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Posts de agosto 2009

A lei do bom senso

28 de agosto de 2009 2

Estes dias, eu li que uma lei estava sendo proposta para fazer cumprir o Estatuto da Criança e Adolescente (Eca), que é um conjunto de leis. Pensei: “fazer lei para fazer cumprir a lei é uma viagem”. Afinal, por que nasceram as leis?

Num primeiro momento, para botar ordem em coisas que estavam virando bagunça ou para evitar que as coisas virassem bagunça. Foi assim desde o Éden, o jardim onde foram colocados Adão e Eva. Deram a eles um monte de árvores, mas lhes foi dito que de uma, em particular, não poderiam comer. A intenção daquela árvore era somente ter um parâmetro de ordem, para evitar que não sobrasse nada.

Conversando sobre isso com uma tiazinha no Centro, ela matou a charada: as leis só existem porque as pessoas não têm bom senso. Por mais simples que pareça a conclusão dela, é a mais pura verdade. Se roubar não rendesse uma cana, teria um monte de mãoleve por aí. Na verdade, as pessoas deveriam pensar em não roubar
não por medo da cadeia, mas porque é errado pegar o que é dos outros.

Outro exemplo é o cinto de segurança. Quando eu entro em um carro, a primeira coisa que o motorista fala é: coloca o cinto. A maioria faz isso não por estar preocupado com minha segurança, mas por medo de ser multado.

Para mim, o exemplo mais absurdo são as leis de acessibilidade. Foi preciso criar leis para fazer portadores de necessidades especiais terem acesso a locais públicos.

O outro lado dessa moeda são alguns picaretas legisladores que criam leis para aumentar o próprio salário, para evitar que eles mesmos sejam presos, e por aí vai. Nessa hora, eles seguem as leis do “eu primeiro”, do “menor esforço” e outras.

Mas, no fim das contas, se cada um exercitasse a arte de usar o bom senso, a solidariedade e se colocasse no lugar dos outros, não precisariam existir tantas leis.

Postado por Manoel Soares

Desafio da oncinha

21 de agosto de 2009 0

Texto publicado no Diário Gaúcho de hoje (21 de agosto de 2009).

Não adianta fazer planos na vida sem enfrentar as mudanças que precisam ser feitas, por piores que pareçam. Investir nos planos sem resolver os problemas que nos acompanham há anos é como construir castelo de areia, mais cedo ou mais tarde, tudo desmorona. Isso se reflete em diversas áreas, entre elas, a financeira.

Tem um monte de maluco que pega uma graninha e, em vez de pagar as contas antigas, fica com dois pepinos: um de sustentar o novo investimento e outro de
aguentar as baforadas no cangote de quem quer receber.

Tudo passa por um planejamento de vida. Não precisa ser nada muito elaborado, mas temos que ter compromisso com o que planejamos. Porque no meio do caminho, as dificuldades chegam, e temos que tirar de um santo para vestir outro.

O melhor é prever que alguma emergência vai chegar. Se não vier, nós temos uma grana extra. Muitos de nós não conseguem ter R$ 50 na carteira e não gastar. É como se fosse uma obrigação fazer a oncinha sair dali. Mas, depois de trocado, o dinheiro some.
É por conta disso que lançamos aqui o desafio de fazer uma oncinha passar quinze dias na carteira. Pode parecer besteira, mas é algo extremamente difícil para quem é consumidor compulsivo. Se conseguirmos fazer isso, vamos educar nosso senso de consumo.

Uma dica que recebi de um amigo é, antes de comprar, se perguntar: é necessário mesmo gastar essa grana? Eu realmente preciso disso que quero comprar? Quando o gasto for maior de R$ 200, uma boa dica é dar sete dias de tolerância. Se, depois desse período, vermos que o que queremos é fundamental, vale a pena investir.

O último toque é avaliar se aquilo que estamos comprando vai nos ajudar a recuperar o investido. E não esqueçam do desafio da oncinha, vamos ver quem consegue segurar esse bicho na carteira. Forte abraço.

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Postado por Manoel Soares

Os aborrecentes de hoje

14 de agosto de 2009 0

Texto publicado no Diário Gaúcho de hoje (14 de agosto de 2009).

Adolescente é um bicho complicado. Às vezes, pensa uma coisa, fala outra e nós entendemos outra. O resultado é um punhado de estresse em casa que vai além da compreensão humana.

Eu vivo com dois adolescentes e entendi algumas coisas. Jamais aceitar suas provocações é uma delas, o que eles querem é ganhar espaço. Seria como se um time da terceira divisão desafiasse o campeão da primeira. Se o time da primeira ganhar, não faz mais do que sua obrigação. Se perder, é pagação de mico.

Nesse caso, o melhor é desenvolver a capacidade de colocar o cidadão no lugar dele sem perder o controle da situação. Os adolescentes, no fim das contas, querem ser reconhecidos como adultos, é neste reconhecimento que moram seus anseios.

Cabe a nós, adultos, ter jogo de cintura para apresentar-lhes os dois lados da vida. Para cada gesto de liberdade dar uma responsabilidade pode ser um caminho. Por exemplo, quer chegar depois das 22h em casa, passa a pagar metade do aluguel ou metade da conta de luz. Se a resposta for que não tem como pagar porque não trabalha, então, terá um longo caminho até chegar depois das 22h em casa.

Porém, para não sermos cascas duras, podemos, em situações especiais, permitir que cheguem às 23h. Assim, não entramos em conflito e não cedemos por completo. Entretanto, lembre-se: adolescente adora provocar. Ele quer levar tudo para o campo da discussão, pois, ali, pode fazer o que quiser. Fazer você sair do controle, para ele, é sinal de poder.

Agressão física é roubada, pois rompe o laço de respeito. O melhor castigo para adolescente é o que alguns chamam de barranco: um silêncio fúnebre que separa a pessoa que se passou e quem ele devia respeito.

No fim das contas, temos de ter calma. Quem já enfrentou a peleia sabe: eles poderiam ser chamados de aborrecentes. Mas (o bom dessa história), essa fase passa!

* Leia outras colunas de O Aprendiz

Postado por Manoel Soares

Não pode ser artigo de luxo

07 de agosto de 2009 0

Texto publicado no Diário Gaúcho de hoje (7 de agosto de 2009).

Na semana passada, comentei que, por engano, depositaram R$ 98 mil na minha
conta. O dinheiro é de uma prefeitura da Região Metropolitana. Prometi aos amigos que ia pensar no que fazer e responder hoje.

O que me espantou foram as diferentes reações. Para vocês terem uma ideia, recebi mais de 900 e-mails e, desde já, agradeço a atenção dessa galera. Também ao pessoal do samba e do rap, aos garçons, às tias nas ruas. Todo o mundo tinha algo a dizer sobre a situação. Entre essas reações, houve a de um empresário, que me ligou para dizer que colocava o corpo de advogados da empresa dele à disposição caso eu quisesse tentar juridicamente ficar com o dinheiro.

Por incrível que pareça, não foi o único. A maioria das pessoas com grana que chegavam a mim me dava orientações de como poderia não devolver. Por outro lado, ontem, quando eu comia num restaurante no Centro de Porto Alegre, a garçonete disse que, se eu ficasse com aquele dinheiro, Deus iria me castigar.

Outra senhora,que faz faxina na RBS TV, falou que, nem se fosse R$ 1 milhão, valeria a pena, pois nada melhor do que deitar a cabeça no travesseiro e ter a consciência tranquila. Vou deixar de onda, na verdade, na sexta feira passada, ao fim do dia, os donos do dinheiro foram contatados e a grana foi devolvida.

Não devolvi somente porque a galera das quebradas bota fé em mim, mas por um motivo simples: o dinheiro não é meu. Se eu gastasse ou ficasse com ele, seria roubo. A honestidade mandava que somente uma coisa fosse feita, e foi. É por distorcer o que é honestidade que muitos políticos se acham no direito de roubar, empresários sonegam impostos, pessoas acreditam ter direito de levar vantagem sobre tudo e todos.

Em respeito ao que minha mãe me ensinou e à consideração que a galera tem por mim, meu coração não ficou triste de ver quase R$ 100 mil saírem da minha conta bancária. A lição que ficou: honestidade não pode ser artigo de luxo.

* Leia outras colunas de O Aprendiz

Postado por Manoel Soares