Estes dias, eu li que uma lei estava sendo proposta para fazer cumprir o Estatuto da Criança e Adolescente (Eca), que é um conjunto de leis. Pensei: “fazer lei para fazer cumprir a lei é uma viagem”. Afinal, por que nasceram as leis?
Num primeiro momento, para botar ordem em coisas que estavam virando bagunça ou para evitar que as coisas virassem bagunça. Foi assim desde o Éden, o jardim onde foram colocados Adão e Eva. Deram a eles um monte de árvores, mas lhes foi dito que de uma, em particular, não poderiam comer. A intenção daquela árvore era somente ter um parâmetro de ordem, para evitar que não sobrasse nada.
Conversando sobre isso com uma tiazinha no Centro, ela matou a charada: as leis só existem porque as pessoas não têm bom senso. Por mais simples que pareça a conclusão dela, é a mais pura verdade. Se roubar não rendesse uma cana, teria um monte de mãoleve por aí. Na verdade, as pessoas deveriam pensar em não roubar
não por medo da cadeia, mas porque é errado pegar o que é dos outros.
Outro exemplo é o cinto de segurança. Quando eu entro em um carro, a primeira coisa que o motorista fala é: coloca o cinto. A maioria faz isso não por estar preocupado com minha segurança, mas por medo de ser multado.
Para mim, o exemplo mais absurdo são as leis de acessibilidade. Foi preciso criar leis para fazer portadores de necessidades especiais terem acesso a locais públicos.
O outro lado dessa moeda são alguns picaretas legisladores que criam leis para aumentar o próprio salário, para evitar que eles mesmos sejam presos, e por aí vai. Nessa hora, eles seguem as leis do “eu primeiro”, do “menor esforço” e outras.
Mas, no fim das contas, se cada um exercitasse a arte de usar o bom senso, a solidariedade e se colocasse no lugar dos outros, não precisariam existir tantas leis.
Postado por Manoel Soares

