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Posts de setembro 2009

Última trincheira

25 de setembro de 2009 4

Pior que ver a juventude metida à besta enfiar os pés pelas mãos, e desrespeitar tudo e todos, é ver pai, mãe e "entendidos" encontrando argumento para advogar em cima dos erros desta geração que está vendo o mundo de forma errada.
Nesta semana, bati um papo com a vice-diretora que fez um aluno limpar a parede que pichou. Percebi que ela estava bem abalada com a visibilidade repentina e a polêmica que surgiu por conta disso. Apesar do apoio da galera ao que ela fez, observei um monte de pedagogos e pesquisadores em educação dizerem que ela fez o que era certo, mas da maneira errada.
Cada um tem direito de ter sua opinião e eu respeito os caras que estudaram anos para chegar a essa conclusão, mas, na boa, já vi meninos de 15 anos com a cabeça estourada no asfalto por causa de briga na escola, já vi professor ser perseguido por estudantes na saída do colégio, já vi professores não aceitarem que fizéssemos palestras contra o crack na escola deles porque alunos que traficam no seu colégio poderiam não gostar.
Alguns jovens agem como animais selvagens, protegidos por uma legislação que volta e meia é manipulada a favor de condutas erradas. Ver a mãe do jovem reclamando do tratamento que ele recebeu só me convenceu de uma coisa: a fruta não cai longe do pé.
Se eu fosse a vice-diretora Maria Denise, não tinha feito aquilo, não mandava o menino limpar a parede que ele pichou, mandava a mãe dele, pois existem certas coisas que deveriam vir do berço. Se essa mãe ficou maguadinha ao ver a professora disciplinar seu bebezinho, não faz ideia do que pode acontecer com ele numa cela de presídio. Se ele não aprendeu limites quando criança, tem de aprender agora. O próximo estágio, depois da professora, é a Brigada Militar. E pode ter certeza de que, se, com a Brigada, ele der aquele sorrisinho cínico que deu para a vice-diretora, vão fazer bem mais do que levantar o boné dele.
Professores, não recuem em disciplinar seus alunos por conta do que está acontecendo, talvez, vocês sejam a última trincheira antes de esses jovens caírem em roubadas na vida.

Postado por Manoel Soares

Ficamos felizes...

23 de setembro de 2009 1

Nossa felicidade é porque depois de andar mais de 2 km em ruas alagadas mostrando histórias que há mais de vinte anos se repetem ans Ilhas de Porto Alegre e Região metrpolitana, a Sema, Secretaria de Meio Ambiente do Estado deu uma resposta positiva as milhares de famílias a respeito dos aterros que podem evitar que as casas sejam tomadas pelas próximas chuvas. De acordo com a Sema, com a devida autorização os moradores terão liberação para fazer aterros.

O Jornal do Almoço agradece a Dra Vânia da Costa pela atenção não somente à nossa solitação de entrevista, mas a atenção dedicada as comunidades. Aguardamos os passos seguintes para que a Comissão de Meio ambiente da Assembléia Legislativa faça a remarcação da área ambiental do parque, pois assim as milhares de famílias que hoje sofrem a cada chuva sejam atendidas de forma digna. 

Queremos agradecer também aos alunos da escola Hiroshima pela bela apresentação, é muito bom ver que apesar das histórias tristes as Ilhas produzem maravilhas como vocês, desde já nos colocamos a disposição.

Para quem não pode assistir o JA deste dia 23/09/09 aqui vai.

Forte abraço.

 

  

Postado por Manoel Soares - Porto Alegre

O drama das Ilhas

21 de setembro de 2009 0

   

Amigos,

 

esta série foi de arrepiar, primeiro porque estávamos falando de um fato que já estava passando, como televisão é feita do que acontece, falar do que já aconteceu sem ficar com cara de coisa antiga é um parto, mas arregaçamos a barra das calças e fomos.

 

 No primeiro dia de visita a região das ilhas fomos eu, Guto Teixeira, que por sinal foi nosso fotógrafo, e o Giancarlo Bazi, mais conhecido como Caco, ao chegarmos na ilha, fomos até corneteados pela comunidade, afinal as equipes de TV chegam lá sempre com as mesmas perguntinhas chavões, as tias apontavam com o dedo e perguntavam: vão pagar para eu falar? E todo mundo caia na risada. Como não sou de arregá, fui até as tias e perguntei que elas achavam que deveria ser feito para que as enchentes parassem, uma olhou para a cara da outra com ar de espanto, depois de gaguejarem um monte me recomendaram falar com o “Bin Ladem” do beco 18, só tinha uma questão, no beco 11 a água já passava da canela, nessa hora bateu o pavor.

 

 Como a principal forma de renda da comunidade é a reciclagem, nas ruas inundadas boiavam todo tipo de lixo, o cheiro que saia era de urina fermentada, nessa hora o Caco me olhou e disse: Se você topar eu vou sem estresse.

 

Estávamos sob a mira das vizinhas pescoçudas, que afiavam as línguas nos molares para gritar aos quatro ventos que o pessoal da RBS não teve coragem de colocar o pé no barro, que esse papo de social era tudo cão, confesso a vocês que estava disposto a engolir o apedrejamento verbal, afinal se eu pegasse uma leptospirose elas não iam cuidar de mim. Nessa hora vi um menino de uns 9 anos entrando na água descalço,

 

 usava uma bermuda e uma camisa surrada, como ele estava na beira tentei ir até ele para pegar um entrevista, ele tampou o rosto como se fosse um crime morar naquelas condições, ele estava certo, era um crime, mas ele não era o criminoso e sim as autoridades que há mais de vinte anos permite absurdos como aqueles, aceitei o convite do Caco e acompanhado pelo Guto, entramos enchente adentro, foi uma das melhores decisões que tomei na vida, as reportagens que se seguem explicam o porque.

 

 

Postado por Manoel Soares - Porto Alegre

Baita entrevista... http://emnegritto.zip.net/

19 de setembro de 2009 2

Gente essa entrevista está no blog de uma grande amiga e recomendo que dêem uma visitada, Fernanda Rodrigues é um expoente do jornalismo negro gaúcho que alia um texto responsa a qualidade narrativa que pode ser conferida no http://emnegritto.zip.net/

 

Espero que gostem:

 

 

 OI MUNDO!

EU SOU A FERNANDA RODRIGUES, MAS PODEM ME CHAMAR DE NANDA... NEGRA, JORNALISTA, GAÚCHA, FELIZ... NÃO NECESSARIAMENTE NESSA ORDEM! CHEIA DE IDÉIAS NA CABEÇA E LEMBRANÇAS NO CORAÇÃO, RESOLVI DIVIDIR TUDO COM VOCÊS, POR ISSO... EIS AQUI MEU BLOG! AQUI VOCÊS ENCONTRARÃO MINHAS HISTÓRIAS, MINHAS POSIÇÕES, MEUS AMORES E MEUS (POUCOS) DESAFETOS TAMBÉM, ALÉM DE PERSONALIDADES QUE HONRAM ESSA MINHA RAÇA NEGRA QUE AMO! FIQUEM À VONTADE E DIVIRTAM-SE TANTO QUANTO EU!!!

NANDA



Escrito por Fernanda Rodrigues às 19h31
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IVANETE PEREIRA - UMA MULHER DE VALOR

Conhecem o ditado “pau que nasce torto, morre torto”? Ivanete Pereira, coordenadora da Centra Única das Favelas, a CUFA-RS é a prova de que quem nasce para fazer o bem, não muda por mais difícil que a vida se mostre.

Moradora da Vila Cruzeiro, em Porto Alegre, Ivanete não é mãe e porto seguro apenas para seus seis filhos, mas de muitos outros. Muitos deles a chamam de mãe de fato, como eu...

A menina que cresceu andando pelas ruas do país pensando que não tinha valor, se transformou em uma mulher guerreira que coordena o grupo de teatro Tumulto, formado por crianças e viabilizado pela CUFA, participa de grupos de apoio a mulheres, faz parte da campanha Crack Nem Pensar no estado e ainda se transforma em Lady Nete quando sobe no palco para cantar seu rap. Sou suspeita para falar, mas ela é incrível! Confiram...

 

Fernanda Rodrigues: Vamos começar do começo, onde a senhora nasceu?

Ivanete Pereira: Nasci na Chapada Diamantina, em uma cidade chamada Morro do Chapéu, no dia 10 de dezembro de 1960. Eu tinha uma família grande. Eu era a antepenúltima filha. Infelizmente, minha mãe faleceu em um parto e meu pai teve que doar os filhos. A situação ficou difícil, pois onde eu morava havia até onça na porta de casa para comer as criações. Na Bahia se criava galinha, cabras, e as onças apareciam. E meu pai trabalhava retirado. Minha irmã mais velha tinha apenas 10 anos de idade e cinco irmãozinhos para cuidar. Nessa época na Bahia o regime escravo já havia terminado, mas apenas no papel, e minha mãe havia sido mucama de uma moça que se casou e, quando soube que ela faleceu, ficou com muita pena e pediu os filhos da minha mãe. Foi muito doloroso. Nessa época eu chamava minha irmã de dez anos de mãe.

 

FR: A senhora lembra dela, da sua mãe?

IP: Tenho algumas lembranças. Dizem que ela foi muito guerreira, sofrida. Aos vinte e poucos anos ela já era mãe de seis filhos. Meu maior sonho era ver minha mãe, seu rosto... Naquela época não existia fotografia por lá, mas dizem que sou muito parecida com ela. Eu tenho essa esperança que um dia Deus me abençoe de alguma forma e eu possa saber como era minha mãe. Mas tenho a certeza de que ela foi muito valente.

 

FR:Então a semelhança entre vocês não era apenas física!

IP: Acho que não! Naquela época ela tocava a roça, uma coisa que só os homens faziam. Uma vez os Revoltosos passaram pela região. Ela estava sozinha, mas deu comida a todos eles, fez almoço para aqueles homens que comeram e foram embora sem fazer nada com nossa família. Isso mostra como era Dona Maria, guerreira e com postura. (continua)



Escrito por Fernanda Rodrigues às 19h23
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Eu, Lady Nete e colaboradoras do grupo de teatro Tumulto

FR: Ela ainda parece ser muito presente para a senhora, né?

IP: Sempre. Eu tive uma infância muito difícil, sabe Fê? Eu apanhei muito... passei por muita coisa que me magoou, e sempre eu pensava: “mãe, vem me buscar”. Na hora do sofrimento a palavra era mãe! Hoje não entendo como uma mãe pode deixar de ser presente na vida de uma filha. A minha me fez tanta falta!

 

FR: Eu vi em uma entrevista de um filho seu que a senhora foi trocada por uma máquina de costura quando jovem, é verdade?

IP: Eu fui jogada muito cedo nas ruas. Lá na Bahia as pessoas realmente negociavam, e até hoje negociam seu povo. Quando criança as pessoas me davam e me trocavam por qualquer coisa. Muito cedo me jogaram fora. Aos cinco eu já trabalhava e se eu não fazia um bom trabalho, era trocada. Lembro-me de ouvir: “essa negra não vale um juá!”, mas eu sabia que dentro de mim eu tinha valor. Ninguém na família me deixava estudar, quando alguém engravidava, eu tinha que parar tudo para cuidar daquela criança que ia nascer. E se eu respondia, arrumavam minhas coisas e me mandavam embora. E o pior é que eu respondia...

 

FR: Por saber que estava certa?

IP: Também. Uma vez uma lata de água furou e me bateram. Nesse dia eu disse que iria embora quando meu pai voltasse. E eu rezei muito para que ele aparecesse, mas ele não apareceu. E me mandara embora com uma trouxinha de roupa.

 

FR: Com quantos anos?

IP: Uns nove... uma criança... fiquei na rua chorando embaixo de uma árvore até que fui acolhida por uma família que me ajudou.

 

FR: E a vida melhorou?

IP: Não... a minha dor maior era que as pessoas para quem eu trabalhava não lutavam por mim. Ninguém lutava, nem minha família. E eu pensava: “meu Deus, eu não valho nada”! E eu me perguntava porque eu não valia nada, porque ninguém cuidava de mim. (continua)

 



Escrito por Fernanda Rodrigues às 19h20
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FR: E quando Ivanete virou mãe?

IP: Essa família que me acolheu mais tarde também me escorraçou. Uma das crianças que eu cuidava se machucou e a mãe dele me bateu no rosto... várias vezes... e me mandou embora! Eu fiquei revoltada, pois eu não conseguia cuidar de três crianças sendo criança também. Fui embora e surgiu a oportunidade de eu ir para São Paulo. Perguntei para meu pai o que ele achava e ele disse: “vá, bote o pé na estrada e veja no que dá tua sorte. Se der certo, fique. Se não der, volte. Aqui sempre terá arroz, feijão, farinha e pimenta pra você!” Mas a pessoa para quem eu trabalhava me disse para não ir, pois eu só iria arrumar uma barriga lá. Eu fugi e fui, e foi exatamente o que aconteceu!

 

FR: Engravidou?

IP: Sim, com quinze anos tive meu primeiro filho em São Paulo. Quando fui para lá era pra ganhar dinheiro, mas quando cheguei não era nada daquilo. Me bateu uma dor, uma saudade, uma depressão, mas toquei a vida. Comecei a namorar e engravidei. Ele não queria responsabilidade e me vi sozinha mais uma vez, mas agora em São Paulo e com um filho. Trabalhei até o dia de ir para a maternidade. Depois que ele nasceu minha vida começou a girar em torno dele. Voltei para a Bahia, meu pai me acolheu como nunca havia me acolhido. Ele queria até registrar meu filho para eu não ser mãe solteira, o que me fazia sentir muita vergonha. Eu não permiti, mas ele me ajudou muito! Foi nessa época que fiz minha primeira faxina, para registrá-lo. Cheguei a trabalhar em uma casa onde eu nem ganhava nada, era só a comida para ele. Hoje meu filho tem 33 anos.

 

FR: E depois desse primeiro filho, quando teve o retorno para o sul?

IP: Depois de voltar para minha cidade eu deixei meu filho mais velho lá e fui trabalhar em Salvador. Lá conheci o pai dos meus outros três filhos, dois homens e minha única filha. E foi quando comecei a sofrer a violência doméstica. No namoro era tudo maravilhoso, mas depois que os filhos nasceram tudo mudou! Foram 11 anos em que eu praticamente não existia. Meu pai chegou a me visitar em Salvador e quando voltou para Morro do Chapéu ele começou a construir um puxadinho. Isso porque ele viu o que eu passava e sabia que eu não viveria com ele muito tempo. Quando perguntavam ele respondia: ”Isso será para minha filha poder viver com seus filhos quando vier embora”. Eu só soube disso depois que ele morreu...

 

FR: E foi difícil dar um basta nessa violência?

IP: Sim, eu não me separava porque esperava que ele fosse mudar. A violência doméstica é muito terrível. Resolvi mudar no dia que vi uma mulher apanhando muito do marido e os filhos indo contra ele. Na hora eu peguei a minha vida e levei para a vida daquela mulher e vi meus filhos naquela situação. Lutando para que eu não fosse agredida. Então decidi que não era o que queria para mim e para meus filhos. Mesmo assim é difícil, acham que a mulher apanha por ser descarada, mas muitas não têm opção. Fui chamada de descarada pelo meu próprio irmão. Eu também não tinha escolha, então ele me disse: “vou te mandar um dinheiro e você o larga, me prova que presta”. Ele fez a parte dele e me mandou o dinheiro, eu fiz a minha... consegui romper com ele e fui para São Paulo tocar a vida. Trabalhei e tive mais dois filhos.

 

FR: E quando o Rio Grande do Sul entrou na vida dessa família?

IP: Também fugindo da violência. Para tirar meus filhos dela. Meu irmão já morava aqui em Porto Alegre e viemos de São Paulo para cá. Meu irmão trouxe um dos meus filhos. A vida melhorou, mas meu irmão perdeu a firma onde trabalhava com meu filho e tudo ficou difícil novamente. Meu irmão voltou para São Paulo e meu filho ficou sumido aqui. Eu sofri muito. Eu cuidava das pessoas na rua, se eu visse alguém com fome, eu dava alimento, sem passagem para o ônibus, eu pagava. E rezava: “Deus, cuida do meu filho onde ele estiver”. Ele não me procurava porque passou por tempos muito difíceis aqui. Até que um dia ele me ligou e foi uma emoção enorme! Nem acreditava que estava reencontrando meu filho! No ano 2000 vim conhecer Porto Alegre e gostei muito. Achei parecido com a Bahia de certa forma, vi uns rastafaris como eu no Gasômetro e pensei: é isso que quero para minha vida, é aqui que quero morar. Essa cidade me acolheu. Sou uma pessoa que sempre quer um colinho. E Porto Alegre me deu esse colo! (continua)

 

 



Escrito por Fernanda Rodrigues às 19h16
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Ivanete em cena com meninos do grupo Tumulto

FR: E a Central Única das Favelas?

IP: Um dos meus filhos conheceu o MV Bill e começou a fazer esse trabalho e me chamou para fazer parte. Novamente questionei meu valor e pensei “o que vou fazer?” Sempre fui doméstica, não estudei e não gosto de estar em lugar nenhum só por carteiraço. Eu tenho que estar ali pra fazer alguma coisa. Quando era nova fiz teatro na Bahia, então resolvi fazer teatro com esses meninos. Voltei a estudar, o teatro do Oprimido, técnica de Augusto Boal, e estamos tocando com oficinas semanais. Todos esses meninos têm uma história e eu aprendo muito com eles.

 

FR: Quantas crianças são?

IP: Ao todo são mais de 70 crianças. Tenho pessoas que também se uniram ao projeto e me ajudam. Eu os ajudo, mas eles me ajudam muito! Sempre que fazemos o bem para alguém, na verdade fazemos para nós mesmos, e não é diferente com o trabalho de transformação que faço com esses meninos.

 

FR: E quando nasceu a Lady Nete?

IP: No início do trabalho com a CUFA um dos meus filhos me disse que o trabalho era ligado ao hip hop. Eu ao sabia o que era, pesquisei, e vi meu outro filho fazendo rima. Disse a ele que eu também sabia fazer! Começamos a cantar juntos! Como já existiam a Negra Li, a Nega Gizza, meu filho disse que eu seria diferente, seria lady... A primeira vez que me apresentei foi no Gasômetro. Quando entrei no palco me deu um branco de ver um dos meus filhos comigo cantando, o outro filmando, foi muito emocionante... eu no palco com meus filhos! Eu não lembrava a letra, mas no final deu certo! Cantamos “Os manos na função” e foi muito legal!

 

FR: Com tantas atividades a senhora ainda tem tempo para outras coisas??

IP: Temos também a oficina de mulheres e ainda estudo muito! A criança sofrida dentro de mim chora muito ainda, mas eu cresci. Impediram aquela criança de fazer muita coisa, mas a mulher aqui vai ser difícil! risos Tenho objetivos. Lei muito a Bíblia há 20 anos, conheço as leis de Deus e to sempre estudando para conhecer também a dos homens. Fiz curso de promotora legal popular que me deu um embasamento muito forte, sei como defender uma criança e to lutando pelas que posso! Aprendi que ter um filho é uma dádiva de Deus e temos que cuidar deles, e muito bem! Eu luto por esses meninos... Em cada um deles eu vejo a menina que fui e cuido como gostaria de ter sido cuidada. Já fui a Brasília e fico emocionada em saber que as idéias que dei naquelas discussões com mulheres do país todo viraram lei para melhorar nossa vida. É um orgulho! Aquela menina que todos diziam não valer nada... eu não valia nada... é emocionante ver que Deus me deu esses presentes.

 

FR: Me conte u sonho que aquela menina tinha e conseguiu realizar? E qual o sonho que a mulher valorosa de hoje ainda espera conquistar?

IP: O sonho da menina está sendo realizado que é ajudar essas crianças. E hoje meu sonho é ver as drogas, e principalmente o crack deixar de existir. Temos que unir para destruir o crack e ajudar esses jovens! Tenho muitas pessoas que amo muito afetadas por essa droga, a cura é a prevenção e eu estou na luta contra ele.

Postado por Manoel Soares - Porto Alegre

Coluna: O bagulho é "pedrominante"

18 de setembro de 2009 0

Tenho percorrido o Estado fazendo palestras sobre o crack, e conhecido muitas realidades diferentes, desde meninos que, na fissura, batem com a cabeça na parede a noite toda até mães que sonham com a morte do filho que está na pedra.
O que me dói é que os políticos que estão no poder não descruzam os braços, ficam colocando a responsabilidade nas costas da polícia e dos hospitais, mas, quando o assunto é gerar oportunidade para a molecada, levam na brincadeira. Em todas as comunidades que vou, vejo que não entrar no tráfico é cada vez complicado. Todo mundo sabe que, se pegar o menino de 14 anos e colocá-lo num processo profissionalizante, as chances dele são maiores, porém, como isto não dá voto, ficamos comendo grama na mão da pedra.
As meninas são empurradas para um universo de prostituição que leva bem mais que a virgindade, leva os sonhos e embala um processo depressivo que tenta ser estancado com a pedra. Aliás, a depressão de ser a carne mais barata abre precedente para um universo "pedrominante" no qual as regras são ditadas pela sua capacidade de ficar em transe.
Não sou daqueles que deixam as condições vergonhosas as quais somos submetidos virarem argumento para se atirar nas cordas. Na boa, homem que é homem, mulher que é mulher não se mistura com esse lixo chamado crack.
Conheço pessoas que tinham tudo para se entregar, no entanto, resistem e ficam em pé. As coisas que vejo me mostram que quem cede ao crack é o fraco de espírito, sem base sólida. Muitos boiavam num oceano vazio e viram na pedra uma forma de se salvar. Desculpem, mas tentar fugir do afogamento se agarrando numa pedra é, no mínimo, falta de inteligência. Repito: o bagulho é "pedrominante".

*** Texto publicado no Diário Gaúcho desta sexta-feira.

Postado por Manoel Soares

ídios da vida.

12 de setembro de 2009 1


As vezes fico aqui empilhado no meu morro com meus pensamentos perdidos vendo a chuva cair me perguntando: o que eu faço com o que vejo e não se encaixa? Sim porque as coisas que vemos precisam ser encaixadas em algum lugar, mas na desordem esculhambada que os mais pobres foram jogados no decorrer da majestosa construção do que chamamos de sociedade uma porrada de coisa ficou de fora, então repito minha pergunta: o que fazemos com o que não se encaixa? Não menosprezando você leitor, mas para entender meus pensamentos tentarei ser mais claro: o que fazemos com as favelas do litoral no inverno? O que fazemos com os moradores de rua quando eles voltarem para casa? O que dizemos ao usuário de crack quando ele disser que quer sair? Alguns de nós se contentam com as balelas ditas por meia dúzia de gestores públicos que não querem perder seu CC dado pelo partido, mas a verdade é que foram poucos que vi terem a caneta na mão e boa vontade de fazer acontecer. Até que os justos cheguem até as cadeiras de comando veremos indiogenocídios, afrogenocídios, pobregenocídio e todos os “ídios” que não se encaixam. Na boa vou dar um role de bicicleta antes que fale merda num espaço tão ilustre como este, se quando voltar a idéia brilhar eu continuo nosso papo.

Postado por Manoel Soares

Cotidiano indígena: tradição, cultura e descaso...

12 de setembro de 2009 0

Postado por Manoel Soares - Porto Alegre

A Caxias que não aparece...

12 de setembro de 2009 0

Postado por Manoel Soares - Porto Alegre

A Cultura viva da Norte...

12 de setembro de 2009 0

Postado por Manoel Soares - Porto Alegre

Vila Gaúcha, o por do sol dos deuses...

12 de setembro de 2009 0

Postado por Manoel Soares - Porto Alegre