bem mal no desfile da Carolina Herrera. Oitava fila.

Não que eu ache que tenha que ficar na primeira sempre. Mas lá de trás não dá pra ver muita coisa, convenhamos.

Mas tava eu, tentando entender os detalhes das peças superovermegamix glamourosas da coleção quando olho para a boca da passarela e vejo Ms. Herrera, ajoelhada, arrumando a barra de um vestido antes de a modelo pisar na passarela.

Ganhei o dia. Cada vez que me abaixar para arrumar a roupa de uma modelo vou lembrar de Carolina Herrera, aristocrática, de camisa branca, linda, linda, puxando a cauda, apertando o cinto de suas modelos, arrumando os chapéus… Isso! Os chapéus. Um dos grandes momentos do desfile.

A opção foi pelo modelo grande, de abas largas, enfeitado com aplicações generosas de flores ou penas. Difícil de adotar, mas quando bem usado, faz a diferença necessária. Ainda na seção de acessórios, os cintos vermelhos serviram como marca desta coleção, principalmente os de veludo.

As calças amplas, como pantalonas, e os detalhes em pele nas peças são sinais fortes do próximo inverno. Alguns tecidos brilhosos e a atenção especial para o movimento das mangas foram os elementos que ajudaram a atualizar o vocabulário elegante de Carolina Herrera.

Reclamei de graça, né? Até que deu pra enxergar um pouquinho…

 

Fotos: Marcio Madeira / First View